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Motores aquecidos à expansão

A busca pela lucratividade da pecuária de corte está cada vez mais relacionada à maior produtividade por área. Tal condição eleva os investimentos em maquinário

Romualdo Venâncio

Tanto em sistema de pastejo quanto no confinamento, ou até mesmo em uma combinação entre os dois, os criadores de gado de corte vêm sendo pressionados a intensificar a produtividade por área no Brasil. O motivo é bem simples: é preciso ampliar a produção de proteínas para atender a uma crescente demanda global por alimentos; no entanto, a agropecuária já ocupa o espaço que poderia e a abertura de novas áreas pelo desmatamento está definitivamente fora de questão. Dessa forma, é necessário otimizar a atividade com os hectares já disponíveis. É aí que entra a intensificação da pecuária de corte, envolvendo melhoramento genético, manejo eficiente, gestão profissional, controle sanitário e, entre outros fatores, a melhoria na produção e na oferta de comida para o gado. Por conta dessa necessidade, máquinas e implementos agrícolas passaram a estar mais presentes no cotidiano das fazendas onde se cria gado de corte.

“Além de não haver espaço para avançar com mais pastagens, muitas áreas estão degradadas. Não por acaso, diversas fazendas já triplicaram a quantidade de tratos alimentares para o rebanho, chegando a 15 por dia, dependendo do sistema produtivo. É um trabalho intenso, que exige muito maquinário e infraestrutura”, explica o zootecnista Paulo Ferraz, que também é produtor e consultor técnico na região de Goiânia/GO.

A mecanização na produção de carne bovina ganha importância não só pela questão da quantidade do alimento servido aos animais, mas também pela qualidade no processamento. “Se o pecuarista não mecani- Divulgação CNH/Marcos Mendes REVISTA AG - 17 zar, não consegue manter um padrão produtivo e a cada dia o processo ocorrerá de uma maneira diferente. Isso dificulta o planejamento do rendimento que precisa”, analisa o vicepresidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (CSMIA/ Abimaq), Celso Luiz Casale. “O produtor tem de reduzir o tempo para que os animais estejam prontos ao abate, aumentando a taxa de desfrute e reduzindo custos”, acrescenta.

Apenas essa exigência não seria suficiente para que o maquinário ganhasse espaço na pecuária de corte. As opções de financiamentos oferecidas pelas instituições financeiras, adequadas à realidade de cada empresário rural, também contribuiu para que os produtores investissem mais. E uma coisa leva a outra, pois resultados mais positivos sustentam e até ampliam o ânimo dos fazendeiros para cuidarem melhor de sua frota. “O retorno da atividade dá mais coragem para o produtor investir”, aponta Ferraz. Nesse ponto, Casale destaca a atuação das entidades que representam o setor industrial, como a própria Abimaq e também a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), junto aos bancos para “desenhar” as melhores opções de financiamentos. “É o caso do plano para Integração Lavoura- Pecuária-Floresta (ILPF), que não incluía máquinas e implementos. Trabalhamos para que fosse alterado”, exemplifica o dirigente.

INVESTIMENTO CORRETO

Se por um lado há mais linhas de investimentos disponíveis para a aquisição de máquinas e implementos agrícolas, por outro continua não sendo uma missão fácil compreender esses mecanismos. A complexidade desse ambiente financeiro, com todas suas cláusulas e exigências, acaba, por muitas vezes, afastando os pecuaristas ou, no mínimo, dificultando suas decisões. Frente a tal cenário, são essenciais todas e quaisquer ações que contribuam para que os fazendeiros recebam as informações necessárias de forma a serem entendidas sem que antes precisem ser decifradas.

Em muitos casos, não bastasse a dificuldade para obter um financiamento, o pecuarista já vem de uma condição econômica complicada. “Não é fácil gerenciar uma situação como essa, em que o fazendeiro precisa investir em maquinário, o que não é pouca coisa, mas vem de um quadro financeiro negativo, com longos períodos de aperto”, comenta Paulo Ferraz. Segundo o consultor, a orientação técnica é um passo imprescindível para que a tomada de decisão quanto aos investimentos aconteça de forma acertada. Uma rigorosa análise da propriedade associada às metas do pecuarista ajuda a formar a base de dados essencial para qualquer definição quanto à aplicação em máquinas e implementos. “É preciso olhar a propriedade como um todo”, orienta.

O uso da pulverização impulsiona a adoção de maquinários

Ferraz começa o atendimento a qualquer propriedade com uma ficha contendo cerca de 150 itens que vão descrever a situação da fazenda. Primeiro, faz questão de realizar uma avaliação sozinho, observando atentamente cada setor e tomando nota de tudo. A segunda “passada” já é em companhia do proprietário. “É nessa visita conjunta que definimos as prioridades e iniciamos o planejamento. Preciso saber quais são os objetivos do pecuarista, se vai fazer cria, recria e engorda; com quantos animais pretende trabalhar; qual é a condição dos pastos, a capacidade de lotação; avaliar o rebanho existente, dividir em categorias, fazer a pesagem”, detalha o zootecnista. Também é feita uma estimativa de ganho de peso do plantel em arrobas, por ser um fator que permite mensurar e colocar preço, assim como definir o custo de produção.

Após conhecer claramente a situação da propriedade e de seu rebanho, o pecuarista está apto a escolher o maquinário que vai precisar para alcançar metas de produtividade. “Um projeto bem montado gera lucro ao fazendeiro, pois, além de reduzir o custo de produção por quilo de carne, diminui a utilização de mão de obra, que também pesa no custo”, informa o coordenador do Núcleo de Ensaio de Máquinas e Pneus Agroflorestais da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Nempa/Unesp), Saulo Guerra. “Há também o ganho com a homogeneização de todo o processo de preparação da alimentação– colheita, transporte e mistura. O pecuarista investiu em melhoramento genético e quer que os animais comam de maneira igual, pois essa condição vai impactar em velocidade de ganho de peso e produtividade”, argumenta.

Calibragem correta e lastro nos pneus são duas das maiores dificuldades do pecuarista

ESCOLHA DO FORNECEDOR

A lista de empresas associadas à Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq conta com cerca de 260 nomes. Portanto, se há algo de que o pecuarista não pode reclamar em relação à aquisição de maquinário é das opções de fabricantes. Sobretudo de empresas nacionais. Segundo Casale, o fator qualidade também está bem atendido. “Nesse ponto, posso resumir a indústria brasileira de máquinas e implementos agrícolas em uma frase: não devemos nada a ninguém”, celebra o vice-presidente da CSMIA.

O coordenador do Nempa também destaca a amplitude da indústria nacional neste segmento. “Há muitos fabricantes, disponibilidade imediata de peças, manutenção, entre outros Calibragem correta e lastro nos pneus são duas das maiores dificuldades do pecuarista O uso da pulverização impulsiona a adoção de maquinários Divulgação Divulgação Nempa REVISTA AG - 19 pontos favoráveis. Atualmente, é possível montar todo um projeto de confinamento com maquinário 100% nacional, desde a semeadura ao preparo do solo, plantio, colheita, mistura da matéria-prima, distribuição e até manejo do esterco”, descreve Guerra. Para Casale, há ainda outras vantagens da opção por fabricantes nacionais: “Quando o pecuarista investe em um equipamento produzido no Brasil, além de ter um produto apropriado a sua realidade, os impostos desse maquinário são aplicados no País, ou seja, incentiva a economia local. Sem contar a garantia de peças de reposição no longo prazo, evitando as dificuldades causadas por mudanças políticas ou variações do câmbio”.

A escolha de um fornecedor de máquinas e implementos agrícolas extrapola a questão da nacionalidade. Como em qualquer segmento, principalmente quando se trata de investimentos mais expressivos, é preciso buscar empresas idôneas, seleção que exige certa dedicação. Para isso, o pecuarista pode buscar informações com parceiros, outros produtores, sindicatos rurais, entidades de classe, notícias sobre a empresa no mercado e técnicos de sua confiança. Guerra sugere alguns cuidados para aprimorar ainda mais a procura: “É importante checar onde o fabricante está localizado, se tem campo de prova e centro de treinamento, entrega técnica, manual de informações e serviços que oferece”. O coordenador do Nempa ainda chama a atenção para a comparação de preços, pois equipamentos oferecidos por valores muito abaixo do que há no mercado podem não ser um bom sinal.

Para Leonardo Almeida, conhecer o perigo ajuda a prevenir acidentes

O atendimento técnico pós-venda é um dos fatores mais importantes na escolha do fornecedor, pois pode fazer toda a diferença em situações muito graves. “No caso de um pequeno confinamento, com mil cabeças, um dia com uma misturadora parada pode significar uma grande perda financeira”, observa Guerra. Essa perda pode ser transcrita em números, ainda que de maneira aproximada. Considerando que cada animal ganhe um quilo por dia no confinamento, serão mil quilos perdidos a cada dia sem o fornecimento da ração que passaria pela misturadora. Ou cerca de 66 arrobas. Com base no índice Cepea para pagamento à vista no estado de São Paulo em R$ 126,76 por arroba (registrado em 24 de março), seriam mais de R$ 8.360,00 em um dia. “Imagine se a máquina quebrar em uma sexta-feira e o fornecedor não oferecer atendimento no final de semana”, supõe Guerra.

Somada às transformações da pecuária de corte quanto à necessidade de intensificar a produtividade, outra mudança tem garantido decisões mais acertadas na hora de investir em máquinas e implementos agrícolas. Trata-se da atuação das novas gerações. Filhos e netos dos produtores, já mais dispostos a lidar com os avanços tecnológicos, geralmente têm muita informação e tendem a se interessar mais por ferramentas inovadoras que ampliem os resultados e reduzam os custos de produção. Ainda que isso exija maiores investimentos iniciais. Por conta dessa renovação na gestão das fazendas, a indústria de máquinas e seus representantes comerciais já passam por uma revisão na forma de atuar. É preciso adequar a linguagem aos novos consumidores.

Em meio a essa integração de gerações e a consequente modernização da gestão, abre-se espaço para a agropecuária de precisão. A integração de tecnologias, desde o plantio até a distribuição do alimento aos animais, permite que os fazendeiros otimizem o aproveitamento das terras e do potencial de seu rebanho. Para isso, são combinados softwares, dispositivos tecnológicos (como GPS), sistemas de comunicação e os próprios equipamentos (máquinas e implementos) que exigirão dos operadores prévia capacitação.

Linhas de montagem das indústrias deverão trabalhar em ritmo acelerado nos próximos anos

CUIDADOS

Um dos maiores problemas no uso de máquinas e implementos agrícolas é a falta de capacitação dos operadores e de manutenção preventiva. Em alguns casos, até da manutenção corretiva, o que transforma uma quebra solucionável em danos irreparáveis, obrigando o pecuarista a ter de substituir o equipamento. A dor de cabeça será proporcional ao tamanho do investimento multiplicado pela necessidade do maquinário no momento em que o problema ocorra. “O fazendeiro aplica de R$ 100 mil a R$ 200 mil em um veículo e mais uns R$ 200 mil em implementos e depois coloca nas mãos de alguém que não está apto a utilizá-los”, comenta Paulo Ferraz.

O zootecnista faz um alerta para a importância fundamental de capacitar os funcionários, com o intuito de que realmente se tornem operadores desses equipamentos, conheçam o funcionamento de cada um deles e tenham condições de, além de manuseá-los de maneira correta, identificar qualquer problema ou situação preocupante. “Os custos com treinamento e capacitação dos operadores, assim como a remuneração correspondente à sua responsabilidade, deveriam fazer parte do planejamento da propriedade”, sugere Ferraz. O mesmo se aplica à infraestrutura necessária para cuidar da manutenção, como oficina, borracharia, ferramentas, peças de reposição, entre outros itens.

Capotamento corresponde a 60% das ocorrências de acidentes rurais

A conscientização quanto à condição adequada para o uso e a preservação do maquinário esbarra na dificuldade para alterar e aprimorar o comportamento, tanto por parte dos fazendeiros quanto dos “operadores”. É o que observa Ferraz. Nas propriedades em que presta assistência, procura trabalhar com planilhas diárias para anotações e controle de insumos, como arame, madeira, sementes, fertilizante e tantos outros. “Há uma grande barreira para fazer disso uma ação sistêmica, pois muita gente não se adapta, parece não entender a relevância desses dados”, confirma o zootecnista.

A aproximação entre a pecuária e a agricultura pode amenizar o problema, pois a conscientização sobre o valor das máquinas é bem diferente para quem trabalha com produção agrícola. “Para se ter ideia, em uma fazenda onde a atividade principal é agricultura, quando as máquinas ficam paradas, são suspensas para que seus pneus não encostem no chão”, diz Ferraz. Esse diferencial tem contribuído para que os agricultores se tornem pecuaristas mais rápido do que o contrário. “Em momentos de seca, por exemplo, quando o maquinário estará parado, aproveitam para se dedicar à pecuária. E têm um grande diferencial que é saber fazer comida para o gado”, acrescenta. Isso não quer dizer que não tenham que se aperfeiçoar.

Independentemente da atividade, é fato que o produtor rural de maneira geral ainda é bastante carente de informações técnicas. “A dúvida mais recorrente que vemos é sobre como calibrar e lastrar pneus”, revela Saulo Guerra, do Nempa. Frente à relevância do ajuste adequado, é uma situação preocupante. “Com a regulagem correta, é possível reduzir até 20% o consumo de combustível e até 80% a compactação do solo, fator determinante na formação de uma pastagem. Grande parte dos pecuaristas não tem um calibrador ou faz verificação periódica de insuflação dos pneus”, destaca Guerra. O especialista ainda acrescenta que geralmente as regulagens estão acima do recomendado, o que gera perdas de matéria-prima na produção de comida do gado, seja em quantidade ou qualidade.

Mais surpreendente em tal situação é a simplicidade de se fazer a aferição e os ajustes da quantidade de ar e água nos pneus. No caso da calibragem, um manômetro é suficiente para a medição. “Deve custar no máximo R$ 100”, comenta Guerra. Já para a inserção do ar é necessário que se tenha um compressor, item bastante comum na maioria das oficinas de fazendas. Para o lastro líquido, há um bico específico por onde entrará a água e a posição dele, com base nas horas de um relógio, é que vai estabelecer o volume. São quatro medidas básicas (0, 25, 50 e 75%), definidas de acordo com a necessidade. Quando não precisa de tração, também não é preciso lastro. Com o bico na posição de 6h, o preenchimento será de 25%; na posição de 3h ou 9h, 50%; e em 12h, 75%.

“Um projeto bem montado reduz custos”, garante Saulo Guerra

PREVENÇÃO DE ACIDENTES

De todas as preocupações dos pecuaristas com máquinas e implementos agrícolas visando a melhores resultados dentro de suas fazendas, nenhuma é tão significativa quanto a preservação da integridade física dos operadores. Este é um assunto da maior seriedade, pois, muito mais do que perdas de produtividade e prejuízos financeiros, diz respeito à segurança – ou não – da vida das pessoas. Apenas como exemplo, o capotamento de tratores corresponde a 60% das ocorrências de acidentes no meio rural, sendo que em 80% desses casos há mortalidade, devido à falta de estrutura de proteção apropriada e à negligência ao uso do cinto de segurança.

Os dados são do Laboratório de Investigações de Acidentes com Máquinas Agrícolas (LIMA), grupo de pesquisa vinculado ao Departamento de Engenharia Agrícola da Universidade Federal do Ceará (UFC). “Na pecuária de corte, a principal ocorrência de acidentes está relacionada a mecanismos acionados por cardãs, ou por tomada de potência (TDP)”, afirma o professor de Mecanização Agrícola da UFC e coordenador do LIMA, Leonardo de Almeida Monteiro. “Grande parte das atividades desse setor são realizadas com essa categoria de implemento, na qual se encaixam roçadeiras, picadoras de capim, desintegradoras de forragem, enfardadoras, ceifadoras, entre outras”, acrescenta. Os envolvidos em acidentes com tais equipamentos geralmente perdem partes do corpo, ficando incapacitados para o trabalho, ou até mesmo a própria vida.

Monteiro cita dois fatores como principais causas dos acidentes com máquinas e implementos agrícolas. O primeiro deles é o excesso de confiança do operador, problema que pode ser potencializado pelo descaso com os procedimentos de segurança para a operação do conjunto trator/implemento. O segundo é a falta de conscientização e de conhecimento sobre a atividade da máquina operada. “Mais de 80% dos acidentes têm o homem como causador”, destaca o especialista. Para ele, a melhor maneira de alterar esse quadro é trabalhar a conscientização no setor. “Imagino que poucos pecuaristas deixariam o operador de trator dirigir sua caminhonete. No entanto, da noite para o dia, qualquer funcionário pode virar operador de máquinas. Infelizmente, essa é uma mentalidade predominante”, lamenta.

O caminho para garantir mais segurança nas propriedades rurais e reduzir os riscos de acidentes é ampliar os investimentos em treinamentos e intensificar a fiscalização. “Em um primeiro momento, de forma educativa, para que haja a oportunidade de as fazendas se enquadrarem às normas regulamentadoras do trabalho. Assim, daremos o primeiro passo para diminuir os acidentes no campo”, afirma Monteiro.

CONHECENDO PERIGOS

Para quem tem interesse em conhecer a realidade dos acidentes com máquinas no meio rural, o Laboratório de Investigações de Acidentes com Máquinas Agrícolas (LIMA), grupo de pesquisa vinculado ao Departamento de Engenharia Agrícola da Universidade Federal do Ceará (UFC), é uma rica fonte de informações. No site www.lima.ufc.br, além de diversos dados sobre o tema, ainda é possível encontrar o livro Prevenção de Acidentes com Tratores Agrícolas e Florestais, publicação disponível para download gratuitamente.

Outra ferramenta de interação com o público é a fanpage do laboratório no Facebook, que já conta com 1.400 seguidores (www.facebook.com/Acidentes).

“O uso das redes sociais tem aumentado o potencial de divulgação dos nossos trabalhos e do conhecimento que geramos”, comenta Leonardo de Almeida Monteiro, coordenador do LIMA e professor de Mecanização Agrícola da UFC. Em parceria com a Unesp (Botucatu, SP), o laboratório está organizando o I Simpósio Brasileiro de Prevenção de Acidentes no Campo (Simprac), evento que acontecerá no segundo semestre de 2015, em Fortaleza (CE).

Uso do maquinário na produção de silagem

Exemplo de como as máquinas e os implementos agrícolas entram na rotina da pecuária de corte vem da Fazenda Alvorada, em Nova Crixás/GO. Em uma área com cerca de 32 hectares, foi feito o plantio consorciado de milho e capim mombaça (sistema Santa Fé) para produção de silagem. O rendimento total dessa área foi de 1,5 mil toneladas de massa verde, o que representa média aproximada de 47 t/ha. “Esse processo de silagem é uma estratégia utilizada para reformar as pastagens que estão com algum grau de degradação”, informa o zootecnista Paulo Ferraz, que presta consultoria técnica à propriedade.

O processo todo começa pela análise de solo, realizada geralmente no final do período das águas, para que se faça a correção de acidez e a recomendação de adubação, etapas nas quais a mecanização é necessária. A correção de acidez do solo (calagem) envolve um trator de 85 cv com uma esparramadeira de calcário. Após sua aplicação (jogado a lanço), o calcário é incorporado ao solo com a utilização de uma grade puxada por um trator de 110 cv.

No início das chuvas, vem o processo de fosfatagem, também realizado com esparramadeira acoplada a um trator de 85 cv. Caso necessário, já ocorre a aplicação de herbicida para combater invasoras, manejo feito com um pulverizador e um trator também de 85 cv. Em seguida, entra uma segunda gradagem e a aplicação de uma niveladora. Nos dois casos, o trator utilizado é de 110 cv.

Com o terreno nivelado, começa o plantio das sementes de capim com uma semeadeira e outro trator de 85 cv. Já o das sementes do milho, feito em seguida, envolve uma plantadeira e um trator de 110 cv. Após um período de 20 dias, é realizada uma adubação de cobertura com a adubadora puxada por um trator de 85 cv.


Confira os equipamentos utilizados na colheita:

- Uma colhedora de forragem;

- Três caminhões caçamba-transporte;

- Um trator de 165 cv para compactação;

- Duas carretas agrícolas basculantes (CBT) para esparramar a massa de silagem;

- Uma retroescavadeira para alinhar a massa de silagem e fechamento do silo.


A influência da acústica e da vibração

“O ruído e as vibrações podem afetar qualquer pessoa e, em especial, os trabalhadores, causando danos no curto, médio ou longo prazo. E não são apenas auditivos, pois mesmo as frequências não audíveis podem influenciar a saúde e o bem-estar do operador.” A afirmação é da presidente da Sociedade Brasileira de Acústica (SOBRAC), Dinara Xavier da Paixão. Coordenadora do curso de graduação em Engenharia Acústica da Universidade de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, a especialista detalha os problemas que podem ser causados pela exposição a condições inadequadas: “Aumento de frequência cardíaca e da pressão arterial, alterações na respiração e na produção de hormônios da tireóide, enjoo, sonolência ou insônia, alteração nos reflexos, disfunção postural, complicações de coluna, irritação, estresse, entre outros”.

Dinara Xavier alerta que as vibrações podem causar sérios danos à saúde do operador

Diante de tantos riscos, fica bem claro que as informações sobre acústica e vibrações devem ser levadas em consideração quando se faz uma análise sobre a utilização de máquinas e implementos agrícolas. Por mais que os fabricantes dos equipamentos utilizem esses fatores no desenvolvimento de novos produtos, a aplicação de forma indevida acaba expondo o operador aos riscos citados pela presidente da SOBRAC. E a análise tem de ser individual. “Não é possível generalizar. Cada caso necessita de uma avaliação criteriosa do ambiente, do posto de trabalho, da máquina, da rotina e do tempo em que o operador permanece naquela atividade”, comenta Dinara. A condição dos equipamentos também influencia na intensidade de ruídos e vibrações.

A partir desse levantamento, que também vai revelar a dose de ruído, é possível mapear os postos de trabalho e implantar um sistema de rodízio dos funcionários que desenvolvam atividades ruidosas. Essa é uma forma de garantir segurança e qualidade de vida aos operadores. Certamente, o setor rural seria beneficiado por trabalhos específicos quanto à acústica e vibração sobre a rotina de trabalho no campo com máquina e implementos. “Há um desconhecimento sobre as contribuições que podem ser agregadas entre a nossa área e o segmento agropecuário, o que ainda justifica a distância entre os dois setores.”

No site www.acustica.org. br é possível encontrar diversas informações sobre normas técnicas e legislação a respeito de acústica e vibração, orientações sobre condições ideais de trabalho, as pesquisas desenvolvidas pelos profissionais da entidade, além dos eventos do setor, como o XXV Encontro da SOBRAC, que acontecerá entre os dias 20 e 22 de agosto, em Campinas (SP).


Expozebu Dinâmica oferece maquinário especializado

A maior demanda por máquinas e implementos agrícolas para intensificar a produção de carne e leite influenciou a programação de uma das maiores feiras globais de bovinos. Ao completar 80 anos, a Expozebu ganha também uma área específica para demonstração dos processos de mecanização. Chamada de Expozebu Dinâmica, a exposição acontecerá entre os dias 7 e 9 de maio deste ano, das 8h às 17h, com entrada gratuita, na Estância Orestes Prata (Rodovia MG 427, km 2).

Em uma área de 75 hectares, a mostra terá espaço para a apresentação de equipamentos (ensiladeiras, enfardadoras, plantadoras, semeadoras, carretas, vagões forrageiros, entre outros), insumos (corretivos, fertilizantes, sementes, mudas e novas cultivares), infraestrutura (currais, bretes e balanças), sistemas de produção (integração lavoura-pecuária-floresta e pastejo rotacionado), além de outras tecnologias, como irrigação e aproveitamento de resíduos.