Caindo na Braquiária

 

Errare humanum est

Alexandre Zadra

Fora através de um amigo comprador de boi de Bataguassu para uma planta local que, em um bate papo descontraído, eu tomara ciência de que a Associação Angus vem pagando, como sempre, a premiação no Programa Angus de carne de qualidade a bois inteiros. Para isso, os mesmos devem ser abatidos sendo dente de leite.

Há 27 anos trabalhando em empresas de genética e há quase dez anos escrevendo na Revista AG, sempre prezando pela ética e imparcialidade, fui traído pela confiança, quando documentei na última edição que a Associação Angus havia cortado o prêmio a animais inteiros no seu competente programa de carne.

Assim que obtive a informação correta e agora confirmada por outros frigoríficos participantes do Programa que vêm pagando normalmente prêmio a animais com sangue Angus inteiros “zero dente”, percebi a importância da frase que sempre digo quando queremos fazer alguma coisa sem erros.“ O diabo mora nos detalhes”, mas já era tarde, a Revista já estava na gráfica, sem chance de correções, o que gerou um desconforto muito grande, deixando-me algumas noites em claro.

De acordo com Fabio Medeiros, responsável pelo Programa Carne Angus Certificada na Associação Brasileira da raça, frigoríficos como Marfrig, Minerva e demais parceiros dos estados do Sul continuam abatendo no programa pagando prêmio a bois inteiros com dente de leite, caso tenham acabamento e peso mínimo dentro das exigências do Programa, sendo apenas um frigorífico de âmbito nacional que não paga bonificação para nenhum animal que seja inteiro.

Muito temos debatido sobre o tema “Boi castrado ou inteiro” nas diversas conferências que participamos, sempre tentando manter certa imparcialidade, analisando os fatos com espírito crítico. Cabe aqui colocarmos mais uma vez a questão do uso ou não dos anabolizantes na bovinocultura de corte, pois sabemos que a perda de ganho em peso na vida de um animal castrado em relação a um boi inteiro chega a 20%. Na prática, enquanto um boi inteiro vem ganhando no verão 500 g/dia, ao castrá-lo temos um ganho médio diário de 380 a 400 g/dia, representando perdas importantes de produtividade.

Um fator que deve ser considerado pelo novo Governo é a possibilidade da adoção do uso de anabolizantes em rebanhos identificados em propriedades acompanhadas pelo Mapa para que possamos ser ainda mais competitivos, seguindo, assim, na direção da necessidade de acabamento dos frigoríficos, pois castraremos nossos animais na desmama com a possibilidade da continuidade de ganho em peso de um animal inteiro.

De acordo com revisão bibliográfica publicada no site www.beefpoint.com.br, os resultados em diversos trabalhos publicados no Brasil e no mundo indicam um aumento no ganho de peso variando de 5 a 30%, com valores médios de incremento em torno de 15%, acompanhado de aumento no consumo de alimentos com evidente melhoria na conversão alimentar (5 a 15%). No Brasil, antes da proibição do uso de promotores de crescimento, foram realizados diversos trabalhos que claramente demonstravam tais observações, dentre eles podemos citar Leme et al (1984), em que os ganhos de bovinos Nelore castrados implantados foram 38% maiores que os não implantados. No geral, os implantes chegam a promover em média 1 @ mais de carcaça em relação aos animais não implantados.


ERRATA

Quero através desta retratar-me peremptoriamente à toda diretoria da ABA, bem como a todos os envolvidos no Programa Carne Angus Certificada pelo erro grotesco que cometi, escrevendo na minha coluna mensal de agosto da Revista AG que a ABA havia cortado o prêmio para machos inteiros no Programa Angus, cuja afirmação é totalmente falsa, pois machos inteiros abatidos com dente de leite são premiados pelo programa. Tal informação fora-me passada pelo diretor de relacionamento da JBS, Fabio Dias, e fez-me concluir que todos os frigoríficos envolvidos não mais pagariam prêmio para animais inteiros. Tão logo escrevi a coluna para a Revista AG, obtive a informação correta por intermédio de outros frigoríficos que apenas a JBS determinara unilateralmente que nas suas plantas não seriam premiados machos inteiros. Portanto, quero aqui deixar claro que sempre prezei pela ética e imparcialidade nas informações por mim publicadas.

A fim de podermos corrigir o erro, publicarei em novembro no mesmo espaço artigo destacando a premiação correta da raça, bem como enviarei tal informação para meus clientes de sêmen nos estados do MS, MT, RO e AC.


Alexandre Zadra - Zootecnista
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