Sobrevoando

 

Surfe

Toninho Carancho
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O Omar está para peixe e também para os surfistas brasileiros. Nunca antes na história deste país nossos beach boys estiveram tão bem na foto. Além do atual campeão mundial de surfe, o hoje conhecido Gabriel Medina, a nossa seleção de surfe conta com Adriano de Souza (o Mineirinho), que ficou em segundo lugar na última etapa do mundial, igualando em pontos e perdendo em critérios de desempate para o primeiro lugar, o multicampeão Mick Fanning, da Austrália. Também temos em nosso timaço o Felipe Toledo, que lidera o ranking mundial deste ano junto com o Mick, o Miguel Pupo, que está em 8º, o Wigolly Dantas, em 15º, o Jadson André, 17º, e o Italo Ferreira, também em 17º.

Essas classificações brasileiras são fantásticas e inéditas. Por muitos anos, nossos surfistas brasucas beliscaram essas posições, mas nunca chegaram tão longe quanto esta geração fantástica. Parabéns a todos eles, que levam nossa bandeira ao lugar mais alto do podium.

Mas...e aí!? O que o leitor da AG tem a ver com isso? Será que eu enlouqueci e achei que estava escrevendo uma coluna para a revista Fluir? Não, a minha ideia foi um pouco diferente. Todos esses nomes e classificações eu acabo de pesquisar para passar para vocês. Eu acompanho o surfe de longe, como deve fazer a maioria de vocês. Sei quem é o Gabriel Medina porque apareceu em todas as mídias, mas os outros, eu ainda não tinha ouvido falar. Quando era mais jovem eu tinha um amigo que era sócio de uma surf shop (faz uns 30 anos) e ele obviamente vendia pranchas, de todos os modelos e preços, e eu costumava relacionar os preços das pranchas ao preço de uma vaca gorda. Era uma relação bacana, por serem duas coisas totalmente diferentes e, por isso mesmo, bem interessantes de se comparar comparar. Assim, nós tínhamos uma ideia de como andavam os nossos negócios.

Naquele tempo e depois por muitos anos, uma vaca gorda de 15 arrobas ou 450 quilos (para a gauchada) valia o preço médio de uma prancha nova e boa. Algumas vezes a vaca corria um pouco atrás e muito raramente ela valeu mais, um pouco mais.

E agora, ao pensar no tema do Sobrevoando deste mês, resolvi voltar a uma surf shop e fazer um rápido levantamento de preços para ver como anda a nossa relação de troca. Os preços são os seguintes – prancha boa mais barata R$ 1.090,00, prancha boa mais cara R$ 1.450,00. Usando a minha antiga metodologia, nada científica, diria que o valor de referência da prancha boa é de R$ 1.450,00. Pois bem, hoje uma vaca de 15 arrobas vale algo como R$ 2.000,00. Ou seja, estamos com nosso produto valendo uns 40% a mais do que o usual nessa comparação.

E isso quando estamos, teoricamente, vivendo o auge do surfe brasileiro, quando acho que as pranchas devem estar vendendo bastante bem.

E no caso da vaca, ou boi, não sei bem explicar (nem tenho essa pretensão) porque os valores estão tão elevados. Uns dizem que falta boi, outros que o pecuarista está os segurando no pasto, ou que o boi no mundo está escasso, etc. Na verdade, pelo que tenho visto, ninguém sabe ao certo. Nossos números oficiais de quantidades de rebanhos são variados e o pessoal não confia muito neles, então fica difícil dizer se temos boi ou não.

A diferença de quantidades de um levantamento para outro é tão grande que muitas vezes é maior que o rebanho inteiro de vários países produtores de carne.

O que eu posso dizer com certeza pra vocês é que se quiserem comprar uma boa prancha de surfe, o momento é agora.