Leite

Produtores rondonienses buscam PROFISSIONALIZAÇÃO

Embrapa Rondônia orienta produtores quanto ao manejo dos animais, principalmente no controle do carrapato

Renata Kelly da Silva

As tecnologias voltadas para a produção de leite com qualidade chamaram a atenção dos cerca de 350 produtores, técnicos, empresários e estudantes durante o Dia de Campo de Sistema de Produção de Leite da Embrapa. O evento aconteceu no dia 3 de setembro em Presidente Médici/RO, e superou as expectativas dos organizadores, tanto em número de público, como também por conseguir reunir todos os seguimentos envolvidos na cadeia de pecuária de leite da região. "Acredito que este dia de campo conseguiu sensibilizar sobre a importância do uso de tecnologias e práticas simples que podem mudar a realidade da produção de leite do estado", afirma o médico-veterinário da Embrapa Rondônia, Rhuan Lima.

O estado de Rondônia é o maior produtor de leite da região Norte e responde sozinho por 43,2% de toda produção regional, ficando em 9º lugar no ranking nacional de estados produtores, com uma produção de 717 milhões litros por ano (IBGE, pesquisa pecuária municipal 2012). As microrregiões de Ji-Paraná e Porto Velho destacam-se localmente, pois possuem, respectivamente, a primeira e a segunda maiores produção de litros por dia nas microrregiões do Norte (IBGE, pesquisa pecuária municipal 2012).

Ordenha mecânica é a melhor forma de garantir a qualidade do leite

Os dados também mostram que houve uma queda considerável na produção de leite em Rondônia, quando comparada à produção de 2010, que atingiu o pico de cerca de 803 milhões de litros. "O crescimento na produção que observamos até o ano de 2010 foi, em grande parte, devido à expansão de áreas de pastagens, bem como o aumento do rebanho bovino. Neste momento, precisamos retornar o crescimento da nossa produção leiteira, porém, agora com o enfoque em aumento de produtividade", explica Rhuan Lima.

Segundo o médico veterinário, o cenário atual da pecuária de leite do estado permite considerável aumento da produção de leite por meio da adoção de tecnologias, levando em consideração o baixo índice de tecnificação das propriedades leiteiras do estado. "Assim, a incorporação de técnicas recomendadas para as condições de Rondônia permitirão o aumento de produção sem a necessidade de abertura de novas áreas e ampliação do rebanho. É isso que queremos levar aos produtores nos dias de campo", conclui.

Para o técnico Fausto Lima Faria de Souza, o monitoramento da mastite e a nutrição do gado foram os temas que mais chamaram a atenção. "Eu já conhecia muitos dos assuntos das palestras, mas pude me atualizar sobre outros temas e saí com informações importantes para colocar em prática", destaca. O técnico e produtor Alexandre Soares também saiu com informações novas. "Gostei muito e acho que as pessoas precisam se conscientizar disso, principalmente da alimentação correta do gado, o controle integrado de carrapatos e o controle de mastite", enfatiza. O produtor Maxweel Tolentino de Oliveira destacou a importância de terem mais eventos assim no estado. "Os temas foram muito interessantes, é preciso levar isso aos quatro cantos do estado".

Estes e outros participantes puderam conferir durante o dia de campo de leite tecnologias que contribuem para o aumento da produção, à melhoria da qualidade do leite e à redução dos custos de manejo para a pecuária leiteria do estado. Foram apresentadas cinco estações, com temas de grande importância para o setor leiteiro de Rondônia: Alternativas de alimentação no período seco; Adequação ambiental da propriedade leiteira; Qualidade do leite e controle de mastite; Boas práticas de reprodução; e Controle integrado de carrapatos e mosca-do-chifre.

Boas práticas

estação de Boas Práticas Reprodutivas demonstrou para o produtor a importância do controle reprodutivo do rebanho, com a apresentação de um método simples e prático para o produtor estimar o nível de produtividade e eficiência de sua propriedade. Além disso, a estação mostrou algumas ferramentas que podem ser aplicadas diretamente aos sistemas de produção de leite de Rondônia para aumentar a fertilidade do rebanho. O pesquisador da Embrapa Rondônia, Luiz Pfeifer, conduziu a estação.

A pesquisadora Juliana Dias falou sobre tecnologias para obtenção de leite com baixa contagem de bactérias e para o controle da mastite. Ela apresentou a experiência de implantação e avaliação do programa de controle da mastite nos sistemas de produção de búfalos e bovinos leiteiros dos campos experimentais da Embrapa Rondônia, buscando a melhoria da qualidade do leite e a adequação aos limites estabelecidos na legislação. "O dia de campo é uma importante estratégia de transferência de conhecimento e de interação com os elos da cadeia produtiva. Estavam presentes no evento produtores, representantes e técnicos dos laticínios, extensionistas, docentes e estudantes, público que pode ser multiplicador desses conhecimentos", explica a pesquisadora. Nessa estação também foi apresentada a planilha utilizada nos campos experimentais da Embrapa Rondônia para gerenciamento da sanidade da glândula mamária, que está disponível no portal da unidade (www.embrapa.br).

O controle integrado de carrapatos e mosca-do-chifre foi outro assunto levado para o dia de campo. O pesquisador da Embrapa Rondônia, Fábio Barbieri, destacou que a realização de tratamentos para o controle do carrapato dos bovinos mostra-se como um importante fator para a seleção de indivíduos resistentes nas populações de mosca-do-chifre. "Um tratamento parasiticida para o controle de uma das espécies invariavelmente acaba por também determinar o controle da outra, uma vez que os bovinos são os principais hospedeiros, tanto da moscas-do-chifre quanto do carrapato dos bovinos e, ambas as espécies, em sua fase parasitária, permanecem todo o tempo sobre os animais", explica Barbieri.

O Dia de Campo de Sistema de Produção de Leite é uma realização da Embrapa Rondônia, por meio do projeto TecLeite, e conta com o apoio da Emater/RO, da Idaron e do Laticínio Flor de Rondônia.

Carrapatograma

O carrapaticida que funciona em uma propriedade vizinha não necessariamente funciona em outras, e para direcionar a escolha, é necessário que se realizem testes laboratoriais, os quais indicam o melhor princípio ativo a ser utilizado no controle dos carrapatos, tratando cada propriedade como um caso único e considerando também o histórico de uso de carrapaticidas nos últimos anos.

Rondônia lidera a produção de leite na região Norte

Os carrapatos devem ser coletados (através de uma leve torção, não se deve arrancar ou puxar o carrapato) nos animais na propriedade e entregues ao técnico ou no escritório local da Emater no seu município, os quais serão enviados à Embrapa Rondônia, que realizará gratuitamente os testes, indicando a(s) base(s) carrapaticida(s) a ser(em) utilizada(s) na propriedade. Para que o teste possa ser realizado de forma eficiente, é necessário que:

• os animais não sejam tratados com carrapaticidas há pelo menos 25 dias (produtos utilizados por aspersão) ou 35 dias (produtos pour on ou injetável);

• deve ser coletada uma grande quantidade de carrapatos (pelo menos 150 a 200) e só devem ser coletadas as fêmeas repletas de sangue, conhecidas como "azeitonas", "mamonas" ou "jabuticabas". A coleta deve ser feita preferencialmente pela manhã, quando os animais encontram-se mais infestados;

• os carrapatos coletados devem ser acondicionados em um recipiente adequado (potes plásticos ou caixa de papelão com pequenos furos que permitam a entrada de ar, mas que não possibilitem que os mesmos escapem);

• os recipientes devem conter uma identificação externa onde conste o nome do produtor, nome e endereço da propriedade;

• o tempo médio entre a coleta e o envio dos carrapatos não pode ultrapassar 24 horas, mas caso não seja possível, pode se coletar em um dia e entregá-los no outro, desde que os mesmos permaneçam acondicionados na parte inferior da geladeira;

• é recomendado que o teste seja realizado anualmente para cada propriedade. Os resultados serão entregues à Emater, que repassará os laudos aos produtores. A determinação do carrapaticida mais adequado a uma propriedade não resolverá o problema se o mesmo não for misturado adequadamente, aplicado de forma correta e em quantidade suficiente.


Seca afeta bovinocultura e produção de leite

Já no estado de Minas Gerais a preocupação é com o clima. Alguns municípios estão sofrendo com a falta de chuva, assim como em toda a região Sudeste. São 103 cidades, entre as quais São Francisco, Januário e Montes Claros. Regiões agrícolas, as produções locais têm sofrido com o clima. A mais prejudicada é a de leite, que representa cerca de 27% da produção nacional.

Segundo a meteorologista Josélia Pegorim, o mês de setembro tende a ser seco como agosto, que registrou 3,3 mm de chuva em Belo Horinzonte - 76% abaixo da média de precipitação. "A tendência é que a segunda semana de setembro seja marcada por quase ou nenhuma chuva, voltando às condições de tempo seco e quente. A chuva só será vista na próxima semana, na quinta- -feira, atingindo todo o Centro-Sul do estado", diz Josélia.

A estiagem tem reduzido a área dos pastos, problema que já vem ocorrendo nos últimos três anos. Para controlar o número de bovinos em relação aos espaços de pastagem, o estado decidiu abater as fêmeas. Minas Gerais teve toda a cadeia bovina desvalorizada pela falta de qualidade, já que não há uma alimentação equilibrada para os rebanhos. Os pecuaristas sentiram a necessidade de realizar aproximadamente 17% de abates para a própria sobrevivência, o que resultou em uma alta dos preços para a venda.

De acordo com o analista de agronegócio Wallisson Lara Fonseca, os pecuaristas devem olhar atentamente para as necessidades de suas propriedades. "Para se adquirir sustentabilidade é preciso trabalhar para manter uma qualidade na matéria-prima, vislumbrando atender o mercado externo, que cada vez se torna mais exigente", afirma Wallisson.