Mercado

Fase favorável

A pecuária de corte brasileira deu um salto nos últimos anos. Ações como melhoramento genético, sanidade dos rebanhos e investimento em tecnologia contribuíram para o crescimento e fortalecimento da atividade. A pecuária representa 30,25% do PIB do agronegócio brasileiro (CEPEA, 2013) e vem se firmando como uma atividade lucrativa e rentável, gerando renda e empregos.

O rebanho brasileiro está em plena evolução e conta com mais de 209 milhões de cabeças, segundo o IBGE, o que representa duas vezes o tamanho do rebanho dos Estados Unidos. Atualmente, a pecuária brasileira vem se tornando cada vez mais sustentável e eficiente, servindo de referência no mundo. Com uso de tecnologias necessárias e manejo adequado, a pecuária ganha mais espaço de maneira sustentável, cumprindo os pré-requisitos necessários para atender ao mercado externo e oferecendo um produto de qualidade e confiabilidade.

Apesar de gargalos e dificuldades, o potencial da carne brasileira é muito grande e certamente novas conquistas e novos avanços serão alcançados. Os investimentos em genética e tecnologias são fundamentais para obter bons resultados. Ações simples e de eficiência, como sal mineral mais apropriado, manejo adequado, capim mais adaptado ao meio ambiente, entre outras, simplificam o processo de produção, agregando valor à carne produzida.

O mercado interno está bastante movimentado. Mesmo com o preço mais “salgado” da carne, o brasileiro está consumindo mais, devido ao aumento da renda.

Com relação ao valor da arroba, que vinha de altos picos de preços no primeiro trimestre, impulsionado pela demanda e baixa oferta de animais, nas últimas semanas, apresentou um recuo nas cotações em algumas regiões, devido a uma melhora na oferta de animais. Apesar da pressão de baixa, devido ao ligeiro aumento na oferta de animais para abate, ainda podemos dizer que o produtor tem motivos para comemorar, pois a arroba tem sido negociada a R$ 124,00 (08/04) à vista, referência para o Estado de São Paulo, sendo que no mesmo período do ano passado o valor pago pela arroba era de R$ 99,00 para as mesmas regiões.

Essa moderada oferta de animais para abate é resultado da melhora das pastagens propiciada pela chegada das chuvas em algumas regiões. Outro fator é que alguns produtores planejaram e iniciaram o confinamento mais cedo. Mas, apesar dessas ações, ainda não podemos dizer que há oferta abundante de gado para abate. As escalas dos frigoríficos são, em média, de quatro dias úteis. Entre maio e junho haverá uma oferta maior de animais, oriundos principalmente do cocho.

No geral, a expectativa é que o mercado da carne bovina se mantenha equilibrado, com a oferta respondendo à demanda. O evento Copa do Mundo vai fomentar o consumo de carne brasileira, estimulado pelo espírito de comemorações e festividades.

Observando o gráfico “Boi Gordo no Mundo”, no período analisado entre 19/03 e 16/04/2014, houve valorização da arroba em quase todos os países pesquisados, sendo que no Brasil a valorização foi de 6,52% em relação ao período analisado na edição anterior.

A Austrália está impedida de exportar carne para a Rússia, devido à presença de vestígios de trembolona encontrado na carne bovina australiana. O trembolona é um esteróide usado para aumentar a massa muscular e o apetite dos animais, mas o uso é proibido pela Rússia, cuja exigência é carne livre desse tipo de substância. Vale lembrar que a exportação da carne bovina dos Estados Unidos para Rússia também está suspensa, devido a preocupações com o uso do aditivo alimentar ractopamina.

As sanções sofridas por esses países pode favorecer o mercado brasileiro, fazendo com que a Rússia importe mais carne do Brasil. A Rússia é um dos principais destinos da carne brasileira, cuja quantidade importada no primeiro trimestre do ano foi de 67.636,72 t. Já Hong Kong permanece como primeiro colocado com 92.772,58 t e a Venezuela em terceiro, com 34.777,86 t, de acordo com dados computados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

Quanto à abertura do mercado norte-americano para a carne bovina in natura, o Brasil ainda segue negociando com os Estados Unidos. De acordo com a ABIEC, espera-se que tal liberação se dê ainda neste semestre, visto que o prazo da consulta pública vence em 22 de abril.

O Brasil está empenhado em promover a carne brasileira e, para tanto, uma comitiva da ABIEC visitou, em abril, a Espanha e participou da feira Expoalimentaria que aconteceu no dia 13 de abril. A delegação passou também por Singapura, onde participou do FHA – Food & Hotel Asia, exposição de hotelaria e alimentação que abrange seis continentes especializados dentro da área de alimento, bebida e hotelaria. Ainda para este ano, outro destino da delegação será o continente europeu, cuja viagem acontecerá em outubro para promover a carne brasileira na SIAL Paris, que é uma das principais feiras do setor de alimentos e bebidas do mundo, com foco em inovação e tendências.

Ainda de acordo com a ABIEC, a viagem internacional abrangeu dois mercados importantes para a carne brasileira, a Europa e a Ásia. Com estas ações espera-se recuperar fatias do mercado europeu, que foi um dos grandes importadores da carne brasileira, e investir no gigantesco mercado asiático.

Como pode ser observado no gráfico “Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF”, para o período analisado, compreendido entre os dias 19/03 e 16/04/2014, houve pouca variação no preço da arroba em quase todas as praças. Por enquanto, os preços ainda são sustentados pela oferta restrita de animais para abate.

Analisando o deságio do preço do boi gordo por estado, no período de 19/03 a 16/04/2014, a média paga aos pecuaristas entre o preço à vista e a prazo (30 dias) foi de 1,33%.

O preço médio do bezerro foi de R$ 804,88/cab para o período de 19/03 a 16/04/2014. Houve valorização em Antony Sewell e Rita Marquete Boviplan Consultoria todas as praças pesquisadas. Em SP, o bezerro foi cotado a R$ 894,29/cab; em MG, a R$ 708,57/cab; em GO, a R$ 845,24/cab; no MS, a R$ 874,29/ cab; no MT, a R$ 788,57/cab; no PA, a R$ 666,19/cab; no PR a R$ 877,14/ cab e, no RS, o preço do bezerro avançou para R$ 784,76/cab. O boi magro reagiu e registrou aumento em todas as oito praças pesquisadas. No Estado de SP, o boi magro passou a valer R$ 1.445,24/cab; em MG, R$ 1.224,29/cab; em GO, R$ 1.380,00/cab; no MS o boi magro subiu para R$ 1.390,00/cab; no MT, R$ 1.288,10/cab; no PA, R$ 1.199,05/ cab; no PR, R$ 1.393,33; e no Estado do RS passou a valer R$ 1.361,90/ cab.

Os índices médios apontados no gráfico de “Relação de Troca Média” entre as categorias de reposição e boi gordo ficaram em 2,36 para desmama/ boi gordo. Para boi magro/boi gordo ficou em 1,41, não sofrendo alterações significativas.

A pecuária de corte vive bons momentos e o produtor brasileiro está mais otimista com a atividade diante de várias possibilidades de crescimento do setor. A abertura do mercado americano para carne in natura brasileira será muito importante para o Brasil, pois, além de movimentar o setor agrícola brasileiro, facilitará as negociações com outros países, além de fortalecer as relações comerciais entre Brasil e EUA.

Antony Sewell e Rita Marquete
Boviplan Consultoria