Raça do Mês

 

SENEPOL

O taurino adaptado que expressa versatilidade a serviço da pecuária brasileira

Erick Henrique
[email protected]

A bovinocultura de corte tem se cobrado sobremaneira em utilizar ferramentas que comprovadamente minimizem os riscos da atividade. Para tanto, o setor investe pesado em animais melhoradores.

Para começar o projeto com o pé direito, o criador brasileiro busca nesta era tecnológica investir em bovinos que realmente façam a diferença no campo, cobrindo a vacada debaixo do sol escaldante dos trópicos, fêmeas que apresentem habilidade materna e produzam bezerros pesados à desmama, com pouca exigência no manejo, e sejam dóceis, o que facilita o trabalho do vaqueiro, entre outros fatores importantes para a longa e árdua jornada rumo à lucratividade.

Foi com essa necessidade que o médico-veterinário de Ribeirão Preto/ SP e pecuarista Henrique de Freitas Tavares resolveu sobressair-se no setor ao adquirir a genética Senepol, com um projeto embrionário no norte do País. Ele trabalha no Tocantins há 14 anos, porém, foi no interior paulista que se especializou em Melhoramento Genético Animal pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto FMRP/USP.

“Inicialmente, transferi um rebanho de fêmeas Nelore PO de Jussara/ GO para o município de Paraíso do Tocantins/TO, criando Nelore PO e comercializando os reprodutores com três anos de idade na própria fazenda. Contudo, eu era mais um no concorrido mercado da região. Então, em abril de 2012, tive o primeiro contato com a raça em Uberlândia/ MG, após conhecer o criador Ricardo Carneiro, da Fazenda Senepol Soledade”, lembra Tavares.

No mês de outubro daquele ano, o produtor paulista foi ao município de Sertãozinho/SP e arrematou duas jovens e promissoras doadoras Senepol para iniciar plantel no interior tocantinense. “Nesse mesmo leilão do Centro de Performance CRV Lagoa, também comprei 50% do touro Iporá Bos, campeão da Prova de Ganho de Peso (PGP), hoje o principal recordista de venda de sêmen da Central. No ano seguinte, também adquiri 50% do reprodutor Catimbau Tufu barina, no mesmo remate realizado”, diz.

Para o produtor situado na região do Vale do Araguaia, o objetivo da Agropecuária Pró-Carne Senepol é negociar tourinhos, novilhas, embriões e sêmen da raça caribenha (genética). “Enxerguei a possibilidade de comercializar touros Senepol com 18 meses, sendo a metade da idade de um Nelore pelo dobro do valor. Além disso, poderia também negociar doadoras para um mercado sem concorrentes. A raça é resistente ao calor, sendo o único taurino que cobre a campo a vacada zebuína, sendo resistente a ecto e endoparasitas e pouco exigente quanto à nutrição. Enfim, um animal feito para o Brasil”, avalia Tavares.

Na Agropecuária Pró-Carne, o sistema é extensivo, em 580 hectares de pastagens rotacionadas. Todos os animais da fazenda são alimentados com capim-braquiarão, mombaça, massai e kikuio. Ademais, eles recebem também sal mineral à vontade e com ureia durante a seca, mesmo manejo dos tourinhos adaptados.

São 200 vacas Nelore cobertas por reprodutores Senepol, onde os machos meios-sangues são comercializados na desmama aos oito meses com adicional de 30% no preço de um bezerro Nelore. Já a fêmea F1 é recriada para posteriormente ser utilizada como receptora e receber o embrião da doadora Senepol. A meta do produtor para 2017 em diante é atingir 100 prenhezes por ano para garantir lucratividade.

“O rebanho de doadoras Senepol, atualmente, é de 15 fêmeas e novilhas. Mensalmente são feitas aspirações e congelados os embriões. No período das águas (outubro a abril) são implantados. Minhas doadoras Senepol são oriundas de importantes linhagens como Soledade, Tufubarina, CMI, 3G, Nova Vida e Luar, entre muitas outras”, diz Tavares, que pretende iniciar-se o quanto antes no programa de melhoramento genético da Embrapa/Geneplus, de Campo Grande/MS.

De acordo com o senepolista, ele foi um dos pioneiros a trabalhar com o adaptado no estado. Atualmente, divulga o potencial genético do Senepol na Agrotins – Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins, no mês de maio, em Palmas/TO, considerada a maior feira da Região Norte do Brasil, bem como na ExpoBrasil Paraíso, que ocorre, em junho, no município.

O senepolista do Tocantins, Henrique Tavares (à esquerda), fazendo aspiração folicular nas doadoras Senepol, com a equipe de reprodução animal

“A raça vem crescendo firme e forte nos últimos cinco anos, na ordem de 40%, com base nos indicadores que temos de sustentabilidade como aumento de novos criatórios, registros de nascimentos, leilões oficiais, valorização de preço, etc. Ou seja, continuamos despontando, apesar da crise econômica, e os remates na sua maioria realizados até o momento têm registrado uma valorização superior ao ano anterior de na média de 30 a 40%”, informa o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol), Gilmar Goudard.

Na avaliação do dirigente, há 490 criatórios Senepol bem distribuídos pelo Brasil, estando presente em 18 estados, mais o Distrito Federal. Todavia, a Região Centro-Oeste é que mais tem se desenvolvido utilizando o taurino vermelho, mas já olhando pelo retrovisor a demanda aquecida no Pará, Tocantins e Rondônia, lugares de pecuária extensiva.

“O estado paraense, só para ilustrar, é um grande mercado por causa de suas características de criação e a adesão do Senepol tem sido maciça, em virtude do touro ter a capacidade de cobrir a vacada a campo e ser extremamente adaptado ao clima tropical daquela região”, diz Goudard.

Modelo de sustentabilidade

Na análise da associação, a raça que está apenas 16 anos no Brasil irá atender os mercados mais exigentes, porque, além das qualidades inerentes ao bovino caribenho, seus criadores estão engajados em desenvolver práticas sustentáveis no dia a dia da fazenda.

Como no caso da Senepol Constelação, da pecuarista Rubia Pereira Barra, que promove na Fazenda Palmito, em Paranaiguara/GO, um minucioso trabalho de sustentabilidade. Desde 1957, a propriedade dedica-se à criação de gado de corte a pasto e sempre atenta na utilização das mais modernas técnicas disponíveis. O que vem diferenciando a fazenda é a aplicação de tecnologias, informações e controles no manejo das pastagens, visando continuar a construir uma pecuária moderna, sustentável e intensiva a pasto.

“Entendemos que a sustentabilidade na pecuária é responsabilidade de todos que atuam nesse segmento'', diz a pecuarista Rubia Pereira Barra

“Há um ano, nós firmamos uma parceria com o Grupo de Estudo e Pesquisa em Forragicultura (GEPFOR – UFU), de Uberlândia/MG, e durante esse período passamos a entender e aprimorar nosso conhecimento e capacidade para manejar as nossas pastagens, aplicando melhorias no suprimento de água, divisão de pastos e piquetes, reforma de áreas degradadas, bem como a escolha de forrageiras mais produtivas e adequadas para cada manejo ou categoria animal”, diz o gerente da fazenda, Estevão Barra Bernardes.

Ele que é filho da criadora goiana, indica outro ponto crucial, as metodologias de mensuração de qualidade e consumo da pastagem, que resultaram em uma grande intensificação na utilização dos pastos, trazendo eficiência operacional e financeira para a atividade.

“Entendemos que a sustentabilidade na pecuária é responsabilidade de todos que atuam nesse seguimento. Preservar o meio ambiente é fundamental, afinal é da terra que tiramos nosso sustento. Dentro das atividades desenvolvidas com esse fim destacamos a recuperação das Áreas de Preservação Permanente (APP) às margens do lago da Usina Hidroelétrica de São Simão, em parceria com a Cemig, a substituição gradual dos bebedouros de cimento por bebedouros de pneu reciclável, rotação de pastos e culturas, integração lavoura- -pecuária, conservação do solo e melhoramento genético do rebanho”, diz Rubia Barra.

Em uma área de 643 hectares, sendo 500 ha destinados às pastagens, e 100 ha para o cultivo de soja, a Fazenda Palmito cria cerca de 1 mil animais Nelore e, desde 2010, seleciona animais Senepol PO, com a finalidade de produzir bezerros oriundos do cruzamento industrial (Senepol x Nelore) e abastecer o mercado com touros Senepol melhoradores. Os taurinos adaptados são avaliados pela Embrapa/Geneplus.

Para garantir o pleno funcionamento dessa estrutura, foi implantada a coleta seletiva de resíduos sólidos, iniciando com a capacitação de todos os moradores da fazenda, designando a importância dessa ação para cada colaborador e também para o meio ambiente. Outro item apresentado foi a maneira correta de separação dos resíduos.

“Foi oferecido para cada família, um kit de lixeiras para a separação dos resíduos, assim como a criação de uma central de coleta na propriedade, onde semanalmente são depositados em cada recipiente seu respectivo tipo de lixo. Embora a coleta desse material seja de responsabilidade do serviço público, na cidade mais próxima da nossa fazenda, não é prestado. Porém, identificamos em outro município, a 70 km, um ponto de coleta, para onde levamos os resíduos”, esclarece Rubia Barra.

A pecuarista do Centro-Oeste firmou também parcerias para o bem- -estar animal. Ela relata que intuitivamente já organizava algumas ações, baseadas principalmente nas questões éticas. E o encontro com a empresa BEA Consultoria e Treinamentos deu-se por meio da busca de evidências científicas sobre o assunto, que a levou a contatar o professor Mateus Paranhos, idealizador do Grupo ETCO, da Unesp Jaboticabal/ SP, que então indicou a consultoria de Lívia Carolina Magalhães Silva, que tem colaborado com primazia nesse programa.

“A união trouxe o que tanto procurávamos com relação às técnicas corretas para os cuidados dos bezerros, o manejo e a desmama racional e a constatação dos ganhos econômicos que comprovamos quando adotamos tais práticas. Pesquisas demonstram que a desmama racional faz com que os bezerros ganhem até 35% mais peso que na desmama tradicional, abrupta, e o condicionamento das fêmeas para a IATF pode aumentar em até 13% a taxa de prenhez”, sinaliza a criadora.

A Fazenda Palmito fomenta também o condicionamento dos animais no curral. Antes de qualquer atividade realizada no tronco de contenção, os taurinos vermelhos passam livremente por ele e na saída recebem um agrado. Em julho deste ano, a propriedade promoveu o Curso Manejo Racional de Bovinos de Corte. O workshop foi realizado por meio de convênio entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), BEA Consultoria, Funep, Unesp e o Grupo ETCO.

Carne Senepol agora nos restaurantes Pobre Juan

“O manejo no curral foi um dos temas abordados, inclusive com aulas práticas. Os tipos de instalações mais adequadas também mereceram atenção. Constatamos que, através de medidas simples e de baixo custo, podemos melhorar nossas instalações e o manejo. Os resultados têm sido muito positivos, diminuindo a correria; não se escutam mais gritos, além de aumentar a segurança dos vaqueiros e preservar as benfeitorias do local, o que diminui custos com manutenção das instalações”, conclui a produtora de Paranaiguara/GO.

Iniciativa Inovadora

O Projeto 5 Estrelas Constelação foi concebido para definir e explicitar aos colaboradores, gestores, parceiros e clientes quais são os pilares de sustentação aplicados na propriedade. Resumidamente, são eles:

  • CONvivendo Bem-Estar: introdução de boas práticas na fazenda;

  • CONseguindo Sustentabilidade: ações que beneficiam direta ou indiretamente o meio ambiente;

  • CONprovando Desempenho: avaliações e mensurações do desempenho de nossos animais realizado exclusivamente a pasto, com foco em identificar animais melhoradores para futuros testes de progênie;

  • CONquistando Melhoramento Genético: avaliações morfológicas, funcionais, DEPs e nossa experiência, associada a programas de melhoramento genético e consultorias especializadas, tudo isso com um objetivo comum, produzir animais Senepol melhoradores;

  • CONtratando Cuidados: serviço de hospedagem de animais de parceiros utilizando os benefícios do bem-estar animal, sustentabilidade e nossa experiência.

Produto apreciado

Outro fator que tem movimentado o mercado é a demanda por animais meio-sangue Senepol, em lugares que até pouco tempo atrás só algumas raças taurinas tinham alcance. “Na nossa região seria complicado trabalhar com a raça Angus, por exemplo. É um taurino também, mas não são adaptados ao calor, porque os pelos são longos e atraem mais carrapatos e moscas-dos-chifres. A carne da raça é muito apreciada pelo marmoreio e suculência, contudo, o produto Senepol é mais macio e saboroso”, acredita Tavares.

Para o presidente da ABCBS, a questão não se restringe somente à questão de escolher animal X ou Y no cruzamento industrial e sim por qualidades intrínsecas a cada raça. “As características do meio-sangue Senepol são próximas das propriedades de uma carne que atualmente se procura como produto de qualidade diferenciada. Todos os nossos abates técnicos encaixam-se dentro da cota Hilton, em coloração, maciez e força de cisalhamento. Enfim, todos os indicadores de uma carne de exportação nós encontramos no meio- -sangue adaptado”.

“Os bezerros meio-sangue Senepol x Nelore da fazenda são valorizados no mesmo patamar que outros produtos de cruzamento industrial, podendo valer até 30% mais que um bezerro comercial. Entretanto, infelizmente, o mercado, apesar de reconhecer a qualidade de carne superior do produto meio-sangue, ainda não paga um diferencial na remuneração pelo animal abatido”, pontua Estevão Bernardes.

Segundo ele, já existem ações de criadores e da ABCB Senepol visando conseguir tal valorização. Contudo, os ganhos em qualidade e rendimento da carcaça, encurtamento do tempo de abate e maior produção por área já caracteriza uma melhor remuneração ao pecuarista que investe no Senepol.

Os irmãos Ricardo e Neto Arantes estão trazendo novas linhagens para a raça Senepol

Fundamentado nesse aspecto, os criadores e irmãos Ricardo Borges Arantes e João Arantes Neto, da Senepol Nova Vida, tiveram uma grata missão de apoiar a realização na capital gastronômica brasileira, São Paulo/SP, no dia 22 de setembro, o lançamento da carne Senepol, que será comercializada na badalada rede de churrascarias Pobre Juan. Marcaram presença no evento pecuaristas, especialistas em carnes de qualidade superior, como o engenheiro-agrônomo, Roberto Barcellos, chefs, mídia especializada e dirigentes de grandes frigoríficos.

“Isso aqui é a realização do sonho do meu pai, João Arantes Júnior (JAJ). Quando ele resolveu trazer, há 16 anos, animais vivos Senepol para o Brasil, sempre imaginou que o desfecho dessa história resultaria na disponibilização de uma carne de qualidade para consumidores que pudessem pagar por tal produto. Portanto, estamos aqui no Pobre Juan, em uma das maiores casas de carne bovina do País, comendo vários tipos de cortes Senepol para finalizar um ciclo e iniciar novos projetos”, diz Ricardo Arantes.

No cardápio do restaurante, serão incorporados oito tipos de cortes, entre eles: o Bife Ancho, Costilla (assado de tiras) e Top Sirloin (parte nobre do coração de quadril). Para o criador da Nova Vida, a pessoa que visitar a churrascaria e provar a carne Senepol terá uma inigualável experiência gastronômica.

“Quem fez o desmonte e fornecimento desses bovinos meio-sangue Senepol, foi Marcelo Shimbo, que possui uma empresa especializada em carnes gourmet e oferece seus produtos ao estabelecimento. Antes disso, Shimbo visitou fazendas do Mato Grosso do Sul e Goiás, selecionando os animais para terminação. Fazendo, assim, a ponte entre o consumidor final e o produtor de carne Senepol”, conclui Arantes.

Variabilidade genética

As ações da Senepol Nova Vida não param por aí, como visto no começo da matéria, a fazenda vanguardista contribuiu para o crescimento do rebanho adaptado do criador Henrique Tavares, e agora está desenvolvendo um programa de refrescamento de sangue na raça. Em 2013, com o crescimento avassalador do Senepol no Brasil, os irmãos Arantes decidiram que estava na hora refazer uma façanha do pai, regressando aos Estados Unidos e às Ilhas Virgens, em Saint Croix, para buscar uma genética nova e importada.

“A gente sabe que os criadores originários da raça fazem um trabalho muito sério. Por isso, fizemos um investimento naquele ano ecompramos o maior rebanho Senepol que tinha nos EUA, com doadoras dos grandes raçadores de origem da raça: o WC (Anally Farms), CN (Castle Nugent), ambos da ilha caribenha, e outros de dois renomados criatórios norte-americanos, o Sacramento Farms e PRR – Art Martinez. De posse desse tesouro genético, iniciamos a produção de embriões, sêmen e exportação com a finalidade de transmitir uma maior variabilidade genética tanto para o Brasil como para os países tropicais”, pontua Neto Arantes.

Para o presidente da ABCB Senepol, Gilmar Goudard, a capacidade de o taurino cobrir a vacada zebu a campo viabiliza a gestão das fazendas brasileiras

Segundo ele, os primeiros exemplares Senepol POI (Puro de Origem Importado), sendo touros e fêmeas, nascidos em 2014 e 2015, serão ofertados no dia 31 de outubro, na capital paulista. “Esses animais passaram por uma prova de avaliação pelo Instituto de Zootecnia (IZ) e foram avaliados para eficiência alimentar (CAR), ganho de peso, além de passarem por provas de ultrassonografia de carcaça: gordura subcutânea, área de olho de lombo e marmoreio.

“Um fato positivo desde o surgimento do taurino adaptado no Brasil é que a maioria dos criadores se preocupou muito com as avaliações genéticas e no melhoramento do gado Senepol. Porque nós sabemos que para conseguir um crescimento da raça é imprescindível saber quais indivíduos valem à pena reproduzir. Ademais, por intermédio de Fertilização In Vitro (FIV), o pecuarista tem convicção que aqueles animais selecionados para reprodução vão expandir essa genética com qualidade dentro da fazenda”, avalia Ricardo Arantes.

Com olhar adiante, neste ano, a médica-veterinária e pesquisadora da Embrapa Gado de Corte, Andréa Alves do Egito, deu os primeiros passos a fim de avaliar a estrutura genética da raça Senepol e validar genes candidatos. Com base em um banco de dados de fenótipos e dados genômicos (DNA), serão identificados genes que influenciam determinadas características econômicas.

Segundo ela, os estudos podem evidenciar gargalos e auxiliar no monitoramento e na manutenção sustentável da variabilidade genética. Além disso, a dinâmica dos processos de seleção artificial associada às biotécnicas reprodutivas pode levar à endogamia (consanguinidade).

Para a pesquisadora da Embrapa, elaborar um teste de DNA que avalie a mutação em animais Senepol permite identificar os indivíduos que apresentam, por exemplo, a síndrome da musculatura dupla, subsidiando o criador nos processos de acasalamento e seleção. Os especialistas e profissionais da área acreditam que esses estudos poderão agregar valor a uma raça que se tornou uma importante opção para os rebanhos brasileiros de melhoramento genético.

Cenário da raça

O taurino adaptado está entre as dez maiores comercializadoras de sêmen no Brasil. Foram vendidas 118.910 doses em 2015, crescimento de 6% em comparação a 2014. Nos últimos seis anos, essa elevação chegou a 35%, conforme os números do Index Asbia (Associação Brasileira de Inseminação Artificial).

A ascensão do Senepol na bovinocultura de corte brasileira é destaque também nos remates. De janeiro a agosto de 2016, os leilões presenciais e virtuais movimentaram R$ 36.140.730, com a comercialização de 1.379 exemplares, além de pacotes de embriões e sêmen. Conforme dados do líder da ABCB Senepol, entre as raças taurinas e sintéticas (Angus, Brangus, Braford, Hereford, Devon, etc.), o adaptado caribenho já morde 33% do mercado de leilões oficiais.

“O rebanho Senepol está em torno de 55 mil animais registrados na associação, distribuídos entre PO, PC1 e PC2. Temos a média de 12 a 15 mil nascimentos/ano, isso sempre em uma crescente na ordem de 30% ao ano. Logo, esses números demonstram que o futuro da raça é incalculável. Quando se tem um taurino com as condições de rusticidade do zebuíno, capacidade de gerar produtos a campo e, se o criador for mensurar quanto isso economiza da porteira para dentro, ele saberá que fez a escolha certa”, afirma Goudard.