Caprinovinocultura

 

Atenção à doença do músculo branco

Problema sanitário que pode ser confundido com outros males, a distrofia muscular nutricional é prevenida com manejo correto do rebanho

Denise Saueressig
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Problemas sanitários entre o rebanho nem sempre são facilmente identificáveis pelo produtor. Algumas doenças podem ser confundidas com outras devido aos sintomas semelhantes. É o caso da distrofia muscular nutricional, mais conhecida como doença do músculo branco, que pode afetar todas as espécies de ruminantes.

A denominação popular da enfermidade deve-se à coloração pálida dos músculos acometidos, explica a veterinária Byanca Ribeiro Araújo. "É uma doença degenerativa dos músculos cardíaco e/ou esquelético, de caráter hiperagudo, agudo ou subagudo, causada pela deficiência de vitamina E e exercícios físicos exagerados. Outra causa pode ser a carência de selênio", detalha a especialista.

A enfermidade, segundo Byanca, acomete principalmente os animais jovens que estão em fase de crescimento rápido ou animais submetidos ao excesso de ácidos graxos insaturados na alimentação. "Atendi casos que envolveram principalmente ovinos na faixa etária entre três e cinco meses e submetidos ao confinamento. Normalmente, são exemplares que crescem rápido demais e que recebem apenas feno como alimento volumoso. Ácidos graxos insaturados, fornecidos por meio de oleaginosas para acelerar o crescimento, também podem favorecer o surgimento da doença", acrescenta.

A distrofia muscular nutricional é uma enfermidade de alta letalidade, inclusive com a ocorrência frequente de casos de morte súbita. Os principais sintomas são alterações respiratórias, apatia, taquipneia, taquicardia, hipertermia, tremores musculares, incoordenação motora e intolerância ao exercício. "É uma doença que necessita de um diagnóstico cuidadoso e detalhado, realizado na propriedade, com informações sobre o manejo alimentar, com os ingredientes e percentual na formulação das rações fornecidas. Além disso, na maioria dos surtos, a realização de exames complementares, como histopatologia e dosagem enzimática e de minerais, é indispensável para um diagnóstico definitivo", assinala Byanca.

Prevenção e tratamento
A prevenção da doença do músculo branco requer atenção a práticas de manejo adequadas, o que inclui evitar a superlotação nos apriscos e o fornecimento de uma alimentação balanceada. "Indicamos a suplementação de vitamina E a animais confinados e alimentados apenas com feno como fonte de volumoso e para os exemplares na faixa etária de risco. Também podemos recomendar a suplementação de selênio, especialmente em regiões onde há deficiência desse mineral, o que pode ser identificado com análise de solo", orienta a veterinária.

Enfermidade acomete principalmente animais jovens e submetidos ao excesso de ácidos graxos insaturados na alimentação

O manejo alimentar deve ser conduzido adequadamente e imediatamente a partir do diagnóstico da enfermidade. "O ideal é a privação de concentrado e suplementação com vitamina E e/ou selênio. Outra medida bastante importante é a reposição de alimentação de volumoso, com introdução de alimento verde à vontade, em casos de animais com alimentação à base de feno", destaca Byanca.

Outro ponto importante é a redução dos fatores estressantes para os ovinos acometidos, o que significa deixá-los em ambiente calmo e com movimentação limitada, evitando excitabilidade e tremores intensos devido à movimentação, o que pode levar o animal a óbito.

De uma forma geral, como atitude preventiva, é importante que o produtor e o veterinário estejam atentos ao manejo alimentar do rebanho, principalmente em propriedades que formulam a ração que Caprinovinocultura é fornecida. "A deficiência ou o excesso de vitaminas e minerais pode causar um desequilíbrio nutricional que leva a enfermidades graves", conclui a especialista.

Veterinária Byanca Araújo: doença necessita de um diagnóstico cuidadoso, com informações detalhadas sobre o manejo alimentar

Criador de ovinos da raça Dorper no Ceará, Manoel Carlos Fontenele enfrentou o problema há cerca de dois anos entre o rebanho. No entanto, quando os sintomas apareceram, acreditou que se tratava de uma intoxicação ou pneumonia. "Os animais apresentavam tremores, falta de equilíbrio e dificuldade para respirar", recorda.

O produtor chegou a perder 15 ovinos em função da doença. Outros 20 animais tiveram sequelas e não servem mais para reprodução. Agora, para evitar o surgimento da enfermidade, uma das atitudes preventivas é a administração de um suplemento de vitamina E aos cordeiros. "Até os 90 dias de vida, os animais recebem duas doses do suplemento", descreve Fontenele. Segundo o criador, a ração para cordeiros e adultos também passou a ser enriquecida com vitamina E.