Sala de Ordenha

Pressão de baixa pode aumentar

A pressão de baixa continua no mercado de leite neste final de entressafra no Brasil Central e Centro-Sul. Com a oferta elevada e a dificuldade de escoamento, os laticínios não pagam mais para o produtor. Considerando a média nacional, o preço do leite no pagamento de setembro caiu 0,4%, em relação a agosto. O produtor recebeu, em média, R$ 0,992 por litro, segundo levantamento da Scot Consultoria.

Considerando os valores corrigidos pelo IGP-DI, o preço vigente está 7,9% menor na comparação com o pagamento realizado em setembro de 2013. O mercado está patinando desde abril/maio. A demanda não acompanhou o crescimento da oferta. Segundo o Índice Scot Consultoria para a Captação de Leite, em relação a setembro de 2013, a captação aumentou 9% este ano.

A pressão de baixa está maior no Sul do país. As quedas nos preços variaram de 0,2%, no Paraná, até 2,0%, em Santa Catarina. Para o pagamento de outubro (produção de setembro), o tom do mercado ainda é de estabilidade, com pressão de baixa. Segundo levantamento da Scot Consultoria, 68% dos laticínios pesquisados acreditam em manutenção dos preços ao produtor, 21% em queda e 11% estimam alta. Na Região Sul, 64% dos laticínios apontam para queda no próximo pagamento.

Nas Regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte, a maior parte dos laticínios acreditam em manutenção dos preços ao produtor. No mercado spot, ou seja, o leite comercializado entre as indústrias, os preços caíram em setembro e primeira quinzena de outubro, o que confirma a oferta elevada neste momento.

Em São Paulo, o litro ficou cotado, em média, em R$ 1,22. A queda no mercado spot sinaliza também a expectativa de início da safra e aumento da produção em médio prazo em estados como Minas Gerais, São Paulo e Goiás. A partir de outubro/novembro, começa a safra de leite nesses estados. Os preços dos lácteos seguem pressionados para baixo também no atacado e no varejo, principalmente o leite longa vida e o leite em pó. Muitos laticínios estão com estoques elevados desses produtos, com o aumento da disponibilidade de matéria-prima neste ano.

PANORAMA

Tanto na Região Sudeste como na Centro-Oeste, os produtores de leite prepararam-se para o período seco, fornecendo alimentos alternativos à pastagem, como silagem e ração concentrada. Portanto, não houve queda no volume captado, mesmo com a estiagem; pelo contrário, aumentou em relação ao mesmo período do ano passado. As quedas nos preços do milho e dos farelos contribuem.

Na Região Sul do país, as chuvas estão abundantes. A alimentação do gado leiteiro está baseada em pastagens de inverno, como a aveia e o azevém, que contribuem para sanar as necessidades nutricionais dos animais neste período do ano. Na região, as condições climáticas favorecem a disponibilidade dessas pastagens. Para setembro, a expectativa é de aumento na produção, mas menos acentuada.

É preciso considerar que, com o plantio da safra de grãos, os bovinos são retirados das áreas de pastagens de inverno cultivadas. No Nordeste, as chuvas diminuíram. Produtores alimentam o rebanho com suplementação concentrada, porém, são poucos. Em agosto, isso foi suficiente para manter a produção, mas com a estiagem em setembro, a expectativa para região é começar o movimento de queda da produção de leite.

Com a melhora significativa da produção na Região Sul, em agosto, a produção de leite aumentou 3,8% em relação a julho, considerando a média brasileira. Para setembro, é esperada outra alta de 1,5% na captação (dados parciais), influenciado principalmente pela suplementação dos animais (queda nos preços dos principais ingredientes).

Em médio prazo, ou seja, a partir de meados de novembro, com as chuvas mais regulares e maiores volumes, e consequente melhora das pastagens, a produção de leite nas bacias do Brasil Central e Centro-Sul deverão aumentar

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista Scot Consultoria