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IATF: use bem e ganhe sempre

Demanda por qualidade de carne tem alavancado o mercado de Inseminação Artificial em Tempo Fixo

Roberto Nunes Filho

A Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) vem, gradativamente, ganhando espaço na pecuária brasileira. A técnica começou a ser aplicada nas fazendas há cerca de 15 anos, proporcionando diversas vantagens. Dentre elas, a possibilidade de sincronizar a ovulação das fêmeas bovinas e inseminá-las no mesmo dia, programando o nascimento dos bezerros e avançando na melhoria genética do plantel. Atualmente, a IATF está se popularizando no campo e vem se aperfeiçoando graças às inovações tecnológicas.

Segundo dados da Embrapa Gado de Leite, as IATFs já representam 51% do mercado total de inseminação artificial. Devido à escassez de bezerros para reposição e diante da crescente demanda por cortes de carne de alta qualidade, o mercado brasileiro de produtos para IATF triplicou de tamanho nos últimos cinco anos.

"Estimativas indicam que, em 2014, nove milhões de vacas recebam a tecnologia e a perspectiva é de continuidade no crescimento para os próximos anos", revela o vice-presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), Emilio Salani. "Quando a técnica passou a ser utilizada comercialmente a partir do ano 2000, o volume girava em torno de 100 mil IATFs por ano. O cruzamento industrial e a necessidade de atender as demandas e exigências do mercado impulsionaram o uso dessa inovação."

Bainha descartável utilizada no processo de inseminação artificial

De fato a IATF traz muitos benefícios, mas milagres não existem. Se não houver um bom planejamento, o manejo reprodutivo da fazenda pode virar uma grande dor de cabeça. A possibilidade de inseminar um grande número de fêmeas em um mesmo dia é bastante atraente, mas o pecuarista deve estar preparado para lidar com um grande fluxo de nascimentos consecutivos noves meses depois.

Um dos primeiros passos, portanto, é definir com clareza a melhor época para as parições. "O período dos nascimentos define o desempenho dos bezerros e das fêmeas", esclarece o professor da FMVZ da Unesp Botucatu, José Luiz Vasconcelos. "Vacas que parem na época adequada possuem melhor eficiência reprodutiva e o bezerro também tem melhor ganho de peso. Por isso, com base nas particularidades das regiões e das propriedades, a missão é concentrar a maior parte dos nascimentos nos períodos em que há melhor oferta de alimentos. Assim, planejamento é fundamental, pois tudo está conectado", orienta o especialista.

Manejo e precauções

A IATF pode ser aplicada em vacas primíparas, novilhas e vacas adultas, ou seja, para todas as categorias de fêmeas. A recomendação é que os animais sejam sincronizados com, no mínimo, 45 dias de intervalo pós-parto. No caso das primíparas, Vasconcelos observa que é preciso uma atenção especial com esses animais, já que possuem maior facilidade para perderem peso. Elas devem, portanto, ficar separadas das multíparas e ter suas necessidades nutricionais bem atendidas.

Para serem inseminadas, as novilhas de primeira cria necessitam possuir escore corporal igual ou acima de 2,5 (em uma escala de 1 a 5) — mesma condição sugerida para as demais categorias de matrizes. Especialistas também recomendam trabalhar com protocolos IATF com indutores de crescimento folicular e, se possível, realizar um incremento na alimentação dez dias antes e 30 dias após a aplicação do protoloco.

O cuidado com a nutrição é um dos principais pilares do manejo reprodutivo e exerce grande influência nos resultados da IATF. A receita básica já é conhecida: boa pastagem, ração bem equilibrada e de qualidade e fácil acesso ao alimento. Outro ponto que não pode ser esquecido de jeito nenhum pelo pecuarista é o manejo sanitário. "Há diversas enfermidades, como brucelose e leptospirose, além de outras causadas por vírus e bactérias que agem diretamente na perda da fertilidade", alerta o professor do Departamento de Reprodução Animal da FMVZ/ USP, Pietro Baruselli. "O criador precisa estabelecer um calendário sanitário para controlar essas enfermidades e aumentar a resistência e imunidade dos animais."

Fábrica de bezerros é a melhor definição para a IATF em três protocolos

Complementando a tríade de cuidados, a ambiência é outro fator a ser considerado no planejamento de qualquer manejo reprodutivo. "As vacas não devem enfrentar estresse calórico. A oferta de sombra e a disponibilidade de água limpa são premissas básicas, além da garantia de instalações seguras e bem localizadas", pontua o especialista. Uma questão a ser observada é a divisão dos pastos. Na aplicação de protocolos de IATF, é recomendado que as fazendas tenham uma estrutura de piquetes que permita a separação das fêmeas por categorias, durante a administração do protocolo e após a parição.

"Qualquer problema ligado a esses três pilares (nutrição, sanidade e ambiente) gera redução na eficiência da IATF. O grande desafio do pecuarista é criar uma condição de manejo para que as vacas possam responder os protocolos", complementa Baruselli. "E na pós-inseminação, os cuidados são os mesmos. Há muitas pesquisas feitas no Brasil e no exterior que comprovam que o estresse calórico aumenta o índice de perda gestacional."

Vale destacar que muitos outros fatores estão associados aos bons resultados da IATF. Para Emilio Salani, do Sindan, não adianta apenas adotar um dos protocolos de IATF disponíveis no mercado. O planejamento da fazenda tem de contemplar também a capacitação da mão de obra, o constante acompanhamento de um médico-veterinário e a escolha de um sêmen de qualidade para que os anseios por melhoramento genéticos sejam alcançados. A organização da rotina da fazenda e a eficiente avaliação ginecológica para seleção das novilhas aptas à IATF são outros pontos observados pelo especialista.

Aplicação e eficiência

A diferença entre a Inseminação Artificial convencional e a IATF é que, na primeira, somente são inseminadas as vacas observadas em cio — detecção que pode apresentar falhas. Na IATF todos os animais são inseminados, inclusive as fêmeas em anestro (que não começaram a ciclar). Como o tratamento estimula a ovulação, mesmo as que não emprenharam tendem a apresentar cio logo após o tratamento.

"Ao longo dos anos, os protocolos contaram com inovações tecnológicas. Antes a IATF sincronizava o cio das fêmeas. Atualmente, a técnica sincroniza a ovulação dos animais, o que é uma mudança de conceito", conta Pietro Baruselli. "Com a IATF, inseminamos a vaca independentemente de ela manifestar cio. Sabemos que, depois do manejo do protocolo, entre 80 e 90% das vacas ovulam no intervalo de 12 horas. Então, inseminando- as entre 12 e 24 horas antes de ela ovular, há uma alta probabilidade de gestação", esclarece o professor.

De acordo com Salani, a decisão do protocolo de IATF mais adequado depende de diversas variáveis do rebanho e da propriedade, como raça, sistema de produção, escore corporal, presença ou não do bezerro ao pé, sêmen, condições de manejo, idade, dentre outros. Em suma, a consolidação de um protocolo de IATF dura cerca de dez dias. O tratamento é composto por uma sequência de aplicação de fármacos.

O processo é iniciado pela aplicação de um estrógeno injetável associado a um dispositivo de progesterona ou progestágeno, sendo aplicados via intravaginal ou auricular e que permanecem entre oito ou nove dias na fêmea. O vice-presidente do Sindan explica ainda que, no manejo de remoção dos dispositivos, as matrizes recebem doses de ECG (Gonadotrofina Coriônica Equina), Prostaglandina e Estrógeno e são inseminadas dois dias depois em tempo previamente determinado.

Quanto à taxa de prenhez na IATF, Baruselli explica que a média gira em torno de 50% na primeira aplicação. Mas, de acordo com ele, é possível aumentar essa média por meio da ressincronização das vacas não fertilizadas e alcançar taxas de 87% de prenhez com a técnica. E tudo a um valor considerado acessível, em torno de R$ 60 por vaca, já considerando os fármacos e o sêmen.

"Ou seja, se inseminamos 100 vacas de um rebanho, 50 ficarão prenhas. Em uma segunda etapa, aplicamos um novo protocolo no grupo de fêmeas não fertilizadas e o efeito será positivo em metade delas (25 animais), o que eleva a taxa para 75%. Em seguida, reinseminamos mais uma vez o grupo de fêmeas que não obteve sucesso e metade tende a emprenhar, permitindo alcançar um índice de 87% de prenhez", detalha o professor da USP.

O procedimento descrito por Baruselli acaba por dispensar o repasse com touros. Ou seja, o criador pode programar toda a reprodução da fazenda por meio da IATF. Com a ressincronização sistemática das fêmeas que não emprenharam, não há mais a necessidade de touros. A vantagem, segundo o especialista, está em aumentar o número de animais nascidos de IA, que são geneticamente superiores e trazem mais ganhos à fazenda, evitando filhos de machos com menor eficiência. "Além disso, há redução nos custos operacionais ao dispensar ou reduzir a quantidade de touros na propriedade. Ou seja, há vantagens econômicas em trocar o touro pela IATF", afirma.

O repasse com touros, por outro lado, é uma solução para fazendas que não tenham mão de obra preparada e estrutura, pois complementará o trabalho da IATF, ampliando a quantidade de animais fertilizados

No caso da utilização do sêmen sexado, a taxa de prenhez na IATF é de 40%. Nascem menos bezerros, mas, em contrapartida, o produtor obtém mais animais do sexo desejado. O índice de acurácia gerado pelo sêmen sexado é de 90%. A sua aplicação, inclusive, apresenta uma pequena diferença. Como o sêmen sexado possui uma concentração bem menor de células em relação ao sêmen convencional, o que torna a dose mais sensível, sua introdução na fêmea deve contar com um "atraso" de seis horas para que ele seja aplicado mais perto do horário da ovulação. A dose de sêmen convencional tem 20 milhões de espermatozoides. A sexada tem 2,1 milhões.

Higienização é a primeira etapa da inseminação artificial

Outra dica compartilhada por Baruselli envolve a diminuição do intervalo entre partos. Conforme ele esclarece, para que isso seja viabilizado, o pecuarista deve fazer a primeira IATF o mais rápido possível no período pós-parto. "Hoje é possível inseminar uma vaca por IATF em torno de 40 a 50 dias de parida. Emprenhando-a o mais cedo possível, conseguimos fazer com que ela não atrase o parto do ano seguinte, melhorando sua eficiência reprodutiva e o intervalo entre partos."

E quando se fala em aplicação dos protocolos de IATF, alguns erros comuns nas fazendas brasileiras devem ser mapeados e evitados. Os principais gargalos são: mistura de lotes, falhas na dosagem, aplicação e conservação dos hormônios, currais inadequados, esquecimento da aplicação ou desrespeito aos horários corretos e falta de organização quanto à marcação e controle dos animais submetidos à IATF.

Vantagens

Os protocolos de IATF disponíveis no mercado trazem diversos benefícios para os produtores de corte e leite. Dentre a série de vantagens, está a possibilidade de inseminar um grande número de animais em um curto espaço de tempo (entre 100 e 250 em um único dia), padronizar lotes, programar o nascimento dos bezerros para as épocas mais favoráveis e otimizar a mão de obra. A técnica também descarta a necessidade de observação de cio, reduz o intervalo entre os partos e os gastos com a compra e manutenção de touros, bem como viabiliza a inseminação de fêmeas em anestro.

Vale destacar também que a IATF gera altas taxas de prenhez no início da estação de monta, aumenta a taxa de fertilidade ao final da estação de monta e age diretamente no melhoramento genético do rebanho, permitindo a obtenção de bezerros com maior peso ao desmame e menor idade ao abate.

Foi visando essas possibilidades que a Agropecuária Caty, de Santana do Livramento/ RS, optou por adotar essa tecnologia em 2002. A propriedade possui um plantel de quatro mil cabeças de Braford e Hereford, sendo que atualmente existem 1,6 mil fêmeas em reprodução. A produtividade da fazenda gira em torno de 700 kg de carne/hectare/ano.

A aposta ocorreu em um período em que a IATF ainda era vista como uma novidade e, de acordo com médico- -veterinário da fazenda, Bernardo Potter, os principais objetivos foram ampliar a melhoria genética da propriedade, focada na produção de gado de corte e touros, e otimizar a mão de obra. "A ampliação da qualidade do rebanho foi auxiliada por meio da maior utilização de sêmen de reprodutores provados", observa Potter.

Para Lino Rodrigues, o crescimento da IATF em gado de corte continua expressivo, com base nos resultados observados nos três últimos anos

Segundo Potter, a taxa de prenhez geral do rebanho da Caty é de 90%. "A porcentagem de vacas inseminadas e que emprenham é de 60% em média. Os outros 30% são os touros de repasse que emprenham. Esses são introduzidos no rebanho após 15 dias da realização da IATF para cobrir as vacas que não emprenharam na inseminação."

Mercado da Inseminação

A adoção da inseminação artificial no Brasil ainda representa apenas 10% do rebanho nacional, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal. Em países como Canadá e Estados Unidos, esse índice chega a 80% e, em países do Mercosul, em torno de 40% do rebanho. "Mas é um mercado que vem crescendo, inclusive junto aos pequenos e médios pecuaristas", observa o vice-presidente- executivo da entidade, Emilio Salani.

Dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) mostram que esse setor está evoluindo a cada ano. Entre as inseminações voltadas para as propriedades de corte e de leite, foram comercializadas 13.024.033 doses em 2013, ante um total de 12.340.321 doses em 2012 — alta de 5,5%. Em comparação a 2008, o crescimento acumulado é de 74,5%. Naquela ocasião, foram vendidas 7.460.959 doses.

É importante lembrar que o índice da Asbia representa cerca de 91% do mercado brasileiro, ou seja, a projeção da entidade para o mercado total é de 14,3 milhões de doses comercializadas no ano passado. "Enquanto a utilização dessa consagrada técnica voltou com muita força no leite, com crescimento de 9,6%, as atividades dedicadas à pecuária de corte resultaram em um crescimento de 3%", observa o presidente Lino Rodrigues. "Esta evolução, mais forte na pecuária do leite, é atribuída, sobretudo, a um preço mais atrativo que os laticínios pagaram aos produtores ao longo do ano, assim como uma valorização crescente da técnica da inseminação como um fator que incrementa a produtividade."

Por outro lado, segundo Rodrigues, apesar da pequena evolução do preço da arroba ao longo do ano, os produtores de carne, preservaram o interesse na utilização da IA. "O crescimento foi relativamente pequeno, mas continua expressivo, se levarmos em conta os resultados observados nos três últimos anos. É importante lembrar que o Brasil é um dos principais países a utilizar a Inseminação Artificial nos seus rebanhos de corte", revela.

Quanto ao investimento demandado pelos produtores, o valor do sêmen vem barateando bastante nos últimos anos e não há grande diferença entre as regiões. O preço médio do sêmen convencional gira entre R$ 20 e R$ 30 a dose. Com relação ao sêmen sexado, o valor varia de R$ 65 a R$ 80. Aos produtores interessados, um botijão pequeno para a conservação do sêmen custa cerca de R$ 2 mil. Trata- -se de um investimento único. Já o custo para a manutenção do botijão também é baixo. O litro do nitrogênio líquido custa R$ 5 e deve ser trocado dentro de um período de 90 a 120 dias

O balanço da Asbia mostra que, no segmento leiteiro, a raça predominante é a Holandesa. A venda de doses dessa raça cresceu 8,61%, fechando em 3.123.885 de doses vendidas no ano passado. A participação da raça na venda total de sêmen para o leite é de 58,2%. No corte, quem predominou em 2013 foi a raça Angus, com 2.910.997 de doses vendidas — alta de 24,5%. A raça superou o desempenho das doses de sêmen do Nelore, que registrou queda nas vendas de 11,7%. A participação da Angus na venda total de sêmen para corte é de 38%.

Quanto aos estados que mais realizam a inseminação artificial, Minas Gerais destaca-se no setor leiteiro, com 26,4% de participação, e Mato Grosso do Sul lidera em corte, com 17% de importância no uso da técnica.

Manejo correto

Outra questão importante que interfere na fertilidade é a qualidade e o manejo do sêmen. O criador tem de comprar as doses de empresas idôneas. Não adianta ter uma boa gestão e usar um bom protocolo se não usar o sêmen de um touro de qualidade. "Ou seja, é uma somatória de fatores. A qualidade deve estar presente no material genético, no protocolo de IATF e na mão de obra que participará de todo esse processo", declara Baruselli, da FMVZ/USP. "Do ponto de vista da qualidade do sêmen, a seleção que as centrais fazem é, de um modo geral, eficiente e proporciona aos produtores a possibilidade de implantar no rebanho sêmen de touros de qualidade."

O processo de manejo do sêmen demanda cuidados específicos, afinal, trata-se de uma questão vital para a produtividade da fazenda. Em resumo, para realizar a inseminação artificial no seu rebanho, o produtor necessitará de um tronco de contenção, botijão criogênico com nitrogênio líquido, aplicador de sêmen universal, luvas e bainha descartáveis, cortador de palhetas, pinça, termômetro, papel toalha ou higiênico e recipiente para descongelar o sêmen ou descongelador eletrônico.

Pietro Baruselli informa que o uso da IATF e sua repetição em duas ressincronizações possibilita taxas de 87% de prenhez e dispensa repasse com touros

O primeiro passo para inseminar a fêmea é fazer a sua contenção e a higienização do reto e da vulva com água (jogada de cima para baixo) e papel para secagem. Feito isso, o próximo passo é preparar o sêmen para aplicação. Primeiramente, a palheta com o material genético é retirada do botijão, com o cuidado de levantar a caneca contendo o sêmen até, no máximo, cinco centímetros. Em seguida, a palheta deve ser descongelada por 30 segundos em um recipiente contendo água a uma temperatura de 35°C. A extremidade da bucha deve estar voltada para baixo.

Depois de descongelada, é enxugada e a extremidade oposta da bucha, cortada. Na sequência, a palheta é introduzida na bainha descartável e o próximo passo é introduzir o aplicador na bainha, empurrando o palheta até a ponta. Com o aplicador montado, ele deve ser introduzido na vagina do animal. Em paralelo, o inseminador também precisa introduzir, delicadamente, a mão com a luva no reto da vaca para envolver o cervix da fêmea. O cervix é composto por alguns anéis cartilaginosos que ficam antes da entrada do útero. Para a inseminação ser mais eficiente, o sêmen deve ser depositado depois do último anel, de modo que os espermatozoides tenham mais liberdade de nadar em direção aos cornos uterinos.

Feito o procedimento, o aplicador e o braço são retirados e é preciso fazer uma leve massagem no clitóris da vaca. Bainha e luvas são descartadas e a vaca, reconduzida ao seu ambiente com calma. O aplicador deve ser periodicamente limpo com álcool. Todos os pormenores do processo de inseminação também podem ser conferidos no site da Asbia (www.asbia. org.br).

Novas tecnologias

A tecnologia trouxe à técnica de inseminação artificial um caráter ainda mais estratégico por meio da sexagem do sêmen. Essa tecnologia consiste na separação do sêmen por sexo em populações com cromossomos X (fêmea) e Y (macho), por meio de um aparelho denominado citômetro de fluxo. Os bovinos têm, em média, 3,8% de diferença no peso do DNA total entre o cromossomo X e Y. Quando se aplica um corante, os espermatozoides X brilham mais do que o Y. Um raio laser ilumina as células individualmente, em uma corrente líquida ultrafina. Detectores analisam a luz espalhada e emitida pelos corantes fluorescentes aderidos ao DNA das células, que são reconhecidas e selecionadas.

Atualmente, estima-se que, de cada cinco doses comercializadas de sêmen, uma já seja sexada, o que corresponde a 20% do mercado total de sêmen no país. O sêmen sexado no Brasil custa em torno de quatro vezes mais que o sêmen comercial.

Outra tecnologia recente que tem sido utilizada é o sêmen heterospérmico. Essa tecnologia compreende o ejaculado de três reprodutores da mesma espécie dentro da mesma dose. Assim, é possível fazer uma combinação das características positivas desses animais.

Outro exemplo de inovação parte da Embrapa Gado de Leite, que vem desenvolvendo um programa de seleção genômica que visa proporcionar nos próximos anos touros genotipados e selecionados já antes do seu teste de progênie. O pesquisador Bruno Campos de Carvalho esclarece que, tradicionalmente, o sêmen de touros importados, de raças como o Holandês e Jersey, são touros com prova positiva para leite após a realização do teste de progênie. Como esse teste tem longa duração, quando a prova sai, geralmente o touro já apresenta uma idade mais avançada, quando o rendimento do sêmen já não é o mesmo do touro jovem, o que faz com que o seu custo fique mais elevado.

"Com a prova genômica, o touro é genotipado e marcadores de DNA são correlacionados com características de interesse, como a produção de leite. Assim, apesar da menor confiabilidade da prova, é possível comercializar a preços mais baratos sêmen de touros com provas genômicas muito mais altas do que touros provados pelo teste de progênie. Isso tem reduzido o preço da dose em relação ao valor genético do touro em todo o mundo", relata o especialista.