Especial Vacinação

 

NA DOSE CERTA

Vacinação protege além dos animais. É um procedimento que assegurará a saúde financeira das fazendas

Romualdo Venâncio

Dependendo da vacina que o pecuarista deixa de aplicar e do surto que pode ocorrer em sua propriedade, ele corre o risco de perder todo seu rebanho.” A frase do médico veterinário e chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande/MS), Pedro Paulo Pires, não deixa dúvidas sobre a importância da vacinação para qualquer projeto pecuário. Segundo Pires, não é possível pensar nessa questão de forma fragmentada, ou seja, vacinar o rebanho é indispensável. Independentemente de quão antigo seja, o jargão “é melhor prevenir que remediar” nunca sai de moda.

Há doenças cuja imunização é obrigatória, determinada por lei e amparada por programas nacionais, como febre aftosa, raiva bovina, brucelose e tuberculose. Os efeitos causados por tais moléstias vão além da condição sanitária dos rebanhos, extrapolam para questões de saúde pública e até mercadológicas. Não por acaso, eventualmente o Brasil tem de prestar contas a órgãos internacionais de controle sanitário, seja indo até eles, seja recebendo seus representantes por aqui, a exemplo da Organização Mundial para Saúde Animal (OIE), que ganhou notoriedade na pecuária nacional como a entidade responsável por reconhecer as áreas livres de aftosa.

O País precisa que o produtor vacine seu rebanho, diz Pedro Paulo

No entanto, a vacinação vai muito além da obrigatoriedade, é uma prática preventiva estratégica, tanto para a gestão das fazendas quanto para conquista e preservação de mercados pelo Brasil. “O País precisa que o produtor vacine seu rebanho”, acrescenta o veterinário da Embrapa. “Devemos fazer todo o esforço para cumprir as exigências sanitárias, independentemente da origem, para podermos seguir vendendo. Esse é o principal motivo pelo qual devemos divulgar para convencer os participantes da cadeia da carne bovina”, avalia Pires. O convencimento por meio do apelo mercantil certamente vai garantir que o benefício da prevenção seja conferido de todas as formas possíveis.

Até o momento, é favorável para se pensar e realizar a prevenção. De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – ESALQ/USP), a média ponderada do boi gordo no estado de São Paulo foi de R$ 142,84/ arroba na segunda semana de janeiro deste ano. E pode ficar ainda melhor para os pecuaristas, segundo o Rabobank Brasil, pois as cotações em alta também manterão aquecida a demanda por bezerros. Para a instituição, há ainda perspectivas de bom posicionamento para a carne bovina brasileira no mercado internacional, inclusive com possibilidade de abertura do mercado norte-americano para produtos in natura, retomada dos envios para a China e redução de rebanhos de países concorrentes diretos, como Estados Unidos e Austrália.

Michel Caro apostou nas vacinas reprodutivas e aumentou em 20% a rentabilidade

Produtividade

Olhar atentamente o mercado em busca das melhores oportunidades é fundamental. Ao menos, para os pecuaristas que enxergam a fazenda como uma empresa e sabem que o sucesso, ou não, de seu negócio está diretamente relacionado a suas decisões. Mas é preciso associar essa visão macro aos fatores que fazem parte da rotina diária da propriedade. A vacina pode – e deve – ser utilizada como ferramenta estratégica para aumentar a produtividade e, por consequência, o retorno financeiro. E nem é preciso uma análise tão profunda para entender tal relação, pois é fato que animal sadio produz mais e melhor e reduz significativamente as despesas com medicamentos e outros insumos.

Como é o caso da redução dos riscos de doenças pulmonares em confinamentos. “Há no mercado uma vacina que diminui o risco de pneumonia em animais confinados. Trata-se de uma imunização não obrigatória, mas que pode muito bem ser estratégica. Nesse sistema de produção existe uma série de fatores que ampliam as chances de problemas, como a poeira e o estresse”, explica o zootecnista e professor assistente da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) – Campus Jaboticabal/SP, Mateus José Rodrigues Paranhos da Costa, que também é membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal (ETCO).

Vale lembrar que as vacinas têm a função de prevenir a ocorrência de doenças e, também, sua disseminação. Ou seja, a prevenção não só vai proteger o indivíduo como vai ajudar a evitar a possibilidade de surtos dentro da fazenda, criando uma defesa coletiva. Mais uma vez, é o olhar para a propriedade como um todo, tal qual a gestão ampla e integrada de uma empresa. A Fazenda Bonsucesso (Guararapes/SP), dona da marca Nelore Zan, é um exemplo prático desse conceito. Michel Caro, titular da propriedade, conta que há mais de 15 anos passaram a utilizar a vacinação como parte estratégica do manejo reprodutivo. “Chutando baixo, passamos a contar com 20% mais bezerros a cada safra”, relata.

Sabendo-se que a eficiência reprodutiva é fator preponderante no retorno econômico da pecuária e que as doenças infecciosas respondem por entre 40% e 50% das causas de perdas de gestação, veio a decisão estratégica de intensificar a prevenção contra rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR), diarreia viral bovina (BVD) e leptospirose. “Uma das consequências imediatas foi a redução de doenças em vacas e bezerros, o que acabou proporcionando economia significativa em produtos veterinários”, comenta Caro. O manejo foi implantado a partir de um monitoramento sanitário feito pelo médico-veterinário responsável da Bonsucesso, com base em estudos e análises laboratoriais.

O novo manejo foi otimizado com uma melhor organização dos lotes submetidos à reprodução: novilhas de reposição para que atinjam o peso de acasalamento; novilhas prenhes para que atinjam o peso pós-parto; vacas de primeira cria; vacas de segunda cria; e vacas maduras. Caro afirma que obtiveram ganhos na condição corporal dos animais e diminuíram as situações de estresse. “Os índices reprodutivos melhoraram sensivelmente, sobretudo em relação à repetição de cio e morte embrionária. Houve ainda significativa redução em ocorrências de retenção de placenta e doenças respiratórias nas bezerras.” Outro resultado positivo foi a otimização no uso de sêmen, que passou a ter uma relação custo/benefício bem mais favorável.

Aplicação correta

“Não basta vacinar, precisa vacinar direito”, orienta Mateus Paranhos. O especialista em comportamento animal chama a atenção para a eficiência em todo o processo de imunização, desde o planejamento e a organização do manejo sanitário até a escolha e o uso adequado dos equipamentos para fazer a vacinação. É essencial que se busque informações corretas sobre o que é obrigatório, datas exatas de aplicação, cuidados com os animais e com os profissionais que realizarão o manejo e integrar tudo isso à gestão da propriedade. Afinal de contas, trata-se de uma prática a ser feita todos os anos. Deve-se ter em mente que há indicações tanto nacionais quanto regionais sobre imunização.

Paranhos afirma que entre os pecuaristas com quem tem mantido contato, muitos já apresentaram evolução em relação a essa questão, inclusive aceitando e adotando a vacinação racional. “O pessoal era mais resistente a fazer a aplicação animal por animal, de maneira mais cuidadosa. Esse comportamento tem mudado ao longo do tempo.” Segundo o zootecnista, o manejo racional favorece o bem-estar na fazenda, pois não fica restrito a animais ou pessoas. Entre os pontos favoráveis estão a redução de situações estressantes, a prevenção de acidentes e os ganhos em produtividade, isto é, melhor desempenho com menor esforço.

Entender que a vacinação é uma prática rotineira ajuda o pecuarista a se preparar. Tendo em mãos as informações sobre quais vacinas serão aplicadas e quando, de acordo com o calendário de vacinação da região, é possível determinar os lotes a serem imunizados. Idade, peso e fase da vida são dados a serem considerados nessa apartação. Evitar o acúmulo de atividades no dia de vacinar o gado contribui para que tudo seja feito com mais tranquilidade. É igualmente relevante a preparação das instalações para o manejo e de todo o material que será utilizado. Pode ser de grande ajuda manter sempre em lugar visível e de fácil acesso uma lista do que é indispensável. Mesmo para quem já tem experiência de sobra, não custa nada ajudar a memória.

“Um paradigma que vem sendo quebrado é sobre os riscos de se vacinar diversos animais com a mesma agulha”, afirma Paranhos. O zootecnista explica que essa conscientização é mais comum entre criadores de gado de leite, por conta dos riscos de contaminação e propagação de leucose. Como geralmente há um contato mais frequente com os animais, a percepção acaba sendo maior do que no gado de corte. “O ideal seria que os animais fossem vacinados cada um com uma agulha. Mas diante da forte resistência, orientamos ao menos para que não introduzam a agulha usada no frasco de vacina, substituam a agulha”, acrescenta.

A desinfecção é outra providência que jamais deve ser negligenciada. “As agulhas devem ser desinfectadas em água fervente, por pelo menos 20 minutos”, orienta Paranhos. Tanto a agulha quanto os demais equipamentos utilizados para a vacinação só devem ser utilizados se estiverem em bom estado. Ainda que pareça óbvio, é imprescindível averiguar a adequação desses itens, como o calibre das agulhas.

Cuide das vacinas

Um insumo que pode significar tantos ganhos a uma fazenda e a toda uma cadeia produtiva tem de ser tratado com o devido cuidado. Até porque se não for dessa forma, a prevenção é colocada em risco. O processo começa já na compra da vacina. Há diversos fabricantes no Brasil e no mundo e diferentes tecnologias de fabricação, o que dá origem a produtos com características variadas, embora a finalidade seja a mesma. Adquirir as vacinas de fornecedores conhecidos, nos quais se confie, é um bom começo. Nem por isso se deve abrir mão de manter a atenção às condições de armazenagem e de manuseio.

Informação de extrema importância na hora da compra é a data de validade. Se a vacina entregue pelo atendente estiver vencida, não há o que discutir, peça imediatamente para trocar. Na verdade, produto com data de validade vencida nem deveria estar disponível. Mesmo que a vacina esteja dentro do prazo de validade, é bom calcular quanto tempo vai demorar até utilizá-la, ou pode se tornar um produto vencido dentro da farmácia, na fazenda.

Procure adquirir somente a quantidade que vai de fato utilizar. Compra feita, tome todas as precauções para que o transporte até a fazenda ocorra de maneira correta, em recipientes adequados que preservem a temperatura indicada pelo fabricante. O rigor continua em relação à armazenagem, que deve proteger as vacinas da luz do sol e mantê-las sob temperatura entre 2°C e 8°C. Jamais as congele. O rótulo e a bula das vacinas trazem informações sobre tais cuidados e diversas outras orientações essenciais para que se faça uma aplicação correta, como forma de utilização, doses a serem aplicadas (inclusive de reforço), entre outos dados.


Conheça algumas das doenças

Botulismo
Intoxicação alimentar causada por ingestão da toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum, caracteriza-se por uma paralisia flácida, geralmente fatal. C. botulinum é anaeróbico, isto é, só se multiplica na ausência de oxigênio, em carcaças de animais, matéria orgânica em decomposição, silagens e conservas mal preparadas. O agente causador esporula, contaminando o ambiente. Hoje, a intoxicação botulínica é uma das principais causas de mortalidade de bovinos no País.

Brucelose
Causada pela bactéria Brucella abortus é caracterizada pela inflamação dos órgãos genitais e membranas fetais, aborto, esterilidade e formação de lesões localizadas em vários tecidos. Afeta tanto gado de leite como gado de corte e pode ser transmitida ao homem. A transmissão é feita por alimentos, água, urina, secreções e cópula. O aborto é frequente em novilhas e, nos partos subsequentes, nascem bezerros fracos, que, muitas vezes, morrem pouco tempo depois

Campilobacteriose
A campilobacteriose genital bovina é causada por Campylobacter fetus, subespécie venerealis e provoca infertilidade temporária nas fêmeas. Os animais se contaminam por contato sexual direto ou por práticas veterinárias. O macho é tido como fator de perpetuação da doença. Deve ser realizado diagnóstico diferencial de outras enfermidades do sistema reprodutivo. A vacinação dos touros é um tema controverso e sua utilização fica a critério do médico-veterinário.

Carbúnculo hemático (Anthrax)
Doença febril aguda causada pelo Bacillus anthracis, é caracterizada por morte súbita, hemorragias subcutâneas e subserosas. Em geral o animal infectado é encontrado morto, inchado, com espuma de sangue escuro saindo por narinas, boca, ânus e vagina e sem rigor mortis (enrijecimento do cadáver). O homem também pode desenvolver a doença. Os esporos transmissores são altamente resistentes à dessecação e aos desinfetantes comuns. Como medidas de controle é recomendado queimar o cadáver ou enterrar profundamente (no mínimo dois metros), cobrindo com cal.

Carbúnculo sintomático
Doença febril aguda causada pela bactéria Clostridium chauvoei, afeta principalmente animais jovens, de até dois anos de idade, e se caracteriza por manqueira e inchaço crepitante nos músculos da paleta. Outros clostrídeos podem estar associados ao problema. Além dos bovinos, ovinos também são suscetíveis. O animal apresenta-se deprimido, febril e com manqueira. Muitas vezes a doença só é percebida ao se encontrar o animal morto. Esses microrganismos são sensíveis à penicilina. Entretanto, mesmo que medicados, muitos animais morrem.

Colibacilose
É causada pela bactéria Escherichia coli, que afeta principalmente os bezerros com menos de três semanas de idade, e caracteriza-se por diarreia profusa amarela esverdeada. Costuma ocorrer em ambientes em condições inadequadas de higiene. A falha no consumo do colostro nas primeiras horas de vida contribui para o aparecimento do problema, além disso, é comum a associação com rotavírus, coronavírus ou Cryptosporidium spp. A mortalidade pode chegar a 100%.

Coronavirose
Causada pelo coronavírus bovino, costuma provocar a chamada “desinteria de inverno”, quando ocorre em bovinos adultos. As fêmeas jovens prenhes, recém-paridas ou em lactação, pertencentes a rebanhos leiteiros, são em geral mais atingidas, entretanto o quadro já foi descrito em gado de corte criado em sistema a pasto ou confinado. A morbidade costuma ser alta, principalmente em animais confinados, mas a mortalidade é baixa quando não existe outra infecção subjacente.

Diarreia viral bovina (BVD)
Pode ocorrer na forma de infecção benigna, sem sinais clínicos evidentes; doença das mucosas (MD), que é altamente fatal e caracterizada por diarreia superaguda; doença hemorrágica; falha reprodutiva; alterações congênitas dos bezerros ou ainda combinações destas. A transmissão pode ocorrer por contato direto entre animais ou transplacentária. A principal fonte de infecção é o animal virêmico, que sofre infecção intrauterinamente, disseminando vírus por secreções.

Enterotoxemia
A doença é causada em bovinos por Clostridium perfringens tipo D entre três dias e seis meses de idade, principalmente. O quadro está associado com alteração do ambiente intestinal provocado pela ingestão de níveis elevados de carboidratos, dietas ricas em proteína e pastagens luxuriantes. Em casos superagudos, os animais costumam ser encontrados mortos. Nos mais comuns, manifestam incoordenação e prostração, além de emissão de mugidos sem motivo aparente e convulsões generalizadas.

Febre aftosa
É uma doença altamente contagiosa e se caracteriza por febre, aftas na mucosa bucal (gengiva e língua) e nasal, além de vesículas ulcerativas nos cascos e úbere. Em bovinos, podem ocorrer erosões na língua, infecção bacteriana secundária nas lesões da boca e dos cascos, além de mastite. A morbidade é alta, atingindo praticamente todo o rebanho, com consequente emagrecimento dos animais e redução acentuada da produção. A vacinação é obrigatória por lei.

Gangrena gasosa ou edema maligno
É uma doença febril aguda, desenvolve-se em 24 a 48 horas, é causada por Clostridium septicum, Clostridium perfringens, Clostridium novyi, Clostridium chauvoei e Clostridium sordelli e carateriza-se por inchaços debaixo da pele (subcutâneo). O animal para de se alimentar e apresenta manqueira. É semelhante ao carbúnculo sintomático, porém, ocorre em qualquer idade. A bactéria instala-se através de cortes e feridas.

Hemoglobinúria bacilar
É uma doença aguda, causada por Clostridium haemolyticum que ocorre, geralmente, principalmente no verão, em áreas úmidas ou alagadiças e caracteriza-se por depressão, dificuldade de locomoção, tremores musculares, urina de cor escura e fezes com sangue. A morte tende a ocorrer em 12 a 24 horas. Em geral os bovinos são encontrados mortos sem possibilitar a observação dos sinais clínicos.

Leptospirose
Trata-se de uma zoonose que pode ser causada por diferentes sorovares de Leptospira interrogans, como por exemplo, L. wolffi, L. pomona, L. grippotyphosa, L. hardjo, L. icterohaemorrhagiae, L. tarassovi, L. bratislava e L. canicola. Em bovinos, a doença caracteriza-se por eliminação de urina com sangue, o que pode ser confundido com hemoglobinúria bacilar, falta de apetite, anemia e icterícia. É comum o aborto. O tratamento pode ser realizado com uso de antibióticos específicos, entretanto, é caro e há risco de o animal permanecer portador.

Pasteurelose
É uma enfermidade respiratória causada por Pasteurella haemolytica e também conhecida como “febre do transporte”. Apesar de estar presente na microflora da cavidade oronasal dos bovinos, a doença costuma ocorrer em situações de baixa imunidade - principalmente por estresse - e que permitam a entrada de outros patógenos, formando um complexo respiratório caracterizado por um quadro importante de pneumonia. A doença é transmitida por contato direto, inalação ou ingestão de secreções contaminadas. Os bovinos jovens tendem a ser mais suscetíveis.

Parainfluenza tipo 3
A doença tem papel fundamental no complexo respiratório bovino por aumentar a predisposição a infecções bacterianas secundárias, como pasteurelose, com a qual está intimamente relacionado; além de estar comumente associado à infecção por outros vírus, como IBR e BVDV. O vírus é eliminado nas secreções nasais e oculares dos animais infectados, nos quais são observados febre, lacrimejamento, descarga nasal serosa, depressão, dificuldade respiratória e tosse.

Rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR)
É uma doença causada pelo herpesvírus bovino-1. O quadro caracteriza-se por dificuldade de respirar (dispneia), tosse, corrimento nasal seroso, que pode passar a sanguinolento ou purulento, inapetência e febre. Além disso, a conjuntivite pode estar presente e agravar quadros de ceratoconjuntivite por Moraxell bovis em infecções mistas. O quadro da doença reprodutiva está associado à vulvovaginite pustular infecciosa (IPV), bem como balanopostite, lesão inflamatória da extremidade do prepúcio, popularmente conhecida como umbigueira. As perdas reprodutivas ocorrem geralmente no terço final da gestação.

Raiva
É uma zoonose causada por um vírus que tem tropismo por tecidos do sistema nervoso (neurotrópico) de mamíferos, e caracteriza-se por excitação, paralisia progressiva, coma e morte. Existem dois tipos de raiva: a raiva paralítica, na qual o animal fica abatido, não se alimenta entra em paraplegia, progredindo para paralisia geral, inclusive do músculo diafragma, colapso respiratório e morte; e a raiva furiosa, na qual o animal fica agressivo, atacando os outros, terminando também por paralisia geral e morte. A transmissão a bovinos se dá principalmente pela mordida do morcego hematófago Desmodus rotundus. A vacinação é obrigatória por lei.

Rotavirose
A doença é causada pelo rotavírus bovino e é considerada uma das principais causas de gastroentrite em bezerros, também conhecida como “curso branco”, assim como o paratifo. A doença é observada geralmente em animais jovens, de uma a oito semanas, raramente durante a primeira semana de vida, e apresenta transmissão fecal-oral. Os sinais clínicos observados são desidratação, anorexia, prostração e diarreia líquida e profusa. Os animais podem se recuperar dentro de três a quatro dias ou morrerem em decorrência de desidratação ou complicação por infecção bacteriana secundária.

Salmonelose ou paratifo
Conhecida vulgarmente como paratifo ou “curso branco”, a salmonelose é causada por bactérias do gênero Salmonella, principalmente S. dublin e S. typhimurium, e caracteriza-se por diarreia profusa, desidratação, febre e depressão. Na forma entérica, que atinge todo o trato gastrintestinal, os bezerros entre três e seis meses desidratam e podem morrer dentro de três dias. Como fatores predisponentes para a salmonelose destacam-se alimento e água contaminados, lixo, roedores e aves.

Tétano
É uma doença causada pela toxina que se fixa nas células nervosas (toxina neurotrópica) produzida por Clostridium tetani. Assim como outros clostrídeos, C. tetani só se multiplica na ausência do ar, em ferimentos profundos. Esse bacilo é encontrado, normalmente, no conteúdo intestinal. Surtos podem ocorrer após a castração, cura do umbigo ou após a aplicação de vacinas e vermífugos. Os sinais clínicos são espasmos musculares, andar rígido, pescoço estendido, cauda erguida, orelhas eretas e rigidez da mandíbula.

Tristeza parasitária bovina
É uma consequência das doenças babesiose e anaplasmose, causadas, respectivamente, pelos protozoários Babesis bovis e Babesis bigemina e pela rickettsia Anaplasma marginale. A origem é o carrapato Boophilus microplus. Febre, anemia, hemoglobinúria (urina cor de sangue), icterícia (mucosas amareladas), falta de apetite, prostração e pelo arrepiado. Quando na forma superaguda, a doença pode causar a morte horas após surgirem os sintomas.

Vírus respiratório sincicial bovino (BRSV)
O BRSV é um dos agentes envolvidos no complexo respiratório bovino, principalmente entre os animais mais jovens e em produção de leite. Entretanto, são poucos os dados sobre a situação da doença em bovinos no Brasil. A transmissão ocorre provavelmente pelo contato estreito entre os animais suscetíveis com secreções do trato respiratório de outros animais contaminados