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Queda nos custos mas preços patinam

Considerando a média nacional, houve ligeira alta do preço do leite ao produtor no pagamento de julho, referente ao leite entregue em junho.

Segundo levantamento mensal da Scot Consultoria, o litro ficou cotado, em média, em R$ 0,990, um aumento de 0,15% em relação ao pagamento de junho. Veja a Figura 1.

Os aumentos de preços do leite no Brasil Central e Região Sudeste foram compensados pelas quedas no Nordeste e na Região Sul (Santa Catarina e Rio Grande do Sul).

Na Região Sul, o aumento da produção pressionou os preços para baixo, mas as incertezas climáticas impediram fortes quedas. No Sudeste, os aumentos na produção têm sido comedidos.

Um ponto importante é que a demanda melhorou nas últimas quinzenas e deverá continuar melhorando com o final das férias. Existem estoques de lácteos, mas menores, em relação aos meses anteriores.

Segundo o Índice Scot Consultoria para a Captação de Leite, o volume captado aumentou 1,5% em junho, na comparação com maio (média nacional). Para julho, os dados parciais apontam para um aumento de produção de 1,7% em relação a junho.

Os aumentos da captação no Sul e no Nordeste estão puxando os incrementos na média nacional. No Sudeste, a queda nos preços dos grãos colabora para maiores investimentos na atividade e tem mantido os níveis de produção.

Para o pagamento de agosto (produção de junho), a tendência é de estabilidade nos preços do leite ao produtor, sendo a pressão de baixa maior no Sul do país, com a safra. Segundo levantamento da Scot Consultoria, 14% dos laticínios pesquisados acreditam em aumento do preço ao produtor, 66% em manutenção e 20% estimam queda.

Figura 1 - Preço do leite ao produtor (média nacional ponderada) - em R$/litro

Para o pagamento de setembro, o mercado para o produtor deverá seguir andando de lado. No mercado spot, ou seja, o leite comercializado entre as indústrias, os preços estáveis, com certa pressão de baixa, corroboram com esse cenário para o curto prazo.

Em São Paulo, Minas Gerais e Goiás, o litro de leite é comercializado entre R$ 1,00 e R$ 1,18, dependendo da região.

No mercado spot do Paraná e do Rio Grande do Sul, os negócios variaram entre R$ 0,90 e R$ 1,05 por litro. Houve ligeira queda no preço em agosto.

Custos de produção

Se o cenário atual de preços do leite não tem animado muito os produtores, os custos de produção em queda nos últimos meses melhoraram as margens de lucro na fazenda.

A alimentação concentrada foi o item dos custos que mais caiu, destaque para o milho e farelo de soja.

No caso do milho, a maior disponibilidade interna (colheita da segunda safra na reta final) e expectativa de boa produção nos Estados Unidos (colheita começa em agosto) são os principais fatores de baixa.

Para o farelo, as cotações acompanharam as quedas da soja-grão, com previsão de safra recorde nos Estados Unidos (safra atual, colheita em agosto) e expectativa de aumento da área plantada no Brasil e na Argentina na temporada que logo se inicia.

Em agosto deste ano, o milho ficou cotado, em média, em R$ 23,30 por saca na região de Campinas, em São Paulo.

Os preços estão em queda desde março. De lá para cá, a queda foi de 28,4%. A tonelada do farelo de soja foi vendida, em mdia, por R$ 1.068,00 no estado em agosto.

O milho e o farelo estão, respectivamente, 2,1% e 1% mais baratos na comparação com o mesmo período do ano passado.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista Scot Consultoria