Mercado

Entusiasmo e otimismo

A demanda por proteína animal, com destaque para a carne vermelha, segue em ritmo crescente, principalmente por países como Hong Kong e Rússia. Fatores como crescimento populacional, melhora de renda per capita e aumento da população na zona urbana tem impulsionado o consumo. O cenário é muito positivo para o mercado da carne bovina brasileira, sendo que a forte demanda mundial tem colocado o Brasil em destaque, consolidando-o como maior exportador do produto.

O Brasil é um forte candidato para atender as necessidades de mercados potenciais como o chinês. Com milhares de hectares de terras produtivas, recursos hídricos favoráveis e tecnologia, o país vem aumentando a sua produção em menor área, objetivando uma produção sustentável.

Diante de inúmeras possibilidades, o mundo segue de olho no potencial brasileiro, enquanto seus concorrentes estão em condições desfavoráveis. Caso dos Estados Unidos e da Austrália, que vêm reduzindo seus rebanhos devido a condições climáticas adversas. Os embargos dos russos à carne de EUA, UE e Austrália também ajudam a manter o Brasil em uma posição confortável no mercado internacional.

Apesar de alguns entraves, o país vem se destacando e aparando algumas arestas, tanto que nos últimos anos tem investido fortemente em genética, nutrição, sanidade, manejo e bem-estar animal, fatores importantes para manter a competitividade.

A segurança alimentar é outro fator prioritário para o Brasil, tanto interna quanto externamente. Nos últimos anos, o país avançou nas questões sanitárias, realizando conquistas importantes como o reconhecimento de zona livre de febre aftosa com vacinação em vários estados. Atualmente, quinze estados da Federação são reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) livres de febre aftosa com vacinação: Acre, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Distrito Federal, além dos municípios de Guajará e Boca de Acre, no Amazonas, e a região Centro-Sul do estado do Pará. Santa Catarina é o único estado brasileiro reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação.

Com relação ao cenário interno, a previsão é de que permanecerá positivo no segundo semestre. O preço da arroba atingiu patamares altos, registrando negociações a R$ 129,00 a arroba, referência para o estado de São Paulo. Tudo indica que a forte alta no mercado bovino permanecerá até a chegada do período das águas, que representa maior ganho a pasto, resultando em uma terminação mais rápida e maiores ofertas de animais no mercado.

O quadro “Boi Gordo no Mundo”, no período analisado entre 15/08 e 15/09/2014, apresentou valorização da arroba em todos os países pesquisados, exceto nos Estados Unidos, cuja desvalorização foi de 1,6%. No Brasil, a valorização da arroba foi de 3,9%; na Argentina, de 5,8%; e na Austrália, de 4,5%.

Com relação ao mercado internacional, as notícias continuam sendo positivas. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), o volume exportado acumulado de janeiro a agosto foi de 10,43%, maior do que o mesmo período de 2013. Foram exportadas 1,045 milhão de toneladas contra 946,50 mil no mesmo período de 2013. Rússia e Hong Kong permanecem como primeiros colocados na importação da carne brasileira: a Rússia, com 33.810,43 toneladas; e Hong Kong, com 32.650,74. Em terceiro lugar, está a Venezuela, com 19.371 toneladas.

Ainda no mercado internacional, verificamos que o Brasil vem retomando gradativamente alguns mercados que foram fechados em função da ocorrência do caso atípico de BSE no Estado do Paraná e do Mato Grosso. Durante a última visita do Presidente da China, Xi Jinping, ao país, foi assinado o acordo que reabriu o mercado chinês à carne brasileira, que estava embargada desde dezembro de 2012.

Egito e Irã, que haviam embargado a carne oriunda do Estado do Mato Grosso em maio deste ano, também reabriram as portas ao produto brasileiro.

Apesar da liberação das exportações para alguns mercados, ainda são necessárias medidas como a negociação de novo acordo sanitário com a China e a oficialização do acordo de liberação por parte das autoridades do Egito e Irã e do Ministério da Agricultura.

Quanto à abertura do mercado norte-americano, espera-se que seja concretizado ainda neste ano, visto que não há entraves impossibilitando tal abertura.

Como pode ser observado no gráfico “Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF”, para o período analisado, compreendido entre os dias 15/08 e 15/09/2014, os preços da arroba começaram a subir nas principais praças logo na segunda quinzena do mês de agosto. A elevação dos preços no mercado interno se dá por fatores como a baixa oferta de animais, bom desempenho das exportações e consumo interno aquecido.

No deságio do preço do boi gordo por UF, no período de 15/08 a 15/09/2014, observamos que a média do deságio pago aos pecuaristas entre o preço à vista e o preço a prazo (30 dias) foi de 1,40%.

As cotações do bezerro seguem firmes, atrelados à baixa oferta de animais, o que já era esperado, devido ao grande número de abates de fêmeas, ocorridos nos últimos anos. O preço médio do bezerro foi de R$ 902,38/cab para o período de 15/08 a 15/09/2014, alta de 2,74% nas últimas três semanas. A alta foi quase geral nas principais praças, exceto no RS, onde o preço do bezerro caiu para 840,00/cab. Já no estado de São Paulo o bezerro subiu para R$ 996,82/cab; em MG, para R$ 861,82/cab; em GO, o bezerro está sendo negociado a R$ 955,91/cab; no MS, a R$ 1.004,55/cab; no MT, o bezerro passou a valer R$ 912,27/cab; no PA, a R$ 709,09/cab; e no PR, subiu para R$ 938,64/cab.

O preço do boi magro também deu um salto nas últimas semanas, registrando aumento nas oito praças pesquisadas. O preço do boi magro avançou para R$ 1.546,82/cab no estado de SP; em MG, o boi magro está sendo vendido a R$ 1.405,45/cab; em GO, a R$ 1.521,36/cab; no MS, a R$ 1.531,82/cab; no MT, a R$ 1.420,45/ cab; no PA, a R$ 1.315,45/cab; no PR, a R$ 1.529,09/cab; e no RS, a 1.508,64/cab. A alta geral se deve à boa demanda para o confinamento e a expectativa é de que os preços se mantenham firmes e em alta, devido ao cenário sustentado pela boa demanda e pela escassez de animais.

Os índices médios de relação de troca entre as categorias de reposição e boi gordo (gráfico) ficaram em 2,15 para desmama/boi gordo. Para boi magro/boi gordo, ficou em 1,31, não sofrendo alterações significativas.

No geral, o cenário é bastante favorável para o mercado da carne bovina brasileira, com a arroba caminhando para níveis recordes, impulsionada pela alta demanda do mercado interno e externo.

Diante de tantas possibilidades de crescimento do setor, o produtor tem de estar preparado para aproveitar as oportunidades que surgirem, buscando ações que levem ao melhoramento da produtividade do rebanho, o que contribui efetivamente para a competitividade. Outro ponto importante é ter um modelo de gestão adequado, agregando o investimento em tecnologias e inovações e trabalhando com uma equipe dedicada, envolvida com metas e interesses da propriedade.

Antony Sewell e Rita Marquete
Boviplan Consultoria