Mercado

Mercado promissor e em expansão

A carne bovina iniciou o ano de forma otimista e promissora, com grandes expectativas de aberturas de novos mercados, recorde histórico nas exportações e potencialização de crescimento. Ao que tudo indica, o mercado se recupera da crise e caminha para um futuro próspero. O Brasil é hoje o maior exportador mundial de carne bovina, sendo que 20% de toda a produção brasileira são destinados ao mercado externo.

Apesar de ocupar um posto privilegiado no mercado mundial, a pecuária nacional vem enfrentando muitos desafios, tanto no âmbito econômico quanto ambiental e comercial, principalmente com barreiras sanitárias e tarifárias. Mas nos últimos anos o País vem avançando e superando esses desafios, tanto que está aumentando a eficiência produtiva, inserindo novas alternativas de manejo, introduzindo novas tecnologias para produção sustentável, tudo em prol de uma melhor estruturação da cadeia produtiva.

E por falar em barreiras sanitárias, após o impacto inicial negativo sofrido pela descoberta do caso de BSE (encefalopatia espongiforme bovina ou mal da vaca louca – EEB na sigla em português) no Mato Grosso, o mercado segue tranquilo com relação ao acontecido. Lembrando que em 2010 também tivemos um caso de BSE confirmado no estado do Paraná, mas tanto naquele como neste caso o animal atingido pela doença não entrou na cadeia alimentar humana ou animal.

Apesar desse acontecimento indesejável, vale salientar que foram adotadas todas as medidas e providências previstas nos protocolos nacionais e internacionais. As investigações foram rápidas, transmitindo confiança e transparência. Foram 11 propriedades inspecionadas nas proximidades de onde ocorreu o caso de BSE e mais de 4.000 animais avaliados. Foram abatidos preventivemente quarenta e nove animais que conviveram com o animal diagnosticado com sintomas do mal da “vaca louca”, sendo que esses mesmos animais tiveram material coletado e, após análise das amostras, todos os resultados foram negativos para a doença.

Embora esse caso seja um registro de doença atípica, o Brasil começou a sofrer embargos por parte de alguns países. Peru, Egito e Irã suspenderam a compra da carne brasileira. No caso do Peru, a suspensão foi por 190 dias, abrangendo todo o Brasil; já o Egito e o Irã embargaram apenas a carne oriunda do Mato Grosso.

O que foi concluído é que ambos os casos (do Paraná e do Mato Grosso) foram atípicos e não há hipótese de um surto de “vaca louca” no País, sendo que o Brasil permanece com status de risco “insignificante”, conferido pela OIE (Organização Mundial da Saúde Animal). O Brasil foi rápido em identificar o problema desta vez, diferente do caso ocorrido em 2010, que só veio à tona em 2012. A OIE deu o caso como encerrado e recomenda a não imposição dos embargos.

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), uma missão formada por técnicos visitará Peru, Irã e Egito, países que impuseram embargo às compras da carne brasileira. A comitiva tem como objetivo prestar esclarecimentos sobre a qualidade da produção da carne brasileira e assim tentar reverter o embargo das importações.

No entanto, esses casos deixam um alerta quanto aos cuidados e à importância dos manejos sanitários envolvendo toda cadeia produtiva da carne bovina. À medida que o Brasil se fortalece como fornecedor mundial, há uma maior exigência, e crescente, com relação à qualidade da carne produzida.

É importante salientar que o País vem garantindo a qualidade da carne e vem trabalhando na evolução das questões sanitárias. Ações como o controle e a erradicação da febre aftosa, proibição do uso de proteína animal na alimentação de bovinos, implantação do SISBOV, sistema de rastreabilidade que permite o registro e a identificação do rebanho bovino e bubalino, são medidas que o Brasil adota para firmar o comprometimento com a qualidade do produto.

Com relação ao mercado interno, na primeira quinzena do mês de maio, tivemos uma oferta melhor de animais para abate; mas, assim que começou a pressão baixista, as ofertas ficaram mais restritas, estabilizando o preço da arroba nas principais praças produtoras, sendo que a referência para São Paulo foi de R$ 122,50 (à vista).

Com a entrada do inverno e a consequente queda da temperatura, as pastagens deverão ficar comprometidas. Assim, o produtor não terá muitas escolhas e deverá entregar a boiada gorda, o que deve resultar numa leve melhora na oferta, contribuindo para pressão baixista.

Observando o quadro “Boi Gordo no Mundo”, no período analisado entre 17/04 e 16/05/2014, houve desvalorização da arroba em quase todos os países pesquisados, exceto no Brasil, cuja valorização foi de 0,43% em relação ao período analisado na edição anterior.

As exportações brasileiras continuam avançando. Os embarques de carne bovina para o exterior somaram 504 mil toneladas no primeiro quadrimestre do ano, alta de 13,6% na comparação com 444 mil toneladas do mesmo período de 2013, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC).

O setor também permanece bastante otimista quanto à abertura de novos mercados, tanto que as negociações permanecem em andamento com a Arábia Saudita e com os Estados Unidos. O Brasil também aguarda uma comitiva da China, que desde 2012 suspendeu as compras de carne bovina devido à confirmação do caso isolado de BSE ocorrido no Paraná em 2010. As expectativas são as melhores, já que a comitiva virá ao País conhecer o sistema brasileiro de produção. Esta visita da comitiva chinesa poderá resultar na liberação das exportações de carne bovina àquele país.

Representantes da autoridade sanitária de Cuba também estiveram no Brasil, onde visitaram 36 estabelecimentos processadores de carne bovina. De acordo com o MAPA, será emitido um relatório no prazo de 30 dias, com as principais observações durante a missão e a decisão quanto às habilitações dos estabelecimentos visitados.

Como pode ser observado no gráfico “Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF”, para o período analisado, compreendido entre os dias 17/04 e 16/05/2014, houve variação no preço da arroba em quase todas as praças pesquisadas. O ritmo das negociações seguiu lento em algumas regiões e o preço da arroba foi puxado para baixo. Neste período é comum haver queda no consumo. Já no início do mês de maio a arroba ganhou um pouco de força e até agora vem se sustentando.

Analisando o deságio do preço do boi gordo por estado, no período de 17/04 a 16/05/2014, a média paga aos pecuaristas entre o preço pago à vista e o preço a prazo (30 dias) foi de 1,47%.

O preço médio do bezerro foi de R$ 843,09/cab para o período de 17/04 a 16/05/2014. Houve valorização em todas as praças pesquisadas. Em SP, o bezerro foi cotado a R$ 933,16/cab; em MG, a R$ 764,21/cab; em GO, a R$ 893,68/cab; no MS, a R$ 910,53/ cab; no MT, a R$ 808,42/cab; no PA, a R$ 696,32/cab; no PR R$ 900,00/cb e, no RS, avançou para R$ 838,42/cab.

O boi magro também registrou aumento em todas as oito praças pesquisadas. Em SP, passou a valer R$ 1.485,26 /cab; em MG e no PA, R$ 1.238,95/cab; em GO e MS, R$ 1.432,11/cab; no MT subiu para R$ 1.307,37/cab; no PR e RS, passou a valer R$ 1.410,00/cab.

Os índices médios de relação de troca entre as categorias de reposição e boi gordo (gráfico) ficaram em 2,24 para desmama/ boi gordo. Para boi magro/boi gordo ficou em 1,37, não sofrendo alterações significativas. Enfim, o cenário da pecuária começou a melhorar, superando dificuldades e gerando maior lucratividade. O crescimento populacional e o aumento da renda dos brasileiros Antony Sewell e Rita Marquete Boviplan Consultoria têm possibilitado o maior consumo de carne bovina. Também é notável o crescimento externo do consumo da proteína vermelha, como o gigantesco mercado da China, por exemplo, mercado promissor que o Brasil esperar conquistar.

O País destaca-se como grande produtor de carne bovina e vem conquistando espaço tanto no mercado interno quanto no mercado internacional, comercializando um produto de qualidade e atendendo os protocolos sanitários e exigências de todos os países importadores.

Portanto, o importante é não perder o foco, continuar trabalhando com seriedade, comprometimento e explorando todas as oportunidades e possibilidades, investindo em tecnologia, ferramentas de gestão e apoio técnico, que são um conjunto de ações que agregam valores à pecuária brasileira, transformando-a em uma pecuária moderna e tornando-a mais rentável e atrativa.

Antony Sewell e Rita Marquete Boviplan Consultoria