Sala de Ordenha

Maior oferta de leite e menor demanda pressionam mercado

A pressão de baixa continua no mercado do leite. Foi registrado o terceiro mês de queda consecutiva no pagamento de dezembro de 2013, referente ao leite entregue em novembro. Segundo levantamento da Scot Consultoria, considerando a média dos 18 estados pesquisados, o produtor recebeu R$ 0,974 por litro de leite.

Desde o pagamento de setembro, os preços ao produtor caíram 3,9%. De qualquer maneira, em relação ao mesmo período de 2012, o produtor recebeu 17,9% mais por litro de leite. O período de safra e, consequentemente, o aumento da produção seguem como principais fatores de baixa do mercado de leite. A captação está em alta desde o final do primeiro semestre. O pico de produção para o Brasil Central e a região Sudeste está previsto para este mês (janeiro/14).

Outro ponto importante é que com os estoques recompostos nas indústrias e a demanda na ponta final patinando com as férias e festas aumentaram a pressão de baixa sobre as cotações. No atacado, considerando todos os produtos lácteos pesquisados pela Scot Consultoria, houve queda de 0,9% nos preços na primeira quinzena de janeiro, em relação à segunda metade de dezembro.

O leite longa vida foi um dos principais produtos que puxaram esta queda. O litro do longa vida foi vendido no mercado atacadista por R$ 1,91, em média, queda de 5,4% em relação à segunda quinzena de dezembro último, quando o preço médio vigente era de R$ 2,02 o litro. Esta foi a maior queda quinzenal verificada desde junho de 2010.

Desde o pico de preços do UHT em agosto/setembro, quando a indústria chegou a comercializar o produto por R$ 2,51 por litro, em média, houve recuo de 23,9%.

Foram R$ 0,60 a menos por litro em quatro meses. Ainda assim, o patamar atual está 5,3% acima do valor praticado em igual período de 2013. Outros produtos favoreceram a queda nos preços dos lácteos na primeira metade de janeiro. Os destaques foram o iogurte e o grupo dos queijos, com oscilações negativas de 2% e 1,1% no período, respectivamente.

A dificuldade recente de escoamento da produção refletiu em recuos nas cotações dos lácteos no mercado atacadista. Outro fator de dificuldade nas vendas neste período foi a concorrência entre os laticínios, já que a diferença entre cotação mínima e máxima é de R$ 0,65/litro.

No varejo, os preços dos produtos lácteos ficaram praticamente inalterados na primeira metade de janeiro. Considerando todos os produtos pesquisados pela Scot Consultoria, houve queda de 0,1%, em relação à segunda quinzena de dezembro.

Dos produtos que puxaram a baixa, os destaques foram o leite condensado e a coalhada, com queda de 3,3% e 2,5%, respectivamente. O leite em pó também ficou mais barato no período. Na quinzena em questão, o quilo do produto foi vendido, em média, por R$ 21,82 nos supermercados paulistas, recuo de 1,5% em relação ao preço médio praticado na segunda metade de dezembro. O leite em pó tem sido vendido.

O leite em pó tem sido vendido a um patamar 18,6% superior ao verificado em igual período do ano passado. O pico de preços do produto em 2013 foi alcançado na segunda metade de outubro, quando era comercializado, no varejo paulista, a R$ 22,65 o quilo, em média.

O leite longa vida teve mais uma quinzena de queda, desta vez menos expressiva. Houve recuo de R$ 0,02 ou 0,8% no litro do UHT em 15 dias. A cotação atual do produto está em R$ 2,62. Este preço está 11,3% acima do vigente no mesmo período do ano passado.

Expectativas

Para o pagamento a ser realizado em janeiro de 2014, referente à produção de dezembro de 2013, 79% dos laticínios pesquisados acreditam em queda do preço do leite ao produtor, 20% falam em manutenção e o 1% restante fala em alta (laticínios na região Nordeste).

A expectativa é de que o mercado do leite, em todos os elos, siga pressionado até fevereiro/março, quando é esperada uma recuperação do consumo interno e a produção começa a declinar com mais força nas principais bacias leiteiras do país.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista Scot Consultoria