Sala de Ordenha

 

Maior produção pressiona mercado

A tendência é o produtor não seguir nenhuma receita de bolo e desenvolver para sua propriedade um programa específico de controle

Segundo a Pesquisa Trimestral do Leite, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de leite captado pelos laticínios foi de 6,19 bilhões de litros no primeiro trimestre.

A pesquisa considera a produção formal, ou seja, o leite que é captado com algum tipo de inspeção, seja municipal, estadual ou federal.

Esse volume é 8,9% maior que os 5,68 bilhões de litros captados no primeiro trimestre de 2013. Na comparação com o quarto trimestre de 2013, houve queda de 5,4%.

A produção está em queda desde o final de 2013, mas acima do volume captado no ano passado.

Os preços do leite ao produtor em níveis historicamente mais altos em 2013 e no primeiro trimestre deste ano permitiram investimentos na atividade, resultando em aumento da produção e captação.

A demanda por leite e derivados, entretanto, não acompanhou esse incremento da oferta e os laticínios trabalham estocados.

Com isso, existe uma pressão de baixa sobre os preços do leite cru e produtos lácteos em plena entressafra.

Essa pressão de baixa, no entanto, deu sinais de enfraquecimento, com o clima adverso no Sul do País (fortes chuvas e alagamentos), o que afetou a produção de leite e/ou a captação.

O mercado de leite ganhou sustentação. Considerando a média nacional ponderada em dezoito Estados pesquisados pela Scot Consultoria, o preço do leite ao produtor subiu 1,5% no pagamento de junho, referente à produção entregue em maio.

entregue em maio. O produtor recebeu, em média, R$ 0,989 por litro. Veja a figura 1.

Os movimentos de preços, porém, foram distintos entre os Estados e as regiões brasileiras.

No Sul do País, o clima adverso (fortes chuvas) prejudicou a produção leiteira e deu sustentação às cotações ao produtor.

No Sudeste, houve queda no preço do leite em Minas Gerais e alta nos demais Estados. A oferta de leite está acima da demanda e tem pressionado o mercado desde o último pagamento.

No Nordeste, a captação de leite está em alta, mas a demanda por leite e derivados é grande neste período para atender as festas e comemorações em junho e julho.

De maneira geral, o cenário ainda é de laticínios estocados e demanda patinando. As férias escolares em julho são um fator que reflete diretamente na demanda e poderá contribuir com o movimento de baixa no curto prazo.

Para o pagamento de julho, referente à produção de junho, a pressão de baixa persiste, mas a maior parcela dos laticínios aponta para manutenção dos valores pagos aos produtores.

Isso já é reflexo dos prejuízos causados pelo clima, em especial na região Sul, onde a produção tenderia a aumentar neste período.

No mercado spot, os preços ficaram mais firmes na segunda quinzena de junho e em julho, com as incertezas sobre a produção de leite no País e avanço da demanda.

Em São Paulo, o litro ficou cotado, em média, em R$ 1,171 em julho. Em Minas Gerais e em Goiás, os negócios variaram entre R$ 1,00 e R$ 1,22 por litro de leite.

Ligeira reação também nos preços dos lácteos a partir de junho. Por fim, é importante destacar que a produção de leite no primeiro semestre de 2014, considerando as principais bacias leiteiras, foi entre 10% e 13% maior na comparação com o mesmo período de 2013.

A demanda, porém, não acompanhou esse incremento, crescendo entre 2% e 2,5% em 2014, na comparação com o ano passado.

No mercado internacional, as recentes quedas nos preços dos lácteos tornam menos atraentes as exportações.

Para o produtor, a boa notícia é que os custos com a alimentação, em especial o milho e o farelo de soja, diminuíram nesta entressafra.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista Scot Consultoria