Sobrevoando

 

Abigeato

Toninho Carancho
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Abigeato é o tipo de crime de furto que envolve a subtração de animais no campo e nas fazendas. É mais ou menos assim a definição que encontrei.

Ou seja, o roubo ou a morte de gado por terceiros não autorizados é crime. E esse tipo de crime e criminosos estão espalhados por todo nosso Brasil, infelizmente.

Desconheço a região que não tenha esse problema, em maior ou menor intensidade. Intensidade essa que pode chegar a números enormes, tirando muita gente boa da atividade.

Nos dias de hoje, os pecuaristas, assim como todos os profissionais, estão fazendo um esforço tremendo para aumentar a produtividade procurando todo tipo de solução. É o reforço no manejo mais adequado do gado, na rotação e adubação das pastagens, na escolha de touros ou sêmen de touros melhoradores, na contratação de mão de obra qualificada ou na qualificação da já existente, introdução de novos currais e troncos mais modernos, balanças eletrônicas, cercas elétricas, softwares, assinaturas de revistas como a AG que vocês estão lendo agora, sal mineralizado, sal proteinado, cochos cobertos, hormônios para IATF, veterinários, agrônomos, zootecnistas, técnicos, casas melhores, arborização, irrigação, tratores e implementos, silos, confinamentos, vermífugos avançados (agora está meio difícil), vacinas para tudo quanto é coisa... Ufa, tudo isso e muito mais.

E depois de fazer tudo, visando ganhar algumas arrobinhas a mais aqui e ali, com dificuldades, vem um vagabundo, um criminoso e rouba ou mata nosso gado.

E, na maioria das vezes, fica por isso mesmo. A polícia não faz nada, ou faz muito pouco (na grande maioria das vezes). Alegam que não conseguem nem controlar a bandidagem na cidade, quem dirá no campo. E mais, tem de pegar no flagrante senão não vale. Assim fica difícil. Estamos sozinhos nessa empreitada. O poder público não nos protege adequadamente, estamos a Deus dará. Muitas vezes, sabemos quem cometeu o crime e onde mora. A polícia sabe, mas não faz nada. Ou o faz e logo já estão soltos cometendo os mesmos atos. Estamos reféns desses ladrões e criminosos e a nossa pequena taxa de retorno econômico vai indo pelo ralo, além de nos sentirmos muito mal, impotentes e desacorçoados. Já está na hora de a polícia nos proteger e de a justiça manter presos esses delinquentes. Assim não dá mais.

Estes dias, sobrevoando por aí, visitei um amigo, pequeno proprietário de fazendinha bem próxima da cidade. Ligou-me oferecendo umas vacas, muito boas, todas prenhas e gordas, dizendo que precisava se desfazer logo delas, pois já tinham carneado duas, matando vacas e bezerros em estado adiantado de desenvolvimento no ventre. Disse que está com muita vontade de parar de criar gado, que deseja se mudar para outro lugar, talvez para outro país. Enquanto andávamos pela estradinha, entre a sua casa e o piquete onde estavam as vacas, foi me mostrando as propriedades dos vizinhos e dizendo, “este aqui, que confina uns bois, já teve gado roubado várias vezes. Na última, trancaram ele e toda a família em casa. Nesta outra fazenda já roubaram e carnearam gado muitas vezes. Só na minha fazenda, que tem menos de 120 cabeças de gado, tivemos uma média acima de sete cabeças roubadas por ano nos últimos dez anos”. Isso é uma loucura, não temos como sobreviver assim. É um custo Brasil caro demais. E cabe a nós, produtores rurais, nos reunirmos em torno desta pauta e cobrarmos soluções, sejam quem forem os ocupantes das cadeiras de nosso governo.