O Confinador

 

QUALIFICAÇÃO DE MÃO DE OBRA

Um grande desafio e diferencial em um confinamento

Jacqueline Lubaski*

São muitas as dificuldades que permeiam a área rural, destacando-se a mão de obra deficitária, o custo elevado das operações e a falta de motivação de pessoas e de comprometimento dos colaboradores, entre outras. E tais problemas tendem a se agravar devido às novas tecnologias, que inibem a mão de obra qualificada, impedindo sua evolução. Isso prejudica a busca pela excelência, o grande sonho de qualquer empreendedor do ramo do agronegócio.

O crescimento de uma empresa acarreta em uma grande complexidade de recursos, como aumento do capital, incremento de tecnologias e atividades de apoio. Consequentemente, surge a necessidade do aumento do número de pessoas, bem como torna-se imperativo intensificar a aplicação de conhecimentos, habilidades e destrezas indispensáveis à manutenção e à competividade do negócio. Com tudo isso, a qualificação se torna fundamental.

O papel da gestão de pessoas é exatamente qualificar a mão de obra de um confinamento usando ferramentas para que estas pessoas sejam inseridas e passam a compreender os elementos básicos do sucesso do negócio. Lembrando que, quando os empregados estão satisfeitos, motivados e comprometidos, o sucesso é consequência.

O confinamento é uma atividade que só vem crescendo no Brasil. Assim, evolui também o debate em torno da busca da evolução constante da mão de obra. Tais debates caem sempre num denominador comum: as pessoas.

Pesquisa do IBGE aponta uma diminuição da população rural. Isso deixa diversas questões em aberto quando se pretende avaliar as alternativas de melhoramento do rendimento profissional do trabalhador rural. Hoje, a população rural brasileira não chega a 16%, sendo que na década de 1940, tínhamos aproximadamente 69%. Ou seja, há uma queda acentuada e a tendência é que este número caia ainda mais, o que prejudica, e muito, o desempenho das propriedades rurais.

Por isso, a gestão de pessoas aplicada na atividade rural é de suma importância. Sabe-se que o sucesso do agronegócio está diretamente ligado à qualidade dos funcionários na produção. E, para mantê-los e fazer evoluir, é necessário dar total atenção a eles, fidelizando-os e motivando-os, de modo que eles permaneçam nas fazendas e colaborem com a expansão da produção e com o sucesso do empreendimento.

Esta atividade de confinamento, um setor em que o trabalho é, muitas vezes, rotineiro, a necessidade de pessoas comprometidas, dedicadas e qualificadas é uma realidade. A tecnologia, por mais que acrescente à produção, nem sempre substitui com eficiência o trabalho humano. E um trabalhador rural com total domínio de seu espaço, com conhecimento e vivência na área, tem total condição de oferecer serviços que resultem em produtos de qualidade, com baixo custo e entrega eficiente. E toda esta eficiência só é possível com uma equipe sincronizada, que entenda os processos de produção e compreenda sua importância dentro dele.

Com a liderança correta, funcionário se sente parte do sucesso do confinamento

CONFINAMENTO

O confinamento é uma atividade por si só exaustiva, daí a necessidade de uma equipe comprometida com a produção e resultados. Este comprometimento surge da compreensão de que o sucesso do estabelecimento é, também, o sucesso do trabalhador. Quando não há este comprometimento, todos perdem. Mas esta qualidade só é possível de se alcançar quando existe uma política de gestão de pessoas eficiente.

O empresário, deste modo, precisa entender que seu pessoal é que o diferencia num mercado competitivo e que irá promover o sucesso desta operação. Só assim poderá fazer com que os trabalhadores se sintam parte fundamental do processo produtivo.

CAPACITAÇÃO

Existem várias formas de capacitar: treinamentos sobre detalhes que fazem a grande diferença, buscando a particularidade de cada fazenda; reuniões participativas com trabalho de brainstorming (técnica de dinâmica em grupo). Na gestão de pessoas não existem alternativas para que elas se sintam inseridas e motivadas. Uma comunicação interna deve acontecer. Os mesmos necessitam conhecer o que lhe foi proposto. É preciso transparência, envolvimento da diretoria da empresa e troca de informações. O empregado deve se sentir como dono do negócio, considerando que são as pessoas mais indicadas para a resolução de problemas. Pela vivência de campo, o pessoal está, todo o tempo, lidando com adversidades. Conhece bem o cheiro, a temperatura, os ruídos, enfim, tudo aquilo que pode caracterizar as reais necessidades do negócio. Ou seja, conhecem 100% dos problemas, mas, muitas vezes, não se sentem incentivados a ajudar. As lideranças são os responsáveis por isso, e bons líderes conquistam bons resultados, equipe comprometida e motivada.

São muitas as capacitações para o confinamento na parte técnica. Mas não se deve esquecer que o principal são as pessoas. Precisamos prepará-las para receber estas informações, precisamos conhecer nosso público, sua escolaridade, seus anseios e desejos para irmos ao encontro de fazermos um bom trabalho. Precisamos conhecer a linguagem, pois o homem do campo é um profissional diferenciado, pois tudo é muito novo para ele, sua aceitação é sempre muito positiva, desde que sejam usadas as palavras certas, por pessoas que sejam do meio e usem uma linguagem voltada a ele, levando, assim, conhecimento e oportunidades de crescimento. O confinamento, em especial, é um setor difícil, pois a jornada é árdua e as condições físicas complicadas. Porém, temos inúmeras formas de trabalhar com treinamentos envolventes, tais como comprometimento, trabalho em equipe e relacionamento interpessoal. E não podemos deixar de frisar inúmeros treinamentos técnicos, como Manejo Racional, Boas Práticas Sanitárias, Bemestar Animal, entre outros. Enfim, são inúmeros os processos que podemos contar, e isso é o trabalho conjunto do Departamento de Recursos Humanos- RH/Gestão de Pessoas com as lideranças da propriedade.

RELACIONAMENTO

Até a pouco tempo atrás, o relacionamento entre pessoas e organizações, principalmente o administrativo, era considerado antagônico e conflitante. Porém, isso acontece com empresas que não trabalham com uma gestão de pessoas atuante, um Departamento de Recursos Humanos - RH que busque o desenvolvimento de objetivos conjuntos, como lucro, produtividade, eficácia, maximização da aplicação dos recursos físicos e financeiros, redução de custos. A organização que deseja alcançar seus objetivos precisa saber canalizar os esforços das pessoas para que essas também atinjam seus objetivos individuais. Assim, tanto o empresário quanto o trabalhador saem ganhando. E não é apenas o ganho financeiro que está em jogo: trata-se de participação e sinergia de esforços. Vai além de salários melhores: trata-se de estabilidade, segurança, qualidade de vida, respeito, liderança e orgulho da organização que a mesma faz parte.

Todo este trabalho não é apenas estético. Estas medidas influenciam decisivamente os custos, o que fará toda a diferença ao final do processo. Os passivos da mão de obra, não só de um confinamento, mas de todo agronegócio e empresa, é um fator pertinente para os resultados. Uma equipe entrosada, que compartilha os objetivos, representa menores impactos e, consequentemente, lucros maiores.

PARTICIPAÇÃO

Alguns empresários de agronegócio perguntam se os programas de bonificações são ferramentas que fazem a diferença em um confinamento. Este é um assunto delicado. As bonificações e até mesmo o famoso PPR – Prêmio de Participação nos Resultados – eram soluções limitadas, pois havia a insegurança de ter que abrir números. No entanto, estas medidas já estão acontecendo no agronegócio e obtendo grandes resultados. Porém, deve ser uma medida muito bem trabalhada, usando-a como uma ferramenta a favor da empresa/ funcionário. É preciso saber canalizar os esforços das pessoas para que também estas atinjam os seus objetivos individuais e que ambas as partes saiam ganhando. Seria uma relação do tipo "ganha-ganha", em um jogo de interesses de ambos, tanto funcionário quanto proprietário. Não podemos deixar de frisar que, com o crescimento da competitividade no agronegócio e consequente inserção do confinamento e a chegada de inúmeras tecnologias, o setor rural rural precisa fazer algo diferente para fidelizar seus funcionários/colaboradores em busca de um resultado financeiro sustentável e maior. Se as empresas são constituídas de pessoas e dependem delas para atingir os objetivos e cumprir suas metas, consequentemente os mesmos precisam conquistar seu espaço no mercado para manter os empregos. Por isso, é importante se utilizar deste conjunto de necessidades, para que se torne um modelo de gestão moderna e com resultados positivos.

Para Jacqueline Lubaski, é necessário fazer os funcionários se sentirem pessoas

LIDERANÇA

Toda esta busca e desafios pedem um envolvimento primordial de líderes. Dentro de uma organização, os conflitos existem e se tornam um problema caso não haja uma boa liderança. Liderança esta que seja firme, mas participativa, que se envolva com os problemas dos colaboradores. O colaborador nem sempre necessita que resolva seus problemas, mas precisa que as lideranças demonstrem interesse pelo mesmo. Trata-se de atenção, reconhecimento, que o faz se sentir importante. Na verdade, é o trabalho de massagem do ego e da autoestima de cada um. Sempre digo que o bom líder deve ser professor, amigo, psicólogo e, principalmente, uma pessoa que saiba falar, cobrar, ensinar e elogiar.

Transformar-se em um confinamento que tenha bons produtos, com um custo baixo e uma eficiência desejada, é trabalho árduo. Esta operação não dispõe de muito tempo pra planejamento. Cada dia que passa pode significar prejuízos maiores. É necessário compreender que a equipe fará a grande diferença juntamente com seu líder, não com interesses individuais, mas sim interesses mútuos, nos quais a melhoria contínua deve ser a ordem de todos os dias.

O bom líder atinge metas com as pessoas envolvidas e nunca sozinho, por isso, faça com que os funcionários se sintam pessoas.

*Jacqueline Lubaski é pedagoga, jornalista e consultora especializada em Gestão de Pessoas - [email protected]


MADE IN BRAZIL

USDA e MAPA alinham acordo para possibilitar a entrada de carne bovina in natura brasileira nos EUA

Bruno Santos * [email protected]

Após longos anos de expectativas e negociações entre o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), parece que, finalmente, está se chegando a um acordo quanto à entrada da carne bovina in natura brasileira nos Estados Unidos.

Essa nova possibilidade – de os americanos abrirem as porteiras para a carne natural brasileira – não é por mero acaso. Os habitantes da terra do Tio Sam estão pressionados com a baixa de seu rebanho, e, segundo especialistas, deve continuar assim, no mínimo, pelos próximos três anos, porque só agora iniciou-se a reposição de bezerros por lá. Mas há quem diga que os estoques nunca mais serão os mesmos.

Outro fator que está preocupando os Estados Unidos chama-se Austrália, o país da Oceania, que, até então, vem mantendo a demanda americana, passa por um momento de desequilíbrio causado, principalmente, por uma grande seca que se arrasta desde o ano passado. Com isso, os pecuaristas estão sendo obrigado a abater as fêmeas.

Segundo o engenheiro-agrônomo e sócio-consultor da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros, o preço da carne vermelha dentro da Austrália está mais barato que no Brasil, devido a esse grande abate de fêmeas australianas, que nos últimos 12 meses saltou 25%. "O mercado internacional ainda não é pressionado, mas logo os australianos terão de recuar e segurar fêmeas", cita.

Esse assunto tem gerado grandes debates nos Estados Unidos entre o governo e empresas privadas, que através de consultas públicas, tentam encontrar soluções vantajosas para esse acordo sobre a entrada da carne in natura brasileira.

Para Barros, os norte-americanos querem algo em troca. "Normalmente, a indústria e os serviços. O que a gente não pode ignorar é que há grande interesse dos Estados Unidos. Nós nunca vimos tamanha escassez. Trata-se de uma economia em recuperação e com desequilíbrio muito grande na oferta de proteína vermelha", argumenta.

Mas, o consultor é cauteloso e alerta que os pecuaristas brasileiros não devem criar grandes expectativas. "A princípio serão pequenas cotas, mas, uma vez autorizada a entrada de carne in natura nos Estados Unidos, existem grandes chances, como Japão, Coreia e México. E nisso se abre uma possibilidade que não esperávamos, de vender para um mercado que paga US$ 12 milhões por tonelada de carne e não US$ 5 milhões como estamos acostumados", destaca.

Isso porque o sistema sanitário norte-americano é referência mundial, sendo utilizado como base para diversos outros mercados importantes. Assim, esta decisão poderá influenciar outros países a acelerar as negociações com o Brasil.

O USDA já sinalizou que só vai permitir as importações de carne bovina brasileira in natura das áreas livres de febre aftosa. Para isso, se propôs a analisar frigoríficos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Distrito Federal, Tocantins, Sergipe e Rondônia, desde que sejam cumpridas todas as condições sanitárias previamente impostas.

Mesmo com a demanda interna crescente nos Estados Unidos, as autoridades daquela nação tentam via consulta pública adiar ao máximo a decisão. Isso porque eles sabem que assim que autorizarem a entrada do produto brasileiro, não terão como segurar mais, pois nossa carne é muito mais competitiva.

A carne nos Estados Unidos custa, em média, US$ 94 por arroba. Nesse cenário, o Brasil entraria no País com carne (de qualidade) a US$ 45, menos da metade do valor, o que despertaria um enorme interesse dos consumidores.

"Uma vez autorizada a entrada nos EUA, não terá como segurar nossa entrada em outros mercados", diz Alexandre Mendonça

EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, em seu último relatório anual do balanço de 2013, levando em conta o período de janeiro/dezembro, o Brasil exportou 1.183.246 toneladas de carnes in natura, um aumento de 24% diante 2012.

O principal destino foi a Rússia, com 303.623/t, seguida por Hong Kong, com 216.873/t; Venezuela, com 156.952/t, que aumentou suas compras em 80%; Egito, com 133.793/t; e Chile, com 74.766/t. O que chamou a atenção foi o elevado crescimento das vendas para Hong Kong. Comparando com o mesmo período de 2012, comprou 118% mais.


Encontro reúne mais de 100 pecuaristas de todo o Brasil

A entrada da carne bovina brasileira in natura nos Estados Unidos foi tema abordado durante o 2ª edição do Encontro de Confinadores Premix, realizado de 3 a 5 de fevereiro, na Barra da Tijuca/RJ. O evento teve início com a palavra do sócio-diretor da empresa, Marco Guidolin, e também de José Guimarães Monforte, novo presidente do Conselho. O encerramento ainda contou com a presença ilustre do jornalista e cineasta Arnaldo Jabor, que traçou um panorama da política brasileira.

*O jornalista acompanhou o Encontro a convite da Premix.