Escolha do Leitor

CAPACITAÇÃO

A única certeza para o sucesso na pecuária

Jacqueline Lubaski*

A busca incessante por eficiência no trabalho é crucial para o sucesso de todas as empresas, consequentemente também no ramo de pecuária. Baseando-se nesta premissa, é imperativa a necessidade de formação e continuidade de atualização profissional de todos os envolvidos em empresas do ramo do agronegócio, pois, como não é segredo, estamos passando por momentos turbulentos, com a concorrência desleal das empresas de construção civil, entre outras, supervalorizando a mão de obra. Com isso, estamos perdendo o homem do campo para a cidade. E qual o grande fator desses acontecimentos? Remuneração? Talvez possa ser um dos fatores, mas somente as pessoas que são felizes por acreditar que fazem parte de algo realmente importante permanecem no trabalho.

Porém, sabemos que o mercado atual exige profissionais capacitados, comprometidos e tecnificados ou que sejam capazes de se adaptar às mudanças, buscando o conhecimento e alcançando um nível de excelência profissional, sendo que o grande objetivo é somar forças dentro de uma organização, com apenas o intuito de potencializar os pontos fortes e minimizar os impactos dos pontos falhos existentes em uma fazenda.

Há diversas variáveis que permitirão um grau maior de eficiência das pessoas envolvidas, pois as novas tecnologias, o pensamento crítico, a criatividade e o comprometimento tornam possível o resultado financeiro de uma empresa, pois, o que podemos enxergar é que estes fatores passam a ser uma barreira para o produtor rural empreendedor, mas sabemos, para que as metas sejam alcançadas e superadas, o grande segredo é QUALIFICAÇÃO e CAPACITAÇÃO de toda equipe de trabalho, que numa só visão contribuem para o sucesso.

Devemos entender ainda que a preparação das pessoas é o fator mais importante para atendermos as exigências do mercado, a qualificação e a capacitação devem ser conduzidas para que os envolvidos tenham a capacidade técnica e gerencial para administrar as tempestades que vem por aí. A cada dia que passa, a exigência dos nossos clientes aumenta, e, claro, com retorno financeiro mais apertado. Para sobrevivermos, precisamos trabalhar com mais eficiência.

Jacqueline Lubaski explica que capacitação é diferente de qualificação, mas andam juntas

Nem sempre reconhecemos que, na maioria das fazendas, empresas rurais, na pecuária, os resultados estão ligados à capacidade das pessoas que nelas trabalham; poucos são os pecuaristas que dão atenção necessária a esta questão tão pertinente, porém, negligenciada.

Em um período de globalização, com um forte impacto das novas tecnologias e da competição mais acirrada, cabe a cada organização buscar alternativas para este novo momento. A mudança de comportamento das pessoas se tornou um dos maiores desafios e, ao mesmo tempo, a maior vantagem competitiva das empresas que estão, de uma forma ou de outra, buscando utilizar o conhecimento para "acertarem". A modernização produtiva está ligada integralmente à qualificação, somando e contribuindo positivamente no resultado financeiro do negócio.

Pecuaristas precisam estimular a produtividade nestas pessoas, o pensamento criativo, uma maior cooperação, sentimentos de realização e outros fatores necessários para a sobrevivência e à contínua competitividade das empresas. Somente com qualificação e capacitação isso se torna possível e mais fácil.

Se pararmos para pensar e analisar as ondas que marcaram as mudanças do mundo, são nestes giros que ocorrem as transformações e dão novos rumos à história da humanidade, das empresas e, consequentemente, das fazendas.

Podemos dizer que as mudanças fazem parte dos processos de crescimento organizacionais e que o processo evolutivo das tecnologias e do meio rural precisa das pessoas para conduzi-los. Mas, para tanto, precisamos mais uma vez recorrer à capacitação.

Li certa vez uma citação em que Winston Churchill, célebre estadista inglês, dizia: "O mundo evolui e continuará sempre nesse processo porque sempre existirão homens que fazem mais do que a sua obrigação. Se os humanos tivessem feito somente sua obrigação, o mundo há muito tempo estaria em ruínas".

Se pararmos para imaginar, por volta do ano 4.000 a.C., nas férteis planícies do Egito, desenvolveram-se civilizações agrícolas, onde a terra era símbolo de poder e o homem, a força energética para trabalhá-la. O músculo humano era a força. Não houve crescimento nesse processo, pois as rotinas eram as mesmas e os hábitos passavam de pais para filhos e, assim, sucessivamente, sem melhorias ou mudanças.

Na época, a economia da região era movida pelo Rio Nilo. Esta onda exigia administração com poder forte e centralizador, mas não evoluía. Foi na revolução industrial que se iniciaram as mudanças. O fator tempo ganhou destaque e passou a ser diferencial competitivo, aliado, assim, à tecnologia, um privilégio naquele tempo de empresas bem-sucedidas. O foco era informação, equipamentos e máquinas. Já o cenário mundial atual nos alerta para a necessidade de uma nova cultura nas empresas, que deverão enfatizar, em primeiro lugar, o "peão", que passa a ser o ativo mais importante, pois, sem ele, nem mesmo com as melhores tecnologias, o processo não roda e os resultados não acontecem.

É possível conciliar o lucro com pessoa e, com isso, alcançar o equilíbrio diante da dualidade de interesses. Esta harmonia tornará possível, a partir da conscientização das empresas, que é através do investimento no aprendizado contínuo dos seus funcionários, em todos os níveis, que se obterá a satisfação e, como consequência, o comprometimento de todos dentro da fazenda. Precisamos buscar aprender novos conceitos e quebrar paradigmas na área de relacionamento. Primeiro, devemos ouvir o indivíduo, seus valores, identificar seus objetivos e qual a relação deles com a atividade que exercem. Por mais filosófica e demagoga que essa ideia possa parecer, na prática ela funciona.

O melhor negócio de qualquer empresa que deseja superar seus próprios desafios chama-se ser humano. Ver gente integrada na organização como o foco principal também é lucro, além de contribuir decisivamente na geração de resultados financeiros satisfatórios. Saber ouvir e falar que as pessoas faz a diferença. É muito simples, o difícil é acreditar e pôr em prática.

O que diferencia as empresas de sucesso das demais são a vivência do seu crepúsculo. Foram rápidas na ação, pois do discurso à prática o tempo é fator importantíssimo. O fundamental é começar a valorizar mais o ser humano produtivo que pensa (cabeça) e sente (coração), além disso, diz (comunicação) e vê (observação).

Essa constante mudança do cenário produtivo e da exigência da capacidade de pessoas mais preparadas nos coloca à prova a velha crença de que os cursos regulares, em outras palavras, o que as escolas ensinam, seriam suficientes para preparar indivíduos para o exercício profissional pleno. Há muito tempo essa ideia está esquecida; logo, aqueles que ainda acreditam nisso estão superados, além de estarmos tratando de área rural, área esta onde a dificuldade por um ensino de qualidade está distante de nossa realidade. Diante disso, a visão corrente é a educação continuada, o que significa que, escolhida a área em que se deseja atuar, devemos buscar constantemente a atualização profissional. No caso de um vaqueiro, a educação continuada é a constante procura por qualificação e capacitação.

Devemos entender também que existe uma diferença entre Capacitação e Qualificação.

QUALIFICAÇÃO

O campo da qualificação é de extrema importância, pois ela traz como resultado uma formação, tornando-se, assim, o profissional habilitado para exercer alguma atividade. Em outras palavras, este indivíduo terá um conjunto de conhecimentos que demonstram a possibilidade de exercer uma função. Com isso, estão inclusas a escolaridade, a experiência, cursos realizados dentro da entidade ou organização.

Na verdade, a qualificação demonstra que o profissional tem as condições necessárias, porém isso não garante que esteja pronto para desempenhar a função. Mas devemos entender que qualificação não é algo completo, e, sim, apenas aquisição de conhecimentos teóricos, técnicos e operacionais relacionados. No nosso ramo de trabalho, a qualificação supre uma dessas necessidades que o mercado nos exige. Pois sei fazer, vou lá e faço! Mas, e a eficiência? E a busca incessante do produto de qualidade, com um custo baixo e com uma entrega eficiente?

CAPACITAÇÃO

Já a capacitação é um processo de aprendizagem que deixa claro "o que fazer", "como fazer", "para quem", "quando fazer" e "por que fazer algo", tratando, assim, de procedimentos operacionais padronizados. Somente dessa forma se faz algo com maior comprometimento. Isso acontece internamente, tornando o profissional apto para o desempenho de suas funções.

A capacitação prepara a pessoa para enfrentar qualquer anomalia referente à sua atividade, por meio de aplicação de conhecimento, mas, principalmente, com possibilidade de criar, resolver problemas, oferecer alternativas de melhorias. Capacitar nossos colaboradores significa, efetivamente, dar-lhes autonomia, criando assim autoconfiança e promovendo o desenvolvimento. É bobagem aquela história de que "o olho do dono engorda os bois". Quando se existe este discurso, faz-nos crer que ninguém é capaz de ser responsável, senão aquele que detém o poder; quando acreditamos nisso, deixamos de delegar. Centralizamos tudo, e, assim, as coisas só tendem a ficar mais difíceis de acertar, pois não se pode estar o tempo todo em todas as funções. Na medida em que confiamos e estabelecemos indicadores de resultados, possibilitamos ao colaborador crescer para realizar aquilo que combinamos em conjunto. Se isso não ocorre, o outro não desenvolve o menor compromisso. Sabemos que não há como nos livrar dos condicionantes, mas há como torná-los menos operantes na organização.

Nesta linha, podemos verificar que a capacitação desenvolve competência, que é o resultado do Conhecimento, das Habilidades e das Atitudes. É a xícara de chá que devemos tomar todos os dias. Não há como transferir competência para outra pessoa, mas podemos, perfeitamente, ajudar as pessoas a construir sua própria competência.

Existe um limite para maximizar a tecnologia dentro das empresas, e esse deve ficar subordinado à capacidade das pessoas. Não haverá progresso se colocarmos a tecnologia acima das pessoas. Tudo está em função do homem. Se a técnica destruir ou diminuir a pessoa, não terá sentido o progresso.

Por isso, não temos alternativa. Sempre me perguntam se vale a pena capacitar funcionários? Pois, sempre que aprendem vão embora!

A resposta é uma só. Veja o que é melhor: termos pessoas capacitadas nos trazendo resultado positivo em um percentual de tempo ou só nos trazer prejuízos em qualquer tempo que permaneça na organização? Digo que, sem estes esforços, a capacidade de continuar a competir em um mundo global será restrita e investir em capacitação é a única saída para que o retorno financeiro desejado seja efetivamente realidade.

*Jacqueline Lubaski é pedagoga, jornalista e consultora especializada em Gestão de Pessoas - [email protected]

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