Leite

 

MEDIDA CERTA

Adubação de pastagem é aliada no aumento da produção leiteira

Antônio Augusto Coutinho* e Marcus Marsango** Adubação de pastagem é aliada no aumento da produção

Busca pelo aumento da produtividade. Essa é uma preocupação constante de quem ganha a vida com o trabalho no campo. Tanto na agricultura como na pecuária, o preparo, o investimento, as perdas e os ganhos fazem parte da rotina do agricultor e do pecuarista. Pequenos, médios ou grandes produtores buscam excelência nos resultados, o que inclui oferecer matéria-prima de qualidade para a indústria; além de almejar retorno financeiro suficiente para manter a estrutura que faz parte do sistema de produção. Além disso, temos que considerar a vocação natural do Brasil para o agronegócio devido às suas características e diversidades, principalmente encontradas no clima favorável, no solo, na água, no relevo e na luminosidade. Com uma área aproximada de 8,5 milhões de quilômetros, o país é o mais extenso da América do Sul.

Essa fartura de terras que compõe o nosso país permite que muitas atividades agropecuárias possam ser desenvolvidas. Uma delas é a produção leiteira através da criação de bovinos de leite. Entre os sistemas de produção, destacam-se os que são baseados em pastagens, que são aqueles em que as vacas obtêm parte dos nutrientes para a produção de leite em pastejo. No entanto, deve ser incluído no planejamento forrageiro de vacas em lactação forragem conservada de boa qualidade (silagem e feno de gramíneas), além de grãos e minerais através de rações balanceadas para atender à demanda de vacas com alto potencial de produção. São inúmeros os fatores que determinam o sucesso na implantação de forrageiras, desde a escolha da área, das espécies forrageiras e dos seus cultivares, da amostragem de solo, da correção de acidez e fertilidade, do controle de plantas daninhas, doenças, insetos, pragas e de um bom manejo para poder transformar a forragem produzida em leite e/ou carne.

É importante ponderar que o produtor deve escolher as espécies forrageiras adaptadas às condições de solo e clima do local. No quesito correção de acidez e fertilidade, percebe-se que o uso correto e adequado de fertilizantes pode interferir definitivamente no aumento da produção de leite. Isso acontece porque o pasto formado é superior a outro gerado em uma área onde não houve tratamento e acompanhamento profissional. As características da área de pastagem proveniente de um solo que recebe maior atenção e uso de fertilizantes de forma adequada ao tipo de necessidade promovem um melhor alimento ao gado, tendo como resultado o aumento da quantidade e da qualidade do leite.

Leite a pasto

A relação custo/benefício entre o preço do leite e da alimentação dos animais tem sido fator determinante do tipo de sistema de produção adotado. Sistemas de produção baseados em pastagens podem ser executados com poucos gastos e oferecem a possibilidade de bons resultados por unidade de área, o melhor para regiões subtropicais e tropicais. Adaptando as soluções tecnológicas ideais e compatíveis com o sistema empregado na pastagem, é possível atingir metas acima do esperado.

Em geral, de forma objetiva, a forma mais econômica de produção de leite é aquela que potencializa ao máximo o componente forrageiro de pastagens bem manejadas, independentemente da qualidade genética da vaca leiteira.

Hoje o leite é uma commodity como a soja, o açúcar, o café, o algodão e os principais cereais. Portanto, o desenvolvimento de sistemas forrageiros para o ano todo, embasados em pastagens com bom valor nutritivo, visa produzir leite com baixo custo e competitivo internacionalmente.

Uma das alternativas para produção e manejo de pastagens para bovinos leiteiros é o planejamento forrageiro para o ano todo (mas o período pode ser inferior a 12 meses). Para se chegar à obtenção de boas pastagens, é necessária uma série de procedimentos agronômicos, que inclui desde a escolha da área e das espécies até o controle de plantas daninhas, doenças e de insetos e pragas. A realização detalhada de todas essas etapas garante um manejo adequado para transformar a forragem produzida em produto animal comercializável.

Mais Pasto, Mais Leite

O Programa Mais Pasto, Mais Leite, realizado em Santa Catarina, reúne desde 2009 profissionais do setor leiteiro como cooperativas, laticínios, empresas de insumos e revendas do Estado para discutir os principais problemas do setor e juntos construir um programa com foco no aumento de lucratividade da atividade leiteira e, consequentemente, no aumento de produção e da qualidade do leite, de forma equilibrada.

O principal objetivo do programa é aumentar a produtividade leiteira na propriedade com responsabilidade por meio de planejamento e execução de adubações das pastagens com correto manejo. Além de fertilizantes, os produtores contam com assistência técnica especializada, responsável por todo o planejamento forrageiro, de modo que não haja falta de pastagens durante todo o ano.

Através do Programa Mais Pasto, Mais Leite, o produtor catarinense conseguiu aumentar a taxa de lotação por área, chegando a resultados de 8 a 10 vacas/ ha e 25.000 a 28.000 litros leite/ha/ano. Esses resultados proporcionaram melhor aproveitamento da propriedade, aumento de produtividade por vaca/ano, melhor qualidade nutricional da forragem e aumento de receita, tornando a relação custo/benefício do investimento em adubação de pastagem viável e interessante.


Principais benefícios para o produtor do Programa Mais Pasto, Mais Leite:

• aumentar a captação de leite;
• melhorar a qualidade;
• aumentar a renda gerando lucratividade;
• assistência técnica especializada;
• produtos de alta tecnologia com resultados comprovados.


Alguns resultados do Programa Mais Pasto, Mais Leite

Dois produtores catarinenses comemoraram os resultados após usar fertilizante de alta tecnologia nas áreas de pastagem, conseguindo aumentar a produtividade, intensificar o aproveitamento da área e melhorar a condição do leite em virtude da melhor qualidade da pastagem.

“Passamos dos 5.000 litros/mês para mais de 18.000 litros/mês de leite. Claro que não foi só isso, pois mudamos toda a maneira de pensar sobre uso e manejo de pastagem. Ninguém acredita que em apenas 7 ha de lavoura nós conseguimos produzir mais de 18.000 litros de leite. No verão, temos apenas 1,3 ha de tifton e 1,4 ha de pioneiro, suficiente para nossas 36 vacas em lactação. De uma média de 12 a 13 litros vaca/dia passamos para mais de 24 litros vaca/dia. A qualidade da pastagem mudou 100%.”, atesta Jucenir R. Vignatti, criador na região Oeste de Santa Catarina.

“Mudou a realidade da minha propriedade, que saiu de uma média de 3.500 litros/mês para mais de 25.000 litros/mês, aumentando consideravelmente a minha receita. A produtividade do meu rebanho passou de 7 litros/vaca/dia para 18 litros/vaca/dia devido à qualidade da alimentação gerada pelo tratamento da forragem”, diz Paulo Bremm, também da região Oeste de Santa Catarina.

O ponto de maior benefício do projeto é o serviço e a assistência técnica oferecidos no planejamento forrageiro idealizado para aquelas propriedades, baseados em estudo criterioso das condições de cada fazenda. Após essa pesquisa, a área passa a ser assistida com recomendações técnicas viáveis para fazer melhor uso, escolher a espécie de capim adequada, selecionar o produto, tanto na base da formação dessa pastagem até a melhor opção de cobertura para ser feita.

Todos esses fatores reunidos mudaram o cenário da região Oeste de Santa Catarina e viabilizaram produtos de qualidade ao rebanho leiteiro. A assistência técnica constante é um diferencial para que o produtor trabalhe na propriedade de forma racional, aumentando a taxa de lotação por área e, consequentemente, os lucros da produção. Essa é uma forma de oferecer uma gestão profissional e lucrativa da atividade aos criadores de gado de leite, além de oferecer um produto com a mais alta qualidade, alimento que se torna cada vez mais importante na mesa do brasileiro.


Dez dicas para aumentar a produção leiteira do rebanho

Produtores aumentam produtividade investindo no pasto

1 - Facilitar o acesso e o manejo das pastagens, já que as vacas precisam de muito tempo durante o dia para comer, ruminar, descansar, proteger-se do calor, etc.

2 - Fornecer a cada animal uma alimentação adequada, através de uma dieta balanceada, para ter o rendimento desejado.

3 - Fornecer um concentrado específico para cada categoria animal, como vacas em lactação, novilhas e vacas secas, ajuda o desempenho do animal.

4 - Disponibilizar sempre água limpa e de qualidade à vontade para os animais, tanto na pastagem quanto na sala de ordenha e de alimentação.

5 - Proporcionar ao animal um mínimo de conforto, como sombreamento, facilitar a locomoção e ter espaço de cocho e água à disposição aumentam a produção de leite.

6 - Complementar a necessidade de ingestão de fibra diária com forragem conservada, como silagem

7 - Oferecer mineralização com produto de alta qualidade ajuda os animais a maximizar o potencial, pois os minerais interligam as reações da digestão na transformação do alimento em leite.

8 - Cuidar da sanidade é fundamental para obter êxito na atividade. Vacinações e vermifugações periódicas e qualidade e limpeza no manejo de ordenha são essenciais.

9 - Atentar para o período pré-parto garante boas condições físicas e de saúde, que associadas à alimentação correta, atingem o pico de produção por mais tempo na lactação.

10 - Calcular, anotar e comparar quanto do investimento está sendo revertido em leite é o ponto chave para saber se o animal está dando retorno, para ajustar e melhorar a receita da propriedade.

*Antônio Augusto é gerente de produção animal da Timac Agro **Marcus Marsango é supervisor de marketing de Santa Catarina da Timac Agro