Sobrevoando

 

Uruguai

Toninho Carancho
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Viajei para o Uruguai duas vezes há pouco tempo atrás. País de gente simpática, simples e afável. País pequeno, deve se igualar ao tamanho do Rio Grande do Sul ou do Paraná, porém, com muito menos gente. Pouco mais de três milhões de pessoas. É praticamente um deserto verde, com mais ovelhas e gado do que pessoas. Ou seja, excelente lugar!

Na primeira dessas duas viagens, entrei ao país por Bella Unión, que faz divisa com Barra do Quaraí, próximo a Uruguaiana, e fui descendo em direção ao sul, costeando o Rio Uruguai. Zona de produção de cana- -de-açúcar e gado, aliás, como muitos sabem, animais excelentes. Hereford, Angus e agora também Braford e um pouco de Brangus. Passei por Salto, Paysandu, Mercedes, Carmelo e pousei em Colonia del Sacramento. Colonia é um local incrível, recomendo a todos darem uma passada por lá. Já tinha estado em outras duas oportunidades, mas a cidade sempre me surpreende. Local histórico, de grandes batalhas e conquistas, tanto de portugueses quanto de espanhóis. De lá, segui para Montevidéu, capital federal, outra cidade que também merece ser visitada. Fiz um tour rápido e revi alguns dos pontos mais turísticos, Mercado del Puerto, Mausoléu do General Artigas etc. Na sequência, passei por Punta del Este, que também recomendo a todos no verão. E de lá rumei em direção ao Chuí e ao Brasil. Foi uma viagem rápida e muito proveitosa. Muitas regiões agrícolas, muito mecanizadas, com máquinas agrícolas trafegando nas rodovias (sem placas), mas com carros escoltando e fazendo a sinalização. Gado bom em todo o percurso. Foi uma viagem turística, mas sempre de olho nas coisas do campo.

Na segunda viagem, fui a Artigas acompanhar um dia de campo do Braford. Artigas faz divisa com a cidade brasileira de Quaraí e a fazenda que visitei fica a 120 km Uruguai a dentro. Essa região é realmente diferenciada, campos muito grandes, estâncias de 10.000 hectares para mais. Campos duros, solos rasos, com pedras muitas vezes aparentes, ótimos para criação de ovelhas, todavia péssimos para fazer lavouras ou mesmo pastagens. Todo o campo é nativo, de boa qualidade. Lotações entre 0,5 e 0,75 cabeça por hectare. No caso da fazenda que visitei, tem mais de 20.000 hectares, 12.000 cabeças de gado e mais de 30.000 ovelhas. O gado Braford que nos foi apresentado no dia de campo era simplesmente sensacional. Pesado, ossudo, carnudo, com muita raça. Vimos algumas centenas de cabeças, bezerros, novilhas, vacas de todas as idades, touros prontos e jovens. Fiquei realmente impressionado com o Braford deles, com grande influência argentina e, por sua vez, influência do Brahman, diferente de nosso Braford brasileiro, que tem maior influência do Nelore. Ficou muito perceptível a diferença dessas duas vertentes: sangue Brahman – mais carcaça, mais estrutura, mais carne, mais baixo, também mais umbigo (ruim) e mais chifre (também ninguém gosta disso); sangue Nelore – menos carcaça, menos estrutura, menos carne, mais alto, melhores umbigos, menos chifres, talvez uma melhor fertilidade e melhores aprumos.

Na minha opinião, os criadores brasileiros devem procurar uma mescla dessas duas linhagens, aliando as vantagens e fugindo dos defeitos. Acredito que muitos já estão fazendo isso e com certeza terão bons resultados.

No mais, recomendo a todos que visitem o Uruguai, lugar de gente simpática e amistosa, estradas boas ou razoáveis, nenhum tráfego e a excelente carne em qualquer lugar ou horário. É o paraíso dos carnívoros!