Sobrevoando

 

Cultura

Toninho Carancho
[email protected]

Fiquei de escrever sobre o catálogo do leilão As Jóias Vivas do qual sou um verdadeiro apaixonado. Ao reler alguns trechos do texto me vi impelido a ler todo o catálogo, verdadeiro livro/enciclopédia do cavalo árabe e percebi que não conseguiria transmitir a você leitor uma ideia real dessa obra prima. Desculpe-me, vou ficar devendo essa.

Mas vou discorrer sobre cultura aqui neste meu espaço nobre da Revista AG, aproveitando o embalo da leitura do catálogo.

Porém, infelizmente, meus comentários são direcionados a uma cultura nossa, brasileira e talvez mundial, em alguns casos, do roubo.

Estamos vivendo tempos bicudos, em que o roubo e as infrações, pequenas ou grandes, estão acontecendo aos borbotões e estão em todos os lugares. Parecem fazer parte de nossa cultura, da cultura da lei de Gérson:

“Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica!”.

Só que o pessoal não levou somente o cigarro Vila Rica, está levando tudo.

No campo, tem muita gente largando o negócio por conta do abigeato. Em algumas regiões do Brasil, o roubo e a morte do gado são tão grandes que parecem endêmicos, inviabilizando a criação. Isso sem contar o roubo generalizado de qualquer coisa por pessoas que a gente nem imagina. E note que não estou falando de política, estatais ou outras coisas nesse sentido. Estou falando de gente comum, que anda entre nós e que na primeira possibilidade de cometer um delito, o faz.

Tenho amigos que plantam batata e comentaram que neste ano o roubo aumentou muito. Gente que para o carro e vai para a lavoura com enxada e sacos para roubar batata! E não é para comer, é roubo mesmo. Carros de dezenas e às vezes centenas de milhares de Reais, roubando batatas e qualquer outra coisa. E não é gente que roubou o carro!

Até roubo de pasto, se é que é possível. O cara chega em uma picape, corta o pasto com uma foice e enche os sacos da sua melhor pastagem e não estou falando de cortar pasto na beira da rodovia, é lá dentro do campo, pulando a cerca. E também não estou falando de alguém necessitado. É gente que anda em carro bom.

Infelizmente, estamos passando por este momento bastante difícil, no qual a segurança, tanto pessoal, da família e de todos que trabalham honestamente, assim como de seus bens e pertences, está à mercê de pessoas muito mal intencionadas. Talvez a sensação de impunidade nos tenha levado a essa situação.

Tratores, implementos, defensivos agrícolas, adubo, ração, tudo isso tem de ficar protegido. Precisamos de logística para não ter muito desses produtos em casa e, assim, não chamar a atenção dos bandidos. É uma grande preocupação e um grande custo.

Por estes dias, estava pensando em utilizar um pivô central para irrigar uma área de pastagem. Depois de ver prós e contras, viabilidade do negócio e outros assuntos mais técnicos, deparei-me com uma pergunta, será que depois de instalado não teremos parte dele saqueado por ladrões? Será que os pneus vão durar mais do que um mês? Dependendo da resposta, poderemos cancelar esse projeto por motivos de segurança.

Espero que essa questão do roubo e da vantagem não estejam definitivamente incorporados em nossa cultura, que ainda estejamos a tempo de reverter essa situação caótica e termos mais tempo para nos dedicarmos, entre outras coisas a outro tipo de cultura, do tipo que está no catálogo das Joias Vivas.

Desculpem o tema pesado, mas não tive como escrever outra coisa.

Precisamos mudar o País e a nossa “cultura”.

Depende de nós. Temos de agir, ir para rua.