Sobrevoando

Terceirização

As fazendas brasileiras estão cada vez mais profissionalizadas e não pode ser diferente. Essa nossa vida moderna exige que a velha fazenda, onde o tempo passava mais devagar e a vida era mais calma e serena, seja, agora, um verdadeiro dínamo de eficiência e eficácia, no qual o tempo urge e a tal da calma e serenidade viraram pó.

Eu, particularmente, acho isso uma droga, mas fazer o quê. Ou nos modernizamos ou quebramos. E com essa profissionalização dos empregados, dos patrões, dos maquinários e do processo, surge uma figura bastante interessante: o prestador de serviço.

Esse prestador de serviço pode ter seus préstimos em várias áreas, tanto na pecuária quanto na agricultura. Normalmente, é um cidadão ou uma equipe muito bem preparada, afiada e disposta a fazer o trabalho de forma rápida e bem feita. Duas características muito raras, principalmente em se falando de pecuária de corte. O prestador de serviço tem de ser bom, porque se não for, não o chamaremos uma segunda vez e também não o indicaremos a ninguém, a não ser para aquele nosso vizinho murrinha. Bem diferente do funcionário, que sendo bom ou não, acaba ficando anos na fazenda, não sei bem o porquê.

Hoje, com os equipamentos disponíveis, os prestadores de serviço têm agilidade total. Dispõem de carro ou picape para chegar a qualquer lugar. Celulares, e-mails e todas as novidades que nem sei mais o nome, para se comunicar com rapidez em quase qualquer lugar e a qualquer tempo. Tratores, pulverizadores, ensiladeiras, enfardadeiras, colheitadeiras, GPS, ultrassom, microscópios e toda e qualquer tranqueira que seja preciso para executar o serviço. E tudo funcionando a pleno, engraxado e pronto para o uso.

Então, hoje, na minha percepção, de alguém que anda sobrevoando por aí, devemos ter na fazenda um número de funcionários fixos suficiente para manter o funcionamento normal do dia a dia, o que acontece, com alguma variação, dependendo do perfil da fazenda, em 80 a 90% dos dias e contratarmos pessoal extra, especializado em determinadas funções, para quando precisarmos de um serviço diferenciado.

Trabalhando no Texas como ajudante de capataz em uma fazenda de gado de corte, onde o gado ficava totalmente a campo, tal qual no Brasil, lembro que tivemos de contratar um pessoal para juntar o gado para nós, para fazer uma vermifugação geral, pois não tínhamos cavalos (nenhum). O capataz ligou um dia antes e combinou com o vizinho, criador de Quarto de Milha, que viesse recolher o gado e colocar nos bretes. O rapaz veio, junto com mais duas ou três meninas, filhas e/ou sobrinhas, recolheram o gado e foram pagos pelo serviço. Saiu infinitamente mais em conta do que termos cavalos na propriedade. Pode parecer meio maluco, mas foi isso que aconteceu.

Não digo que vamos abandonar os cavalos da fazenda. Claro que não, mas que devemos repensar algumas atitudes em relação aos nossos custos fixos e maquinários subutilizados, e muitas vezes obsoletos, sim.

Será que não podemos racionalizar algumas coisas, focando no que realmente é importante? Ou continuaremos fazendo tudo com a nossa equipe e nossas máquinas?

Muita gente hoje compra silagem pronta. E o feno?

uem de nós não tem uma furadeira em casa? Uma pesquisa mundial mostra que, em toda a sua vida útil, o uso não passa de alguns minutos. Uma furadeira custa pouco, mas e uma máquina para a fazenda?