O Confinador

 

CUSTOS DE PRODUÇÃO DA ARROBA

Marcos Sampaio Baruselli*

Para que o produtor rural possa saber se está obtendo sucesso na atividade pecuária, ele deve obrigatoriamente praticar uma análise financeira criteriosa do sistema.

Para tal, precisa levar em conta não somente as variáveis econômicas que interferem diretamente na análise financeira, mas também os demais fatores conjunturais que estão relacionados com a lucratividade do sistema de confinamento.

Por exemplo, sabe-se que o boi magro em média representa cerca de 70% do custo total de produção de um boi confinado, seguido pela alimentação volumosa e concentrada que juntas representam cerca de 20% do custo total.

O próprio animal, isto é, o boi magro, mais a alimentação do mesmo no cocho, durante todo o período de confinamento, que no Brasil normalmente é de 90 dias, representam as duas principais variáveis econômicas do sistema, podendo atingir a marca de 90% do custo total de um boi confinado.

Outros itens do custo de produção envolvem os chamados custos operacionais, incluindo mão de obra, combustíveis, maquinários, imobilizados, entre outros, que somados giram em torno de 10% do custo total do boi confinado.

No caso específico de 2015, o boi magro representará o grande desafio dos confinadores. Difícil de ser encontrado em algumas das principais praças boiadeiras, o encarecimento da categoria já está sendo apontado como o fator limitante da rentabilidade dos confinadores.

Diante desse quadro, recomenda- -se ao confinador uma atenção especial, tanto na compra do animal, como na compra dos ingredientes da ração, atentando para o período ideal e para as oportunidades de compra de cada um desses importantes componentes do custo de produção da arroba.

É importante lembrar também que o mercado prevê uma forte valorização da arroba do boi gordo no ano de 2015, em especial na entressafra, época de maior desova de boi confinado, sendo esse um ponto favorável para a lucratividade do sistema de confinamento neste ano, assim como foi também em 2014, quando o custo de produção da mesma arroba bovina em confinamento girou em torno de R$ 85,00 a R$ 90,00 e a receita superou a marca dos R$ 140,00 em várias praças boiadeiras do país.

Como vantagens na redução dos custos do sistema de confinamento, os fundamentos econômicos apontam que os gastos com alimentação no ano de 2015 devem ficar abaixo dos valores encontrados em 2014, mais uma boa notícia para o confinador.

Segundo Marcos Baruselli, diante de fatores conjunturais, espera-se uma redução dos custos de produção de ração, beneficiando as margens de lucro

Levantamentos da equipe Grãos/ Cepea 2015, apresentados por Sergio De Zen, mostram que o milho, principal ingrediente da ração do boi confinado, está com um estoque recorde do grão no Brasil. Somado a esse fato, as vendas externas do cereal dificilmente atingirão números expressivos capazes de dar suporte aos preços do milho no mercado interno.

Logo, o confinador, ao menos no curto prazo, diante dos fatores conjunturais anteriormente citados, terá uma redução dos custos de produção da ração, podendo beneficiar suas margens de lucro a partir desse elemento.

O cálculo do custo de produção de um boi confinado é muito mais fácil de ser feito que o cálculo de custo do boi a pasto, uma vez que as variáveis são muito mais controladas e o período de engorda, mais curto no caso do confinamento.

No cálculo de custo da @ produzida em regime de pasto, para ele ser real, é preciso considerar muitos fatores de longo prazo envolvendo valores, depreciações, juros e o custo da mantença da fertilidade daquele solo. Isso é uma equação que poucos produtores rurais conseguem fazer.

Como forma de compensar, muitos produtores rurais vendem suas mercadorias produzidas a pasto considerando outros fatores, tais como margem de troca e sazonalidade, deixando o cálculo do custo da arroba produzida para um segundo plano.

As variáveis econômicas essenciais na hora do cálculo do custo da arroba produzida no sistema de confinamento basicamente incluem o custo da diária, o número de dias de confinamento e o custo total por período.

Outras variáveis a serem analisadas incluem as receitas, como ganho de peso diário, ganho de peso no período, rendimento de carcaça e ganhos em arrobas no período.

Uma vez contabilizado o custo total por período, o produtor rural pode calcular com mais exatidão a receita advinda do confinamento e, a partir daí, calcular o custo da arroba produzida no sistema.

É importante frisar que as receitas do sistema de confinamento de bovinos de corte podem ser classificadas como sendo diretas e indiretas, em que a direta é proveniente da relação entre o custo de produzir uma arroba e a receita obtida com a venda dessa mesma arroba.

Já as receitas indiretas, mais difíceis de calcular, mas não menos importantes, incluem antecipação de capital; redução da pressão de pastejo na época da seca; valorização da arroba na entressafra; maior giro de capital; liberação de áreas de pastagens para outras categorias animais; aumento da taxa de lotação da propriedade rural; produção e comercialização de esterco bovino produzido nos currais de confinamento; entre outros inúmeros benefícios econômicos que o confinador deve transformar em receita.

Para estabelecer o cálculo do custo da arroba produzida no confinamento, divide-se o custo total do período pela quantidade de arrobas produzidas. Logo, o custo da arroba produzida no exemplo acima é R$ 85,70.

Esse valor também pode ser chamado de ponto de equilíbrio da arroba produzida em confinamento, no qual, na hora da venda, uma remuneração abaixo desse valor conota prejuízo do sistema, e acima, lucro para o produtor rural.

O indicador Esalq/BM&F Bovespa do boi gordo (estado de São Paulo), grande parâmetro para o setor de confinamento, trabalha com uma arroba de R$ 146,00 para outubro de 2015. Muitos confinadores estão recebendo premiações por parte dos frigoríficos na hora de negociar bovinos oriundos de confinamentos, gerando valores da arroba ainda maiores. Normalmente, os confinadores premiados fornecem animais com menor idade de abate, melhor acabamento de gordura e com padronização de carcaças.

É de se esperar, portanto, que o confinador brasileiro obtenha margens de lucro positivas no ano de 2015. Essa tem sido a principal razão do crescimento da atividade no Brasil.


Pecuaristas terminarão 5 milhões de cabeças em confinamento

Estimulados pela boa perspectiva de preços e pela necessidade de elevar o nível tecnológico da produção, pecuaristas brasileiros deverão terminar generosas 5 milhões de cabeças em confinamento em 2015, o que representa um acréscimo de 400 mil cabeças em relação ao ano passado, segundo projeção pré-Rally da Pecuária 2015, feita pela Agroconsult, organizadora do projeto em parceria com a Sociedade Rural Brasileira (SRB). “A oferta total de animais abatidos no Brasil vai aumentar, mas ainda assim será inferior à demanda”, afirma Maurício Palma Nogueira, coordenador do Rally.

O Rally da Pecuária vai a campo com o objetivo de realizar uma avaliação completa, in loco, das áreas de cria, recria, engorda e confinamento. Seis equipes técnicas irão medir a quantidade de animais confinada em 2014, a intenção de confinamento para este ano, a oferta de animais de reposição, gado para abate e as condições das pastagens, fazendo amostras e avaliações aleatórias de mais de 500 pastos diferentes.

Nogueira explica que a oferta atual de animais para abate e, principalmente, nas categorias de reposição, está em níveis muito baixos. “O comprador de bezerros e de bois magros fica receoso em investir, pois não sabe como o mercado do boi gordo se comportará nos próximos meses. Nosso objetivo é medir indicadores zootécnicos, especialmente os da cria, para estimar a oferta ao longo do ano e a quantidade de bezerros para o próximo ciclo”, complementa.

As equipes visitarão propriedades no Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Pará, Mato Grosso, Rondônia e Acre, mapeando e fotografando pastagens para obter informações como homogeneidade do pasto, volume de massa, população de plantas, altura do capim, presença de erosão e plantas invasoras, além de tentar obter um histórico de utilização dessas pastagens. “As áreas visitadas respondem por mais de 83% do rebanho bovino nacional e 90% da produção de carne”, explica André Pessôa, sócio diretor da Agroconsult. Os encontros foram agendados com cerca de 120 pecuaristas e estima-se que o Rally percorra entre 60 e 80 mil km.

Da Redação.

*Marcos Baruselli é zootecnista e gerente de Categoria Confinamento da DSM | Tortuga [email protected]