Sala de Ordenha

 

Mercado do leite ganhando sustentação

A alta do preço do leite spot e de alguns produtos lácteos no mercado atacadista é indício de que o movimento de baixa no mercado do leite deverá perder força no curto prazo.

No caso do leite spot, ou seja, o leite comercializado entre as indústrias, os movimentos de alta e de baixa tendem a acontecer primeiro, em relação às movimentações no preço do leite pago ao produtor, já que reflete mais diretamente a necessidade de compra de matéria-prima dos laticínios ou o excesso de oferta de leite no mercado.

Na primeira quinzena de fevereiro, os preços do leite spot subiram, depois de cinco meses de queda consecutiva.

Em São Paulo, o aumento foi de 13% em relação à última quinzena de janeiro deste ano. O litro está cotado, em média, em R$ 1,047. Veja a figura 1.

Em Minas Gerias e Goiás, os reajustes foram, respectivamente, de 3,6% e 13,7% neste período.

Fonte: Scot Consultoria - www.scotconsultoria.com.br

No atacado, o preço do leite longa vida subiu em fevereiro. As quedas vinham ocorrendo desde setembro de 2013, quando o litro ficou cotado, em média, em R$ 2,51, considerando a média de São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

Os estoques mais enxutos em relação ao final do ano e a expectativa de recuperação das vendas daqui em diante deram sustentação aos preços dos lácteos.

Expectativa

A partir de fevereiro o consumo de lácteos deverá aumentar e a captação de leite começa a declinar em importantes bacias leiteiras. A expectativa é de que os preços do leite ao produtor ganhem sustentação já no pagamento de março.

A falta de chuvas e o calor intenso em algumas importantes bacias leiteiras, como o Triângulo Mineiro, o Sul de Minas e a Região Sul do País, colaboram para este cenário, já que afetaram a recuperação e a qualidade das pastagens.

Chamamos a atenção também para a alta do milho e da soja no mês de fevereiro, em plena colheita, em função do clima quente e seco em alguns estados produtores.

Figura 1 - Preço médio do leite spot em São Paulo, em R$ por litro

Fonte: Scot Consultoria - www.scotconsultoria.com.br

Mercado

Em janeiro, o Brasil importou US$ 45,3 milhões em produtos lácteos, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), 7,1% menos que em dezembro/13.

O volume diminuiu 12,1% no período, totalizando 11,3 mil toneladas. O produto mais importado pelo Brasil foi o leite em pó. Foram 5,3 mil toneladas, o equivalente a US$ 25,6 milhões.

Os países que mais exportaram para o Brasil foram Argentina (50,6%), Uruguai (35,6%) e França (2,8%). Comparando com janeiro do ano passado, tanto volume como faturamento reduziram, 24,9% e 7%, respectivamente.

A maior disponibilidade de leite e as recentes quedas nos preços dos lácteos no mercado interno diminuíram a necessidade de importação. Por outro lado, as exportações brasileiras foram beneficiadas pelo aumento da oferta de lácteos no País, com a safra, e a valorização do dólar em relação ao real.

Ainda segundo o MDIC, em janeiro o Brasil exportou US$ 33,6 milhões em produtos lácteos. Na comparação com o mês anterior, este valor foi 2,6 vezes maior. Em dezembro o faturamento foi de US$ 12,7 milhões.

O volume também aumentou, tendo passado de 5,4 mil toneladas embarcadas no último mês do ano passado para 9,6 mil toneladas em janeiro de 2014. O produto mais exportado foi o leite em pó. Foram 8,8 mil toneladas, com um faturamento de US$ 30,9 milhões em janeiro.

Os principais destinos dos produtos lácteos brasileiros no mês de janeiro foram Venezuela, Cuba e Arábia Saudita, respectivamente.

Rafael Ribeiro de Lima Filho é zootecnista na Scot Consultoria