Tecnologia

 

Automação nos Currais

Carlos Gonçalves*

Falar de automação nos dias atuais não parece ser nada inovador, até porque ela está presente em nossas vidas em todo o instante, desde o despertador que nos acorda, semáforos, escadas rolantes, portas automáticas, catracas, caixas eletrônicos e inúmeras coisas que passaríamos dias para detalhar.

A palavra automação vem da tradução do Latim automatus, que significa mover por si, criada com o intuído de diminuir a mão de obra humana e melhorar o processo produtivo das indústrias. Via de regra, reduz os custos e aumenta a velocidade da produção.

Sabendo-se que a mesma ganhou força em meados do século XVIII na Inglaterra e evoluiu muito com o passar dos anos, basta lembrarmos dos antigos trens movidos a vapor comparados ao atual trem-bala japonês.

A indústria foi a precursora na utilização dessa técnica e, com isso, deu-se início à produção em série de vários produtos. Nas últimas décadas, a agricultura passou a utilizar essas ferramentas para melhorar os processos de plantio, controle de pragas, colheita e armazenamentos da produção em longa escala, e, neste momento, é a Pecuária que entra de vez nesse mundo da automatização.

Onde se usa na Pecuária?

Vamos usar como exemplo uma unidade de confinamento bovino, com 10.000 animais, sejam eles estáticos ou rotativos, esses deverão receber diariamente alimento nos cochos, com dosagem controlada, alimentos que passaram por vários processos, plantio, colheita estocagem, mistura até chegar ao cocho.

E em todas essas etapas a automação esteve presente, desde as plantadeiras e forrageiras, até os misturadores e vagões, assim melhorando a eficiência produtiva de cada etapa.

Falando agora do manejo com os animais, sabemos que esses serão recepcionados no curral, identificados, pesados, vermifugados, apartados e direcionados a suas baias de cochos e posteriormente deverão ser repesados para acompanhamento do seu desempenho.

Alguns serão obrigados a passarem por intervenção veterinária, seja por manejo tradicional ou algum caso específico e, no final do processo de terminação, ainda serão novamente repesados para seguirem seu destino ao abate.

Surge, então, a seguinte pergunta “Quantas vezes esses animais passarão pelo curral?”

Multiplique por 10.000 e veja o quanto pode ser volumosa e exaustiva a lida no curral. É nesse ponto que a automação tende a crescer nos próximos anos.

Os currais tradicionais, na sua grande maioria, são construídos sem seguirem os conceitos de bem-estar animal, equipados com tronco de contenção tradicional, movido por acionamento de alavancas, onde o homem é exigido em força física.

Mesmo considerando que os troncos de contenção evoluíram muito, sabemos que, com essa prática, o rendimento diário não é tão grande, sendo que em casos de manejo de larga escala o tempo é precioso.

Nos projetos modernos, os currais são construídos com conceitos de bem- -estar animal, equipados com tronco automatizado, podendo ser em sistema pneumático ou hidráulico. Troncos esses com projetos variados conforme cada fabricante, todos buscam a eficiência no manejo com os animais.

Em uma breve análise de todos os modelos disponíveis no mercado, chegamos a conclusão que alguns fabricantes focaram somente no volume de animais a serem trabalhados por dia, na rusticidade ou na eficiência produtiva.

Já outros fabricantes investiram na robustez, na eficiência e no conforto ao animal e ao homem, com o objetivo de propiciar o bem-estar a ambos, produzindo equipamentos que preservam a qualidade da carcaça bovina, utilizando até almofadas para preservar a qualidade da carne.

Afinal, é por ela que o produtor recebe, e nada mais justo que propiciar ao animal os menores índices de estresse, bem como de cansaço físico para as pessoas envolvidas no manejo. Vejamos algumas diferenças de sistemas de automação.

Sistema pneumático

Embora seja o sistema hidráulico o mais utilizado no mundo, foi o pneumático que entrou primeiro na automação nos currais brasileiros. Esse sistema exige muita manutenção com a constante descarga de ar comprimido retida nos cilindros, promove excessivo barulho, indo contra as boas práticas de bem-estar animal.

Outro fato considerado negativo nesse sistema é a difícil manutenção nas fazendas. Tais fatos citados fizeram com que o modelo pneumático fosse saindo do mercado e dando espaço aos equipamentos hidráulicos.

Sistema hidráulico

Com baixo índice de manutenção, mais silencioso e de fácil reposição dos itens de reparos, tornou-se tendência e, hoje, praticamente todos os fabricantes utilizam esse sistema, alguns com válvulas de acionamento mecânico (manual) e outros com sistemas de válvulas solenoides que permitem que o acionamento seja realizado eletronicamente.

As mesmas são utilizadas nas principais marcas de máquinas agrícolas do mundo. O sistema hidráulico já é mais comum nas propriedades rurais, pois a maioria do maquinário agrícola e implementos já utilizam esse sistema e quase todas as cidades possuem alguém que faça manutenção do mesmo.

Expansão do sistema

A partir do momento em que se instala um sistema de contenção hidráulico no curral, abre-se a possibilidade ao produtor da ampliação do sistema de automação para outras partes do curral, onde a bomba hidráulica que aciona o tronco passa a ser o coração do sistema.

Demais porteiras e sistemas de apartação podem ser acionados pela mesma pessoa que fez a contenção, e o acionamento de porteiras pode ser feito manualmente ou eletronicamente, por comandos emitidos diretamente do indicador de pesagem da balança, algo já disponível em alguns modelos no mercado.

Propicia ganho de tempo no manejo, menos barulho e menos pessoas envolvidas no processo, porém, cada projeto de expansão deverá ser desenvolvido especificamente, com base em rigorosa avaliação de posições e medidas. A engenharia de cada fabricante irá elaborar um desenho que, uma vez aprovado, entra na linha de produção.

Benefícios

A automação de currais oferece ao produtor um conjunto de ferramentas mais eficiente para reduzir possíveis erros de manejo, como duplicidade de identificação, estresse e acidentes. Reduz custo com mão de obra, aumenta de forma significativa a produtividade diária dentro da estrutura de manejo, reduz lesões de carcaças e, consequentemente, aumenta o rendimento das carcaças e a lucratividade na atividade pecuária. Considerando-se que a mão de obra qualificada está cada vez mais em escassez, a automação pode ser vista como uma grande ferramenta de precisão, eficiência e produtividade.

*Carlos Gonçalves é supervisor de Vendas – [email protected]