Eficiência Produtiva

BOI 7.7.7

Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio (Apta) cria conceito para abate de novilhos com [email protected] aos 24 meses de idade

Enquanto a média dos pecuaristas brasileiros ainda leva o bovino de corte ao frigorífico aos 36 meses de idade, a agência vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo criou uma fórmula inédita para reduzir esse tempo em 30% e com peso superior às triviais [email protected] O sucesso foi tamanho que o denominado “Boi 7.7.7” tornou-se slogan do Circuito Expocorte, realizado em diversos es- Fotos: Divulgação REVISTA AG - 23 tados para representar os índices produtivos que se almejam na pecuária moderna.

O trabalho foi conduzido no Polo Regional da Alta Mogiana da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), localizado em Colina, interior paulista e tem como resultado um animal que atinge sete arrobas na desmama, outras sete na recria e mais sete na engorda, totalizando 21 arrobas no momento do abate, aos dois anos. Além da produção precoce, a tecnologia pode aumentar em até 30% os lucros dos pecuaristas, chamando a atenção de pecuaristas em São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, Paraná e Rondônia. As pesquisas para o desenvolvimento do conceito inovador tiveram início há dez anos.

Em 2015, os resultados estão sendo apresentados pela primeira vez para o grande público durante o Circuito Expocorte 2015. A primeira etapa já ocorreu em Cuiabá/MT e passará por mais quatro estados. “O Boi 7.7.7 pode ser produzido em qualquer região do Brasil e em qualquer fazenda. É claro que, para alcançar esse nível produtivo, a fazenda precisa ter pastos de boa qualidade e cochos para fornecimento de suplementos o ano inteiro. O principal fator é ter um gestor empenhado em obter metas”, explica Gustavo Rezende Siqueira, pesquisador da Apta.

Obter as sete arrobas na desmama, as sete na recria e as sete na terminação em um tempo 30% menor requer planejamento e estratégias. Segundo o pesquisador, é imperativo o fornecimento de pasto de boa qualidade e suplemento alimentar. “Em linhas gerais, se tivermos uma vaca bem alimentada, com uma boa genética, conseguiremos esse bezerro de sete arrobas. Durante a recria, trabalha-se com suplementos proteicos e energéticos de 1 a 3 g/kg de peso vivo para conseguir mais sete”, esclarece, lembrando que será necessário promover uma terminação intensiva para colocar as sete arrobas finais, em um período máximo de quatro meses.

A dosagem da suplementação varia de acordo com o peso do animal: quanto maior, maior a dosagem. “Essa suplementação ajuda no ganho de peso e não causa nenhum prejuízo para a saúde do animal. Pelo contrário, ela proporciona melhor bem-estar a ele”, afirma Flavio Dutra de Resende, também pesquisador da Apta. Em uma produção normal, os produtores conseguem fazer o giro – como é chamado o período entre o início da produção até o abate – em três anos. Com a tecnologia Apta, é possível fazer um giro e meio nesse período. Essa precocidade do sistema é importante para toda a cadeia de produção.

Flávio Resende apresenta o conceito do Boi 7.7.7 no Circuito Expocorte

Se custa mais produzir esse animal diferenciado? Gustavo Siqueira responde que não, o que muda é a forma de gastar. Enquanto no boi convencional, o maior gasto ocorre no custo fixo e operacional, no “Boi 7.7.7” o maior investimento é voltado à nutrição, amortizado pela redução do tempo de abate. “Tempo é dinheiro. Essa redução no tempo de permanência do animal no pasto aumenta em até 30% os lucros dos produtores”, complementa o pesquisador Flávio Resende. Os pecuaristas conseguem produzir mais em uma mesma área e ter produtos com qualidade superior para comercialização.

Produzir em menor tempo também traz benefícios para os consumidores e o ambiente. Os consumidores terão à disposição carne com melhor qualidade, sabor, maciez e coloração atrativa. “O consumidor escolhe o produto na gôndola do mercado pela cor. Quanto mais velha a carne, mais escura ela é, o que gera desinteresse pelo produto. A carne de animal mais novo é melhor em tudo, em comparação com a de velho”, garante Resende. O Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, ressalta que, além do aspecto econômico e de qualidade do produto que será consumido, a nova tecnologia tem grande relevância ambiental. “A precocidade na produção de gado significa menores emissões de gás metano na atmosfera, considerado o segundo maior contribuinte para o aquecimento da Terra”, afirma.

De acordo com o coordenador da Apta, Orlando Melo de Castro, como entidade gestora e executora da pesquisa agrícola, é necessário nortear as ações a fim de atender as necessidades dos setores de produção, que só podem ter êxito se tiverem seus produtos bem aceitos pelos mercados consumidores. “No caso da pecuária, é necessário produzir considerando a qualidade exigida, a sanidade dos rebanhos e a viabilidade econômica, além de minimizar os impactos ao meio-ambiente. Nesse cenário, a tecnologia do” Boi 7.7.7” atende todos os quesitos. É uma grande contribuição da Apta a um setor altamente relevante para a economia nacional”, avalia Castro.

A tecnologia da Apta viabiliza também a produção de animais inteiros, ou seja, não castrados, que vão apresentar mais gordura de cobertura. De acordo com Resende, o animal inteiro engorda mais rápido do que o castrado, porém, a camada de gordura de cobertura, importante para a proteção da carcaça durante o resfriamento, é menor. O pesquisador da Apta explica que a carcaça é conservada nos frigoríficos em câmaras refrigeradas e se a camada de gordura de cobertura for mais fina, a carne fica enrijecida. “É a mesma coisa que acontece com a gente. Por exemplo, se estamos sem camisa e entramos em Eficiência Produtiva uma sala com ar condicionado a 17ºC, tendemos a encolher de frio. Agora, se estamos mais bem agasalhados e entramos nesse ambiente, não temos esse problema. A gordura de cobertura é importante para proteger a carne”, exemplifica.

O conceito consiste no ganho de [email protected] em cada ciclo produtivo do animal, fechando com [email protected] no abate

Arrobas em dobro

Alaor Ávila Filho, pecuarista de Indiana/GO, é um dos seguidores do conceito “Boi 7.7.7”. Ávila começou a adotar o sistema de suplementação intensiva em 2014, e aprova os resultados. Antes desse novo método, conseguia engordar até seis arrobas por cabeça, por ano. Agora, são alcançadas 11 arrobas. A lotação de animais passou de 1,5 animais UA/ ha para 2,4 UA/ha. Ávila conseguia produzir, em média, 15 arrobas por hectare, por ano. No histórico da sua propriedade, a melhor produção, até então, era de 20 arrobas por hectare. Com a pesquisa paulista, o produtor goiano consegue produzir, atualmente, 31 arrobas, por hectare/ano.

“Foram três mudanças substanciais ao adotar a tecnologia da Apta. O investimento inicial foi três vezes maior, mas como a produtividade foi muito mais alta, o custo da arroba produzida caiu pela metade. Com isso, a rentabilidade da operação aumentou substancialmente”, comemora. Para se ter uma ideia, na safra 2012/2013, Ávila obteve lucro líquido de R$ 900,00 por hectare. Com a adoção do sistema Boi 7.7.7, esse valor saltou para R$ 2.060,00, por hectare de lucro líquido, ou seja, descontados todos os custos de produção. “Esse sistema requer organização e estratégia. Recomendo ao produtor ter um consultor para auxiliar, além de planejamento, estratégias e informações sobre custos e metas. Se o produtor for bem organizado, esse sistema da Apta é imbatível”, considera Ávila.

Com a tecnologia da Apta, o produtor conseguiu mudar a estratégia do negócio. Na safra de 2014/2015, ele começou a comprar animais de sete arrobas, engordando mais sete e levando para um confinamento terceirizado, onde é feita a engorda das sete arrobas finais. “Com essa mudança no meu sistema de criação, minha produção saltou de cerca de 1.380 animais por ano para 2.500”, conta. Toda a produção de Ávila é certificada e exportada. O rebanho é composto por animais precoces, abatidos com no máximo 26 meses. A qualidade da alimentação e a idade garantem uma carne bovina de excelência aos consumidores.

O “Boi 7.7.7” é um processo de gestão amparado em resultados zootécnicos obtidos pela pesquisa e validado em fazendas de gado de corte. Só lembrando que, além do planejamento sanitário e nutricional, a genética também exerce papel fundamental. “Independentemente da raça ou do cruzamento, é fundamental ter um animal com potencial para ganho em peso”, adverte Siqueira.

Para conhecer um pouco mais sobre essa eficiência produtiva, os pesquisadores da Apta colocam-se à disposição durante as etapas do Circuito Expocorte. O evento ainda ocorre em Campo Grande/MS, nos dias 29 e 30 de julho; Uberaba/ MG, em 24 e 25 de setembro, como parte da programação da Exposição Internacional do Nelore (Expoinel); Araguaína/TO, entre 29 e 30 de outubro; finalizando com Ji-Paraná/ RO, em 25 e 26 de novembro.

Para o presidente da Acrimat, Antonio Bernardes, o Circuito Expocorte é uma oportunidade para que o produtor amplie o conhecimento na atividade e troque experiências. “O evento trouxe novidades e este ano, atendendo as demandas que coletamos dos produtores na edição de 2014, focamos bastante na cria, que necessita do uso de tecnologia para melhorar o produto, e abrir espaço para conversarmos sobre assuntos como legislação ambiental”, destaca Bernardes.

O principal fator é ter um gestor empenhado em obter metas, explica Gustavo Rezende Siqueira

Pesquisa aliada do produtor

O Polo Regional da Alta Mogiana é uma das 14 unidades de pesquisa regional da Apta, que é composta ainda pelos seis Institutos de Pesquisa agrícola do Estado. O Polo Regional da Alta Mogiana, localizado em Colina, interior paulista, é formado por 2.480 hectares, sendo 30% dessa área usada para reserva de mata.

Além dos trabalhos com pecuária de corte, os pesquisadores da Unidade da Apta trabalham para aumentar a produtividade e melhorar a qualidade do leite em pasto. Há também pesquisas para o desenvolvimento de cavalos da raça Brasileiro de Hipismo, disponibilizados para a Polícia Militar do Estado de São Paulo. Os trabalhos da unidade contemplam ainda avaliação de híbridos de milho e feijão, apoiando o programa de melhoramento genético do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, com o objetivo de ampliar a produtividade das plantas, o desenvolvimento de novos materiais de seringueira e produção de citros adensado e controle do greening.

A Apta é a maior instituição estadual de pesquisas no Brasil e a segundo maior do País. Em 2013, 1.531 projetos de pesquisa estiveram em desenvolvimento na Apta, nas áreas de agroexportação, grãos e fibras, proteína animal, hortícolas e agronegócios especiais, desenvolvimento regional, políticas públicas e bens de capital e informações.

mil quilos de sementes básicas, destinadas à multiplicação comercial para o atendimento da demanda dos agricultores. Esses materiais levam à obtenção de altas produtividades nas lavouras, associadas a ganhos de qualidade na produção final.