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Carne brasileira mais próxima da China

Enfim o mundial acabou, mas ainda não podemos mensurar se o impacto econômico deixado pela realização da Copa do Mundo foi positivo ou negativo para o Brasil. Apesar de a seleção brasileira não ter conquistado o título e abocanhado a taça, esperamos que esse evento tenha trazido ganhos concretos para o País e que a economia que andava meio fragilizada tenha recebido uma injeção de incentivos trazidos pelos turistas brasileiros e estrangeiros que viajaram por todo o Brasil acompanhando os jogos.

A Copa do Mundo da Fifa é considerada um dos maiores eventos esportivos do planeta e, apesar de a seleção brasileira não ter feito bonito em campo, o Brasil teve a oportunidade de se destacar mundialmente, atraindo milhares de turistas e mostrando capacidade de organização e sediar um evento desse porte. O que percebemos é que o país passou uma imagem positiva, ressaltando a alegria do povo brasileiro e a paixão pelo futebol.

Passada a euforia futebolística, voltemos a falar do mercado da carne bovina. Para o segundo semestre do ano, o período ainda é de incertezas. A economia brasileira vem oscilando e estamos em pleno ano eleitoral; assim, ainda não se pode prever o comportamento exato do mercado, pois certas mudanças às vezes causam incertezas e inseguranças.

As exportações de carne bovina vêm registrando crescimento, o que ajuda a estabilizar o preço da arroba no mercado interno. Se compararmos os preços entre os primeiros semestres de 2013 e 2014, veremos que a arroba segue valorizada. Durante o primeiro semestre de 2013, tivemos negociações ao redor de R$ 96 a R$ 99/arroba à vista (referência para o Estado de São Paulo); já em 2014, passamos a negociar a arroba entre R$ 120 e R$ 123.

Para o segundo semestre do ano, ao contrário do que era esperado, as negociações ainda estão em ritmo lento. Geralmente, o início do mês promete uma movimentação maior, pois o recebimento de salários permite ao consumidor comprar com mais frequência; no entanto, parece que o preço final do produto está pesando no bolso do consumidor, que está encontrando mais dificuldade de levar carne para casa. Os altos preços têm contribuído para uma demanda enfraquecida.

Por enquanto, a oferta de animais terminados está regular em algumas praças, mas os frigoríficos pressionam tentando puxar a arroba para baixo. Temos algumas negociações da arroba a R$ 120,00 (à vista), referência para o Estado de São Paulo. A partir de agosto, é esperada uma entrada maior de animais para abate oriundos de confinamento, momento em que pecuaristas e frigoríficos travam queda de braços em buscas de melhores negociações.

O mercado global para carne bovina vive um momento positivo e a demanda de mercados importantes como Estados Unidos e China permanece forte. O quadro “Boi Gordo no Mundo”, no período analisado entre 18/06 e 16/07/2014, mostra valorização da arroba em quase todos os países países pesquisados, exceto na Austrália, cuja desvalorização foi de 1,36% em relação ao período analisado na edição anterior. O mercado australiano vem sofrendo pressão devido ao aumento da oferta, ocorrido em virtude da seca.

As exportações brasileiras de carne bovina seguem firmes e registrando números significativos. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), o Brasil faturou US$ 3,4 bilhões com a exportação de carne bovina no primeiro semestre de 2014. Os dois grandes importadores da carne brasileira, Hong Kong e Rússia, continuam liderando o ranking. Hong Kong importou 193.660,06 toneladas, no acumulado de janeiro a junho, seguido da Rússia, com 143.340,13t de carne importada.

Felizmente temos uma notícia animadora para o setor: a China retirou os embargos às importações de carne bovina brasileira. O produto brasileiro sofria embargo devido à descoberta do caso atípico de BSE no Paraná, em 2012. O embargo foi suspenso durante o encontro dos países do BRICS (bloco que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), ocorrido no dia 17 de junho. Os embargos à carne brasileira de Irã, Egito e Peru, no entanto, ainda permanecem. A reaproximação entre Brasil e China permite a ampliação das políticas de crescimento econômico, favorecendo o agronegócio brasileiro. Para o setor de carnes, a conquista do gigantesco mercado chinês é um grande avanço. Agora é aguardar a decisão dos Estados Unidos, cujo processo referente à abertura do mercado americano para carne in natura brasileira segue caminhando nos órgãos reguladores do país. Ainda não existe confirmação positiva ou negativa sobre o assunto.

Como pode ser observado no gráfico “Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF”, para o período analisado compreendido entre os dias 18/06 e 16/07/2014, o preço da arroba ganhou estabilidade nos Estados de RS, SC, SP e MG logo no início do mês de julho, enquanto que em GO, MS, MT houve queda.

Analisando o deságio do preço do boi gordo por UF, no período de 18/06 a 16/07/2014, a média do deságio paga aos pecuaristas entre o preço à vista e a prazo (30 dias) foi de 1,69%.

O preço médio do bezerro foi de R$ 879,44/cab para o período de 18/06 a 16/07/2014. Houve valorização em quase todas as praças pesquisadas, exceto nos Estados de SP, PR e PA, cujo preço do bezerro caiu para R$ 997,37/cab, R$ 890,00/cab e R$ 690,00/cab, respectivamente. Já em MG, o bezerro avançou para R$ 798,68/cab; em GO, o bezerro subiu para R$ 939,47/cab; no MS, o bezerro está sendo negociado a R$ 990,00/ cab; no MT, R$ 870,00/cab; e no RS, subiu para R$ 860,00/cab.

O boi magro registrou queda em duas das oito praças pesquisadas: uma no Estado de SP, onde o boi magro passou a valer R$ 1.509,47/cab; e outra no Estado do PA, onde o boi magro foi negociado a R$ 1.240,00/ cab. Já em MG, o boi magro subiu para R$ 1.285,26/cab; em GO, valorizou para R$ 1.480,00/cab; no MS, para R$ 1.484,74/cab; no Estado do MT, R$ 1.372,63/cab; no Estado do PR, o boi subiu para R$ 1.432,11; e no RS passou a valer R$ 1.492,11.

Os índices médios de relação de troca (gráfico) entre as categorias de reposição e boi gordo ficaram em 2,16 para desmama/boi gordo. Para boi magro/ boi gordo ficou em 1,33, não sofrendo alterações significativas.

A competitividade do setor pecuário está em alta, apesar dos desafios que rondam o setor, como problemas de logística e adequações sanitárias. O mercado vem se portando de maneira satisfatória, com grandes perspectivas de crescimento.

Um dos desafios mais importantes e que merece atenção é a adequação a uma boa gestão, ou seja, olhar para a propriedade como se fosse uma empresa, que requer cautela às finanças, adoção de tecnologias corretas, controle e, principalmente, planejamento. Não há dúvida que a pecuária veio se modernizando nos últimos anos, mas há muitas arestas para aparar. Apesar dos entraves, o país tem um grande potencial para ampliar mercado, produzindo carne de qualidade, segura e de boa aceitação, tanto no mercado interno quanto no externo, requisitos que atendem as exigências dos grandes compradores.

Antony Sewell e Rita Marquete
Boviplan Consultoria