Caindo na Braquiária

  

Duas realidades distintas

Alexandre Zadra

Se você é um daqueles que tem fazenda com gado de corte, contando com terras minimamente férteis, de topografia plana e localizada em região com bom regime pluviométrico, já deve ter pensado em vê-la plantada de soja.

Tais projeções vêm se tornando realidade em 90% das regiões com essas características. Um exemplo tácito é o Vale do Araguaia, onde, em 2012, eu recitava que a sudorese dessa região exalava o cheiro de boi por onde andávamos.

No final de fevereiro, voltando à região, dirigi de Barra do Garças a Água Boa e, depois, seguindo mais ao Norte com Gustavo Pires, veterinário experiente atuante naquelas bandas, pude sentir falta da pecuária, atividade que vem sendo substituída pelo plantio de soja a passos largos. Nosso intento na ocasião era visitarmos a fazenda gerenciada pelo Luciano, outro veterinário competente que toca importante projeto selecionando Nelore e Braford, bem como é adepto do cruzamento industrial, no sentido de manter seu desfrute sempre acima da média regional.

A visita foi pautada pelos índices de produtividade obtidos com a pecuária de ciclo completo naquela instância e também pelas razões que levaram a empresa a entrar na agricultura. Para nossa informação, um dos motivos mais fortes para a diretoria nutrir simpatia pelo cultivo da soja não se encontrava por si só no fato do lucro razoável da cultura, mas sim pela valorização daquelas terras, multiplicando o valor do patrimônio em até cinco vezes. No entanto, vale lembrar que a propriedade continuara com a pecuária, mantendo ou mesmo aumentando o rebanho de hoje com a intensificação do uso da terra.

Conhecer realidades diferentes é um dos atributos da minha profissão, na qual devemos saber filtrar as informações, buscando a adequação de cada sistema administrativo a cada projeto.

Depois dessa importante visita, deixei o Araguaia. E foi com a cabeça fervendo que cheguei à Ana Sophia, propriedade da família Schneider, localizada na Baixada Cuiabana, onde, juntamente com Cedric Minelli e Daniel Carvalho, vivenciaria a experiência positiva que Arno Schneider e os filhos colhem com o plantio de Teca nos pastos, com o intuito de adicionar renda à pecuária e não substituir cultura, saindo da atividade de cria.

Zico, zootecnista e o mais novo dos filhos, apaixonado pela pecuária, nos apresentou um lote de matrizes cruzadas Caracu – Nelore, paridas de Angus, além de outro lote com bezerros Brahman ao pé, excepcionalmente pesados, detalhando que para produzir esses tricross zebuínos usam touros Brahman de seu criatório na monta natural, os quais são selecionados por carcaça de tamanho mediano, facilidade de parto e boa habilidade materna, na qual Zaca, agrônomo e o primogênito da família, nos revela a intenção de trabalhar sempre com a filosofia de adubação de pastagens, implantada pelo pai, agrônomo ativo que demonstra para nosso grupo os benefícios da aplicação de 200 kg/ha/ano de NPK, representando R$ 200,00/ha/ano. Assim consegue manter a taxa média de 3 a 4 UA/ha na fazenda, e, sobretudo, com o plantio da Teca nas pastagens, obtendo renda extra à pecuária.

Foi muito prazeroso passar por dois projetos diferentes no seu âmago e que me levam a refletir sobre as infinitas possibilidades de uso da terra. Basta torcer para que a lavoura e a pecuária andem cada vez mais juntas a fim de nos firmar como os maiores produtores de grãos e carne do mundo.

Alexandre Zadra - Zootecnista
[email protected]