Mercado

Carne brasileira espera ganhar mais espaço

Embora não possamos afirmar com precisão a recuperação da economia global, o cenário para a carne bovina brasileira deverá se manter positivo devido à maior demanda mundial por carne vermelha. Esta demanda é oriunda principalmente de países asiáticos e de Hong Kong, que vem tirando a liderança da Rússia na importação brasileira.

O ano de 2013 encerrou com um cenário positivo e espera-se que em 2014 o mercado se mantenha aquecido. Apesar das especulações e incertezas, alguns fatores importantes apontam 2014 como ano promissor para a carne bovina. Em 2014, teremos eleições e o Brasil sediará um grande evento, que é a Copa do Mundo de Futebol. A chegada de um grande número de estrangeiros impulsionados pelo evento irá aquecer ainda mais o consumo da proteína vermelha.

Há perspectiva de que o dólar permaneça acima dos patamares atuais, o que favorecerá as exportações. Fatores positivos, como aumento do salário mínimo, que foi de 6%, e a redução da taxa de desemprego, fazem com que a população fique mais capitalizada, favorecendo o consumo interno.

O preço da arroba tem agradado muito os produtores. No estado de São Paulo segue valorizada, sendo cotada a R$ 114,50. No mesmo período do ano passado, valia R$ 98,00; portanto, tivemos um acréscimo de 16,83%. Esta alta foi consequência da restrita oferta de animais, pois em 2013 alguns fatores comprometeram a produção, como as geadas ocorridas em algumas regiões do País. Também tivemos um menor número de animais confinados e o ano entrou com a oferta de boi de pasto reduzida. Em 2013, também tivemos um maior número de abate de fêmeas, mas para 2014 o produtor deverá reter as matrizes para recomposição da cadeia produtiva, a fim de atender à demanda, principalmente devido à Copa do Mundo.

Observando o gráfico "Boi gordo no mundo", no período analisado entre 23/12/2013 e 17/01/2014, percebemos uma valorização da arroba em todos os países com relação ao período analisado na edição passada. No Brasil, tivemos uma alta de 0,78%. Neste período, houve variação cambial, com queda do dólar no final de dezembro.

No País, apesar da pecuária ter perdido espaço para outras culturas, como milho, soja e eucalipto, não houve redução na produção devido a um maior investimento em tecnologia. Apesar da concorrência com países como Argentina, Austrália e Estados Unidos, possuímos potencial de crescimento, sendo os mais indicados para atender toda demanda por carne vermelha.

Na Argentina, o cenário permanece desanimador e o desincentivo do governo faz com que produtores deixem a pecuária e migrem para outras atividades cuja rentabilidade seja maior, como a cultura da soja, por exemplo. Consequentemente, o rebanho argentino tende a se reduzir.

A Austrália é o 3º maior exportador do mundo. Apesar de possuir extensas áreas para produção, o país enfrenta problemas com a redução da oferta de água. As altas temperaturas têm prejudicado o rebanho australiano, pois em certas regiões a temperatura chega a ultrapassar os 40ºC. Por este motivo, possivelmente, haverá um maior abate de animais naquele país. Já os Estados Unidos se mantêm como maior exportador de carne bovina, mas é também um grande importador do produto. Atualmente, a carne americana abastece dois grandes mercados: Japão e Coreia do Sul.

As exportações brasileiras em 2013 deram um salto, chegando a 6,6 bilhões de dólares e, neste ano, esperamos que o cenário permaneça otimista. O Brasil pretende conquistar novos mercados e abrir portas para entrada de seu produto. A notícia animadora do momento é a possível abertura do mercado americano para carne bovina in natura. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), a Federação dos Estados Unidos publicou no dia 23 de dezembro a abertura de consulta pública a fim de analisar a abertura do mercado para o produto brasileiro. Ao final de 60 dias será emitido um parecer quanto a isso. Quatorze estados brasileiros reconhecidos como áreas livres de febre aftosa com vacinação estarão sob consulta pública. São eles Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

O Brasil aguarda a reabertura para os mercados da China, Arábia Saudita, África do Sul, Qatar e Kuwait, países que proibiram as compras da carne bovina no fim de 2012, em virtude da notificação de um caso atípico de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), ocorrido no estado do Paraná. Espera-se uma missão saudita para fevereiro, a fim de suspender tal embargo, pois não há motivos para tal restrição. Já a Rússia esteve em missão pelo Brasil em dezembro de 2013 e, até o momento, aguardamos um parecer positivo quanto à manutenção das habilitações. Já o Irã, finalmente, suspendeu o embargo.

Como pode ser observado no gráfico "Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF", para o período analisado, entre 23/12/2013 e 17/01/2014, houve oscilação em todas as praças analisadas. A arroba ganhou força, como é o esperado próximo ao período das festividades de final de ano. Em São Paulo foi registrado preço histórico do setor na praça nacional, com a arroba chegando a valer R$ 116,00. Já na virada do ano tivemos uma queda no preço, pois o consumo baixa no fim das festas e com a chegada de novos compromissos que o consumidor tem de arcar, como os impostos, por exemplo.

Analisando o gráfico "Deságio do preço do boi gordo por UF", no período de 23/12/2013 a 17/01/2014, a média paga aos pecuaristas entre o preço à vista e a prazo (30 dias) foi de 0,38%.

O preço médio do bezerro foi de R$ 724,06/cab. para o período de 23/12/2013 a 17/01/2014. Houve desvalorização no RS, com o bezerro sendo cotado a R$ 610,00/cab., e no MT, valendo R$ 720,00. Nas demais federações, o bezerro valorizou e foi cotado a R$ 820,63/cab. em SP; R$ 659,38/cab. em MG; R$ 741,25/cab. em GO; R$ 811,25/cab. no MS; R$ 630/cab. no PA e R$ 800,00/cab. no estado do PR.

O boi magro registrou aumento em seis das oito praças analisadas, com o preço saltando para R$ 1.353,75 /cab. no estado de SP; R$ 1.192,50/cab. em MG; R$ 1.285,63/cab. em GO e MS; R$ 1.137,50/cab. no PA e R$ 1.193,75/cab. no RS. Já nos estados do MT e PR o preço do boi magro recuou, sendo cotado a R$ 1.189,30/cab e R$ 1.245,00/cab, respectivamente. O preço da arroba do boi magro vem se valorizando com o encurtamento da oferta de bezerros em consequência do maior número de abates de fêmeas que vêm ocorrendo desde 2011.

Os índices médios de relação de troca entre as categorias de reposição e boi gordo ficaram em 2,36 para desmama/ boi gordo. Para boi magro/boi gordo ficou em 1,37, não sofrendo alterações significativas.

No âmbito geral, podemos dizer que o mercado da carne bovina para 2014 será promissor, com bons volumes de carnes exportadas e recuperação de mercados antes fechados para nosso produto. No mercado interno, espera-se que o governo mantenha a política de incentivo, pelo ano eleitoral, e que o preço da arroba siga valorizado, pois teremos uma menor oferta de animais para abate. Neste começo de ano, podemos dizer que o produtor está mais tranqüilo com os preços animadores, embalados pelo bom período de consumo que compreende as festividades do final de ano e pela baixa oferta de animais de pasto. Apesar do bom momento, sempre é bom manter cautela e trabalhar com planejamento, aproveitando as oportunidades de negócios, e não perder o foco, que é transformar a pecuária em uma atividade moderna e lucrativa.

Rita Marquete
Boviplan Consultoria