Entrevista do Mês

 

O império Castrolanda

Com um faturamento de R$ 1,7 bilhão em 2013, crescimento de 11% em relação ao ano anterior, a Castrolanda Cooperativa Agroindustrial é um exemplo de cooperativismo para todo o País e por que não dizer para o mundo. Dezessete toneladas de grãos, 500 toneladas de sementes, 38 toneladas de equivalente-carcaça de suínos, 240 toneladas de ração e 650 mil litros de leite processados por dia são apenas alguns dos fartos números desse vasto império. De origem holandesa e fundada em 1951, ela possui unidades próprias de produção e ainda industrializa leite, batata, carnes, rações e sementes. Quem termina de contar essa história é Frans Borg, diretor-presidente da Castrolanda.

Adilson Rodrigues
[email protected]

Revista AG - Quantas unidades a Castrolanda possui e quanto faturou em 2013? Repetiu a marca média dos últimos anos?

Frans Borg - A cooperativa tem na sua gestão as atividades divididas por unidades de negócio, além do Corporativo. Possuímos unidades de negócios de produção para grãos, batata, leite, carnes e feijão. As unidades de negócios industriais são leite, carnes, batata, feijão e trigo. O interessante é que cada unidade de negócio tem sua própria gestão e a somatória disso forma a cooperativa, que alcançou um faturamento de R$ 1,71 bilhão em 2013.

Revista AG - Hoje, a Castrolanda é um exemplo de cooperativismo no País. Quais os principais fatores que a elevaram a esse patamar?

Frans Borg - Acredito que Com um faturamento de R$ 1,7 bilhão em 2013, crescimento de 11% em relação ao ano anterior, a Castrolanda Cooperativa Agroindustrial é um exemplo de cooperativismo para todo o País e por que não dizer para o mundo. Dezessete toneladas de grãos, 500 toneladas de sementes, 38 toneladas de equivalente-carcaça de suínos, 240 toneladas de ração e 650 mil litros de leite processados por dia são apenas alguns dos fartos números desse vasto império. De origem holandesa e fundada em 1951, ela possui unidades próprias de produção e ainda industrializa leite, batata, carnes, rações e sementes. Quem termina de contar essa história é Frans Borg, diretor-presidente da Castrolanda. Adilson Rodrigues [email protected] O império Castrolanda Divulgação Pesquisa, desenvolvimento e uma assessoria técnica são de uma importância fundamental para o produtor e à cooperativa, pois esse elo da cadeia define a viabilidade e a competitividade do negócio. seja a sua estrutura organizacional bem definida, com uma gestão profissionalizada e transparente para o seu quadro social, transmitindo grande credibilidade aos seus associados.

Revista AG - Talvez a diversificação de segmentos?

Frans Borg - Desde o início da sua fundação, os associados buscaram essa diversificação de segmentos. Como a cooperativa está para atender as necessidades dos mesmos, ela é diversificada e isto, com certeza, é um diferencial. Seria como ter várias cooperativas focadas em segmentos que formassem uma central.

Revista AG - Em relação às carnes, por que decidiu investir apenas nos cortes de cordeiro em detrimento dos de bovino?

Frans Borg - Por uma questão da necessidade dos associados dispostos a investir em carne de cordeiro e não em bovinos. Essa atividade não é própria para a nossa região.

Revista AG - O que a empresa faz para contornar os problemas de qualidade do cordeiro e da escala de produção, os principais gargalos desse setor?

Frans Borg - Buscar tecnologias diferenciadas na produção do cordeiro, definir um produto para o mercado, ir atrás desse mercado diferenciado, crescer conforme a demanda e pensar a médio/longo prazo, não esperando um retorno fabuloso no curto prazo.

Revista AG - A fábrica de rações foi uma alternativa pensada para diminuir o custo de produção ou foi uma forma de apoiar os cooperados?

Frans Borg – A produção de rações não é um negócio, é uma necessidade dentro de qualquer cadeia de produção pecuária.

Revista AG - A assessoria técnica leva que serviços ao produtor de leite e carne? Também seria uma forma de garantir a qualidade do produto?

Frans Borg - Certamente Leite é uma ferramenta que administra toda a captação de leite dos associados das diversas cooperativas da região, as quais participam na intercooperação da industrialização do leite. Desde a logística, transporte, padrões de qualidade e controle à assessoria na qualidade dos produtores e definição de um método de precificação do leite proporcional a sua qualidade, valorizando e estimulando, assim, o produtor a buscar o resultado da qualidade. O que é importante é que a regra seja igual para todos.

Revista AG - O leite da cooperativa vai para laticínios de todo o Brasil, além do Paraná? Essa matéria-prima é direcionada apenas para produtos de alto valor agregado?

Frans Borg - Através de incentivos na busca da qualidade do leite, se consegue um produto final com valor agregado. Já existe um mercado diferenciado para este tipo de produto, infelizmente existe uma cultura estabelecida do consumidor do leite longa vida, que compra pelo preço e não pela qualidade.

Revista AG - Por que o Brasil ainda é importador de leite e derivados? O problema estaria na demanda crescente ou faltam incentivos do próprio Governo?

Frans Borg - Na nossa opinião, o principal fator é a falta de profissionalização do produtor e da própria cadeia do leite para suprir a demanda.

Revista AG - Ainda existe algo que possa ser feito para conter a invasão do leite argentino?

Frans Borg - Trabalharmos o custo na cadeia, principalmente o “Custo Brasil”.

Revista AG - Qual sua opinião sobre as fraudes do leite descobertas no Rio Grande do Sul?

Frans Borg - Enquanto o brasileiro comprar leite e derivados pelo preço e não pela qualidade, existirá oportunidade de atravessadores ganharem fraudando o produto na cadeia de produção.

Revista AG - Na verdade, trata-se de uma situação que qualquer Estado ou organização está sujeita. Quais os protocolos da Castrolanda para coibir tais delitos?

Frans Borg - Remunerar a matéria-prima por qualidade e punir os mal intencionados. Nosso objetivo é não dar espaço para atitudes de má-fé, como essas.

Revista AG - Qual a importância da nova fábrica de beneficiamento de leite construída em Itapetininga/SP para os negócios da Castrolanda?

Frans Borg - O Estado de São Paulo é o maior consumidor no País. Porém, importa a maioria do leite de outros Estados. Como está dentro das estratégias da cooperativa a prestação de serviços e industrialização para fornecimento de matéria-prima, não seria nada mais estratégico, então, estar mais perto do consumidor com parte das nossas operações.

Revista AG - Como você avalia a situação atual do cooperativismo no Brasil? “Falta” o cooperativismo?

Frans Borg - O que falta é a visão do ganha/ganha a médio/ longo prazo. Se podemos somar ou cooperar, ambos ganham, por que não? Ainda existe uma sociedade formada por pessoas que pensam somente no curto prazo. E como se pode ganhar às custas dos outros, com individualismo e uma visão de ganho/perda? Isso não é cooperar. Falta um entendimento mais claro do cooperativismo.