Pastagem

 

Análises reduzem custo de produção

Silvia Zoche Borges

Antes de cultivar qualquer espécie (milho, soja, braquiária solteira ou consorciada e cana), o produtor precisa saber minimamente duas coisas: qual a característica física do solo (teor de argila), porque isso impacta diretamente na dose de fósforo que será aplicado no solo; e como está a fertilidade do solo, que é definida por meio da análise química.

Fazer o monitoramento da fertilidade pode reduzir o custo de produção, tanto por meio de análise de solo, quanto por análise foliar que auxilia a tomada de decisão para o agricultor definir qual a fonte, a quantidade e o momento de aplicação do adubo.

Com a análise de solo, o produtor rural conhece a fertilidade de cada gleba de sua propriedade e, com isso, consegue- -se definir a adubação do próximo cultivo de forma racional. O primeiro passo, em termos de fertilidade do solo, é corrigir a acidez do solo com calcário. "Não adianta aplicar adubo sem corrigir a acidez, porque o agricultor vai jogar dinheiro fora", afirma Carlos Kurihara, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Unidade de Pesquisa da Embrapa localizada em Dourados/MS.

Em geral, o período indicado para a análise de solo é no outono/inverno. O objetivo é dar tempo para que o produtor aplique o calcário no solo, que deve reagir antes do cultivo da soja na safra de verão. Com base na análise de solo, também será definido se outro insumo de extrema importância deverá ser aplicado: o gesso. "O gesso beneficia o aprofundamento do sistema radicular, o que faz a planta aguentar alguns dias a mais em condições de estiagem prolongada", explica o pesquisador.

Kurihara lembra que na Região Sul de Mato Grosso do Sul é muito comum ocorrer estiagem prolongada em dezembro e janeiro, período em que a soja já está em pleno florescimento. É quando a soja mais demanda nutriente e a perda de água do solo por evaporação e da planta por transpiração é muito elevada. "Mas, se a planta tiver um sistema radicular mais desenvolvido, mais aprofundado, beneficiado pelo gesso, haverá menos perda de grãos do que em uma área de soja que não teve aplicação de gesso.

Aplicado o calcário e o gesso, o produtor já pode pensar em aplicar o adubo. Com a análise de solo, será possível saber qual a dose ideal de adubo, a melhor fonte e o melhor momento de aplicação. "Tudo depende do equilíbrio de nutrientes no solo. E isso o produtor só vai saber por meio da análise de solo".

A análise do solo pode ser realizada a cada três anos. "Nesse prazo, os teores de nutrientes já terão alterado bastante, dependendo também do manejo utilizado", afirma o pesquisador.

A análise de folhas é feita em épocas previamente padronizadas e pode ser realizada de três em três anos, assim como a análise de solo, por serem complementares. Mas não é necessária a análise das duas culturas. "Qualquer uma das culturas será um indicador do estado nutricional do solo, já que as duas são cultivadas uma em sucessão à outra".

De posse da análise de folha, o extensionista pode fazer a interpretação via faixa de suficiência e também pode fazer a interpretação pelo Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação (Dris). Um método complementa a informação do outro.

Sistema Convencional X SPD
No Sistema Plantio Direto (SPD), há o acúmulo gradativo de matéria orgânica, decorrente da deposição de resíduos culturais na superfície do solo, um dos princípios básicos do sistema (os outros dois são o não-revolvimento e a rotação de culturas). Segundo Kurihara, isso permite um ambiente melhor em termos de fertilidade e de eficiência no uso de nutrientes, especialmente o fósforo.

Em geral, o período indicado para a análise de solo é na transição do outono

O resultado é a menor perda do adubo fosfatado e, em função da cobertura do solo com palhada, ele conserva a umidade por um período maior de tempo, importante para o sistema radicular absorver a água e transportar o nutriente do solo para chegar até a superfície da raiz.

Adubação fosfatada
Anualmente, coloque uma quantidade um pouco maior de adubo fosfatado na linha de semeadura para que sobre um pouco de adubo. Dessa forma, ao longo de três a quatro anos, a correção fosfatada será realizada de forma gradativa. Uma tabela estará disponível em Circular Técnica que será publicada em breve no Portal da Embrapa Agropecuária Oeste (www.embrapa. br/agropecuaria-oeste) no link "Publicações" para cálculo da proporção correta.

Adubação na sucessão
Outro trabalho de pesquisa realizado por Kurihara em parceria com Gessí Ceccon, engenheiro-agrônomo e analista da Embrapa Agropecuária Oeste, foi a adubação na sucessão soja com milho- -braquiária. As pesquisas foram conduzidas em Dourados, durante quatro safras de milho safrinha e de soja. A escolha do município foi por ter um solo bastante argiloso, cerca de 60%. "É uma situação de potencial máximo de adsorção e fixação de fósforo pela argila", esclarece Kurihara.

Se o produtor optar pela adubação em apenas uma das culturas ou fizer uma única adubação por ano, ele pode aplicar no cultivo do milho da safra antecedente, ou então a lanço no período de outono/inverno.

Adubação nitrogenada
Por meio de cálculos matemáticos, os pesquisadores conseguiram estimar qual é a melhor dose de adubo nitrogenado para cada cenário de preço de adubo e preço de milho. "Para um patamar de 8,5 mil quilos de grãos por hectare, os trabalhos têm demonstrado que a adubação nitrogenada em torno de 40 a 50 kg de nitrogênio é bastante interessante", exemplifica Kurihara.