Funcionalidade

 

Seleção funcional

Aspectos a serem melhorados em gado de corte

Marcelo Marcos Montagner*

Há várias fases do melhoramento animal. A primeira e a mais importante são as perguntas que um melhorista precisa responder. Qual o tipo de animal buscado? Como produzir? Em que sistema de produção? Qual o produto? O que querem a indústria e o consumidor? É fundamental responder essas perguntas para se definir os objetivos do programa de melhoramento. Em um segundo momento, os animais superiores são selecionados. Para isso, faz-se o controle zootécnico e de genealogia, acasalamentos e medições. A partir desse ponto, deve-se lançar mão das avaliações de morfologia e os resultados dos dados oriundos das avaliações genéticas dos programas de melhoramento envolvidos para se fazer seleção dos melhores animais.

Cada vez mais serão utilizadas ferramentas diretas de seleção, por marcadores moleculares, assim se sabe qual animal possui ou não o gene (homozigoto ou heterozigoto) ou genes que controlem determinada característica de interesse. Por último, deve ocorrer a disseminação de material genético através de biotécnicas de reprodução. Finalmente, acompanharemos a transgenia como ferramenta para produzir exemplares geneticamente modificados, melhorados, para suprir necessidades específicas. Portanto, são várias etapas para se fazer melhoramento genético em bovinos, mas, reafirmando, tudo isso perde o caminho se não soubermos para onde ir, e seguir o caminho errado pode ter efeito catastrófico. Dessa forma, a avaliação de exterior tem função? Existe correlação entre a avaliação visual e a produção dos animais? A avaliação morfológica do exterior dos animais é ferramenta importante para o dia a dia de quem trabalha com gado de corte e o ideal para se fazer seleção animal é conciliar os dados oriundos de avaliação genética e fenotípica.

Cinco pontos da morfologia

A imagem de um animal ideal, de um touro (Figura 1) ou uma vaca (Figura 2), é fundamental para qualquer pessoa que queira enxergar os melhores animais em relação à morfologia. A partir disso, o selecionador tem um ponto de referência, ou seja, sabe o que está faltando no animal avaliado, ou quais são os seus pontos fortes e fracos. Para isso, produzimos a figura de um touro ideal, inclusive com as dimensões mais adequadas para a moderna pecuária de corte (Figura 3).

São cinco os pontos chaves da avaliação morfológica: aprumos, aparelho reprodutivo, carcaça, cabeça e garupa. Como prioridade, devem ser observados os sistemas locomotor e reprodutivo.

A constituição dos aprumos e o seu funcionamento são essenciais para o desempenho produtivo dos bovinos. Na monta natural, ele é fundamental para um touro no momento da cópula, pois ele desloca grande parte do peso no trem posterior, bem como percorre boas distâncias diárias pastoreando e buscando fêmeas para copular. Se pensarmos na alimentação dos animais, tanto em sistema de confinamento como em pastoreio, os animais com aprumos melhores irão fornecer os bons resultados.

Um bom sistema locomotor começa com cascos fortes, base larga, unhas não muito afastadas uma das outras, talões (parte de trás dos cascos) altos, sendo que as três falanges que formam o dedo do animal devem estar dispostas em uma angulação de 45º em relação à linha vertical dos membros e esses, vistos por trás e pela frente, devem ser retos como pilares. O animal não pode ser cambota (jarretes fechados) e nem cambaio (jarretes abertos). Tudo isso permite um desgaste homogêneo da base do casco. Com isso, o animal pode ficar anos sem ser casqueado.

É importante salientar que a qualidade dos aprumos depende também da qualidade e da força dos ligamentos, dos músculos, tendões, articulações, vasos sanguíneos e dos ossos envolvidos. Com relação aos ossos, um erro de conceito comumente observado quando interagimos com técnicos e fazendeiros é a crença de que o animal com melhores aprumos é o de ossatura grossa. Isso não é verdade. A ossatura de gado de corte, quando observada nos ossos longos, costela, metacarpo e metatarso (osso da canela), tem de ter aspecto circular ao corte transversal; a canela precisa ser arredondada. Isso é típico de animal com aptidão para produção de carne. O animal ideal é o que apresenta uma ossatura delicada, sem ser débil (excessivamente fina, fraca). A ossatura muito pesada, grossa, não é interessante para a indústria frigorífica, pois o que ela quer comprar é carne e não osso. Outro fator é que animais com ossatura mais grossa são bezerros com maior tendência a causarem partos distócicos. Ou seja, a espessura ideal é a apresentada na Figura 1. Concluindo, o animal com bons aprumos vai ter mais longevidade, buscar alimento com mais facilidade e executar funções reprodutivas com mais eficiência, bem como evitar custos de manejo como casqueamento frequente e tratamentos para problemas de casco.

Figura 1 – Modelo ideal de touro adulto para bovinos de corte

Aparelho reprodutivo Está bem estabelecido que a performance reprodutiva é o fator econômico mais importante em um rebanho de gado de corte. O sistema reprodutivo é fundamental na seleção de touros, pois a função primeira de um touro é conseguir, em uma estação de monta, emprenhar o máximo de fêmeas possíveis. Não cabe discutir aqui os fatores da eficiência reprodutiva de um touro, mas ele deve, ao final de uma estação de monta de 60 a 120 dias, deixar no mínimo de 20 a 40 descendentes. Para isso, ele tem que ter um aparelho reprodutivo eficiente. Pois de nada adianta ter uma carcaça maravilhosa e não ser capaz de montar. Portanto, as funções principais de um touro são caminhar com desenvoltura e ser capaz de realizar a cópula e fecundar as fêmeas. Para isso, a sua eficiência começa na conformação do prepúcio (letra B1 da Figura 3). A bainha prepucial deve estar bem aderida ao ventre do animal, sendo que a abertura (óstio prepucial) deve estar no máximo a dez centímetros de distância do ventre. A distância ideal seria de dois a quatro centímetros. Qual a importância prática disso? Animais com o prepúcio penduloso ficam com a bainha mais próxima do solo, com isso, existe pré-disposição a lesões, principalmente em pastagens mais altas, grosseiras ou com plantas invasoras. Problemas no prepúcio são causas importantes nas falhas reprodutivas de touros. Eles evitam a cópula, há gasto com medicamentos e necessidade de manejo para cura.

Outro ponto fundamental da avaliação é a bolsa escrotal e os testículos (Letra B2, Figura 3). Ela precisa conter os dois testículos de forma vertical em relação ao solo, um paralelo ao outro de forma simétrica, sendo que a sua base não deve passar da linha do jarrete. Esse posicionamento da bolsa escrotal é importante, pois o mesmo raciocínio de lesões de prepúcio serve aqui, ou seja, touros com bolsa escrotal mais elevada estão menos propensos a lesões da pele do escroto. Outro fator é a termorregulação: animais com a bolsa escrotal muito baixa, pendulosa, perdem capacidade de executar termorregulação e, assim, a espermatogênese fica prejudicada.

A – Aprumos; B1 – Prepúcio; B2 – Bolsa escrotal e testículos; C1 – Comprimento corporal; C2 – Altura do corpo; D – Cabeça e E – Garupa

Outro fator importantíssimo é a circunferência escrotal (CE), touros adultos com 600 kg, aos três anos de idade, devem ter de 38 a 44 cm de CE. Sendo que é aceitável um limite de 36 a 48 cm. O porquê disso? A CE tem alta correlação com a capacidade de produção de espermatozóides, logo um touro com CE alta pode fecundar um número alto de fêmeas em uma estação de monta. Outra correlação importante é que filhas de touros com alta CE são mais precoces sexualmente. Finalmente, esses touros apresentam maior precocidade sexual, portanto maior precocidade de acabamento de carcaça. Touros com CE baixa devem ser eliminados. Quanto aos testículos muito grandes, na monta natural a campo, os animais locomovem-se muito e testículos enormes são mais predispostos à degeneração testicular devido ao impacto constante com os jarretes durante as caminhadas. Com isso, a vida útil dos touros diminui bastante.

Figura 2 – Modelo de vaca adulta ideal para bovinos de corte

Para que uma fêmea seja considerada fértil, ela precisa ovular, manifestar cio, ser copulada, fecundada, gestar, parir e desmamar um bezerro saudável. Sobre o sistema reprodutivo das fêmeas, começando pela vulva, a vaca deve tê-la com posicionamento vertical e de bom tamanho, adequada a receber cópula, bem como se abrir de forma suficiente para a saída do bezerro no momento do parto. Outro elemento fundamental na fertilidade das vacas é o tamanho do úbere (produção de leite) e do teto. Uma vaca de corte deve ter uma produção de leite suficiente para desmamar bezerros pesados e saudáveis. Úberes como os mostrados na vaca ideal (Figura 2) permitem isso. Uma vaca de corte não deve ter uma produção muito alta de leite, pois nos sistemas alimentares que temos, ela teria dificuldade para manter escore corporal. Como consequência, dificilmente entraria em cio durante a estação de cobertura. Dessa forma, vacas com alta produção de leite desmamam bezerros mais pesados, no entanto, existe um limite. A produção de leite pode prejudicar as taxas de natalidade do rebanho. Vacas com tamanho moderado e boa produção de leite fornecem os melhores resultados econômicos quando pensamos em quilogramas de bezerros desmamados por hectare/ano. Prefira fêmeas que pesem entre 400 e 550 kg a campo e que desmamem bezerros aos 205 dias com no mínimo 50% do seu peso vivo. O teto ideal é como um polegar de um homem adulto, ao redor de 6 cm de altura por 2 cm de diâmetro. Para o bezerro, a primeira mamada, ingestão do colostro, é fundamental. Se a vaca tem o teto muito grosso essa tarefa é dificultada ou não realizada. Muitas vezes há necessidade de se conter a vaca para que o teto seja esgotado ou para que o bezerro consiga mamar. Portanto, ficam claros os prejuízos que um teto inadequado pode causar, indo desde a perda de bezerros, mastites, secagem prematura de quartos mamários, até o tempo gasto com manejo. O teto não pode ser muito pequeno, pois a saída do leite fica mais difícil.

Carcaça – os produtores precisam produzir animais jovens com carcaças de bom peso, isso para ter giro e renda adequada na venda de bezerros ou na engorda de novilhos. Os frigoríficos querem carcaças pesadas e as churrascarias querem peças de tamanho satisfatório. A carcaça deve ser rica em carnes nobres e, para tanto, o animal deve ter uma região dorso lombar bem longa e larga, uma garupa bem comprida e larga, e a musculatura da região posterior bem desenvolvida (Figura 3). Para fazermos avaliação do corpo de um animal para julgarmos se ele é um bom produtor de carne precisamos enxergar o seu corpo como um cilindro. Observando o animal ideal (Figura 1), pode-se notar que a linha do peito segue uniforme até a região da virilha. Precisamos evitar os animais com frente carregada, pois as carnes de dianteiro não são muito valorizadas, bem como animais com abertura excessiva de peito ou de escápula, pois podem gerar filhos que têm mais problemas no parto. A caixa torácica é importante, busca-se peito profundo e amplo, sem exageros, sem acúmulo de gordura na ponta do peito. Essa região é base para os sistemas respiratório e circulatório. Sabedores da importância desses sistemas para o bom funcionamento do organismo, fica evidente a busca por animais que tenham costelas bem arqueadas e profundas. O contrário de um animal leonino seria o animal acoletado, ou seja, que tenha peito estreito e raso, com certeza um animal com esse perfil tem um desempenho produtivo inferior.

O tamanho de um animal adulto depende muito da criação, por isso, faremos a discussão de um animal que tenha recebido manejo para expressar todo o seu potencial genético. Desta forma, o touro adulto ideal (Figura 1) deve ter a seguintes dimensões (Figura 3):

• Comprimento corporal: 2 metros, medidos da ponta do úmero à tuberosidade isquiática (letra C1, Figura 3);

• Altura: 1,5 metro, medido da garupa ao solo (Letra C2, Figura 3);

• Profundidade: a distância do dorso ao ventre deve corresponder a 60% da altura do animal e do ventre ao solo, 40%;

• Garupa: 60 cm de comprimento, da tuberosidade coxal ou ilíaca (osso ílio) à tuberosidade isquiática; 60 cm de largura, distância entre a ponta dos ílios.

O touro adulto com essas dimensões deve pesar entre 1.050 a 1.200 kg. Esse tipo de genética vai gerar touros – quando o manejo for menos intensivo – com pesos adultos entre 650 e 750 kg. Touros desse tamanho são ideais para a monta natural a campo. Os bezerros desses nascerão com peso entre 30 e 38 kg, terão bom peso à desmana e possuirão boa capacidade de ganho de peso em qualquer sistema de produção, gerando novilhos pesados e precoces para o abate.

O animal tem de ter profundidade, pois o sistema de produção de bovinos no Brasil baseia-se no consumo de forragens. Dessa forma, um bovino de corte precisa ter a capacidade de ingerir grande quantidade de matéria seca e um corpo largo, comprido e musculoso para converter-se em carcaça. No entanto, não podemos buscar um animal tão profundo, porque não seria interessante para a indústria, que estaria comprando animais com menor rendimento. Para um bovino ser precoce, ele deve ter canelas curtas; não ser pernalta. Quanto mais alto, há tendência de ele ser menos precoce!

Não seria interessante, então, buscarmos touros com 1,20 ou 1,30 m de altura? Não! Esses animais de porte menor tem a vantagem de nascer bem menores (menos problemas de parto), as fêmeas possuírem menor necessidade de energia de mantença, mas também tem menor potencial de ganho de peso, menor conversão alimentar em regimes mais intensivos e fornecem carcaças que atingem o acabamento em um peso mais leve do que o mercado está buscando.

A musculatura das fêmeas é mais delicada e não tão exuberante como nos machos. Os diâmetros das fêmeas são menores. Uma vaca adulta deve medir entre 1,30 e 1,40 m de altura e ter 1,70 a 1,80 m de comprimento. Essa genética em manejo que permita toda a expressão deverá produzir fêmeas adultas entre 650 e 800 kg quando adulta. Porém, em regimes menos intensivos, essa genética formará vacas adultas com 400 a 550 kg.

Cabeça – o semblante mostra muito do temperamento e precisamos buscar animais dóceis. Da mesma forma, tem de ter vivacidade e nobreza, e isso é visualizado pela posição austera da cabeça, mais elevada, orelhas atentas, em posicionamento reto. Os olhos precisam ser abertos e atentos. Um touro deve ter uma fronte mais larga e mais curta do que a fêmea. Isso demonstra masculinidade. O sistema respiratório de alta capacidade começa com narinas largas e fossas nasais abertas e o chanfro largo, mas não longo. No sistema digestório, a sua potência começa em uma boca larga, forte, que forneça ao animal grande volume do bocado durante o pastejo.

Outra característica que demonstra raça do animal é a pele pregueada na região das órbitas e da bochecha. Com relação ao rendimento de carcaça, óbvio que não é interessante cabeça muito grande e pesada. Pode gerar mais problemas de parto.

A cabeça da fêmea é mais comprida e estreita do que no macho. Dá um aspecto de feminilidade. Um marcador fenotípico importante para a fertilidade é a cabeça não muito carregada, ou seja, fêmeas com a cabeça mais enxuta geralmente são mais férteis e com melhor habilidade materna. Figura 3 – Dimensões de um touro adulto ideal para pecuária de corte, com descrição das regiões do corpo e posicionamento dos principais cortes de carnes nobres.

Figura 3 – Dimensões de um touro adulto ideal para pecuária de corte, com descrição das regiões do corpo e posicionamento dos principais cortes de carnes nobres

Garupa – a conformação é muito importante. O posicionamento dos ossos tem alta herdabilidade. Uma garupa ideal deve ser larga e comprida (60 x 60 cm), com uma leve inclinação no sentido crânio-caudal, para que ocorra equilíbrio entre facilidade de parto e produção de carnes nobres. A saída da cauda deve ser fina, delicada e quanto mais no final da garupa melhor. Isso tudo permite maior amplitude de músculos importantes, que vão formar a alcatra e a picanha, bem como os ossos da bacia são ponto de inserção de importantes músculos da coxa. Costumamos dizer que nunca teremos um animal com bastante músculo na coxa se a garupa for estreita e curta.

Com essas considerações, concluímos os comentários sobre os cinco pontos fundamentais da avaliação fenotípica em gado de corte. Avaliamos e já observamos animais de diversas raças com excelente perfil fenotípico. Existem animais excepcionais e ruins em todas as raças. Por esse motivo, é importante que o técnico e os criadores, quando forem fazer escolha de machos e fêmeas para reposição de plantel, busquem genética em plantéis que tenham animais superiores dentro da raça escolhida.

Outros aspectos

Além dos cinco pontos da avaliação fenotípica, cabe ressaltar alguns pontos que direcionem a seleção de gado de corte no Brasil, para definitivamente colocar o País na vanguarda dessa cultura.

A base da produção pecuária é a eficiência das matrizes. O rebanho precisa produzir grande quantidade de quilos de bezerros por hectare/ano. Para isso, é necessário colocar uma carga alta de fêmeas por área explorada; as fêmeas mais eficientes no sistema de produção a pasto brasileiro são as que pesam entre 400 e 550 kg, em escore corporal 3,5, e produzem ao redor de sete litros de leite/dia. Com certeza a questão nutricional das matrizes é fundamental para se manter altas taxas de desmama, acima de 90% seria o ideal. Outro fator fundamental para a eficiência reprodutiva em bovinos é a adaptação aos ambientes tropical e subtropical.

Quem trabalha com gado de corte sabe da importância do temperamento dócil na lida diária com o gado. Precisamos evitar os animais indolentes, e os extremos sanguíneo e nervoso devem ser descartados, pois os animais nervosos levam perigo, já que podem agredir as pessoas durante o manejo. Já o temperamento sanguíneo levará à produção de novilhos mais estressados e sabemos que esses têm carne mais dura e necessitam de um manejo pré-abate bastante delicado.

Pecuária de corte necessita de animais que tenham bom desempenho, sejam precoces, produtivos e férteis

Também existe um mercado nacional crescente na busca por uma carne bovina mais macia, saborosa e suculenta. Também há um grande mercado internacional, que exige qualidade, no qual podemos competir. Para que a carne bovina brasileira comece a suprir esses mercados adequadamente, carecemos ampliar o volume de novilhos precoces.

Caráter mocho

A característica mocha é determinada por um gene dominante em bovinos. Os animais mochos são mais mansos e facilitam o manejo principalmente em ambiente de confinamento. Portanto, a introdução do gene e seleção dos animais com essa característica nas fazendas deve ter prioridade

Adaptação ao clima

O Brasil é um País continental. Em pecuária, muitas vezes, as pessoas não visualizam essa questão e generalizam informações e tecnologias. Fazendas próximas podem ter realidades ambientais diferentes. As características da criação variam muito dependendo da latitude, da altitude, das características de relevo, solo e vegetação, precipitação pluviométrica, etc. O entendimento das características do local em que está a fazenda e as características adaptativas dos animais envolvidos são essenciais para o sucesso de um programa de criação.

Resistência a parasitas

É importante aprofundar os estudos sobre as parasitoses em gado de corte no Brasil. Temos enraizados conceitos que não são verdadeiros para nossa realidade ou que não podem ser generalizados, pois fatores como raças envolvidas, região e manejo diferenciado da fazenda podem alterar o perfil do parasitismo em gado de corte. Precisamos caminhar para a seleção e criação de animais mais resistentes ou tolerantes às parasitoses. Isso pode ser feito nos programas de melhoramento genético. A descoberta de genes determinantes dessas características pode contribuir e por que não criar animais transgênicos resistentes em um futuro próximo?

Eficiência alimentar

Esse é um desafio para os melhoristas e nutricionistas da zootecnia moderna. Não podemos mais analisar os novilhos apenas pelo que ele ganha de peso ou uma vaca ser avaliada apenas pelo peso dos bezerros que ela desmama. Como, por exemplo, um novilho precisa ganhar peso, porém, precisa ser um grande conversor de matéria seca em carne! A eficiência alimentar dos animais nos diferentes sistemas de produção e a seleção dos animais superiores devem ter papel importante nas pesquisas em nutrição e melhoramento bovino nos próximos anos.

*Montagner é prof. Dr da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curso de Zootecnia – [email protected]