Especial Máquinas para Silagem

   

Área determina maquinário

Daniel de Castro Rodrigues*

São inegáveis os avanços ocorridos nos últimos dez anos na agropecuária nacional. A tecnificação dos sistemas de produção, com o uso cada vez maior de insumos, máquinas e equipamentos mais tecnológicos, vem alavancando a produtividade das lavouras e também da pecuária brasileira. Dados do IBGE mostram que a área cultivada com as principais culturas anuais vem crescendo entre 3 a 5% ao ano, enquanto o rebanho bovino permanece estável. Assim, as lavouras com maior uso de tecnologia vêm disputando por porções cada vez maiores de terra arável e com vantagens sobre a produção animal, que precisa de investimentos e linhas de crédito mais apropriadas ao ciclo de produção. Outro ponto a destacar é que, há mais de um século, o país não passava por um período de estiagem tão severo, o que nos leva a buscar um melhor entendimento da ocupação do solo das áreas agrícolas e urbanas e a necessidade imediata de otimização da produção vegetal e animal. Essa otimização passa pela correta utilização dos recursos disponíveis, redução das perdas no campo e, sobretudo, da integração entre as atividades (lavoura-pecuária) para que, desse modo, os aportes em tecnologia sejam aproveitados de maneira correta e eficiente.

Investir em máquinas e equipamentos apropriados, fertilidade do solo, manejo de pastagens, forragens conservadas (silagem, feno, pré-secado), nutrição animal, entre outras tecnologias disponíveis, são passos fundamentais para as cadeias produtivas de carne e leite tornarem-se competitivas no agronegócio globalizado. Os bovinos são nossos colhedores e processadores das forragens e grãos e devem receber alimento em quantidade e qualidade durante todo o ano para que expressem seu potencial produtivo e tragam o retorno esperado ao produtor. Nesse sentido, compreender os processos de produção de forragem, seja para pastejo, ensilagem ou fenação, vem ao encontro da necessidade de aumento de lucratividade das fazendas e tem efeito direto no desempenho zootécnico do rebanho.

Conservação de alimentos

O processo de ensilagem consiste basicamente na conservação do alimento em processo anaeróbico de fermentação, sem a presença de oxigênio. A conservação da silagem é dependente de uma série de fatores, entre eles podemos citar três de maior importância:

- teor de matéria seca (MS), que se refere à quantidade de água presente na planta. Silagens com excesso de umidade perdem nutrientes durante a compactação (lixiviação) e aumentam as chances de desenvolvimento de micro-organismos indesejáveis, como bactérias do gênero Clostridium, que degradam proteínas e aminoácidos, transformando-os em produtos nocivos a saúde animal. De maneira geral, alguns pesquisadores têm sugerido que o teor de MS deve ser no mínimo de 25% (igual a 250 g/kg);

- concentração de carboidratos solúveis, que são compostos orgânicos (glicose, frutose, sacarose e frutosanas) presentes nas células dos vegetais (não ligados à parede celular). Esses carboidratos são fonte de energia para os micro-organismos que os transformam em ácidos orgânicos, reduzindo o pH da massa ensilada;

- baixo poder tampão, que é a resistência da massa ensilada à redução do pH. Com a transformação dos carboidratos solúveis em ácidos orgânicos, o pH da silagem decresce e os micro-organismos indesejáveis são inibidos. Se o pH não abaixar rapidamente, os agentes indesejáveis (principalmente Enterobactérias, Clostridium sp. e leveduras) competem por nutrientes, reduzindo a estabilidade do material ensilado, provocando perdas e queda na qualidade.

Traduzindo as informações anteriores para o operacional das fazendas, silagens de qualidade devem ser colhidas no momento correto (teor de MS), com tamanho de partículas ideal (exposição dos carboidratos solúveis e compactação) e vedadas o mais rápido possível (redução de pH e estabilização). Assim, a rapidez e a qualidade nos processos de colheita, picagem, transporte, compactação e fechamento do silo são diretamente influenciadas pelo maquinário disponível e a eficiência dessas máquinas (resultado obtido x valor investido) é um importante fator a ser considerado dentro das fazendas produtoras.

Plantas para ensilagem

Atualmente no Brasil as principais culturas utilizadas para a produção de silagem são o milho e o sorgo. Devido a suas características (carboidratos solúveis, reduzido poder tampão, produção de massa seca, etc.) e ao maior número de máquinas e implementos desenvolvidos para o processo de colheita, elas são utilizadas em maior escala nas propriedades agrícolas e pecuárias.

A ensilagem de gramíneas tropicais (Brachiaria sp., Panicum sp., Cynodon sp., etc.) também vem ganhando espaço, principalmente devido aos programas de fertilização e irrigação, que promovem o aumento da produção de massa seca das pastagens e a necessidade de se conservar o excedente produzido para os períodos de escassez. Com relação à cana-de-açúcar, a expansão dos grandes projetos de pecuária de corte e leite que utilizam esse volumoso exige que os talhões sejam cortados de maneira uniforme, facilitando os tratos culturais (adubações, aplicações de herbicidas e inseticidas). Para isso, a colheita e a ensilagem dos talhões tornam-se processos necessários para se garantir essa uniformidade. Outro ponto a destacar é que o corte diário torna-se operacionalmente complicado. Períodos de chuva, manutenção de máquinas e incêndios nos canaviais podem inviabilizar a utilização do volumoso, além de que o fornecimento da cana-de-açúcar in natura na alimentação animal, fora do período de safra, sofre restrições devido ao fato de que a forragem apresenta menor valor nutritivo em virtude do baixo teor de açúcar (sacarose) (Matsuoca & Hoffmann, 1993).

Na prática, as lavouras de cana-de- -açúcar são cortadas após 12 a 18 meses de plantio (ou rebrota), coincidindo com o outono/inverno, ou seja, período no qual a oferta de forragem para pastejo é reduzida. Em todo caso, como exposto anteriormente, a ensilagem do excedente do canavial para utilização futura ou visando facilitar os tratos culturais pode ser uma opção interessante para o produtor.

Já as lavouras de milho e sorgo atingem o ponto para ensilagem entre 95 e 120 dias após o plantio. Nas pastagens, o período propício para a colheita varia de acordo com a espécie, conforme pode ser observado na tabela a seguir. No entanto, o uso de dias após o plantio, não deve ser utilizado como o único parâmetro para o início da colheita. Condições de clima (temperatura, umidade, ventos, etc.), fertilidade do solo, cultivar, população final de plantas, entre outros, influenciam a maturação das espécies vegetais, alterando o momento em que a colheita conciliará produtividade, qualidade, eficiência operacional e econômica.

Tabela 1 - Ponto de colheita de algumas pastagens tropicais para produção de silagem:

Fonte: Comunicação pessoal dos autores.

Escolha do equipamento

Existe uma série de máquinas e implementos desenvolvidos para o processo de ensilagem e, devido à grande diversidade de clima, relevo, tipos de solo e tamanho de área a ser colhida, não é possível qualificar nenhum dos disponíveis, como aquele considerado ideal a todas as situações. Podemos ter máquinas altamente tecnificadas e robotizadas, equipadas com mecanismos de agricultura de precisão, até situações com menor uso de tecnologia, utilizando picadeiras estacionárias com transporte da silagem por tração animal.

Essa diversidade de situações e equipamentos, bem como o valor financeiro envolvido na aquisição, exigem que a escolha do conjunto ideal seja feita de forma criteriosa, pois o planejamento requer conhecimento de engenharia, biologia e economia. Deve-se calcular o período disponível para colheita, dias úteis trabalhados, capacidade de produção real dos equipamentos e também a necessidade de um ou mais conjuntos. É necessário planejar também como o material ensilado será fornecido aos animais.

Em algumas propriedades, temos notado que altas produtividades de massa verde por hectare geralmente estão associadas a baixos teores de matéria seca das plantas no momento da ensilagem, o que aumenta as perdas de nutrientes por lixiviação, reduzindo, assim, a qualidade do material ensilado. Silagens de menor qualidade exigem que o nutricionista formule dietas com maior proporção de grãos, visando alcançar níveis nutricionais planejados para o desempenho animal pretendido. Por outro lado, a colheita das plantas forrageiras em estágio mais avançado de maturação (maior teor de MS) trás como desvantagem a redução da relação folha:haste e do teor de carboidratos solúveis. Também ocorre o aumento do teor de lignina na parede celular das plantas - composto indigerível para a flora ruminal e, consequentemente, para os animais. A colheita acima do ponto correto compromete os processos de picagem e compactação do material, incorrendo em aumento nos custos de transporte e maior seleção no cocho das partículas maiores (palha). Devemos ter em mente que as silagens bem elaboradas, com teor de MS adequado, bem compactadas e vedadas, podem permanecer fechadas por vários anos, sem perdas expressivas em qualidade. Atenção especial deverá ser dada à lona utilizada para vedação. Buracos e ressecamento excessivo precisam ser monitorados constantemente e os reparos feitos o mais rápido possível

Área de plantio

A escolha do equipamento correto será influenciada por diversos fatores, sendo o consumo previsto de silagem pelos animais um determinante do tamanho da área destinada ao plantio e à colheita.

Utilizemos como exemplo o cálculo da área necessária para terminação de 1.000 bois em confinamento, por um período de 90 dias, sendo que os mesmos estariam recebendo uma dieta composta por 25% de alimentos volumosos e 75% de alimentos concentrados, em valores de MS na dieta. O consumo diário de estimado é 10,50 kg de MS por animal/ dia (bovinos de 450 kg de peso vivo), o que corresponde a 2,625 kg de MS de silagem/ boi/dia e 7,875 kg de MS de concentrado/ boi/dia.

A demanda de silagem no período foi estimada em 236.250 kg de MS. Ajustando de acordo com a produtividade e o teor de matéria de cada silagem (Tabela 2), teremos as respectivas áreas a serem plantadas. Ressaltamos que as perdas nos processos, a produtividade das culturas e o consumo animal variam bastante e devem ser considerados individualmente em cada sistema de produção. Como pode ser observado (Tabela 2), devido à maior produtividade da cana-de-açúcar, uma menor área é necessária para colheita, visando suprir as exigências em volumoso dos bovinos. No entanto, ajustes nos teores de proteína, energia, minerais e vitaminas determinam o balanceamento da dieta, não significando, necessariamente, que a menor área de plantio gere menor custo nutricional.

Tabela 2 - Área de plantio necessária para engorda de 1.000 bois em confinamento, utilizando uma ração contendo 25% de silagem e 75% de concentrado:

Fonte: comunicação pessoal dos autores.

Período de colheita e maquinário

As colhedoras de forragem disponíveis no mercado possuem capacidade de colheita que varia de 15 a mais de 100 t/hora (Tabela 3). Porém, no campo, reduções de 30 a 40% da capacidade teórica devem ser consideradas. Características de relevo, produtividade da lavoura, manobras, manutenção e equipamentos, entre outros fatores, influenciam o rendimento das máquinas, reduzindo essa capacidade operacional.

Tabela 3 - Tipo de colhedora e capacidade teórica de colheita:

Fonte: comunicação pessoal dos autores.

Desse modo, a escolha do equipamento dependerá de um conjunto de fatores técnicos. O correto dimensionamento deverá ser realizado, observando-se o período de colheita necessário para conciliarmos produtividade e qualidade do material a ser ensilado. De maneira prática, avalia-se que um período máximo de 10 a 15 dias deve ser utilizado com parâmetro para que toda a área destinada à ensilagem seja colhida. Nesse sentido, dependendo do equipamento disponível, deve-se iniciar a colheita com as plantas apresentando teor de matéria seca mais baixo (plantas mais verdes), para que no final do processo, em média, o material colhido apresente a qualidade ideal para uma boa silagem. Exemplificando, em uma área de 100 ha de milho, com produtividade média de massa verde estimada em 40 t/ha, estariam disponíveis para a colheita cerca de 4.000 toneladas de forragem. Assim, um conjunto com capacidade de colheita de 20 t/hora, em 8 horas de trabalho diário, seria capaz de colher 160 t/dia, levando cerca de 25 dias para completar todo o processo. Já um equipamento autopropelido, com capacidade de colheita de 90 t/hora (720 t/dia), colheria a mesma área em apenas seis dias.

Figura 1 - Compactação: não economize em tratores

A maior eficiência de colheita dos equipamentos autopropelidos é acompanhada da alta capacidade de transporte e compactação do material. O uso de caminhões transportadores e tratores de grande porte durante a ensilagem são pontos importantes para conciliar as operações de corte, transporte e compactação. Para operações que utilizam colhedoras acopladas (sistema hidráulico de três pontos do trator), recomendamos que cada conjunto, trator + colhedora, seja acompanhado de um trator transportador (trator + carreta) e um trator compactador (compactando o material no silo) (Figura 1). Muitos produtores negligenciam a necessidade de um trator compactador para cada conjunto (trator + colhedora) no campo. O resultado são silagens mal compactadas, reduzindo a qualidade do material e permitindo maior deterioração da massa ensilada no momento de abertura e carregamento. Esse problema é muito frequente em locais onde o silo e a área de colheita são próximos. Com dois conjuntos colhendo, grande quantidade de material chega ao silo em curto período de tempo, não sendo possível, com apenas um trator, espalhar e compactar a forragem de maneira uniforme e ideal.

Velocidade de operação X Tamanho de partícula

A velocidade de operação e qualidade do material colhido nem sempre caminham juntos. Quando mais de um conjunto (trator + colhedora) está trabalhando na mesma área, não é raro verificar que a maior velocidade de colheita está associada ao maior tamanho de corte. Muitos operadores retiram algumas “facas” da colhedora ou alteram a regulagem visando aumentar a velocidade de operação. Esse procedimento diminui a densidade do material, aumentado os custos de transporte (menor peso de material transportado por carreta), prejudicando a compactação no silo e reduzindo a qualidade da silagem. Como exposto, a velocidade de operação das máquinas regula a alimentação da forragem para dentro da ensiladora. Maior velocidade aumenta a quantidade de massa verde a ser picada, reduzindo, em alguns casos, a eficiência de corte.

O tipo de forragem e seu estágio de maturação (mais verde ou mais seca) também influenciarão o tamanho de partícula. Plantas colhidas acima do ponto ideal promovem o maior aparecimento de folhas e caules estilhaçados, com tamanho acima do recomendado, interferindo na qualidade da silagem. Atenção especial deve ser dada quando se pretende ensilar plantas de sorgo. O tamanho reduzido dos grãos, associado a uma regulagem incorreta, permite que grande quantidade dos grãos passe pela colhedora sem serem processados. O resultado é a menor quantidade de carboidratos solúveis expostos na massa ensilada, reduzindo a qualidade do volumoso, não sendo raro verificar que esses mesmos grãos passem direto pelo sistema digestivo do animal e sejam eliminados pelas fezes, sem aproveitamento dos seus nutrientes.

Para Daniel Rodrigues, é o tamanho da área que vai definir o maquinário necessário

Por outro lado, a picagem excessiva diminui a efetividade da fibra (tamanho de partícula para estimular a ruminação e mastigação) e a velocidade de operação do equipamento. Partículas muito pequenas reduzem a taxa de mastigação, ruminação e salivação, causando queda do pH e riscos de acidose. Outro efeito é a queda da digestibilidade da silagem devido à alta taxa de passagem pelo rúmen, não havendo tempo suficiente para ataque dos micro-organismos sobre a forragem. Portanto, recomenda-se não ter apenas um único tamanho de partícula. Os grãos devem ser moídos com menor tamanho possível enquanto as folhas e colmos devem ter certa quantidade de partículas maiores que 15 mm, para promover efetividade física da fibra no rúmen. Nesse caso, o produtor deve ficar atento, regulando o equipamento entre 8 e 20 mm. Essa regulagem pode ser realizada nas colhedoras acopladas e máquinas estacionárias, pelo mecanismo de engrenagens. As facas, o afiamento das mesmas e a folga entre o gume cortante e a placa de cisalhamento também são características a serem observadas quanto à determinação do tamanho de partícula. Já para as máquinas autopropelidas, com grande capacidade de colheita e corte do material, os problemas anteriormente citados são minimizados. Esses equipamentos possuem um sistema eletrônico com uma série de combinações, produzindo um material com as características desejáveis para ensilagem e nutrição animal.

A tomada de decisão sobre a aquisição de máquinas ou terceirização da colheita (principalmente no caso de máquinas autopropelidas) leva em conta o tamanho da área, o tempo disponível para ensilagem do material e a possibilidade de escalonar o plantio, objetivando que os talhões entrem em ponto de ensilagem em momentos diferentes. Menor velocidade de operação implica em maior período de colheita e maior custo com mão-de-obra. Nesse sentido, apesar do alto valor da hora trabalhada das colhedoras autopropelidas, esses custos devem ser relevados, além da excelente qualidade de corte e redução de perdas no campo, esses equipamentos possuem alta potência e reduzem sobremaneira o tempo necessário para colheita.

Compactação

Desensiladora recolhendo camada de 30 cm no painel do silo

Teor de MS seca das plantas, tamanho de partícula, peso do trator compactador, tempo de compactação e quantidade de material a ser compactado são características que influenciarão na densidade final da silagem. A compactação é responsável pela retirada do ar da massa ensilada, importante para os processos de fermentação e conservação, além de influenciar a entrada de ar no interior do silo no momento de retirada do material. Em média, encontramos entre 500 e 650 kg de massa verde por m3 de silo, valores que refletem a qualidade do material ensilado e a eficiência de compactação desse material. Pesquisas e resultados de campo sugerem que silagens de qualidade devem possuir em média 200 kg de massa seca por m3, o que para silagens com 35% de matéria seca significa valores próximos a 600 kg de massa verde por m3 de silo. A maior densidade significa menos espaço entre as partículas, ou seja, menor presença de ar na massa ensilada. Desse modo, para que o ar seja retirado, o produtor deverá ficar atento ao peso do trator utilizado na compactação. O recomendado é que o trator tenha o equivalente a 40% da massa verde colhida por hora, ou seja, se dez toneladas de silagem chegam ao silo por hora, um trator de no mínimo quatro toneladas de peso deve compactar esse material. Caso a quantidade colhida e transportada seja maior que o valor mencionado, utilize mais um trator para a compactação. Na prática, aconselhamos que os tratores mais pesados sejam designados aos trabalhos de compactação. Encher os pneus com água, utilizar contrapesos e pneus mais estreitos são procedimentos importantes, visando ao aumento da densidade do material ensilado.

Figura 2 - Uso de pás articuladas: maior entrada de ar na massa ensilada

Desensiladora

Para se determinar a melhor forma de retirada da silagem, devemos considerar o número de animais que serão alimentados em um dia de trato. Para um rebanho composto de 100 vacas em lactação, com consumo diário de 40 kg de silagem por vaca/dia, seriam necessários 4.000 kg de silagem retirados e distribuídos no cocho diariamente. As desensiladoras trazem como vantagem a retirada do material ensilado com menor revolvimento e entrada de ar na massa, preservando em maior grau a compactação da silagem que permanece no silo. Com esses equipamentos, fica mais fácil recolher a quantidade necessária para ser fornecida, reduzindo perdas de qualidade e tempo de trabalho. A retirada de silagem com uso de pás articuladas (Figura 2) também é muito utilizada. No entanto, promovem maior revolvimento do material e, consequentemente, maior entrada de ar. O ideal é que pelo menos 20 cm da face da silagem exposta ao ar sejam retirados todos os dias e que esse procedimento seja realizado de maneira mais uniforme possível.

Atualmente, vagões misturadores com equipamentos para desensilar, pesar e misturar o material são comuns nas fazendas com maior volume de produção. São máquinas importantes, que agilizam o fornecimento de ração. Elas permitem melhor controle da quantidade de alimento fornecido, bem como maior uniformidade de ração (mistura total), evitando seleção dos ingredientes pelos animais.

Capim Mombaça competindo por água, luz e nutrientes

A definição dos equipamentos deverá levar em conta também a possibilidade de escalonar o plantio e a colheita das lavouras. Quanto à mão de obra disponível na fazenda, os conjuntos trator+ensiladora, trator transportador e trator compactador exigem quatro funcionários e esse custo deve ser considerado no planejamento. Nesse sentido, apesar do maior valor da hora/máquina dos equipamentos autopropelidos, a partir de 50 ha de área a ensilar já consideramos importante analisar a viabilidade de contratação desse serviço. Nossa experiência mostra vantagens quanto à terceirização da colheita, no entanto, o produtor deve dar atenção especial quanto à compactação do material. O uso de tratores de grande porte e pás mecânicas são fatores que influenciarão na qualidade da silagem na fazenda.

Integração lavoura-pecuária

Quando produzimos em uma mesma área grãos, volumosos e, ainda, alocamos animais, permitimos altos desempenhos dentro do mesmo ano, maximizando, dessa forma, a utilização de recursos. A possibilidade de aliarmos alta produção a elevadas taxas de lotação é a expressão mais clara da eficiência em pecuária de corte e leite. Esses fatores são determinantes do sucesso da pecuária moderna: sustentabilidade na utilização dos recursos naturais e eficiência produtiva – produzir mais gastando menos.

A produção de silagens é uma das formas mais antigas de integração entre lavoura e pecuária. Antes mesmo de o assunto ser tema discutido entre técnicos e produtores, já se realizava nas fazendas o plantio consorciado entre milho e pasto ou sorgo e pastagem. Nesses sistemas, as sementes do capim eram semeadas durante o processo de adubação de cobertura, visando à formação de pasto após a colheita das plantas. No entanto, em determinadas condições, o crescimento demasiado do capim reduzia a produtividade da cultura anual, prejudicando as operações de colheita e reduzindo a qualidade da silagem.

Milho e pastagem em sistema integrado de produção

Hoje, técnicas agronômicas como o uso de herbicidas específicos para reduzir o crescimento do pasto sem provocar sua morte já estão sendo utilizados com sucesso nas áreas de produção com maior aporte de tecnologia. Nesses casos, o plantio da pastagem ocorre simultaneamente com a cultura anual (milho, sorgo, etc.), reduzindo os custos com sementes e melhorando a cobertura de solo pela pastagem formada.

Outra técnica disponível é a utilização de cultivares de soja precoce, em que, após a colheita, é possível realizar o plantio de safrinha visando à produção de silagem e a formação de pastagem (ou palhada). Excelentes resultados de campo estão sendo obtidos com essa técnica, na qual as produções vegetal e animal são alavancadas com a integração dos processos. O plantio de lavouras com pastagem para silagem no período de safra também apresenta vantagens. Após a colheita, o capim formado encontra condições ideais de humidade, luz e temperatura para crescer de forma vigorosa, aumentando os ciclos de pastejo, podendo ser usado também na confecção de silagem de capim ou produção de feno, favorecidos pela maior fertilidade do solo e, consequentemente, melhor qualidade de material disponível para os processos de conservação.

Todas as máquinas e equipamentos da fazenda merecem atenção.

Além das colhedoras autopropelidas, há disponíveis no mercado máquinas e equipamentos acoplados que colhem diversos tipos de culturas (milho, sorgo, milheto, pastagem, etc.). São modelos que exigem maior potencia do trator, mas que trazem flexibilidade para os sistemas de lavoura-pecuária. Lembrando que máquinas para ensilar milho ou sorgo de uma ou duas linhas não são apropriadas para ensilagens de capins.

A produção de silagem de forma eficiente exige que o pecuarista seja um excelente agricultor. Devemos utilizar a população de plantas recomendadas, herbicidas, inseticidas, fazer análise de solo e ficar atento ao ponto de colheita, assim como procederíamos caso a lavoura fosse destinada à produção de grãos. Não existe diferença entre uma área destinada à produção de grãos ou silagem, quando nos referimos à necessidade de tecnologia e ao acompanhamento técnico para altas produções.

Manutenção

Todas as máquinas e equipamentos da fazenda merecem atenção. Para se ter uma ideia, um conjunto novo completo para a produção de silagem, contendo três tratores (colhendo, transportando e compactando), uma ensiladora e duas carretas, pode sair por valor superior a R$ 380.000,00. Dessa forma, a adequação das máquinas e implementos à frota existente da fazenda é fundamental para redução dos custos e aumento de produtividade.

Verificar as recomendações do fabricante quanto à troca de óleo, engraxe (ensiladoras a cada 10 horas de trabalho, em média), reposição de peças desgastadas, afiação do sistema de colheita e picagem, além de lavagem e lubrificação de todo o conjunto após o uso, prolongam a vida útil do equipamento e reduzem os custos de manutenção. As ensiladoras acopladas são, de modo geral, equipamentos de mecânica simples, envolvendo sistemas de correias, rolamentos, engrenagens, discos e facas de corte. Cuidados básicos como os mencionados anteriormente garantem o bom funcionamento e permitem que os produtores e funcionários trabalhem de forma tranquila, sem muitos imprevistos. Já as colhedoras autopropelidas são máquinas de maior tecnologia, com peças de reposição mais caras, mas de maior capacidade operacional. A definição de compra ou terceirização dependerá de avaliações da quantidade de silagem a ser colhida e do custo de produção da lavoura.

Planejamento

Realizar o planejamento forrageiro da fazenda é o primeiro passo para a escolha dos equipamentos corretos. Prever um crescimento sustentável, definir os níveis de produção pretendidos, quais áreas serão destinadas à ensilagem e de que forma esse material será colhido e oferecido aos bovinos são pontos fundamentais para o sucesso da atividade. Grandes operações agrícolas exigem equipamentos autopropelidos e eficientes sistemas de transporte, descarga e compactação. Operações menores podem utilizar combinações de máquinas e implementos disponíveis no mercado e que se adaptem de maneira mais adequada às necessidades da propriedade. Colhedoras de uma linha, duas, de plataforma, com diferentes sistemas de corte estão disponíveis no mercado. Cabe ao produtor, juntamente com o engenheiro-agrônomo ou o zootecnista, identificar a real necessidade do empreendimento, evitando sub ou superdimensionamento das máquinas e implementos.

Lembre-se: conservação de forragem, seja na forma de silagem, feno ou pré-secado, custam acima de R$ 3.000,00 por hectare. A compra de maquinário ou terceirização dos serviços reflete na estratégia do produtor em conciliar produção de forragem de qualidade, eficiência operacional e custo de produção.

*Daniel Rodrigues é engenheiro-agrônomo, mestre em Ciência Animal e Pastagens e consultor na Coan – [email protected]


Qual o melhor equipamento para a propriedade?

Para determinar qual colhedora de forragem (ensiladora) adquirir, devemos considerar todos os aspectos aqui relacionados, além da futura expansão da atividade na fazenda. Hipoteticamente, consideraríamos três situações: (1) pequenas propriedades, que ensilam áreas entre 20 e 50 ha por ano; (2) para fazendas com 50 a 100 ha ensilados por ano; e (3) para fazendas com áreas de ensilagem maiores que 100 ha por ano, sugerimos os seguintes equipamentos:

Até 50 ha de área ensilada por ano:
- conjunto trator de 90 a 110 cv + ensiladora com capacidade mínima de 20 ton/hora + carreta graneleira transportadora;
- trator compactador traçado de 75 cv ou superior (lembre-se da relação peso do trator e volume ensilado por hora já comentado) com lâmina ou pá articulada;
- trator transportador de 75 cv, com carreta graneleira.

Até 100 ha de área ensilada por ano:
- dois ou três conjuntos dos equipamentos mencionados acima, ou terceirização do processo de colheita, com uso de máquinas autopropelidas que recolham acima de 70 ton/hora. O uso de caminhões basculantes para transporte agiliza o processo de descarga no silo e deve ser considerado durante o planejamento.

Acima de 100 ha de área ensilada por ano:
- recomendamos o uso de máquinas autopropelidas, caminhões transportadores e tratores de grande porte na compactação. Assim, é possível conciliar o tempo disponível para colheita, produção e qualidade do material ensilado.