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Mercado do leite: aumento da oferta e pressão de baixa

Considerando a média nacional, o preço do leite ao produtor no pagamento de agosto subiu 0,6% em relação ao pagamento de julho. O produtor recebeu, em média, R$ 0,996 por litro, segundo levantamento da Scot Consultoria. O preço médio vigente está em patamares próximos dos registrados no mesmo período do ano passado. Veja a Figura 1.

Analisando a média nacional, o mercado do leite está andando de lado. Porém, o cenário é de preços firmes no Sudeste e Brasil Central, onde a demanda melhorou e a produção de leite Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista Scot Consultoria tem crescido menos. Nos três estados da região Sul, a oferta de leite vem aumentando consideravelmente em função da safra e os preços ao produtor estão em queda.

Segundo o Índice Scot Consultoria para a Captação de Leite, o volume aumentou 3,2% em julho, na comparação com junho (média nacional). Em agosto, os dados parciais apontam para um aumento de produção de 2,3%, em relação a julho.

Para o pagamento de setembro, referente à produção de agosto, a expectativa é de preços estáveis ao produtor. De acordo com Figura 1 - Preço do leite ao produtor (média nacional ponderada) - em R$/litro. o levantamento da Scot Consultoria, 70% dos laticínios pesquisados acreditam em manutenção dos preços ao produtor, 18% em queda e 12% estimam alta.

Figura 1 - Preço do leite ao produtor (média nacional ponderada) - em R$/litro.

No mercado spot, as cotações tiveram ligeiro reajuste em setembro, em relação a agosto. Em São Paulo, o litro ficou cotado, em média, em R$ 1,22. Em Minas Gerais e Goiás, os preços ficaram entre R$ 1 e R$ 1,20 por litro

No mercado spot do Paraná e do Rio Grande do Sul, os negócios variaram entre R$ 0,90 e R$ 0,99 por litro, com queda em relação a agosto. No atacado e no varejo, as cotações dos lácteos subiram nas últimas quinzenas. No caso do leite longa vida, houve ligeira melhora da demanda e os estoques estão relativamente mais enxutos.

No curto e no médio prazos, a expectativa é de que o mercado de leite siga andando de lado no Brasil Central e na região Sudeste, com maior pressão de baixa na região Sul. Em longo prazo, com a safra no Brasil Central e região Sudeste, a partir de outubro, com as chuvas, a expectativa é de queda nos preços para o produtor.

Pesquisa trimestral

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou no dia 18 de setembro os resultados da Pesquisa Trimestral do Leite referentes ao segundo trimestre de 2014. O volume de leite adquirido pelos laticínios brasileiros em abril, maio e junho deste ano totalizou 5,78 bilhões de litros, 8,4% mais em relação ao mesmo período de 2013.

Figura 2 - Volume de leite adquirido pelos laticínios brasileiros em 2013 e 2014, em bilhões de litros.

Este volume considera as indústrias com inspeção federal, estadual e municipal. Observe na Figura 2 que, em todos os meses de 2014, o volume de leite adquirido foi maior na comparação com igual período do ano passado.

O aumento da produção de leite é reflexo dos investimentos na atividade em 2013 e em 2014, em especial na alimentação do rebanho. As quedas de preços dos grãos e farelos, com destaque para o milho, permitiram maiores investimentos em alimentação na entressafra deste ano.

Considerando o primeiro semestre de 2014, foram adquiridos 11,90 bilhões de litros de leite, 8,6% mais frente ao primeiro semestre do ano passado. O aumento da disponibilidade interna de leite é o principal fator de pressão de baixa no mercado em 2014, já que a demanda não acompanhou este incremento.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista Scot Consultoria