Caprinovinocultura

 

Os benefícios da INTEGRAÇÃO

Assim como nos bovinos, integrar a criação de ovinos com outras atividades pode gerar bons resultados

Denise Saueressig - [email protected]

A evolução dos sistemas agropecuários veio acompanhada de conceitos que envolvem um melhor aproveitamento da terra disponível, a diversificação das atividades e a sustentabilidade da produção. Levando em consideração essas premissas, é cada vez mais frequente no País o progresso em experiências com a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

Bem menos comum se comparada com os sistemas envolvendo rebanhos de gado, a integração com ovinos vem sendo analisada pela pesquisa e por alguns produtores que decidiram investir nas vantagens que a prática pode oferecer. Em Campo Grande/MS, a Embrapa Gado de Corte e o Núcleo Regional Centro-Oeste da Embrapa Caprinos e Ovinos realizam estudos com os pequenos ruminantes há alguns anos. O zootecnista e pesquisador Fernando Alvarenga Reis conta que a avaliação mais recente foi feita com o plantio de braquiária junto com a lavoura de um cereal, como o milho ou o sorgo. "Assim, depois da colheita do cereal, o pasto está formado", explica.

O consórcio da braquiária com o grão traz uma série de benefícios ao sistema. Além da qualidade do pasto ser considerada muito boa pela absorção dos nutrientes da lavoura, há quebra do ciclo de vermes presentes na pastagem. "O próprio manejo da terra ajuda a diminuir a incidência de parasitas", resume Reis.

Na pesquisa conduzida pela Embrapa, o sorgo e o capim-piatã foram plantados em março de 2013. Em julho, quando o sorgo foi colhido, o pasto estava formado e pode receber os cordeiros recém desmamados. Antes da entrada na pastagem, os animais foram vermifugados ainda no estábulo. O pesquisador lembra que para sincronizar o tempo da desmama com o desenvolvimento e altura correta do pasto é preciso programar a estação de monta, situação que é possível pela localização geográfica não determinar a estacionalidade reprodutiva.

A cada 14 dias foi realizada a pesagem e a contagem de ovos por grama de fezes (OPG). "Tivemos um ganho de peso de 180 gramas por dia, o que consideramos razoável pela diminuição de custos em relação ao confinamento. O exame de OPG se manteve abaixo de 300, o que foi bom, se levarmos em conta que a partir de 500 é indicada a vermifugação", relata Reis.

Outro ponto que chamou a atenção dos pesquisadores foi a melhora do bem-estar dos animais no ambiente do pasto. "Foi muito perceptível a diferença de ânimo entre os confinados e os não confinados", aponta.

Os ovinos que participaram da experiência de integração em Campo Grande foram terminados com 150 dias de idade e peso de 32 quilos. Durante o período em que estiveram na pastagem, os animais também receberam suplementação com uma ração formada por milho e farelo de soja com 16% de proteína bruta.

No experimento conduzido pela Embrapa, o pasto é cultivado em consórcio com o sorgo e os animais ainda recebem suplementação

O estudo da Embrapa envolveu 50 machos e fêmeas em uma área de 1,6 hectare. Nos próximos meses, o experimento deve ser repetido pelos pesquisadores, que também buscam produtores parceiros para colocar em prática os sistemas integrados. "Hoje, ouvimos falar muito mais do trabalho com bovinos, mas queremos mostrar, por meio desse nosso modelo, a viabilidade da prática também com os pequenos ruminantes", salienta Reis. Segundo ele, já existem produtores interessados em realizar projetos de integração com ovinos na região.


Convivência com as oliveiras

A área plantada com oliveiras vem crescendo no Rio Grande do Sul. Segundo informações da Emater/RS, o cultivo, que era de 2 hectares em 2005, poderá chegar a cerca de 1 mil hectares este ano. Um dos empreendedores da cultura é o produtor paulista Luiz Eduardo Batalha, proprietário da Agropecuária Chalet. Em 2003 ele adquiriu a Fazenda Guarda Velha, no município de Pinheiro Machado, onde inicialmente investiu em reprodutores da raça Angus. Em seguida foi a vez da criação de cordeiros de corte da raça Highlander, originária da Nova Zelândia.

Em 2010, depois de pesquisas em países produtores, teve início a olivicultura, que hoje ocupa em torno de 100 hectares cultivados em sistema de fertirrigação. O gerente geral da fazenda, Eberson Farias, conta que as oliveiras foram plantadas em áreas onde anteriormente ficavam os ovinos. "São as áreas mais drenadas, com solo de arenoso a pedregoso e partes meio argiloso, com pastagem nativa de qualidade e melhorada com azevém, onde tanto os ovinos como as oliveiras se adaptaram muito bem", declara.

No ano passado teve início a experiência de integrar os animais à área cultivada com as oliveiras. O pastejo passou a ser feito nas entrelinhas das árvores, onde havia grande oferta de alimento, seja azevém ou pasto nativo. "Observamos que, com um manejo adequado, a consorciação é viável. Um dos requisitos é manter o rebanho onde exista uma boa quantidade de comida para que os animais não mordam as folhas ou ramos das oliveiras", observa Farias.

Caso a oferta de alimento esteja reduzida, o recomendável é retirar os animais do local, principalmente enquanto as plantas de oliveiras estiverem baixas. "Outra alternativa é ajustar a lotação para que a quantidade de pasto se mantenha adequada", acrescenta o gerente da fazenda.

Entre os benefícios do sistema está a ausência de compactação por máquinas em trabalhos como a roçada, que é feito pelos próprios animais. "Também não precisamos aplicar herbicida para limpar as linhas e temos a adubação natural deixada pelos resíduos do rebanho. Já fui questionado se a urina dos ovinos poderia acidificar o solo, mas como nós fazemos correções anualmente para manter o pH ideal para as oliveiras, corrigimos também a possível acidificação pelos ovinos com calcário", completa Farias.