Sala de Ordenha

Preço do leite deve subir a partir do pagamento de março

Raça reúne rusticidade e produtividade de uma seleção milenar

No pagamento de fevereiro, referente ao leite entregue em janeiro, o preço ao produtor caiu 1,6%, considerando a média nacional ponderada dos dezoito estados pesquisados pela Scot Consultoria. O produtor recebeu, em média, R$ 0,936 por litro de leite.

A produção caiu nas principais bacias leiteiras em janeiro e fevereiro, mas ainda assim a oferta está relativamente elevada, considerando a demanda mais devagar até então.

Desde o pico de preço, em setembro do ano passado, o leite caiu, em média, 7,6%. Em relação ao mesmo período do ano passado, o produtor está recebendo 11,3% mais por litro de leite.

Em algumas bacias a queda no preço do leite foi maior. Em Goiás, por exemplo, o leite caiu 11,3%. Do lado da captação, o clima quente e seco em janeiro e fevereiro afetou as pastagens e a produção em importantes regiões ao Sul e Sudeste do país. O pico de produção foi registrado em dezembro de 2013.

Segundo o Índice Scot Consultoria para a Captação de Leite, o volume captado caiu 2% em janeiro, na comparação com dezembro de 2013 (média nacional). Em fevereiro, os dados parciais apontam para uma queda de 2,6% na captação média em relação a janeiro último.

Este fato deverá dar sustentação ao mercado no curto e médio prazos. Para o pagamento a ser realizado em março, o movimento de baixa perdeu força. Alguns laticínios estimam aumento do preço do leite para o produtor.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, 39% dos laticínios pesquisados acreditam em alta do preço ao produtor, 43%, em manutenção e 18% estimam queda.

A pressão de alta é maior na região Sudeste, em especial em Minas Gerais e São Paulo. Todos os laticínios pesquisados preveem alta ou manutenção do preço do leite nos pagamentos de março e abril.

No Nordeste, a maioria dos laticínios acredita em manutenção do preço ao produtor nos dois próximos pagamentos. A demanda nesta região tem melhorado, em especial para os programas do governo e merenda escolar.

No mercado spot, ou seja, o leite comercializado entre as empresas, os preços subiram em fevereiro e março, confirmando a tendência de mercado firme em curto prazo.

Alta de preços também no mercado atacadista e no varejo. As quedas da captação em importantes bacias leiteiras e as melhoras no consumo justificam este cenário.

No mercado atacadista, considerando a média de todos os produtos lácteos pesquisados, os preços subiram 1,3% na primeira quinzena de março em relação à segunda quinzena de fevereiro. No varejo, a alta foi de 0,6%, considerando o mesmo período.

O preço médio do leite longa vida ficou em R$ 2,08/litro no atacado e R$ 2,61/litro nos supermercados de São Paulo.

Balança comercial

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em fevereiro o Brasil importou US$ 24,8 milhões em produtos lácteos. Na comparação com o mês anterior, este valor é 45,3% menor. O volume também reduziu, passou de 11,2 mil toneladas para 5,4 mil toneladas (-51,9%).

O produto mais importado foi o leite em pó, seguido pelos queijos, que juntos somaram 18,7 mil toneladas e US$ 3,6 milhões em fevereiro. Os principais fornecedores dos produtos lácteos para o Brasil em fevereiro foram Argentina (57,4%), Uruguai (12,4%) e Nova Zelândia (7,5%).

Na comparação com o mesmo período do ano passado (fevereiro/13), tanto volume como faturamento reduziram, 36,3% e 16,7%, respectivamente. Com relação às exportações, o Brasil embarcou US$ 22,2 milhões em produtos lácteos em fevereiro.

Na comparação com o mês anterior, o faturamento foi 33,9% menor. Em janeiro, a receita foi de US$ 33,6 milhões. O volume também reduziu. Passou de 9,6 mil toneladas em janeiro para 5,6 mil toneladas em fevereiro.

O produto mais exportado foi o leite em pó. Foram 4,1 mil toneladas, com um faturamento de US$ 16,5 milhões em fevereiro. Os principais destinos dos produtos lácteos brasileiros em janeiro foram a Venezuela, a Argélia e Cuba, respectivamente.

Na comparação com fevereiro de 2013, tanto o volume como o faturamento aumentaram, 1,4 e 2,2 vezes, respectivamente.

Rafael Ribeiro de Lima Filho é zootecnista na Scot Consultoria