Seleção

 

PMGZ de cara nova

Programa de Melhoramento Genético do Zebu agora é 100% processado pela ABCZ, detentora do maior banco de dados genéticos de zebuínos no mundo

Bruno Nogueira

Maior agilidade no processo de produção e consolidação das avaliações genéticas, além da possibilidade de inclusão de novas características, estão entre as principais vantagens da nova etapa do Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ). Isso porque agora as avaliações genéticas de todas as raças zebuínas são processadas em sua totalidade pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), em um trabalho que está sendo chamado de “100% PMGZ”.

O projeto teve seu primeiro sumário divulgado durante a 7ª ExpoGenética, em agosto, com DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie) das raças Brahman, Gir, Guzerá, Indubrasil, Nelore, Tabapuã e Sindi, geradas com base em informações de mais de 11 milhões de animais, e já promete novidades importantes para futuramente incluir informações de desempenho (peso, avaliação visual e perímetro escrotal) de animais frutos de Fertilização In Vitro (FIV) e Transferência Embrionária (TE), algo inédito em sumários de zebuínos no Brasil.

De acordo com o presidente da ABCZ, Luiz Claudio Paranhos, o 100% PMGZ dinamiza o processo de elaboração da principal avaliação genética do país e permite a evolução no relacionamento entre os técnicos capacitados pela entidade e os pecuaristas e suas equipes técnicas. “O 100% PMGZ é uma ferramenta de seleção com todo o perfil do zebu brasileiro. E é extremamente confiável, pois é desenvolvido a partir do maior banco de dados de raças zebuínas no mundo, que é o da ABCZ”, garante o dirigente.

Completando 21 anos em 2014, o PMGZ conta com uma base de dados que começou a ser construída em 1968. Desde então, foram estudados 1,8 mil rebanhos. Hoje o programa é constituído por 280 mil matrizes ativas e tem a entrada de mais de 230 mil novos animais por ano. Em volume, já deixou para trás a marca dos 10 milhões de indivíduos avaliados.

“A precisão das avaliações genéticas dentro de uma raça depende fundamentalmente da qualidade das informações de REVISTA AG - 45 pedigree e desempenho obtidas juntos aos criadores. Assim, a entidade encarregada do registro genealógico e do controle de performance dos animais é quem melhor pode orientar e zelar pelo processo”, justifica o pesquisador da Embrapa Fernando Flores, que, em parceria com Fabyano Fonseca e Silva e José Aurélio Garcia Bergmann, pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa e da Universidade Federal de Minas Gerais, respectivamente, prestou consultoria nessa nova etapa do PMGZ. “Além das avaliações genéticas, a capilaridade e proximidade da ABCZ com os criadores permite melhor definir os rumos do programa de melhoramento genético e orientar o uso das informações na seleção dos animais”, complementa Fernando Flores.

Josahkian, da ABCZ, apresenta o Sumário de Touros de um PMGZ reformulado, durante ExpoGenética

“O novo sumário do PMGZ contém todas as informações que os criadores precisam para desempenhar um ótimo trabalho em seus rebanhos. Novas tecnologias serão incorporadas posteriormente, dentre elas, as avaliações genômicas, cuja vantagem é aumentar a acurácia de seleção, principalmente para características de difícil mensuração (como, por exemplo, qualidade de carcaça e eficiência alimentar) ou ligadas ao sexo (como idade ao primeiro parto)”, afirma Fabyano Fonseca e Silva, que garante que o aumento na precisão das mensurações também será aplicável na avaliação genética de touros jovens – na qual o Programa Nacional de Touros Jovens (PNAT) consagra-se pela identificação precoce e garantida de jovens reprodutores.

Mudança – Para a transição e consolidação de dados da primeira avaliação genética 100% PMGZ, foram necessários meses de trabalho dos pesquisadores de Embrapa, UFV e UFMG com a equipe da ABCZ, que conta com Henrique Ventura, gerente de Melhoramento Genético do PMGZ; Everton José Luís da Silva, programador pleno, e Luiz Antonio Josahkian, superintendente técnico. Após a definição da metodologia de trabalho, foram validadas todas as avaliações genéticas, o que exigiu a aquisição de licença de uso de um software específico para o processamento do gigantesco banco de dados da ABCZ.

Henrique Ventura assegura que a elaboração de uma avaliação genética 100% conduzida pela associação traz flexibilidade, autonomia e agilidade ao processo de produção e consolidação das avaliações genéticas e abre espaço para a inclusão de novas características, como as já citadas referentes aos animais resultantes de FIV e TE. “Um dos principais aspectos para a melhor abordagem analítica para inclusão de informações de desempenho zootécnico de animais de FIV e TE é a identificação correta da receptora utilizada na gestação dos produtos. Atualmente, o banco de dados da ABCZ referente a receptoras devidamente cadastradas, utilizadas para gestar produtos de FIV e TE, está aumentando consideravelmente, e isso permitirá no futuro a implementação de análises contendo fenótipos de animais gerados via essas biotecnologias”, explica.

Segundo José Aurélio Bergmann, da UFMG, outro desafio futuro do PMGZ será incorporar avaliações objetivas da qualidade da carcaça (ultrassonografia para área de olho de lombo, acabamento de gordura e gordura intramuscular), além de característica objetiva de precocidade sexual (probabilidade de parto precoce) e de vida produtiva/reprodutiva da fêmea (stayability). A determinação de valores econômicos para as diversas características e de índices econômicos, provavelmente específicos para os diferentes sistemas de criação, também estão no escopo do projeto.

A nova fase do PMGZ também contempla a capacitação de técnicos e produtores. “É equivocado dizer que, ao produzir e disponibilizar uma boa/correta avaliação genética para toda a população zebuína inscrita nos livros da associação, e mesmo outras ferramentas, como a otimização dos acasalamentos, a associação está conduzindo o seu Programa de Melhoramento, o PMGZ. O que ela, a ABCZ, está disponibilizando são as ferramentas necessárias, capazes de promover o melhoramento genético dos rebanhos zebus. Quem aplica essas ferramentas e conduz o melhoramento de seu rebanho é o criador, são os técnicos que o assessoram. Daí a necessidade de um amplo e contínuo programa de atualização técnica teórico/prática de criadores e principalmente dos técnicos credenciados pela ABCZ”, diz Bergmann.

De acordo com a ABCZ, o novo programa de melhoramento permite, ainda, o atendimento personalizado aos criadores, abrindo a possibilidade para que os técnicos de campo do serviço de registro atuem também como consultores. “As novas entregas do PMGZ são pautadas em um relatório antecipando a visita do técnico à fazenda, possibilitando ao criador a preparação de sua equipe para o recebimento desse profissional de maneira que seja possível extrair o máximo possível de informações dele”, ressalta Cristiano Botelho, consultor técnico da ABCZ.

O PMGZ conta hoje com uma estrutura de mais de 100 profissionais, divididos em seis áreas geográficas pelo país (Noroeste – Acre, Amazonas, Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Pará e Amapá; Centro-Oeste – Goiás, Distrito Federal, Tocantins e Maranhão; Nordeste – Piauí, Ceará, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe; sede – Minas Gerais; MS – Mato Grosso do Sul; e Sudeste/Sul – São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), com um supervisor acompanhando os trabalhos em cada uma delas.