Gestão

ESTOQUE

Quatro dicas para o armazenamento de suplementos minerais

Henrique Lemos*

Você já parou para pensar que o resultado financeiro da operação na fazenda pode estar sendo afetado pela forma como se gerencia o estoque dos produtos de nutrição? Indisponibilidade de produtos, erros na distribuição de suplementos e ocorrência de custos extras são alguns dos problemas que podem ser causados. A subestocagem ou a falta de produtos é uma falha grave que pode provocar a indisponibilidade de suplementos no cocho, incorrendo em perdas substanciais de desempenho do rebanho.

Tão ruim quanto é a superestocagem, que leva a inadequações entre uso de produtos e a época do ano. A distribuição desses suplementos remanescentes ainda pode elevar o consumo sem resultar em ganhos expressivos de desempenho. Outra situação comum são os erros na distribuição por categorias ou épocas. Afetam diretamente o ganho de peso dos animais, que acabam por consumir produtos que não atendem todas as suas necessidades nutricionais. Problemas como esses podem ocorrer quando não se promove o controle da entrada e da saída dos produtos. Para evitar essas falhas, seguem algumas dicas:

1ª – ESTOQUE MÍNIMO
O estoque mínimo é a menor quantidade de produtos que se deve manter para assegurar o fornecimento de suplementos. É importante observar se o animal come em dias corridos e não em dias úteis. Por isso, esteja atento ao período para processamento dos pedidos e aos prazos estabelecidos pelos fornecedores para entrega dos produtos. Leve em conta a manutenção de um estoque de segurança, para possíveis variações de consumo, eventuais falhas de controle e atrasos dos fornecedores.

Como calcular o estoque mínimo? Suponha uma fazenda com rebanho de 10.000 animais com prazo de dois dias úteis para processamento do pedido (identificação da necessidade, comunicação ao setor responsável, autorização e emissão da ordem de compra), de dez dias úteis estipulados para entrega dos produtos e de um dia útil para recebimento do pedido e distribuição (conferência, estocagem, empilhamento e abastecimento de cochos). Imagine ainda que o produto em questão possui um consumo médio de 100 g/cab/dia.

Assim, podemos definir de uma forma bem simples, o estoque mínimo do produto com o seguinte cálculo:

Considerando, dessa forma, os dados da fazenda acima e a continuidade da utilização do produto, é ideal manter um estoque mínimo de 520 sacos do produto. No momento em que a estocagem atingir esse valor mínimo, uma nova ordem de compra deve ser realizada, a fim de garantir a distribuição do produto aos animais do rebanho. Para assegurar-se de quaisquer imprevistos, o produtor também poderá optar por adicionar a esse número uma quantidade de segurança.

2ª – EMPILHAMENTO
O empilhamento dos produtos deve permitir a adequada conservação e manuseio, bem como a fácil identificação e a contagem rápida e confiável do estoque. Os lastros de empilhamento são a base para que essas premissas sejam atingidas e podem ser ordenados conforme a sugestão a seguir:

Na organização do lastro em sete sacos (4+3), esses são dispostos em camadas (laços) de sete sacos, sendo quatro dispostos paralelamente e três dispostos perpendicularmente (deitados) aos anteriores. As posições dos sacos em cada camada devem ser invertidas, como mostra a figura.

Na disposição com 13 sacos 4+(3x3), eles são colocados em laços de 13 sacos, sendo nove dispostos paralelamente (3x3) e quatro perpendicularmente aos anteriores. As posições dos sacos em cada camada também devem se manter invertidas.

Camadas ímpares 1a, 3a, 5a, 7a, etc...

Camadas pares 2a, 4a, 6a, 8a, etc...

Na acomodação com 22 sacos 7+(3x5), ficam em laços de 22 sacos, sendo 15 paralelos (3x5) e sete perpendiculares, com as posições dos sacos, em cada camada, continuando invertidas, assim como na próxima proposta de disposição.

Na distribuição de 30 sacos 9+(3x7), os sacos são dispostos em camadas de 30, sendo 21 dispostos paralelamente (3x7) e nove perpendicularmente.

Cabe ressaltar que a lógica de ordenação e movimentação dos estoques considera o método FIFO (first in, first out – primeiro a entrar, primeiro a sair), evitando deterioração dos produtos.

3ª – DEFINIÇÃO DE RESPONSÁVEIS
Responsáveis pelo controle dos estoques centrais, intermediários e finais devem ser definidos e as anotações, realizadas diariamente, a fim de controlar a baixa e a entrada de produtos.

Estoque central – local de armazenamento inicial dos produtos, onde é feito o descarregamento dos mesmos quando chegam à fazenda. Em caso de produtos concentrados, é o local de fabricação das misturas minerais na fazenda. Deve-se definir quem é o responsável por realizar o pedido de compra e quem é o responsável por realizar o transporte do produto ao estoque intermediário ou final.

Estoque intermediário – local de armazenamento intermediário dos produtos que serão posteriormente distribuídos para o estoque final ou diretamente para o cocho. Exemplo: os retiros. É necessário determinar quem será o responsável pela solicitação do produto ao estoque central e a pessoa que vai realizar o transporte do produto até o estoque final e cocho

Estoque final – local de armazenamento final do produto que será posteriormente distribuído para os cochos. Exemplo: bombonas. Aqui se define quem vai solicitar o produto ao estoque intermediário e aquele que fará o abastecimento do estoque final ou do cocho, lembrando que não são a mesma coisa.

Cabe ressaltar que é plausível definir- se um único responsável para mais de uma das tarefas anteriormente mencionadas. No entanto, deve-se evitar o inverso (vários responsáveis pela mesma tarefa), pois isso pode acabar afetando a realização, o acompanhamento e a cobrança de resultados.

4ª – ESTRUTURA

A quarta dica é sobre a estrutura do estoque, as condições de estocagem e a estrutura disponível para distribuição dos produtos, como estradas e veículos utilizados. É importante observar se há presença de goteiras, roedores e demais fatores que interfiram na deterioração dos suplementos. Manter um local limpo, livre de umidade, com fácil acesso e trânsito livre, sem obstáculos, é essencial para garantir a integridade das embalagens e otimizar as atividades de armazenamento e distribuição.

Quanto à distribuição desses produtos, o importante é atentar-se para a condição das estradas entre os estoques e definir uma rota eficaz de distribuição, que leve em conta o estoque mínimo transportado, a frequência do abastecimento e a estrutura necessária para o transporte (veículos). Para os casos de estradas de terra ou de difícil acesso, o ideal é definir uma rota alternativa em dias chuvosos.

No que se refere aos veículos transportadores, o desejável é que os mesmos sejam exclusivos do sistema produtivo. Caso não seja possível, formalize os períodos de utilização dos veículos para cada atividade, com intuito de garantir a disponibilidade do produto no cocho. Por fim, a manutenção dos veículos sempre em dia previne problemas na distribuição.

Henrique Lemos é gerente de Contas da Prodap