Sobrevoando

 

Natalidade

Toninho Carancho - [email protected]

Prenhez, natalidade e desmame. Nessas três palavras, está a chave do sucesso da pecuária de cria e, por fim, da atividade como um todo. E elas estão umbilicalmente ligadas, dependem uma da outra, em sequência.

E, felizmente, no Brasil, somos péssimos em todas as três (aliás seria muito difícil ser péssimo em somente uma ou duas delas). Digo felizmente porque mesmo sendo nós péssimos nesses quesitos básicos ainda assim fazemos uma pecuária em larga escala e lucrativa na maioria das vezes. Imagina se tivéssemos números melhores.

Uma vaca no Brasil emprenha um pouco acima de 50%, variando de estado para estado e de fazenda para fazenda. Vamos usar o número de 55% para facilitar. Isso quer dizer que as outras 45% ficaram vazias.

Daquelas 55% prenhas no toque, algumas delas (em alguns casos, muitas) vão acabar absorvendo, abortando, parindo morto ou até morrendo no parto, diminuindo ainda mais esse percentual. Se o número de cima já é um chute aproximado (pois não temos dados muito confiáveis), vou arriscar novamente e dizer que das 55% prenhas algo como 10% não pare. Ou seja, o número cai para algo como 50% do total de vacas. Depois desses dois estágios, prenhez e natalidade, vamos para o desmame, que acontece na média uns seis meses após o nascimento. Também nessa etapa temos algumas perdas, digamos uns 3% por mortes ocasionadas por doenças, cobra, quebras, raio, etc. Nosso número cai para uns 48%.

Em outras palavras, de cada 100 vacas temos:

Prenhas – 55
Paridas – 50
Com bezerro desmamado – 48

Reforço que esses são números médios (famoso “chute calculado”) e que temos fazendas e fazendeiros que produzem muito mais do que isso, apresentando números fantásticos. Mas, por outro lado, temos também outros ditos fazendeiros que têm números bem abaixo desses.

Independentemente do número, o que fica evidente é que temos muito a melhorar.

Se melhorarmos um pouco na prenhez e diminuirmos as perdas até o desmame, aumentaremos muito o nosso desfrute, sem aumentar o número de vacas.

Normalmente, nossa tendência, quando queremos aumentar o número de bezerros da fazenda, é aumentarmos o número de fêmeas para entoure e/ou inseminação. Muitas vezes esquecemos que talvez já tenhamos essas matrizes em casa, e que temos, sim, é que dar melhores condições alimentares para elas emprenharem.

Podem ter certeza, melhorar a condição das fêmeas para emprenharem mais é bem mais barato e racional do que comprar mais fêmeas. Muitas vezes é até bem lucrativo já no início do processo, porque, depois de uma análise rápida, o fazendeiro pode se dar conta que está com gado demais e que pode e deve vender algumas vacas para ajustar a lotação. E, na maioria das vezes que se faz esse ajuste, diminuindo os ventres e melhorando a oferta de pasto, aumentamos a nossa produção de prenhezes, de vacas paridas; e, por sua vez, da desmama. Além de adicionarmos peso à bezerrada na desmama.

Pense nisso. Talvez você já tenha as vacas necessárias para aumentar a sua produção de bezerros. Ou mais, talvez você tenha vacas demais para aumentar a sua produção.

Alimente melhor as vacas, ajude-as a ajudarem você. “Help me to help you” já dizia o personagem do ator Tom Cruise em um filme sobre futebol americano. No final, como todo filme de Hollywood, os dois trabalharam juntos e venceram.

Faça isso, ajude as suas vacas que elas vão ajudar você.