Matéria de Capa - Especial Feno

 

FENO é prático e versátil

Bem planejado e conduzido é um bom negócio, seja para consumo na fazenda ou para venda

Luiz H. Pitombo

Dentre os processos de conservação de forragem nas fazendas, a fenação se destaca por preservar praticamente todas as boas qualidades nutritivas da planta que foi ceifada. Isto quando bem elaborada e seu produto final adequadamente conservado, pois afinal, dela somente se retira a água. Um bom feno tem cheiro agradável, maciez ao tato e coloração esverdeada.

A produção de feno pode ser realizada a partir das mais variadas espécies forrageiras e de possíveis sobras de pasto. Tem boa durabilidade e é relativamente fácil de ser armazenado, transportado e manuseado para seu fornecimento. Encaixa-se muito bem na dieta de diferentes categorias animais, da desmama até a terminação, e é de fundamental importância para a manutenção da saúde ruminal nas rações em que entram concentrados.

Na pecuária de corte tem um valor estratégico enorme, pois com ele se evita a perda de peso, permitindo manter a condição corporal dos animais durante períodos de escassez de forragem, o que melhora a capacidade de negociação quando há elevada oferta de animais no mercado.

Por outro lado, seu uso não requer períodos de adaptação e nem precisa ser continuado como no caso de um silo aberto, onde o produto deve ser retirado sob pena de perda de todo trabalho pelo apodrecimento do material ensilado. Assim, bem armazenado, pode ser fornecido unicamente em períodos de baixo crescimento do pasto, como nos veranicos, permitindo manter um nível adequado de desfolhamento da pastagem com aumento da vida útil.

É possível elaborá-lo tanto para uso próprio de maneira mais artesanal, em volumes menores, ou até em quantidades expressivas, de forma totalmente mecanizada para a comercialização. Este é o caso de uma propriedade mineira retratada ao final desta reportagem, que se especializou na atividade. Com apenas 16 funcionários a campo, produz 12 mil toneladas/ano de feno de tifton 85, além de mudas da gramínea, que abastecem diferentes propriedades Brasil afora. Mas, como admitem, é atividade de risco pela possibilidade da ocorrência de chuvas durante o processo, o que afeta a qualidade do produto em maior ou menor grau. Acompanhar as previsões do tempo é fundamental.

Naylor Perez sugere que todos os produtores adotem uma classificação A, B e C para os fenos

Apesar das possibilidades de produção e vantagens, a presença do feno ainda não evoluiu como seria desejável nas propriedades brasileiras, segundo o engenheiro agrônomo Naylor Bastiani Perez, pesquisador da área de plantas forrageiras da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé/RS. Ele próprio, por 15 anos, já foi produtor comercial de feno de coast cross 1, tifton 85, amendoim forrageiro e de campo nativo, no município gaúcho de Rio Pardo. “Bem planejado e conduzido é um bom negócio, quer para consumo na fazenda, como para a venda”, afirma. Ele indica que são necessários equipamentos específicos e que sua comercialização exige regularidade de produção e manutenção da qualidade de acordo com o mercado.

A utilização do produto ainda é restrita por fatores que o pesquisador de Bagé conhece muito bem. Ele diz que no geral os sistemas pecuários no País são de baixa intensificação e que é comum faltar comida para o gado, sem maiores cuidados para se evitar que isso aconteça. “O pecuarista, em geral, é conivente com a perda de peso dos animais”, lamenta. As pastagens necessitam ser mais bem manejadas em termos de adubação e manutenção, especialmente nos casos de campos reservados para a fenação, devido à grande extração de nutrientes pelos sucessivos cortes.

Também cita a questão do maquinário, indicando que no País não existe uma fabricação variada e mais sofisticada desses equipamentos, com os importados embutidos de maior tecnologia, mas que, no entanto, são de alto valor e possuem limitações na manutenção, por falta de mão de obra especializada e peças de reposição. Perez considera que se houvesse incentivos e mais pessoas produzindo feno esses gargalos poderiam ser superados.

Outros fatores que podem afetar sua expansão é o próprio desconhecimento do processo de produção por parte dos pecuaristas. Porém, várias das dificuldades podem ser superadas com o produtor se informando com técnicos e produtores que já operam neste segmento.

USOS E POSSIBILIDADES

Dentro da pecuária, Perez diz que são os produtores de leite os que mais se valem das técnicas de conservação de forragem, uma vez que os animais em lactação são bem sensíveis às oscilações na dieta. Mesmo assim, considera que o uso da fenação é pequeno quando comparado ao da ensilagem, existindo muito espaço para crescimento, bem como para o chamado pré-secado.

Além da importância estratégica do feno na pecuária de corte com uso nos períodos de escassez de forragem, Perez indica o fornecimento aos animais na fase da desmama também como muito vantajosa. Com a disponibilidade de feno de boa qualidade, explica que é possível antecipar o desmame com grande impacto na taxa de reconcepção das matrizes, bem como na facilidade de manejo dos animais durante toda a sua vida pelo aumento da docilidade. “O feno permite efetuar o desmame em curral, com baixo custo, e evitando o estresse das longas caminhadas”, diz.

Como as categorias animais possuem diferentes exigências nutricionais, recomenda que se considere o fato de que fenos de qualidades distintas podem ter usos mais adequados à sua própria característica. Desta forma, os de melhor qualidade podem ser destinados às categorias de maior requerimento, como a de animais em crescimento, enquanto que os de menor qualidade podem ser destinados a animais adultos, apenas para a manutenção de peso durante o período da estação seca. Os de pior qualidade, prejudicados durante confecção, podem servir simplesmente como cama de animais e há os direcionados e comercializados para outros fins, como acomodação de produtos agrícolas no transporte, como de melancias.

Não existe uma classificação oficial para os diferentes tipos de feno, entretanto, Perez diz que é recomendável ao produtor comercial estabelecê-las, por exemplo, por tipos A, B e C, garantindo que se equalizem as exigências do cliente com um pagamento de forma mais justa. Em geral, conta que a principal divisão que existe relaciona-se entre o feno obtido de gramíneas ou de leguminosas. Essas últimas podem apresentar uma qualidade mais elevada, com maiores teores de proteína e nutrientes. Mas alerta que esta qualidade pode ficar comprometida se algo afetar o processo de fenação, por exemplo, como atraso no período de corte, elevando a proporção de talos em relação a folhas, além da perda de folhas no solo.

Diego Pantoni diz que a inclusão do feno na dieta não requer adaptação e sua utilização é muito bem-vinda

A forma e o tamanho dos fardos de feno podem se adequar a diferentes tipos de usos. Normalmente os de formato cúbico, entre 10 e 12 quilos, possibilitam uma melhor manipulação e armazenamento, favorecendo a comercialização. Fenos maiores, em forma de rolos com pesos entre 300 e 500 kg, facilitam o armazenamento ao ar livre e o próprio uso dentro da propriedade. Entretanto, nessas circunstâncias, o pesquisador da Embrapa lembra que existe uma maior perda de qualidade ao longo do tempo.

De acordo com Breno Castro, a demanda cresce em todos os segmentos em função da facilidade de armazenamento e manuseio

Basicamente, cita dentre os equipamentos necessários para sua elaboração a segadora de barra ou discos, ancinho espalhador/enleirador e a enfardadora de cilindros ou de cubos. Deve-se, igualmente, prever equipamentos para o seu transporte como reboque, garfo hidráulico e empilhadora. Para o pequeno produtor, a aquisição do maquinário pode não compensar pelo menor tempo de uso e demora em amortizá-lo, indicando como alternativa a formação de grupos de produtores para a compra conjunta, solicitação de patrulhas da prefeitura local ou cooperativas.

A depender da região, diz que é possível encontrar outros produtores, como os de leite, que oferecem seus equipamentos, terceirizando o processo, o que pode ser vantajoso, especialmente quando ainda se é novato na atividade.

ESCOLHA DO QUE E COMO FAZER

A indicação de qual espécie forrageira utilizar para fenação irá depender, entre outros fatores, do objetivo do pecuarista, tipo e fertilidade do solo, clima da região e possibilidade de usar irrigação. De acordo com Perez, na maior parte do Brasil a produção do feno de gramíneas é a mais fácil. “Existem cultivares com talo fino e alta proporção de folhas em relação aos colmos, com grande adaptação a diferentes situações climáticas e tipos de solo, desde que mantidos em um nível de fertilidade adequada”, justifica.

Ele sugere que antes se consulte agrônomos, técnicos e produtores de feno da região, pois embora sejam conhecidas espécies consagradas para este fim, podem ocorrer particularidades de cultivo que somente alguém com experiência pode avaliar. Dentre as mais conhecidas elenca o tifton 85, coast cross 1 e as gramas bermudas (gênero Cynodon), em geral, além das gramíneas do gênero Paspalum, bem como as leguminosas alfafa, trevo e cornichão. Ele diz conhecer no estado do Rio Grande do Sul produtores de menor porte que se dedicam comercialmente à produção de feno de alfafa em áreas pequenas e de forma mais artesanal, que se viabilizam economicamente pelo alto valor que conseguem pelo produto de qualidade.

Como regra geral, indica que as gramíneas devem ser cortadas antes do florescimento e as leguminosas no início do florescimento (cerca de 10%), de forma a manter um equilíbrio entre a qualidade e volume de produção.O processo de secagem deve ser o mais rápido possível, atentando para as condições de clima e previsão do tempo de modo a assegurar a secagem antes da ocorrência de chuvas.

No caso de plantas com talos de difícil secagem, diz que muitas vezes é necessário o uso das chamadas acondicionadoras, que podem estar ou não conjugadas com a segadora. O equipamento irá ajudar a romper os tecidos do talo da planta, homogeneizando a secagem dessas hastes e folhas, melhorando o processo de desidratação.

Em situações de elevada intensidade de orvalho e de dias mais curtos, comuns em regiões com maior latitude, o uso de ancinho espalhador/ enleirador pode ser fundamental para acelerar o tempo de secagem e possibilitar o enfardamento o quanto antes. Como particularidade da região Sul, lembra justamente que no outono, com seus dias de menor período de insolação e temperatura mais baixas, a secagem costuma ser mais lenta. O orvalho matinal pode umedecer o material e, assim, sugere que este seja enleirado para que não receba muita umidade, passando a ser espalhado e revolvido novamente no dia seguinte. O processo todo pode demorar de três a quatro dias, ou menos em condições favoráveis.

Fábio Corrêa ficou um mês nos Estados Unidos estudando o processo de fenação

O ponto de fenação pode ser indicado através de equipamento eletrônico específico ou manualmente, de acordo com a experiência pessoal. Perez sugere que se verifique se não há umidade aparente no interior dos colmos, o que pode ser feito com as unhas, ou torcendo-se e dobrando- -se um feixe da massa seca com as mãos. “Se o feixe voltar à forma original, ainda há água em excesso”, explica.Quando a umidade fica abaixo de 18%, diz que se reduz a ocorrência de fungos e o ataque de micro-organismos, preservando o material fenado à semelhança do que ocorre com os grãos.

As condições ideais de armazenamento dos fardos são em ambiente ventilado, protegido da luz do sol, da umidade, livre de roedores e de outros animais de sangue quente. “Como se fosse guardar um remédio”, compara. Nos fardos maiores, na forma de rolos mantidos a campo, conta que existe uma maior perda ao longo do tempo, indicando que para preservar aqueles de melhor qualidade pode-se cobri-los com uma lona.

Um bom feno apresenta características como cheiro agradável, coloração esverdeada, maciez ao tato e ausência de fungos. “Estas são características sensoriais que indicam um feno de boa qualidade”, justifica o agrônomo. Dependendo do uso e nível de exigência, Perez sugere que se deva fazer uma análise bromatológica para identificar os nutrientes digestivos totais (NDT), proteína bruta (PB) e outras informações que permitam balancear uma dieta adequada com os demais componentes de acordo com o tipo de animal e a expectativa de produção. Embora o feno possa se conservar por vários anos em boas condições de armazenamento, lembra que é recomendável consumi-lo em até um ano.

QUALIDADE E FORNECIMENTO

O engenheiro agrônomo Fábio Corrêa, diretor da Rehagro, instituição particular de Minas Gerais que atua na área de treinamento e formação profissional, conta que realizou um teste com feno de tifton 85, conservando- o por três anos, quando o produto se manteve bom, só perdendo na aparência visual.

Um aspecto interessante que aponta para identificar o estado de conservação e qualidade do material é abrir o fardo para verificar se ele mostra uniformidade. O agrônomo acrescenta que se “sair um tipo de poeira é o fungo Aspergilus, que não é bom para o animal”. O que leva a esta situação é o enfardamento da forrageira com alguma parte úmida, trazendo consequências como fermentação, apodrecimento, aquecimento e até a combustão espontânea, podendo ocorrer grandes incêndios, alerta.

A secagem deve ser muito bem realizada, com o adequado revolvimento do material de forma que a desidratação da forrageira seja uniforme. Corrêa diz que a depender da temperatura, incidência ou não do sol e comprimento do dia, pode ser necessário revolver a massa de uma até cinco vezes ao dia. Todos os projetos de produção comercial, segundo informa, realizam a secagem a campo, enquanto que projetos pequenos, principalmente de produtores de feno de alfafa, podem recorrer à secagem artificial em galpões.

Corrêa defende, como acontece nos Estados Unidos, a existência de produtores especializados e focados na produção de feno, de maneira a ter maquinário de alta eficiência e produto de qualidade. Ele diz que o trabalho de fenação realizado com equipamentos manuais, por exemplo de revolvimento da massa, podem ser feitos, mas considera que ficam limitados à pequena quantidade e muitas vezes não têm agilidade para garantir um processo de qualidade visando a produção comercial.

Feno bom não pode ter a presença de terra, folhas ou tocos e deve ser apenas o capim enfardado. “Vejo muito por aí uma salada de frutas, com tifton misturado a braquiária, colonião e plantas in16 - MAIO 2014 Matéria de Capa - Especial Feno Mercado de fenação vai crescer muito nos próximos anos Divulgação vasoras”, aponta. Ele não vê necessidade do uso de aditivos e inoculantes para a fenação, incluindo produto que permite enfardamento com alta umidade, pois em sua avaliação ele afeta especialmente a palatabilidade.

O médico veterinário Diego Pantoni, especialista em nutrição que também atua na Rehagro, conta que a inclusão do feno na dieta não requer adaptação e sua utilização é muito bem-vinda por tornar a dieta mais segura. Em rações de alta desempenho é utilizado por volta de 5% da matéria seca (MS) e, em confinamento, onde o objetivo é somente fibra efetiva, pode-se trabalhar com cerca de 15%.

Mercado de fenação vai crescer muito nos próximos anos

O uso do feno como fonte de fibra longa, explica o veterinário, tem grandes vantagens para animais de alta exigência nutricional, aumentando o ganho de peso e evitando possíveis problemas de casco (laminites), pois com o aumento da mastigação e ruminação diz que se estabelece uma ótima saúde ruminal. Esta também contribui para a produção da proteína microbiana e de energia através dos ácidos graxos.

No caso de confinamentos, indica que o feno tem grande vantagem econômica sobre outros produtos, principalmente pelo ganho operacional. Como possuem em média aproximadamente 88% a 90% de MS, carrega-se menos água para os cochos com uma grande economia no maquinário.

No entanto, diz que quando se tem uma dieta onde o único volumoso é o feno, deve se ter uma atenção especial em seu fornecimento para não afetar a ingestão. Nessa situação, Pantoni adverte que será necessário umedecer a ração com o objetivo de torná-la mais palatável através da adição de água, deixando- a com 65% de MS. Por outro lado, quando o feno é utilizado como fonte de volumoso a pasto, normalmente o baixo teor de proteína (4% a 6 %) requer associação à suplementos proteínados a base de ureia e proteínas verdadeiras como o farelo de soja.

FENO COMO AGROINDÚSTRIA

A Fazenda Santa Helena, em Bom Despacho/MG, se especializou na produção de feno de tifton 85 há cerca de 17 anos, quando os primeiros 150 ha da gramínea foram instalados, contando, para isso, com a colaboração do agrônomo Fábio Corrêa. Este ficou, na ocasião, perto de um mês nos Estados Unidos conhecendo e pesquisando a atividade para auxiliar na implantação do projeto.

Atualmente, a propriedade se tornou uma das maiores produtoras de feno do País, com 650 ha reservados para produção, dos quais 300 ha são irrigados por sete pivôs de diferentes capacidades; 330 ha em área de sequeiro e 20 ha para a produção e comercialização de mudas.

Desde o princípio, a meta foi a de produzir para terceiros, abastecendo, hoje, propriedades de mais de 11 estados. Também comercializam para navios utilizados para exportar gado em pé através do Pará, e já remeteram algumas cargas para a Venezuela e Emirados Árabes. Por sua boa palatabilidade e aceitação por diferentes espécies animais, comercializam também para zoológicos.

Mas entre os principais clientes estão os criadores de cavalos, de bovinos de leite e de corte, este último particularmente para gado de elite, além de casas agropecuárias. Segundo o médico-veterinário Breno Castro, gerente comercial da empresa, a demanda cresce em todos os segmentos em função da facilidade de armazenamento e manuseio do produto na elaboração das dietas, bem como pelos benefícios gerados aos ruminantes pela fibra de qualidade. No entanto, avalia que no Brasil ainda não se desenvolveu uma mentalidade de maior uso do feno, o que, acredita, tende a mudar.

Castro conta que para a escolha da gramínea foi feita uma ampla pesquisa dentre as que poderiam fornecer uma boa forragem para a fenação. A escolha recaiu para o tifton 85 por sua boa relação folha/haste, composição bromatológica, facilidade de cultivo e produtividade. As mudas adquiridas foram de material importado e existem, hoje, áreas que estão em produção desde o início do projeto, sem nunca terem sido reformadas.

Igualmente utilizam equipamentos importados dos Estados Unidos ou da Europa, como a segadeira, espalhadeira/enleiradeira, enfardadeira e vagão que recolhe os fardos. A empresa tem um forte trabalho de manutenção preventiva, pois nada pode falhar quando o processo está em andamento. Ela recebe a visita de técnicos estrangeiros das fábricas no exterior, mas tem sua própria equipe de mecânicos e montou um bom estoque de peças de reposição. As sábados, como parte da rotina, todos os equipamentos são lavados.

Pivôs de irrigação permitem a produção de excelente matéria-prima no período seco

O processo de mecanização foi crescente e se mostrou uma necessidade para se ter rapidez e eficiência nas várias etapas do processo, sempre se esquivando da chuva e sem perder o ponto ideal de corte. “A planta mais jovem tem uma proporção maior de folha sobre o caule, com mais proteína bruta e fibra de melhor qualidade, o que aumenta a digestibilidade e assimilação pelo animal”, explica Castro. Se a planta fica mais tempo no campo, diz que até produz mais massa, mas sua qualidade diminui. Por vezes, vivem o dilema de a gramínea estar pronta para corte, mas a previsão é de chuva e precisam protelar, pois se cortar o material pode perdê-lo.

Uma análise bromatológica do feno orienta quanto aos nutrientes digestivos totais e à proteína bruta para balanceamento de uma dieta adequada

Na ausência de uma classificação oficial, a qual o veterinário julga que seria útil para o mercado, conta que a propriedade estabeleceu a própria, com o nível mais alto sendo identificado como Vip, seguidos dos tipos A,B e C. A hierarquização do produto é realizada a partir de uma análise bromatológica, onde os níveis de proteína bruta chegam até 17%, e avaliação por seu cheiro agradável, maciez e coloração verde. O de melhor qualidade estava cotado, em meados de abril, a R$ 1,30/kg e o tipo C em R$ 0,60/kg, havendo ainda o de pior qualidade, comercializado para cama animal, cotado a R$ 0,50/kg.

Estas variações na qualidade são decorrentes justamente de fatores circunstanciais, como uma chuva fora de hora, pois sempre se procura obter o melhor produto. Caso a chuva não seja intensa, o feno ainda se salva, mas o “seca/molha/seca” vai amarelando a planta, prejudicando o aspecto físico e depreciando o valor do produto. A depender da situação, Castro diz que a qualidade nutricional se mantém, afetando-se mais a aparência.

CUIDADO COM OS CAMPOS

A propriedade é dedicada exclusivamente à produção de feno e mudas de tifton 85, inexistindo qualquer tipo de criação animal, o que impede que o material fenado contenha algum tipo de parasita que pudesse ser carregado junto ao animal, como por exemplo, carrapatos.

A produção acontece o ano inteiro, ficando restrita no período seco, embaixo dos pivôs para irrigação. Os cortes no verão acontecem em geral entre 25 e 30 dias, ou, no máximo, aos 45 dias. Nessas áreas de sequeiro, utilizadas de novembro até maio, são realizados em torno de três cortes com rendimento de 3 a 4 toneladas/ha de feno por corte.

Nos campos irrigados, também utilizados no verão, com os pivôs sendo acionados em caso de necessidade como nos veranicos, são realizados até sete cortes por ano, com o rendimento chegando a 5 toneladas de feno/ha a cada corte. Como no inverno o crescimento das plantas é menor, o período para ceifar os campos fica entre 70 até 90 dias. Após cada corte são realizadas adubações, controle de plantas invasoras e de lagartas.

Para a secagem do material a campo, este fica espalhado por 48 a 72 horas a depender das condições climáticas e da época do ano, demorando mais no inverno pelos dias mais curtos e ocorrência de orvalho. Após a forrageira ficar desidratada, a mesma é enleirada para que a enfardadeira automática passe recolhendo o material que é acondicionado em fardos com 1,20m de comprimento; 0,37m de altura e 0,47m largura. Estes são recolhidos e depositados em ampla área de armazenagem, com 4.000m2.

Castro conta que uma série de cuidados são tomados no local de armazenamento, igualmente recomendados aos clientes. A área deve permitir uma boa ventilação e os blocos de feno não devem entrar em contato com as paredes ou com o solo. Na presença de roedores, será preciso controlá-los e existe um rigoroso acompanhamento contra incêndios, dado o perigo de combustão. Assim, perto dos galpões é proibido fumar ou produzir qualquer tipo de chama.

Apostando no crescimento dos negócios, o veterinário Breno Castro conta que há planos de aumentar a produção. Isto poderá acontecer tanto com a ampliação da irrigação através da aquisição de novos pivôs, como por meio da aquisição de novas áreas, o que ainda não foi decidido.