Caprinovinocultura

  Untitled Document

Cuidados com o inverno

Tempo frio e úmido em alguns estados e falta de chuva em outras regiões exigem atenção especial por parte do criador

Denise Saueressig
[email protected]

A chegada do inverno pode representar uma época crítica para o criador de ovinos, mas, se alguns cuidados forem tomados, os problemas podem ser evitados ou minimizados.

Caracterizada pelas baixas temperaturas e pelas chuvas, especialmente nos estados do Sul, a estação que inicia este mês requer atenção especial dos produtores que têm rebanho nessa região do País. O veterinário José Carlos Ferrugem Moraes, pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, alerta que no final do outono, com o aumento relativo do volume de chuvas, pode haver maior ocorrência de doenças nos cascos dos animais. “Esse problema pode ser evitado com pedilúvios profiláticos, com uma solução de formol a 5% e, em casos mais graves, com o uso de vacinas específicas”, recomenda.

O planejamento alimentar deve ser mais rigoroso nessa época do ano para garantir que o plantel tenha oferta suficiente de pastagens no período e para que seja identificada a necessidade de suplementação ou não.

O zootecnista Mauro Sartori Bueno, pesquisador do Instituto de Zootecnia (IZ) da Secretaria de Agricultura de São Paulo, lembra que, ao contrário do que ocorre na Região Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste costumam ter predomínio de seca nesse período do ano. “Por isso, é importante considerar a suplementação com alimentos de maior valor energético e proteico, como cana-de-açúcar e ureia, silagem de milho ou um concentrado à base de milho”, enumera.

Um cuidado ainda maior deve ser tomado com as ovelhas prenhes, já que, à medida que a gestação avança, cresce a demanda por alimento. De um modo geral, segundo o veterinário da Embrapa, as fêmeas podem ser mantidas em campos naturais. No entanto, é fundamental que seu escore de condição corporal não seja inferior a 3, considerando uma escala de 1 a 5. “No caso de suplementação estratégica pré-parto, ela deve iniciar duas semanas antes da data prevista para o parto, sendo uma semana de adaptação e outra de suplementação. As ovelhas podem receber o equivalente a até 1,5% do seu peso vivo em suplementação energética, que deve ser dividida em duas ofertas, pela manhã e pela tarde, quando o volume total diário oferecido exceder a 400 gramas”, explica.

O pesquisador do IZ destaca que a exigência nutricional da ovelha continua aumentando na lactação, principalmente entre aquelas que têm parto múltiplo. “A ingestão de matéria seca pode ser entre 3,5% e 4% do peso corporal para fêmeas que estão amamentando”, cita.

Fêmeas prenhes muito magras têm risco de desenvolver a toxemia da gestação, doença que pode causar a morte da mãe e do cordeiro. Mauro Bueno também lembra que no período final da gestação cresce a susceptibilidade à verminose, o que torna ainda mais importante manter os animais bem nutridos e com a imunidade reforçada.

SAÚDE DAS MÃES = SAÚDE DOS CORDEIROS

No Rio Grande do Sul, onde as ovelhas têm ciclo reprodutivo estacional, a atenção com os cordeiros recém-nascidos deve sempre considerar os desafios impostos pelo clima. O veterinário José Carlos Moraes observa que, no estado, a mortalidade de cordeiros é o principal gargalo dos sistemas de produção ovina, determinando perdas médias de 25% pela morte de cordeiros logo após o nascimento. “A principal causa dessa mortalidade é o complexo inanição/ exposição, ou seja, fome e frio, que é responsável por 40% a 78% dos óbitos que ocorrem anualmente, refletindo a deficiente nutrição da ovelha gestante e do feto, nessas condições ambientais”, detalha.

O pesquisador da Embrapa salienta que o fornecimento de volume adequado de colostro nas primeiras horas de vida é essencial para a sobrevivência do cordeiro, já que é a principal fonte de energia e a única fonte de hidratação e de imunoglobulinas que são responsáveis pela imunidade do recém-nascido.

Pesquisador José Carlos Ferrugem Moraes: “O escore de condição corporal das fêmeas gestantes não deve ser inferior a 3”

Os cordeiros que nascem no inverno frio e chuvoso do Sul precisam de boas reservas energéticas para conseguir manter a temperatura corporal, levantar e mamar. “Depois que mamam, ingerem energia para manter a temperatura corporal. Ovelhas que parem com boa condição corporal produzem cordeiros mais vigorosos, além de apresentarem maior habilidade materna e maior produção de colostro”, complementa o zootecnista Mauro Bueno.

Fornecimento de volume adequado de colostro nas primeiras horas de vida é essencial para a sobrevivência dos cordeiros

Um mês antes da parição, como recomendação adicional, o pesquisador José Carlos Moraes aconselha que o rebanho seja vacinado contra clostridioses. “Nesse momento, o manejo pode ser aproveitado para revisão dos cascos e tosquia da área ao redor do úbere e da vulva das ovelhas, quando necessário”, afirma.

Já o controle da parição deve incluir revisão no rebanho pelo menos duas vezes por dia (manhã e tarde) observando se alguma ovelha está caída ou precisando de auxílio. Para esse manejo, é indicado que os animais estejam num local abrigado e próximo à casa do produtor ou dos trabalhadores da propriedade. Também é interessante concentrar as fêmeas nesse local aos poucos, de acordo com a data prevista para os partos.