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Brasil consolida-se como o maior exportador mundial de carne

O agronegócio brasileiro está em crescente desenvolvimento. Aliado aos avanços das novas tecnologias, vem se fortalecendo e formando um dos pilares de sustentação da economia do país. No setor agropecuário, percebemos a evolução da atividade nos últimos anos. A pecuária de corte vem aumentando a eficiência, produzindo mais em menor área. Tivemos grandes avanços nas questões sanitárias, várias regiões do país foram reconhecidas como zona livre de febre aftosa com vacinação, além das evoluções nas áreas de genética, pastagens e manejo. Todas essas ações vêm promovendo o fortalecimento e o crescimento da pecuária nacional.

A conquista de novos mercados vem permitindo ao Brasil destacar- -se pelo seu potencial no fornecimento de carne bovina e mantendo a liderança como maior exportador. O embargo da Rússia às importações de países do bloco europeu, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Noruega favoreceu o Brasil, pois o país conquistou mais espaço e importância no mercado russo. Em agosto, o Serviço Veterinário Russo, o Rosselkhoznadzor, liberou a importação de carne bovina in natura proveniente de trinta e uma plantas frigoríficas brasileiras.

A Rússia tem uma participação bastante expressiva nas exportações brasileiras e ampliar a participação naquele mercado é uma grande conquista para o setor de carnes, lembrando que a Rússia impôs restrições sobre o produto brasileiro em 2011; mas, felizmente, as portas para a carne brasileira estão novamente abertas.

Tudo indica que a demanda pela proteína vermelha seguirá em expansão, pois o crescimento populacional atrelado ao processo de urbanização e ao aumento da renda favorecerá a procura de alimentos no mundo, principalmente no continente Asiático. O Brasil é um forte candidato para suprir essa demanda, pois tem recursos e tecnologias suficientes para aumentar a produção e atender o perfil e os requisitos dos principais consumidores do mundo.

Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF - 17/07 a 15/08 de 2014

O mercado interno da carne bovina está aquecido e mais uma vez a escassa oferta de animais de cocho pressiona a alta da arroba. As indústrias, por sua vez, estão ofertando mais a fim de completar escalas que estão, em média, de dois a três dias. Negociações no Estado de São Paulo chegaram a R$ 123,00 a arroba (15/08). Se o consumo no mês de julho andava meio frio, não podemos dizer o mesmo do início de agosto, já que os consumidores estão indo mais às compras e levando mais carne para casa.

O quadro “Boi Gordo no Mundo”, no período analisado entre 17/07 e 15/08/2014, apresentou valorização da arroba de 5,9% nos Estados Unidos. No Brasil, houve desvalorização de 2,4%, na Argentina, de 7,2%, e na Austrália, de 3,6%.

Com relação ao mercado internacional, houve alta nas exportações, de acordo com Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), que registraram alta de 8,64% em julho, passando para 144,7 mil toneladas, comparadas às 133,2 mil toneladas em julho de 2013.

Mais uma vez, Hong Kong permanece em primeiro lugar como maior importador da carne brasileira, totalizando, de janeiro a julho, 229.379,88 toneladas, seguido da Rússia, com 184.395,65, e Venezuela, com 98.841,73 toneladas. Atualmente, a Rússia vem consolidando posição como um dos maiores importadores da carne brasileira e as habilitações de novas plantas irão contribuir para resultados ainda mais significativos.

Quanto à abertura do mercado dos Estados Unidos para a carne bovina brasileira in natura, a expectativa é de que ocorra até o final do ano. O processo de consulta pública já foi realizado e aguarda apenas formalizar o “acordo de equivalência”.

Como pode ser observado no gráfico “Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF”, para o período analisado compreendido entre os dias 17/07 e 15/08/2014, as praças de SP, MG, MS e MT tiveram uma recuperação no preço da arroba, que ganhou força no início de agosto. Nas demais praças, o preço da arroba permaneceu estável.

Analisando o deságio do preço do boi gordo, no período de 17/07 e 15/08/2014, a média do deságio pago aos pecuaristas entre o preço à vista e o preço a prazo (30 dias) foi de 1,63%.

Deságio do preço do boi gordo por UF - 17/07 a 15/08

Relação de troca média - 17/07 a 15/08 de 2014

O preço médio do bezerro foi de R$ 878,23/cab para o período de 17/07 a 15/08/2014. Houve queda em São Paulo, com o bezerro baixando para R$ 973,18/cab; em GO, foi para R$ 931,82 cab; no MS, a R$ 988,64/cab; no PR, o preço do bezerro caiu para R$ 888,64/cab e no RS, o bezerro passou a valer R$ 842,27/ cab. Já a alta foi para as praças de MG, com o bezerro subindo para R$ 825,00/cab, R$ 883,18/cab no MT e R$ 693,18/cab no PA.

O boi magro registrou queda apenas em uma das oito praças pesquisadas, recuou para R$ 1.475/cab em GO. Nas demais praças, a alta foi geral, com o boi magro subindo para R$ 1.518,64/cab em São Paulo, R$1.333,64/cab em MG; R$ 1.495,00/ cab no MS; R$ 1.384,09/cab no MT; R$ 1.257,00/cab no PA; R$ 1.457,27/ cab no PR e R$ 1.505,45 no RS.

Os índices médios de relação de troca entre as categorias de reposição e boi gordo (gráfico) ficaram em 2,13 para desmama/boi gordo. Para boi magro/boi gordo, ficou em 1,30, não sofrendo alterações significativas.

O cenário para a carne bovina é bastante animador. A abertura de importantes mercados, como China e Rússia, possibilita ao Brasil potencializar a produção, mostrar força e competitividade.

Apesar das boas expectativas, faz-se necessária cautela e mais empreendedorismo no campo, adotando uma administração moderna e profissional. Deixar modelos obsoletos para trás é dar um passo em direção ao futuro, pois o mercado é turbulento e acirrado e não há espaço para amadorismo e erros.

Antony Sewell e Rita Marquete
Boviplan Consultoria