Sala de Ordenha

Queda no preço em plena entressafra

Os s preços do leite ao produtor caíram no pagamento de maio (produção de abril), interrompendo o movimento de alta que perdurava desde o pagamento de março (produção de fevereiro).

Considerando a média nacional ponderada em dezoito Estados pesquisados pela Scot Consultoria, a queda foi de 0,9% em relação ao pagamento anterior.

O preço médio ficou em R$ 0,974 por litro de leite. Veja a figura 1.

Figura 1 - Preço do leite ao produtor (média nacional ponderada) - em R$/litro Fonte: Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

A queda para o produtor em plena entressafra é reflexo da demanda fraca por lácteos na ponta final.

Os laticínios estão estocados e, apesar da queda da captação de dezembro de 2013 a abril deste ano, o volume de leite adquirido em 2014 é maior em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo o Índice Scot Consultoria para a Captação de Leite, o volume captado caiu 0,9% em abril/14, na comparação com março/14 (média nacional).

Para maio e junho, os dados parciais apontam para aumento da produção na região Sul do país, devido às pastagens de inverno e suplementação do rebanho.

Esse aumento pesará na média nacional, cuja expectativa é de aumento de 1,7% em maio, em relação a abril deste ano.

A produção está em alta também na região Nordeste, com as chuvas e a melhoria das pastagens.

Ainda com relação à média nacional, o volume de leite captado em maio de 2014 (parcial) é 13,1% maior, frente ao mesmo período do ano passado.

A demanda por leite e derivados não acompanhou esse crescimento na mesma proporção.

Fatores como as quedas de preço do leite no mercado spot (leite comercializado entre as indústrias), as cotações dos lácteos patinando no mercado atacadista e as quedas dos lácteos no mercado internacional corroboram com esse cenário.

O incremento da produção no Sul do País a partir de maio também colabora com a pressão baixista, devido à grande participação da região no volume nacional e também na comercialização com Estados de outras regiões.

outras regiões. A pressão de baixa é maior nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Para o pagamento a ser realizado em julho (produção de junho), boa parte dos laticínios acredita em manutenção do preço ao produtor, após a correção das fortes altas verificadas no começo do ano, mas alguns laticínios falam em queda.

No mercado spot, os preços caíram na segunda quinzena de maio e ficaram praticamente estáveis em junho. Com estoques elevados, muitos laticínios aumentaram as vendas para outras empresas. A maior oferta pressiona as cotações nesse mercado.

As recentes quedas do leite spot permitiram àqueles laticínios com maior participação do volume captado advindo de terceiros manterem as cotações aos produtores, ganhando assim competitividade em relação aos laticínios cuja captação proveniente de produtores é mais representativa.

Queda no custo

O custo de produção da pecuária leiteira caiu em maio. Foi a primeira queda do ano, na comparação mensal.

Apesar disso, o Índice Scot de Custo de Produção da Pecuária Leiteira aponta uma alta nos custo de 10,5% no acumulado dos últimos doze meses.

A maior queda dos insumos que compõem o Índice veio dos concentrados energéticos, cuja queda foi de 4,5%, seguido dos alimentos concentrados proteicos (1,6%) e fertilizantes (0,5%).

Entre os alimentos concentrados energéticos, o destaque é dado para a queda do preço do milho.

Para os alimentos concentrados proteicos, as quedas foram puxadas pelo farelo de soja e pelo caroço de algodão, que caíram 5,5% e 5,4%, respectivamente, na comparação com abril.

Contrapondo as quedas, os suplementos minerais subiram 4,8% no mesmo período.

Ficaram estáveis o grupo de combustíveis e lubrificantes, sanidade, defensivos agrícolas e colaboradores.

Maiores laticínios

No início de junho, a Associação Leite Brasil divulgou a classificação dos maiores laticínios do Brasil em volume de leite captado (2013).

A DPA Manufacturing Brasil ou Nestlé está em primeiro lugar, com captação de 2,03 bilhões de litros em 2013, alta de 3,6% em relação a 2012, quando a captação foi de 1,96 bilhão de litros.

A BRF captou 1,38 bilhão de litros em 2013, queda de 10,4% frente a 2012 (1,54 bilhão de litros). Vale lembrar que até 2012 a BRF não participava desse levantamento.

A Confepar apresentou o melhor desempenho, com um aumento de captação de 54,1%. Em 2012, o laticínio captou 270 milhões de litros e, em 2013, o volume aumentou para 410 milhões de litros. A participação dos cinco maiores laticínios brasileiros corresponde a 70,3% do volume total captado.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista Scot Consultoria