Mercado

 

Carne nossa de cada dia

Não há dúvidas de que o brasileiro é apaixonado por carnes e por um bom churrasco, e que isso é uma oportunidade para reunir família e amigos. São inúmeros os benefícios da carne vermelha. Além de saborosa, é rica em proteínas, vitaminas e sais minerais essenciais ao corpo humano. A carne bovina está cada vez mais presente no cardápio dos consumidores: em média, o brasileiro consome 42 kg do produto ao ano. A carne brasileira é considerada uma das melhores em qualidade e sabor e vem conquistando muitos mercados internacionais.

A carne bovina alcançou boas cotações durante o ano de 2014, chegando a registrar preços recordes, sendo um dos produtos de peso no agronegócio brasileiro. A alta representatividade da carne brasileira nas exportações tem colocado o Brasil como o maior exportador do mundo, permitindo ao país ganhar força e competitividade no cenário internacional.

O ano de 2014 pode ser celebrado como um dos melhores anos para a pecuária no Brasil. O consumo de carne bovina cresceu tanto no mercado interno quanto no externo, permitindo que o setor pecuário se recuperasse dos períodos de crises sofridos em anos anteriores.

A pecuária nacional passou por inúmeras transformações ao longo dos últimos anos e vem seguindo um modelo de produção mais eficiente ao alinhar a implantação das boas práticas na cadeia produtiva ao uso das novas tecnologias. Outra coisa que vem mudando é a cabeça do produtor, que está buscando mais informações, ampliando a sua visão em direção ao crescimento, qualificando- se e compreendendo que mudanças e adequações são necessárias para o progresso da atividade.

Porém, apesar do otimismo trazido pelo bom desempenho da pecuária de corte em 2014, a imprevisibilidade da política econômica do atual governo ainda não permite tranquilidade. Muitas ações importantes são esperadas do novo mandato, tais como a promoção de novas políticas agrícolas, novas linhas de crédito, a promoção da carne brasileira, o controle da inflação e o aumento do poder de compra do consumidor, dentre outras.

As previsões para o cenário econômico deste ano ainda não são das mais animadoras. Algumas projeções apontam para um crescimento modesto da economia e aumento da inflação, mas ainda é muito cedo para afirmar qualquer coisa. Porém, uma coisa é certa: o governo terá muitos desafios pela frente, como ajustes da economia, recuperação da confiança de investidores, controle da inflação, etc. Contudo, o momento é de cautela para qualquer setor, inclusive o da pecuária. Embora o ano de 2014 tenha permitido ao produtor capitalizar-se e se recuperar de tempos difíceis, o momento ainda requer atenção e cuidados.

Ainda é cedo para afirmar qual o comportamento do mercado da carne este ano, mas tudo indica que o preço da arroba se manterá estável, sustentado pela restrita oferta de animais para abate. A entrada da boiada de pasto ainda não é expressiva e deverá ser observada em maior volume entre os meses de março e abril. Outro quadro a ser observado é a dificuldade de compra para reposição. Nos últimos anos, devido ao desestímulo da atividade pecuária, o produtor aumentou o abate de matrizes, diminuindo, assim, a produção de bezerros. Falou-se até em apagão de bezerros, mas, para 2015, a previsão é de retenção de matrizes, uma vez que o bezerro segue valorizado.

Analisando o quadro “Boi Gordo no Mundo”, no período de 15/12/2014 a 15/01/2015, as cotações da arroba do boi gordo apresentaram baixas. O valor do dólar, que estava em alta, chegando a valer US$ 2,70 no final de dezembro, teve queda na primeira semana do ano. Devido à variação cambial, houve desvalorização da arroba nos principais países exportadores, sendo registrada queda de 3,3% no Brasil, 5,73% na Argentina, 4,09% na Austrália, e 0,26% nos Estados Unidos.

Ainda no mercado internacional, as exportações brasileiras de carne bovina continuam apresentando bons resultados e registrando preços recordes no faturamento. Hong Kong, Rússia, Venezuela e Egito continuam liderando as importações de carne bovina brasileira, sendo que Hong Kong, mais uma vez, segue como o maior importador, com 399.973,89 toneladas, seguido da Rússia com 314.672,89 toneladas, no acumulado de janeiro a dezembro de 2014.

O gráfico “Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF”, para o período analisado compreendido entre os dias 15/12/2014 e 15/01/2015, mostra a evolução dos preços da arroba pagos a prazo nas diferentes regiões. O preço manteve- se estável nas principais praças produtoras, estimuladas pelas festas de final de ano.

Analisando o deságio do preço do boi gordo, no período de 15/12/2014 a 15/01/2015, observamos que a média do deságio pago aos pecuaristas entre o preço à vista e o preço a prazo (30 dias) foi de 1,33%.

A valorização do bezerro permanece em alta nas principais praças produtoras, registrando bons preços no período de 15/12/2014 a 15/01/2015. No estado de SP, saltou para R$ 1.147,50/cab; em MG, passou a valer R$ 936,00/cab; em GO, o valor negociado foi de R$ 1.161,50/cab; no MS, R$ 1.168,50/ cab; no MT, R$ 1.014,00/cab; no PA, R$ 950,50/cab; no PR, R$ 1.177,50, e no RS, o bezerro subiu para R$ 927,00/cab.

Para o boi magro, a alta também foi geral para o período de 15/12/2014 a 15/01/2015, com a média da categoria sendo negociada no estado de SP a R$ 1.733,50/ cab; em MG, a R$ 1.597,00/cab; em GO, a R$ 1.712/cab; no MS, a R$ 1.721,50/cab; no MT, a R$ 1.577,00/cab; no PA, a R$ 1.503,50/ cab; no PR, a R$ 1.728,50/cab, e no RS, a R$ 1.582,00/cab.

Os índices médios de relação de troca entre as categorias de reposição e boi gordo (gráfico) ficaram em 2,08. Para boi magro/boi gordo, ficou em 1,33, não sofrendo alterações significativas.

Uma coisa é fato: o mundo tem apetite de sobra por carne e o Brasil tem potencial para suprir parte dessa grande demanda, mas existem muitos desafios pela frente e um deles é avançar em produtividade sem deixar de se adequar às regras socioambientais. A intensificação da pecuária envolve várias partes e seu sucesso não depende apenas do fator humano e, sim, de tecnologias inseridas por profissionais da área. Além disso, o produtor necessita conhecer os possíveis resultados da intensificação, assim como os custos e as vantagens que o projeto irá trazer.

Antony Sewell e Rita Marquete Boviplan Consultoria