O Confinador

Opções rentáveis ao confinador

Modelos de parcerias para confinamento abrem um leque de oportunidades econômicas para o pecuarista

Gustavo Freitas*

O confinamento de gado de corte tornou- se expressivo a partir de 1980, com o fornecimento de alimentação, água e suplementos aos animais nos meses de inverno em função da estacionalidade de produção de forragem. Esse sistema de produção intensiva de bovinos tem sido crescente nos últimos anos e apresenta maior densidade na região Centro-Oeste devido à logística de produção de alimentos, menor custo da terra e oferta de mão de obra mais acessível.

Entre as vantagens, destacam-se alívio da pressão de pastejo, abates programados, liberação de áreas de pastagens para utilização do plantio de outras culturas, redução na idade de abate, maior qualidade de carne, melhor acabamento de carcaça e abate precoce.

O confinamento, quando executado com planejamento e estratégia é um excelente negócio, mas, para isso, a terminação nesse modelo depende do tripé: animais para engorda, alimentos e preços.

Mas para obter bons resultados é necessário investir em instalações próprias e fazer as devidas adaptações, que muitas vezes têm custo elevado. Justamente para esses pecuaristas que preferem poupar os esforços e investimentos necessários, há uma série de opções de confinamento que favorecem parcerias com pecuaristas e demais instituições privadas.

Fazenda São Francisco

Um dos projetos que oferece parceria no confinamento é a Fazenda São Francisco, localizada em Goiatuba/GO. A propriedade dispõe de três opções de parceria.

A primeira é o Boitel, na qual o cliente contrata o confinamento e paga um valor por animal/dia referente à alimentação. Na chegada dos animais nesse modelo de confinamento, é feita a pesagem individual no brete de contenção, juntamente com a rastreabilidade, vermifugação e vacinas contra clostridioses.

Estas despesas de entrada são de responsabilidade do confinamento, que ainda disponibiliza ajuda com frete dos animais, numa distância máxima de 150 km. Após esta operação de entrada, são lançados no sistema gerencial do confinamento, o qual permite um acompanhamento detalhado pelo proprietário dos animais. Nessa opção, o cliente fica responsável pela negociação com o frigorífico.

Na segunda parceria oferecida pela propriedade, o cliente cede os animais para o confinamento, sendo estes pesados na entrada e o cliente não tem despesas com a alimentação.

Após o abate, o contratante recebe pelos bois magros o valor em arrobas de boi gordo negociado com o frigorífico. Neste modelo, os animais são e devem ser pesados individualmente no brete de contenção. São rastreados, o protocolo sanitário é efetivado e a modalidade do boitel oficializada.

O rendimento calculado é de 50%. O proprietário, além de receber o valor em arrobas de boi gordo por esse peso na entrada, recebe a metade do bônus Europa de cada animal, que é dividido com o confinamento.

A terceira opção para os pecuaristas chama-se Contrato de Parceria Para Prestação de Serviço. Nesse modelo, o confinamento é “arrendado” para um pecuarista, que é responsável por confinar um número mínimo acordado de animais e fornecer toda a comida necessária para alimentação desses animais.

O cliente desfruta da infraestrutura adequada, do trabalho operacional e administrativo do confinamento, os quais são de responsabilidade do confinamento. Por esses serviços, o confinamento é remunerado, na maioria das vezes, por uma diária estipulada por animal. O valor varia entre R$ 0,75 e R$ 1,30 dependendo de questões contratuais e de cada negócio.

Segundo Osvaldo Neto, gerente geral do confinamento da Fazenda São Francisco, as vantagens para o pecuarista são a desocupação das áreas para agricultura, melhor aproveitamento dos animais, giro mais rápido, oportunidade de melhores preços nas vendas e economia na mão de obra.

Ele alerta ainda que o pecuarista tem de estar atento à parceria escolhida, pois fazer acordo com um estabelecimento que não cumpre com o que foi estabelecido em termos de dietas (níveis de proteínas e energia), operacional e administrativo, pode influenciar no desempenho dos animais e nos resultados financeiros.

JBS Confinamentos

A JBS Confinamentos, que atualmente conta com sete unidades em operação, sendo que seis delas estão habilitadas para a União Europeia, foca em oferecer modernas técnicas de comercialização aos interessados em aumentar produção.

A empresa trabalha atualmente com quatro modelos de parcerias: Parceria de Engorda, Diária a Preço Fixo, Ração/ Kg + Hospedagem e Arroba Produzida a Valor Fixo. A primeira opção (Parceria de Engorda) é calculada de acordo com o Peso do animal na entrada em @ x o preço-base da @ Cepea/Esalq/USP. Já na opção Diária a Preço Fixo é calculado o valor da diária a partir das características do gado, tais como: raça, peso, sexo e condição corporal.

No terceiro modelo oferecido pela empresa (Ração/Kg+Hospedagem), tanto o valor do quilo de ração e da hospedagem são estabelecidos no início do contrato, aferido diariamente por lote.

A quarta e última opção, denominada de Arroba Produzida a Valor Fixo, a diferença entre as arrobas na saída e na entrada são acertadas por um valor em reais pré-acordado. Para Fernando Saltão, da JBS Confinamentos, a principal vantagem para o pecuarista em adotar qualquer um dos modelos de parceria supracitados, é a de não necessitar imobilizar capital em insumos, bem como a questão de acesso à tecnologia em nutrição, manejo, maquinários para processamento, mistura e distribuição de rações entre outros.

Confinamento São Lucas

O Confinamento São Lucas está situado no município de Santa Helena de Goiás/GO, sendo dirigido pelos irmãos Alexandre e Gustavo Parise. Há oito anos no mercado, a propriedade trabalha com o objetivo de gerar maior lucratividade para o pecuarista.

A propriedade automatizou a gestão de trato, com a utilização dos sistemas Feedmanager e Feedtracer. Assim, para não dar mais do que o gado precisa ou não deixar faltar comida, a gestão começa com a leitura de cocho antes do primeiro trato, que inicia às 7 horas (no total são quatro tratos diários).

Muitos dos animais presentes no confinamento são resultados de parcerias bem sucedidas com os pecuaristas. Assim sendo, o confinamento trabalha com três modelos de parceria.

Na primeira, o Boitel, o pecuarista desembolsa um determinado valor de diária de acordo com o peso vivo de entrada do animal, bem como arca com os custos do protocolo sanitário, rastreabilidade e o frete. O valor do prêmio Europa fica integral ao pecuarista.

Já a 2ª Parceria – opção 1, o animal é recebido com 50% do peso vivo de entrada (geralmente é pesado na balança rodoviária existente no confinamento). O confinamento paga o protocolo sanitário, a rastreabilidade e o frete até uma distância de 200 quilômetros. O valor do prêmio Europa pertence ao pecuarista na totalidade das arrobas de entrada e o excedente é do confinamento.

A 3ª Parceria – opção 2, o animal é recebido com 50% do peso vivo (balança confinamento) e sai com o peso de carcaça morto (peso frigorífico). Sobre a diferença de peso apurada, o cliente paga o valor combinado por cada arroba produzida.

Por exemplo, o animal chega à balança do confinamento com 300 quilos e é recebido com 50%, ou seja, 150 quilos, ou 10 arrobas que é a carcaça de entrada. Após 95 dias ele é abatido no frigorífico, onde se apurou o peso de 244,08 quilos, ou seja, 16,27 arrobas. Esse animal ganhou no confinamento 6,27 arrobas. Então o cliente pagará o preço combinado sobre estas 6,27 arrobas.

Na visão de Alexandre Parise, a grande vantagem para o pecuarista com essa parceria é que o rebanho gira muito mais rápido, pois enquanto um animal a pasto levaria 3 ou 4 anos para ser abatido, em regime de confinamento ele é abatido com dois anos de idade, o que reflete diretamente a rentabilidade