Pastagem

 

Ajuda de cima

Ferramenta on-line auxilia pecuaristas a se programar para mudanças climáticas

Embrapa Pecuária Sudeste

O cenário futuro de aumento das temperaturas globais pode favorecer as atividades agropecuárias na região Norte. É o que prevê uma ferramenta on- -line desenvolvida pela Embrapa Pecuária Sudeste em parceria com outras unidades da empresa.

A tecnologia “Cenários agrícolas futuros para forrageiras tropicais” traz simulações sobre o desempenho de cinco pastagens no Brasil, considerando perspectivas com altas e baixas emissões de gases de efeito estufa para hoje, 2025 e 2055.

Na Região Norte, as simulações da pesquisa apontam para um aumento na produção de forragem do capim- -marandu ou braquiarão (Brachiaria brizantha cv. Marandu). “Isso acontece porque esse capim é do tipo C4. Havendo disponibilidade de água, o aumento da temperatura também eleva a sua eficiência em produzir biomassa”, explica o pesquisador Moacyr Bernardino Dias- -Filho, da Embrapa Amazônia Oriental. Ele participou da pesquisa fornecendo dados sobre o desempenho do capim nos solos da Amazônia. Foram informações como essa que serviram de base para as projeções futuras.

De acordo com a pesquisadora Patrícia Menezes Santos, da Embrapa Pecuária Sudeste, a construção desses cenários é um importante subsídio para o planejamento estratégico da exploração pecuária. A tecnologia dá suporte ao produtor rural e aos técnicos para as tomadas de decisão. Com as simulações, baseadas em informações climáticas e de produção, o usuário da ferramenta on-line poderá projetar o cultivo de pastagens em diferentes regiões do País na atualidade e em médio e longo prazos.

Os cenários, pela antecipação de riscos, podem contribuir para o planejamento mais adequado da propriedade, adoção de alternativas de adaptação a eventuais efeitos das mudanças ambientais e também como fonte de informação para programas governamentais.

Os cenários obtidos também sugerem que as mudanças climáticas terão impactos positivos sobre a produção anual de pastagens de tanzânia e marandu nas Regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste. A área onde esses capins poderão ser cultivados deve aumentar. Por outro lado, a estacionalidade de produção e a variação da produção ano a ano também deverão ser maiores, aumentando o risco climático da atividade.

No Nordeste, principalmente na área semiárida, a produção das pastagens deve ficar mais vulnerável, podendo ocorrer redução da área apta ao cultivo do capim-bufel, comum na região. Já para a palma forrageira, as simulações indicam aumento nas áreas aptas ao cultivo para 2025 e 2055.

As áreas de cultivo de pastagens de clima temperado devem diminuir na Região Sul devido à previsão de aumento de temperatura. Por outro lado, as áreas de forrageiras tropicais devem aumentar, reduzindo a vulnerabilidade dos sistemas de produção animal sulista às mudanças climáticas globais.

Segundo Patrícia Santos para garantir a competitividade e sustentabilidade da produção animal no Brasil, os sistemas de produção devem ser adaptados e novas tecnologias, geradas. A diversificação do material genético animal e vegetal, o uso de alimentação suplementar, a conservação de forragem, a adequação do manejo do pasto e do solo, a adoção de sistemas de produção integrados e a irrigação são algumas alternativas para adaptação dos sistemas de produção no país.

A ferramenta é gratuita, de fácil acesso e está disponível no endereço online: scafforragem.cppse.embrapa.br