Caprinovinocultura

 

Carne com selo de qualidade

Iniciativa de criadores da raça Texel pretende estimular a produção e oferecer cortes certificados ao consumidor

Denise Saueressig
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É por meio da iniciativa de criadores e empresários que surgem novas oportunidades para a organização e ao crescimento da cadeia da carne ovina no país. Na Região Sul, a união de dois produtores fez surgir o Projeto Texel Gran Reserva Cordeiro Premium, que pretende estimular a produção e oferecer cortes certificados ao consumidor.

O programa tem como parceiros os criadores Erivon Silveira de Aragão, proprietário da Cabanha Surgida, de Rio Pardo/RS, e Daniel Ribeiro, da Cabanha Dom Juan, de Maringá/PR. Também faz parte da iniciativa o empresário paranaense Ricardo Volpe, responsável pela área comercial do projeto. A certificação ficará a cargo da empresa Genesis.

A ideia de oferecer um produto rastreado e certificado, com alto valor agregado, vem sendo amadurecida há uns cinco anos, conta o criador Erivon Aragão. O passo definitivo para colocar o projeto em prática, no entanto, ocorreu em 2013. O comportamento do mercado foi o grande motivador, Divulgação argumenta o produtor. “Acontece de termos um lote de cordeiros prontos para o abate e os compradores desistirem do negócio porque recebem carne do Uruguai por preços mais baixos. Esse é um problema que afeta a maioria dos ovinocultores”, descreve.

Com o programa Texel Gran Reserva, a ideia é que os criadores tenham garantia de compra e recebam o pagamento à vista pelos animais entregues para o abate. Outro objetivo é remunerar acima dos preços médios do mercado. “Se o quilo do cordeiro estiver R$ 5, vamos pagar R$ 5,50”, exemplifica Aragão.

Criadores Erivon Aragão (à esquerda) e Daniel Ribeiro recebem as premiações durante a Expointer

Os abates serão realizados no frigorífico Comesul Beef, em Pantano Grande/RS. A intenção é que o primeiro lote seja destinado à indústria entre o final de dezembro e o início de janeiro.

Estabilidade na oferta

Uma das dificuldades atuais no mercado gaúcho é a ausência de oferta entre os meses de julho e novembro, em função da estacionalidade reprodutiva dos ovinos no estado. Por isso, o projeto dos criadores de Caprinovinocultura Texel planeja fazer um estoque de cortes resfriados e congelados para efetivar a comercialização nas diferentes épocas do ano.

Projeto pretende atrair novos produtores para ampliar o rebanho da raça Texel

Os cordeiros destinados ao abate devem ser ou da raça Texel, ou oriundos de cruza com animais Texel. As cabanhas Surgida e Dom Juan serão fornecedoras de genética para os criadores interessados no programa. A adesão de produtores é fundamental para que as metas do projeto sejam alcançadas. “Para se ter uma ideia, o Rio Grande do Sul tem um rebanho de cerca de 8 mil cordeiros Texel. Como pretendemos que o abate seja de 1 mil cabeças por mês, precisamos trabalhar muito pelo aumento da produção”, relata Aragão. Em uma etapa inicial, 200 reprodutores serão colocados à disposição dos criadores que desejarem participar da iniciativa.

O rebanho da Cabanha Surgida é formado por 500 matrizes, sendo que 300 são PO. O criador Erivon Aragão ainda produz em torno de 200 carneiros por ano. Na 37ª Expointer, realizada entre 30 de agosto e 7 de setembro, em Esteio/RS, a cabanha conquistou o Grande Campeonato entre os machos, com o Surgida IA 1300. Entre as fêmeas, a Grande Campeã foi da Cabanha Dom Juan, a borrega Surgida 1323. O curioso é que a fêmea foi adquirida pelo criador Daniel Ribeiro do produtor Erivon Aragão quando era uma cordeira de três meses de idade. Na época, Ribeiro, que estava em processo de formação do seu rebanho, comprou mais de 50 animais da Cabanha Surgida.

Mercados específicos

Todo o processamento e a embalagem da carne do Projeto Texel Gran Reserva serão feitos no frigorífico de Pantano Grande. De lá, os cortes terão como destino restaurantes e casas de carne especializadas em regiões previamente avaliadas. Além das capitais das Regiões Sul e Sudeste, também há a intenção de comercializar a carne em Brasília e em cidades do interior de São Paulo, como Campinas e Ribeirão Preto.

Entre os cortes que serão produzidos estão o carré, a paleta, a costela e o T-bone. “Vamos oferecer uma carne premium, ou seja, de qualidade diferenciada. Por isso, nosso objetivo é buscar um público disposto a consumir e a pagar por esse produto”, explica o responsável pela parte comercial do programa, Ricardo Volpe. Segundo ele, hoje a carne ovina é consumida genericamente, e o projeto busca justamente provocar uma transformação nesse hábito. “Queremos fortalecer a raça como uma marca, beneficiando os criadores e ajudando a melhorar a genética dos rebanhos”, acrescenta Volpe.