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NO RUMO CERTO

52 anos depois, a avaliação genética evolui das características de desempenho para as DEPs Genômicas e agrega valor a reprodutores

Cintia Rocha

A utilização de banco de dados que relacionam valores genéticos para análise das DEPs (Diferença Esperada na Progênie), em gado de corte, e de PTA (Habilidade Prevista de Transmissão), em gado de leite, é uma prática cada vez mais comum dentro dos criatórios. O uso da avaliação genética permite identificar e selecionar, por meio de dados já coletados, os animais com capacidade de transmitir às futuras gerações as características mais interessantes economicamente para o rebanho. São ferramentas e termos que ganham cada dia mais respaldo, já que auxiliam o pecuarista a investir e direcionar cruzamentos, descartes e seleções, visando a mais produtividade e avanço genético contínuo, mas que até há pouco tempo eram postas em xeque.

Com uma notória aceitação e um número crescente de participantes, os principais estudos nesse setor envolvem ganho de peso, habilidade materna e características de carcaça, essa última, que sempre foi mais acessível pelos taurinos, mas que toma força com o zebu, notou essa cobrança no mercado e já oferece DEPs nesse sentido em seus sumários. Por ultrassonografia, são mensurados dados como Área de Olho de Lombo (AOL), Acabamento de Carcaça (ACAB) e Marmoreio (MAR). Informações como essas são valiosas e podem ajudar o pecuarista a economizar um bom tempo de seleção e não à toa multiplicam-se nos sumários de touros mais modernos, independentemente da raça dos bovinos.

“Os testes de progênie tradicionais para características de carcaça ao abate demandam muito tempo, são caros, envolvem um número de animais muito reduzido de raças puras e são de acurácia questionável. Já os dados da avaliação por ultrassom, apropriadamente coletados e usados na seleção, são muito mais efetivos para melhorar essas características, economizando tempo e dinheiro”, avaliam ao Promebo os pesquisadores Leonardo e Gabriel Campos. Segundo eles, existe variação aditiva suficiente para a obtenção de mudança genética satisfatória através dos programas de seleção. Leia mais detalhes sobre as características de carcaça que serão discutidas na matéria de Adilson Rodrigues, nas próximas páginas.

Também é importante lembrar que a história da avaliação genética tem pouco mais de cinco décadas no Brasil, com trabalhos iniciados em 1962 pelo Dr Arnaldo Zancaner. Na época, o pioneiro pesquisador pesava mensalmente os animais de sua seleção, do nascimento aos 24 meses de idade, correlatando dados de peso, habilidade materna e fertilidade para detectar os exemplares que poderiam transmitir e multiplicar os maiores valores genéticos dessas características nas progênies.

Em 1968, Zancaner firmou parceria com o Prof. Dr Warwick E. Kerr (FMRP- -USP, Departamento de Genética), disponibilizando os dados que tinha em mãos para as pesquisas que, em 1988, com os esforços e entrada de outros colaboradores e estudiosos no projeto, resultaram no PMGRN (Programa de Melhoramento Genético da Raça Nelore) – atual Programa Nelore Brasil, conduzido pela Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP).

Genética e produção x Mercado

Após as iniciativas pioneiras, é gratificante acompanhar, hoje, que na hora da batida do martelo, o respaldo da avaliação genética tem feito a diferença nos leilões, conforme aponta Maurício Tonhá, diretor do Grupo Estância Bahia Leilões. “Os touros avaliados têm tido valorização superior. A orientação técnica é uma ferramenta para todos aqueles preocupados em melhorar o resultado da atividade pecuária. O fato é que, a cada dia, mais clientes utilizam-se dessa ferramenta e isso é uma constante. Os criadores que ‘fazem mais contas’, orientam-se nas provas para melhorar o lucro das suas atividades. Por tudo isso, acredito que cada vez mais terão maior valor e importância os animais superiores”, resume.

Lourenço Campo, da Central Leilões, também tem acompanhado uma crescente valorização dos produtos de avaliação genética destacada. “É uma prova de que quem compra reprodutores avaliados está disposto a pagar mais pelo produto que lhe produzirá bezerros diferenciados. E isso, sem dúvida, veio para ficar, porque o próprio mercado está nos mostrando essa tendência com as seguintes valorizações. E creio que podemos esperar cada vez mais a procura por touros bem avaliados geneticamente”, pontua ele.

Lourenço Campo tem acompanhado uma crescente valorização dos animais de avaliação genética destacada

Ainda segundo Lourenço Campo, esse comportamento no mercado tem sido notório ao passo que os programas de melhoramento avançam. “Com o passar dos anos, os métodos de seleção foram evoluindo e a avaliação genética é uma realidade devido aos bons resultados que vêm sendo apresentados. Tanto para quem compra quanto pra quem vende, pois os compradores têm a certeza que estão comprando indivíduos superiores geneticamente e que produzirão realmente animais de destaque, enquanto os vendedores têm o seu trabalho de seleção genética reconhecido”, avalia, ressaltando, ainda, que muitos de seus clientes estão pautando as compras em animais avaliados, o que faz com que a boa avaliação genética de um touro seja um fator decisivo na hora de fechar os negócios.

Do ponto de vista técnico, o investimento em touros geneticamente superiores, além do efeito direto na renda dos produtores, ainda pode servir como incentivo aos selecionadores para aumento da oferta de touros melhoradores aos rebanhos comerciais, conforme aponta o pesquisador Antonio Rosa, em parceria com outros sete estudiosos. Em artigo, eles avaliam o retorno econômico proporcionado por touros melhoradores, estimando que um único macho pode representar de 84% a 86% do melhoramento genético que pode ser alcançado em todo um plantel, para relações touro:vaca de 1:20 e 1:40, respectivamente. “Desta forma, atendidas as boas práticas de criação no que se refere à gestão do negócio, à alimentação, à saúde e ao manejo, a escolha dos reprodutores deve ser considerada uma decisão determinante do sucesso do sistema de produção, devendo, por isso, ser tomada criteriosamente”. Hoje, as leiloeiras consultadas relatam médias de preço em torno de R$ 8 mil a R$ 10 mil para touros, muito disso em virtude da confiabilidade gerada pelas DEPs. E existe ainda o caso de reprodutores avaliados saindo a preço de vacas de elite, algo inusitado alguns anos atrás.

O respaldo da avaliação genética tem feito a diferença nos leilões, diz Maurício Tonhá

Novidades na avaliação

Hoje, a principal novidade no setor é a chegada da DEP Genômica (DEPG), calculada com informações de pedigree, desempenho próprio e de progênies, acrescida dos marcadores de DNA. A nova ferramenta, lançada no seminário da ANCP, em abril deste ano, é a evolução da DEP Auxiliada pela Genômica, criada pela ANCP, em 2011. “A DEP Genômica é um passo muito grande para o Nelore. Raças como o Holandês e o Angus já utilizam essa ferramenta de seleção há certo tempo. Essa evolução vem para fortalecer ainda mais o trabalho do Nelore Brasil. Com certeza, trará informações mais confiáveis e ajudará o pecuarista a acelerar o ganho genético do plantel”, ressalta Raysildo Lobo, presidente da ANCP.

“Além de aumentar a confiabilidade nas avaliações de animais jovens, possibilitando a diminuição do intervalo de gerações e, consequentemente, a aceleração do ganho genético, teremos DEP Genômica para mais características – período de gestação, habilidade materna aos 210 dias, peso aos 210 dias, estrutura, precocidade e musculosidade à desmama e ao sobreano e altura, totalizando 22 atributos genéticos”, completa o presidente sobre a evolução desse tipo de avaliação. “O uso da genética certa para produção de animais para abate é ponto determinante no sucesso do uso de tecnologias reprodutivas, manejo nutricional e para um produto padronizado e de qualidade”, frisa ainda.

Entre as grandes vantagens da tecnologia estão a simplicidade na seleção, pois o criador pode utilizar um único número para a seleção, a DEP Genômica, formada pela DEP e os valores moleculares (MVP), além da maior acurácia, e a menor chance de erro na seleção dos animais. Além disso, o criador ganha tempo, pois não precisa esperar muitos anos até que a DEP do animal se confirme. Ele escolherá os animais melhores geneticamente, com maior certeza e de forma antecipada. Isso tudo faz com que o criador obtenha maior retorno econômico e que consiga mais rápido seus objetivos de melhoramento genético, conforme explica Priscila Barros, responsável pelos marcadores moleculares utilizados na DEP Genômica. Vale lembrar que, mesmo sendo nova, com aplicações revolucionárias, a tecnologia tem sido, segundo a ANCP, facilmente absorvida pelo mercado, uma vez que a interpretação dessa nova ferramenta é similar ao da DEP tradicional.

Para 2015, a entidade prevê o lançamento do Índice Bioeconômico, que equivale ao MGT (Mérito Genético Total). A diferença é que a nova tecnologia conta com ponderadores econômicos que permitam classificar os animais tendo como base a economia atual. Iso é, os pesos são definidos de acordo com o mercado, gerando informações de valores em reais. Isso irá otimizar a produtividade e lucratividade dos pecuaristas, pois ao adquirir fêmeas e machos, além de ter ciência da qualidade genética do bovino, o comprador saberá quanto o animal irá contribuir geneticamente, em reais. “O MGT continuará existindo, apenas contará com ponderadores bioeconômicos. Em termos de pesquisa acadêmica, esse índice tem mais de dez anos, e na ANCP, possui dois. Países como Estados Unidos, Canadá, Austrália, entre outros, já utilizam a ferramenta, tanto para gado de leite como para corte. Mesmo após a sua aplicação, as pesquisas em prol do aprimoramento da nova ferramenta serão contínuas”, conclui o presidente, destacando que esse é mais um avanço tecnológico importante para a atividade pecuária.

Nelore Brasil

De acordo com a ANCP, o Programa Nelore Brasil possui uma base genética de 2 milhões de animais, foi pioneiro na utilização do Modelo Animal nas Avaliações Genéticas no Brasil, gerando DEPs para efeito direto e materno, no ano de 1993. A primeira Avaliação Genética foi publicada, em formato de Sumário, em 1995, com sete características, sendo seis de crescimento e uma de fertilidade, utilizando dados de 27 rebanhos. Hoje, são disponibilizadas DEPs para 29 características e o índice MGT para a raça, com base em dados de mais de 300 rebanhos.

Para Raysildo Lobo, a DEP Genômica é um marco para o Nelore

Além do trabalho com Nelore, a entidade idealizou e conduz os programas nacionais de melhoramento genético do Guzerá, que acontece desde 1999, disponibilizando atualmente DEPs para 18 características; da raça Brahman (cujas ações foram iniciadas em 2001 e contemplam em 2014 DEPs para 13 características); e do Tabapuã, que, com seis anos de existência, apresenta DEPs para 15 características e teve o primeiro sumário publicado em 2010.

Em 2013, a entidade deu mais um grande passo, apresentando ao mercado o Programa POI de Avaliação Genética, que tem como objetivo fortalecer ainda mais o Brasil no mercado internacional de exportação de material genético vivo, geneticamente testado. “Ao longo dos anos, o mercado vem sinalizando mudanças no cenário da pecuária. Os criadores têm investido mais em importações de animais POI, antigamente mantidos como reserva genética. A avaliação do gado POI pretende contribuir com a introdução de variabilidade genética no gado PO e não partirá mais de um gado sem triagem, como os vindos direto da Índia”, destaca o presidente da ANCP, Raysildo Lobo.

Geneplus

Outro programa de destaque no Brasil é o Geneplus, que foi disponibilizado aos criadores em 1996 pela Embrapa Gado de Corte, em parceria com a Geneplus Consultoria Agropecuária, trazendo a experiência de 20 anos de pesquisas em melhoramento genético. Com ele, cada criador participante conta com assessoria prestada a partir de um plano de trabalho que é estabelecido pela equipe técnica do programa. Todos os dados coletados passam por análise e são destinados à base da raça a qual pertencem, mantida pelo Geneplus. Os resultados para cada animal são apresentados ao participante em meio eletrônico (SGP- -Sistema Geneplus) com opções de buscas por categoria (touros, matrizes e produtos) e com ferramentas para a prática do melhoramento genético e suporte de programas de comercialização dos bovinos avaliados.

Uma das novidades lançadas este ano é o livro “Melhoramento genético aplicado em gado de corte – Programa Geneplus/ Embrapa”, uma síntese do conteúdo de cursos realizados no programa desde 1998. “A nossa preocupação sempre foi no sentido de levar ao pessoal que está no campo, ao criador e seus auxiliares diretos, aos técnicos e gerentes de fazendas, às empresas da área de biotecnologia da reprodução, principalmente centrais de inseminação, conhecimentos atualizados de melhoramento genético, possibilitando o uso consciente das tecnologias disponíveis”, diz o pesquisador Antonio Rosa, um dos editores técnicos da publicação.

Mesmo antes do Geneplus, a Embrapa Gado de Corte já trabalhava na área de melhoramento genético desde a fundação, em 1977, sendo pioneira, juntamente com a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, no lançamento de sumários nacionais de touros no Brasil.

Promebo

Tradicional, o Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) completou 40 anos de existência em 2014. Realizado pela Associação Nacional de Criadores “Herd-Book Collares” (ANC), ele é aberto a animais puros de origem, puros controlados e cruzamentos e fornece poderosas ferramentas para seleção e melhoramento genético das diversas raças de corte de origem europeia do Brasil.

O Promebo contempla a medição de dados relativos ao desempenho dos animais, como avaliações fenotípicas de conformação, precocidade, musculosidade e tamanho (CPMT), medições de carcaça por ultrassonografia e contagem de carrapatos. Através de uma metodologia de modelos mistos, animais de diferentes rebanhos da mesma raça podem ser comparados. Os laços genéticos entre rebanhos, determinados pelo uso de touros em comum, é o que permite a comparação desses indivíduos.

O programa oferece aos seus usuários relatórios detalhados sobre todos os seus animais (ventres, pais e produtos) e Sumários de Touros que também são disponibilizados ao público geral interessado, contendo informações a respeito dos touros pais disponíveis e vacas líderes. Os Sumários 2013/2014 das raças Aberdeen Angus, Hereford e Braford, Charolês, Devon, Shorthorn e Brangus estão disponíveis para consulta no site oficial (www.promebo.com.br). É importante dizer que, em comemoração aos 40 anos, os Sumários de Touros das raças atendidas pelo programa foram unificados em uma única publicação. Nesta edição especial, além das informações técnicas, o Sumário de Touros Comemorativo ANC/ Promebo conta a história desta trajetória e do trabalho em prol da pecuária nacional.


Classificações das DEPs

1 DEP de pedigree: calculada a partir da genealogia do animal.

2 DEP interina: calculada pelas informações de genealogia e desempenho verificado em animais jovens dentro de um grupo de contemporâneos.

3 DEP de progênie: calculada com as informações de genealogia, desempenho do animal e de suas progênies.

4 DEP auxiliada pela genômica (DEP-AG): calculada com informações de pedigree, desempenho próprio do animal e de suas progênies, acrescida dos marcadores de DNA.

5 DEP Genômica (DEPG): calculada com informações de pedigree, desempenho próprio e de progênies, acrescida dos marcadores de DNA. É a evolução da anterior.


CM2 que fazem a DIFERENÇA

Adilson Rodrigues
[email protected]

Um ponto que vem ganhando destaque nas diferenças esperadas na progênie é a avaliação de carcaça. A técnica surgiu na década de 1950, nos Estados Unidos, pelas mãos do pesquisador James Stouffer, e chegou à pecuária brasileira em 1991, através do professor Jaime Tarouco, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Tarouco também foi o primeiro técnico brasileiro a realizar um treinamento especializado na Universidade de Iowa.

De lá para cá, a tecnologia evoluiu e mensurações como espessura de gordura subcutânea (EGS) e área de olho de lombo (AOL) são realidade nos programas de melhoramento genético. Ao que tudo indica, o Brasil investe para melhorar a qualidade de carne e carcaça, de olho tanto no potencial de crescimento interno quanto no das exportações. Um impulso para o mercado doméstico tem sido os programas especiais para produção de cortes nobres destinados às marcas de carne, que surgem às dezenas nas mais diversas raças.

Os frigoríficos também já bonificam por matéria-prima diferenciada, uma forma de incentivar a oferta de animais de melhor qualidade. A pecuária brasileira ainda tem muito espaço para crescer em eficiência, devido à qualidade potencial da carne e à grande variabilidade genética que existe nas raças bovinas criadas. “Os preços recebidos ao abate no Brasil são determinados pelo peso da carcaça e do grau de acabamento (gordura de cobertura). Ainda existe muito espaço para crescer”, aposta Marcos Jun-Iti Yokoo, pesquisador da Embrapa Pecuária Sul (Bagé/RS).

Segundo ele, com uma genética melhorada consegue-se agregar valor à carcaça e ao futuro bife no prato do consumidor final. Para tanto, a seleção deve ser conduzida com base nas DEPs de carcaça e não em avaliações fenotípicas, conforme defende o especialista. Essa é uma preocupação recorrente, pois pode acontecer de um animal ser grande e gordo, mas depois de abatido apresentar carcaça insatisfatória, principalmente no que se refere à quantidade de carne aproveitável, qualidade dos cortes e espessura de gordura subcutânea.

“Se falamos de animais grandes e musculosos mensurados visualmente pode ser que realmente não apresentem bom aproveitamento. Agora, se avaliados por uma tecnologia objetiva, como o ultrassom, por exemplo, então seria difícil não ter bom rendimento”, atesta o pesquisador. O cuidado deve ser em relação ao índice adotado pelo programa de seleção. Um atributo pode ou não ter correlação com outro. Em outras palavras, ao melhorar uma característica, outra pode ser prejudicada. Marcos Yokoo possui alguns bons números para mostrar a evolução de carcaça no Hereford norte-americano.

Corte mostrando a área de olho de lombo (AOL)

Entre 1991 e 2012, a DEP de Área de Olho de Lombo (AOL), a região do contrafilé, saltou de -0,08 para 0,28, ou seja, um acréscimo de 0,36 inches ao quadrado ou 2,3226 cm² para essa característica. “Para gordura intramuscular – marmoreio –, saiu de -2% para 6%. Uma evolução de 8% em 20 anos de seleção”, informa o pesquisador. Consequentemente, o progresso desses atributos contribuiria, de forma direta, para o rendimento de carcaça, o que pode fazer o pecuarista ganhar mais dinheiro ao abate, afinal dois bovinos com o mesmo peso vivo podem alcançar diferente rendimento no frigorífico. Hoje, o Brasil apresenta uma média nacional de 55,5% de rendimento de carcaça.

E qual seria o lucro do criador se ele aumentasse esses números em 2%? O próprio pesquisador da Embrapa Pecuária Sul ajuda no cálculo. “Comparando- -se um animal com 500 kg e que apresentasse ao abate um rendimento de 54% e a arroba do boi gordo estivesse cotada a R$ 85, em relação com outro gado de mesmo peso, mas com rendimento de 56%, esse último animal renderia, em dinheiro, R$ 56,67 a mais que o primeiro”, exemplifica Yokoo. Um valor bastante significativo, posto que se trata de apenas uma cabeça e levando-se em conta que o custo de manutenção mensal (a pasto) de um bovino gira em torno de R$ 35.

Um pouco de história

A avaliação de carcaça começou no Brasil em 1991, com o professor Jaime Tarouco. Entre 2001 e 2003, Fabiano Araújo foi o primeiro técnico brasileiro a fazer o treinamento nos EUA e se certificar junto à Animal Practiced Technician (APTC) e à Ultrasound Guidelines Council (UGC), também nos EUA.

Em 2003, foi lançado no Brasil, segundo a Embrapa Pecuária Sul, o primeiro sumário de touros para características de carcaça na raça Nelore. Trabalho elaborado pela Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores. Atualmente, Geneplus, Gensys e Promebo já publicam DEPs de carcaça.

As principais características avaliadas são AOL (área de olho de lombo), EG (espessura de gordura subcutânea entre a 12ª e a 13ª costela), EGP8 (espessura de gordura subcutânea na garupa) e GI (% de gordura intramuscular). Entre a 12ª e a 13ª costelas porque é o local onde existe maior correlação com outros músculos, pelo ímpeto de desenvolvimento e crescimento alométrico.

Segundo Marcos Yokoo, ainda existe muito espaço para crescer na avaliação de carcaça

Um problema atual é a falta de padronização nas avaliações de carcaças geradas em diferentes programas ou regiões do Brasil. Avaliar a carcaça de um animal custa cerca de R$ 35 reais, dependendo da distância entre o criador e o técnico. Vale lembrar que esse tipo de seleção agrega valor aos reprodutores e retorna o investimento. “Apenas um touro com DEP boa para carcaça já paga o custo de avaliação da safra toda”, conclui Yokoo.