Genética

 

IA

A sigla da biotecnologia com maior potencial de geração de riqueza para o Brasil

Antônio Carlos Olabarriaga Cabistani*

A história científica data de 1780 a primeira Inseminação Artificial (IA) de um mamífero da espécie canina pelo investigador D. Lazzaro Spallanzoni. A partir desse descobrimento, o passo seguinte foi dado pelo russo Elias Ivanov, que provou ser possível diluir o material fecundante masculino a um soro artificial; ele também esclareceu o papel do frio na conservação do sêmen extraorganismo e aplicou a IA em cerca de quinhentas éguas.

Os estudos e o interesse econômico sobre o tema impulsionaram a tecnologia da IA, tendo a Europa, a então URSS, Itália, Dinamarca, França e Inglaterra como líderes mundiais por muito tempo.

Na URSS, em 1938, 50 milhões de fêmeas, dessas 1.200.000 vacas, foram inseminadas.

Segundo Bonadona, no 9º Congresso Internacional de Reprodução Animal e Inseminação Artificial (Madri, 1980), conforme a tabela da página ao lado, essa é a relação dos países que aplicaram a técnica em número superior a um milhão de inseminações no ano de 1977.

Os números da tabela nos mostram como os países mais desenvolvidos sempre investiram nessa tecnologia, que reduz o custo de produção e ao mesmo tempo melhora a produtividade através do melhoramento genético e do controle sanitário e zootécnico do rebanho

A única limitação é o uso inadequado da técnica pela mão de obra mal treinada, ou irresponsável, promovendo fracassos nos programas de IA.

Muitas biotecnologias foram desenvolvidas a partir da IA, como veremos ao fim deste texto. Poderíamos atribuir muitas outras vantagens diretas e indiretas a essa maravilhosa biotecnologia, mas resolvi fazer um acompanhamento histórico de sua evolução e responsabilidade científica, zootécnica, econômica e social.

Segundo os dados publicados no último relatório da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) de 2014, podemos observar de forma mais clara o estágio de desenvolvimento que a IA bovina encontra-se no Brasil e traçar um paralelo com outros países.

Observamos que, na comparação do relatório 2013/2014, houve um aumento de 6,4% de vendas de botijões criogênicos, representando 472 unidades a mais. Esses botijões são importados, pois o Brasil não industrializa esse produto. Nossa exportação de sêmen de gado de leite, sem contar as raças holandesas e Jersey, em que o Brasil é o maior importador mundial, foi de 23,4% a mais, totalizando 21.361 doses de sêmen, enquanto que, para o gado de corte, tivemos uma redução de 25,6% , totalizando 23.051 doses de sêmen. Se fizermos uma simples conta, chegaremos ao déficit de 1.690 doses nas balanças comercias de sêmen total (corte e leite).

Nossa importação no seguimento leite apresentou aumento de 14% em números, isso significa 520.765 doses e, no gado de corte, o aumento nas importações foi de 24,5%, representando 694.045 doses. Se somarmos leite e corte, tivemos aumento de 1.214.810 doses de sêmen este ano.

O Brasil diminuiu suas exportações em 1.690 doses e aumentou suas importações em 1.214.810 doses.

A utilização da IA no Brasil, ainda de acordo com esse relatório, diminuiu em 8%, sendo utilizadas 1,8 doses/vaca/ano, em uma população de 56.160.000 fêmeas em reprodução. Significa que apenas 11,9% das fêmeas são utilizadas na IA. Outros países como EUA utilizam inseminação artificial em 70% das matrizes; Alemanha, 85%; França, 80% e; Canadá, 80%, demonstrado o interesse comercial e estratégico que essa técnica representa em suas economias.

Em uma análise simplista, podemos concluir que o nosso rumo está em um sentido oposto do desenvolvimento mundial no aspecto econômico, científico, zootécnico e social.

Pois, ao invés de estimularmos a nossa indústria de sêmen a multiplicar nossa genética, provada em nosso meio ambiente e pelos nossos programas de avaliação genética, estamos importando indiscriminadamente uma genética testada em ambientes que não tem nada a ver com o nosso clima, para uso comercial em programas de cruzamento industrial nos quais aproximadamente 100% da produção é abatida.

Estamos deixando de estimular a indústria de insumos – além dos botijões, luvas e bainhas plásticas são importadas. Temos de enxergar com outros olhos a pecuária brasileira. Somos o maior mercado mundial de pecuária, mas não nos comportamos como tal.

Nossos governantes e produtores deveriam usar o potencial dessa tecnologia alcançando seu lugar de direito na pecuária de precisão. A técnica de inseminação artificial terá um papel fundamental na geração de riquezas, emprego, conhecimento e progresso para todos

*Antônio Cabistani é diretor da Cort Genética Brasil