Mercado

Bons ventos para a carne bovina

O mercado interno apresenta um cenário bem animador para o produtor. Geralmente no início do ano nos deparamos com um recuo dos preços da carne, em função de uma queda natural da demanda, após o alto consumo das festividades de fim de ano. O consumidor inicia o ano mais descapitalizado, tendo de assumir despesas comuns; assim, existe uma queda esperada no consumo de carne. Mas o que temos visto é um cenário bastante diferente: o consumo interno permanece aquecido e o preço da arroba vem registrando altas desde janeiro.

As cotações estão sendo impulsionadas pela oferta restrita de animais, demanda firme e o bom momento nas exportações. A oferta enxuta é reflexo da seca ocorrida em algumas regiões do País, onde tivemos períodos de irregularidade de chuvas, o que comprometeu a qualidade das pastagens. Nos últimos três anos, também tivemos a presença de um maior número de fêmeas no abate, quando os pecuaristas diminuíram o rebanho para superar as dificuldades financeiras.

Com os preços em alta e a oferta de animais reduzida, a queda de braço entre pecuaristas e indústria permanece com cada qual puxando a corda para seu lado. Mas tudo indica que os produtores estão em vantagem nesta “disputa” e estão desfrutando do bom momento da atividade. Se nos últimos anos os produtores tiveram margens reduzidas e aumento nos custos, o momento atual é bem diferente. Há uma significativa recuperação dos preços, o que vem estimulando a cadeia produtiva.

No estado de São Paulo, a arroba vem apresentando um preço muito atrativo, chegando a valer R$ 125,00 à vista e as escalas dos frigoríficos estão curtas, atendendo em média de dois a quatro dias úteis.

A demanda firme tanto interna quanto externa e o preço da arroba podem estimular o aumento do confinamento para este ano. Outro fator importante é a realização da Copa do Mundo no Brasil, que deve embalar ainda mais o consumo de carne vermelha.

O confinamento é adotado no Brasil principalmente no período da seca, que compreende os meses de maio a setembro nas condições do Brasil Central. Do total de animais abatidos no país, de 7% a 8% são oriundos de confinamento. Mas o volume de animais a ser confinado vai depender do comportamento do preço da arroba e dos custos de produção, principalmente do preço do milho, que é o principal componente da ração.

De acordo com a ABIEC (Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne), no primeiro bimestre do ano, as exportações brasileiras de carne bovina somaram US$ 1,169 bilhão. O mês de fevereiro registrou um total de 140,5 mil toneladas de carne negociadas.

Observando o gráfico “Boi Gordo no Mundo”, no período analisado entre 19/02 a 18/03/2014, houve valorização da arroba em todos os países pesquisados, sendo que no Brasil a valorização foi de 8,72% em relação ao período analisado na edição anterior.

As exportações brasileiras seguem em ritmo forte e constante. A forte demanda por carne é o fator impulsionador para o bom desempenho nas exportações da carne brasileira. Hong Kong, Rússia e Venezuela foram os principais compradores no período.

O consumidor chinês continua com grande apetite para carne bovina e o Brasil é um forte candidato a suprir essa demanda; portanto, continua de olho nesse mercado gigantesco e promissor. A expectativa é de que as restrições à carne brasileira venham a cair, sendo que não há razões técnicas para manter a proibição da entrada do produto brasileiro na China.

Quanto à abertura do mercado americano, ainda não temos uma notícia positiva, sendo que o mesmo permanece fechado para a carne in natura brasileira. Após uma longa negociação, um grupo de senadores americanos conseguiu prorrogar o período de consulta pública para 22 de abril, sendo confirmada pelo Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal, do Departamento de Agricultura dos EUA. O principal motivo para esse entrave seria o possível risco de febre aftosa.

O mercado norte-americano é conhecido por suas regras rígidas quanto ao controle da cadeia produtiva, mas o Brasil já deixou mais que provado que não possui problemas sanitários.

A possível abertura do mercado norte-americano possibilitará uma transformação na pecuária de corte brasileira, pois vários setores se beneficiarão. A importante conquista certamente impulsionará o Brasil a aumentar produtividade. Para isso acontecer, será necessário investir em tecnologias para produzir mais e na mesma extensão de terra e tomar algumas outras medidas: fazer bom uso do solo, reforma das pastagens, investimentos em profissionalização e aperfeiçoamento da gestão para gerir a pecuária como um negócio lucrativo e sustentável.

Os EUA são os maiores consumidores de carne bovina no mundo, em torno de 11,7 milhões de toneladas ao ano, mas importam 1,02 milhão de toneladas anuais. Portanto, a abertura de novos mercados possibilita ao Brasil ser tornar mais competitivo, investindo em uma pecuária moderna e sustentável.

Ainda no cenário internacional, o governo sul-africano aprovou os novos modelos de Certificados Sanitários Internacionais (CSI) para carne bovina desossada e farinha de carne e osso, passo decisivo para uma abertura de mercado.

de mercado. Como pode ser observado no gráfico “Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF”, no período compreendido entre 19/02 e 18/03/2014, houve valorização da arroba em quase todas as praças. A curta oferta de animais para abate ainda mantém a firmeza do mercado e alta da arroba. Em São Paulo, a referência fechou em R$ 125,00 (à vista) no dia 18/03. Destaque para outras praças produtoras, como Goiás e Mato Grosso do Sul, que estão recebendo a demanda dos frigoríficos paulistas.

Analisando o gráfico “Deságio do preço do boi gordo por UF”, no período de 19/02 a 18/03/2014, a média paga aos pecuaristas entre o preço à vista e a prazo (30 dias) foi de 0,57%.

O preço médio do bezerro foi de 03R$ 756,58/cab para o período de 19/02 a 18/03/2014. Houve valorização em todas as praças pesquisadas. Em SP o bezerro foi cotado a R$ 862,00/cab; em MG, a R$ 665,33/cab; em GO, a R$ 784,67/cab; no MS, a R$ 844,67/cab; no MT, a R$ 744,67/cab; no PA, a R$ 637,33/cab; no PR R$ 806,00/cab e, no RS, o preço do bezerro avançou para R$ 708,00/cab.

O boi magro reagiu e registrou aumento em todas as oito praças pesquisadas. No estado de SP, o boi magro passou a valer R$ 1.384,67/cab; em MG, R$ 1.202,67/cab; em GO, R$ 1.322,67/cab; no MS, o boi magro subiu para R$ 1.331,33/cab; no MT, R$ 1.228,00/cab; no PA, R$ 1.150,00/cab; no PR, R$ 1.351,00 e, no RS, o boi magro passou a valer R$ 1.275,33/cab.

Os índices médios de relação de troca entre as categorias de reposição e boi gordo ficaram em 2,41 para desmama/boi gordo. Para boi magro/boi gordo ficou em 1,42, não sofrendo alterações significativas.

No geral, as perspectivas são muito boas para o setor da carne bovina. O momento é favorável e o País se consolida como maior produtor e um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo. Embora muitos desafios permeiem a cadeia produtiva da carne bovina brasileira, como barreiras comerciais e sanitárias, ainda existe muito espaço a ser conquistado. O Brasil possui um produto de qualidade e seguro e tem condições de atender à demanda seguindo as exigências legais impostas por cada mercado

Antony Sewell e Rita Marquete
Boviplan Consultoria